União Divina





Capítulo 1.     Divórcio Bíblico
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Divórcio Bíblico

    Estamos embarcando numa busca por respostas para um problema sério e complicado: descobrir a verdade sobre o caráter obrigatório da instituição do casamento. Em nossos dias, virtualmente toda Igreja e denominação tem decidido que sob certas condições um casamento pode ser desfeito e os divorciados podem se casar novamente.
    Estas regras permissivas são ensinadas como se fossem a Palavra de Deus. Solenemente, pastores dizem que têm completa autoridade de Deus para encorajar o divórcio sob certas condições e chamar Deus para testemunhar a união de pessoas que são divorciadas. O que a Bíblia diz sobre isso?
    Para entender os ensinamentos Bíblicos concernentes a casamento e divórcio, devemos começar compreendendo as leis cerimoniais da Bíblia, onde Deus fala de casamento e divórcio, e sua relação com o mundo e a Igreja de hoje. Vários teólogos de nossos dias acreditam que há nas leis cerimoniais uma base que permite o divórcio e outros casamentos. Em seu entendimento equivocado destas leis, eles fazem uma caricatura das leis cerimoniais e usam-na para justificar os divórcios.

O que são as leis cerimoniais?

    Quando Cristo estava na terra, Ele falava através de parábolas e “quando estava sozinho com os discípulos, ele explicava tudo” (Marcos 4:34). Algumas vezes Jesus falava às pessoas que Ele estava contando uma parábola. Outras vezes simplesmente contava a história e através de algumas partes da Bíblia nós sabemos que era uma parábola. Por exemplo, freqüentemente Ele começava a história ou a declaração com as palavras “o reino dos céus é assim...” Quando usava estas palavras na introdução Ele estava contando uma parábola.
    Uma parábola é uma história terrena com um significado espiritual. Isto é, uma parábola é uma história ou ilustração retirada do mundo secular, mas a aplicação relaciona-se com algum aspecto da salvação. Ela pode abordar algum aspecto da morte ou ressurreição de Cristo; pode estar relacionada à fé na vida do cristão; pode enfatizar o caminho para o Evangelho; pode falar do Juízo Final.
    Em conseqüência da nação de Israel fazer parte da história do Evangelho, algumas parábolas falam dos planos de Deus para ela. Por exemplo, em

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Mateus 21:33-45, a parábola do mau marido mostra o fato de que o reino de Deus poderia ser tomado do povo de Israel e dado a outros.
    No Velho Testamento, este método de ensinar foi usado extensivamente; por exemplo, nos tipos e sombras que Deus empregou nas leis cerimoniais que esboçam as atividades de adoração e nas leis civis que governam muitos dos perseguidores dos Israelitas.
    Estas leis são chamadas “leis cerimoniais” pelos teólogos porque na terra, elas deveriam ser rigorosamente obedecidas pelo povo de Israel.
    Depois de Cristo ter sofrido na cruz, o aspecto terreno destas leis não foi mais obedecido. Agora apenas o significado celestial inerente a essas leis continua a ser observado. Quando Cristo sofreu na cruz, a grande cortina que separava o céu da terra foi rasgada de cima a baixo pelo dedo de Deus. Isto sinalizou o fim da observação, da interpretação literal das leis cerimoniais. Desta época em diante, os olhos dos cristãos deveriam observar apenas o aspecto espiritual dos ensinamentos contidos nas leis cerimoniais, que eram opostos à sua interpretação literal.
    De fato, quando a Igreja do Novo Testamento se juntou para decidir quais das leis cerimoniais deveriam ser obedecidas pelos Gentios salvos, eles concluíram em Atos 15:28-29:
“Por que decidimos, o Espírito Santo e nós, não impor sobre vocês nenhum fardo, além destas coisas indispensáveis: abster-se de carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, das carnes sufocadas e das uniões ilegítimas. Vocês farão bem se evitarem estas coisas. Saudações!”
    Assim, a observação das leis cerimoniais acabou. As leis cerimoniais fizeram com que o número de sacrifícios de sangue e oferendas alcançassem as dimensões e características do edifício do Templo.
    Estas leis deveriam ser obedecidas literalmente por Israel, como experiências terrenas, mas eles pensaram que o que acontecia na terra era apenas uma sombra ou aspecto da salvação de Deus. Em Colossenses 2:16-17, Deus enfatiza este princípio:
“Ninguém, pois, julgue vocês pelo que comem ou bebem, ou por causa de festas anuais, mensais ou de sábados. Tudo isso é apenas sombra daquilo que devia vir. A realidade é Cristo.”
    Inclusas nas leis cerimoniais havia leis sobre o casamento. Três destas leis eram especialmente dignas de nota.

Cristãos não devem se casar com não-cristãos

    A primeira destas três leis foi dada ao povo de Israel quando eles estavam indo para Canaã. Deuteronômio 7:2-4:
“E o Senhor teu Deus as tiver dado diante de ti, para as ferir, totalmente as destruirás. Não farás com elas concerto, nem terás piedade delas, nem

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te aparentarás com elas; não darás tuas filhas a seus filhos, e não tomarás suas filhas para teus filhos; pois fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a outros deuses; e a ira do Senhor se acenderia contra vós, e depressa vos consumiria.”
    A primeira parte desta lei aponta para o julgamento espiritual dos que não crêem, quando os que crêem julgarão os que devem ser mandados ao inferno por seus pecados (1 Coríntios 6:2; Apocalipse 2:26-27). A aplicação terrena disto, é que Israel deveria destruir as nações da terra de Canaã.
    A segunda parte da lei aponta para o princípio espiritual de que cristãos não devem se juntar aos que não crêem. A nação de Israel simboliza os que crêem em Cristo. As nações pagãs que rodeiam Israel simbolizam o mundo com suas seduções e tentações. Homens do povo de Israel não devem se casar com mulheres pagãs, e cristãos não devem ficar unidos ou “casados” com o mundo. Deus declara em Isaías 52:11:
“Retirai-vos, retirai-vos, saí daí, não toqueis coisa imunda; saí do meio dela, purificai-vos, os que levais os vasos do Senhor.”
    Nesta exortação os Israelitas efetivamente eram aconselhados a se divorciarem dos que não eram puros. A aplicação literal, terrena, para isto diz que se eles se casassem com mulheres pagãs, eles deveriam se divorciar delas (em violação do Deuteronômio 7:2-4). A verdade disto pode ser dramaticamente observada no livro de Esdras.
    Os últimos dois capítulos de Esdras revelam uma triste e traumática experiência enfrentada por Israel. Sob a liderança de homens como Neemias e Esdras, um grupo de Israelitas voltou a Jerusalém. Em Jerusalém eles descobriram que diversos homens haviam desposado mulheres pagãs, que tiveram filhos. Esdras 9:2-4:
“Porque tomaram das suas filhas para si e para seus filhos, e assim se misturou a semente santa com os povos destas terras; e até a mão dos príncipes e magistrados foi a primeira nesta transgressão. E, ouvindo eu tal coisa, rasguei o meu vestido e o meu manto, e arranquei os cabelos da minha cabeça e da minha barba, e me assentei atônito. Então se juntaram a mim todos os que tremiam das palavras do Deus de Israel por causa da transgressão dos do cativeiro; porém eu me fiquei assentado atônito até ao sacrifício da tarde.”
    Em resposta à séria violação da lei do Deuteronômio 7:2-4, os líderes de Israel tomaram uma importante e difícil decisão. Eles decidiram que estes homens deveriam se divorciar de suas esposas pagãs. Esdras 10:2-3:
“Então respondeu Secanias, filho de Jeiel, um dos filhos de Elão, e disse a Esdras: Nós temos transgredido contra o nosso Deus, e casávamos com mulheres estranhas do povo da terra; mas, no tocante a isto, ainda há esperança para Israel. Agora, pois, façamos concerto com o nosso Deus de que despediremos todas as mulheres, e tudo o que é nascido delas,

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conforme ao conselho do Senhor, e dos que tremem ao mandado do nosso Deus; e faça-se conforme a lei.”
    A decisão foi deixar que isto fosse feito de acordo com a lei. Em Isaías 52:11 a lei de Deus decreta que os que se envolveram com coisas impuras deveriam se afastar delas. Em termos práticos, se um Israelita desposasse uma mulher pagã, ele deveria se divorciar dela; assim Esdras e os outros líderes entendiam a lei. Esdras 10:10-12:
“Então se levantou Esdras, o sacerdote, e disse-lhes: Vós tendes transgredido, e casastes com mulheres estranhas, multiplicando o delito de Israel. Agora, pois, fazei confissão ao Senhor Deus de vossos pais, e fazei a sua vontade; e apartai-vos dos povos das terras, e das mulheres estranhas. E respondeu toda a congregação, e disseram em altas vozes: Assim seja, conforme às tuas palavras nos convém fazer.”
    Lemos em Esdras 10:16-17:
“E assim o fizeram os que tornaram do cativeiro. E apartaram-se o sacerdote Esdras e os homens, cabeças dos país, segundo a casa de seus pais, e todos pelos seus nomes; e assentaram-se no primeiro dia do décimo mês, para inquirirem neste negócio. E acabaram com todos os homens que casaram com mulheres estranhas, até ao primeiro dia do primeiro mês.”
    Combinando as leis do Deuteronômio 7:2-4 e Isaías 52:11 com os dois últimos capítulos de Esdras, vemos que a aplicação da lei cerimonial sobre o casamento diz que havia divórcio Bíblico. Se um homem violasse a lei do Deuteronômio 7:2-4 casando com uma mulher pagã, a lei de Isaías 52:11 decretava que ele deveria corrigir esta situação pecaminosa, divorciando-se de sua esposa.
    O significado espiritual introduzido por essas leis continua até hoje. Em 2 Coríntios 6:14-17, Deus declara:
“Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o tempo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Pelo que saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; e não toqueis nada imundo, e eu vos receberei.”
    Deus está enfatizando que os cristãos não devem se unir a nada que pertença ao reino de Satã: pode ser alguém com quem desejamos nos casar, ou pode ser qualquer situação em que nos tornamos tão enredados com o mundo, que é como se estivéssemos casados com ele.
    Se encontramos essa condição em nossas vidas, devemos nos separar disso. Devemos abandonar esta condição impura. Abandonar o mundo é o

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que Deus mostra com o divórcio Bíblico nos dois últimos capítulos de Esdras.

Eu devo me separar de minha esposa descrente?

    Se os homens de Israel deveriam se separar de suas esposas pagãs, o que dizer hoje de um casamento em que um cristão está casado com um não?cristão? Deve o cristão se divorciar?
    No Novo Testamento quando Deus diz “Israel”, Ele fala de todos os cristãos. De acordo com o Velho Testamento, os homens de Israel não deveriam se casar com mulheres pagãs e de acordo com o Novo Testamento, os homens de Israel, os que realmente crêem, não deveriam se casar com pessoas que não foram salvas. Isto significa que Deus quer que os cristãos se separem de suas esposas que não crêem? Deus responde esta pergunta em 1 Coríntios 7:12-13:
“Mas aos outros digo eu, não o Senhor: Se algum irmão tem mulher descrente, e ela consente em habitar com ele, não a deixe. E se alguma mulher tem marido descrente, e ele consente em habitar com ela, não o deixe.”
    Deus também responde esta questão quando fala da mulher que está casada com um marido descrente, em 1 Pedro 3:1:
“Semelhantemente vós, mulheres, sede sujeitas aos vossos próprios maridos; para que também, se alguns não obedecem à palavra, pelo porte de suas mulheres sejam ganhos sem palavra.”
    Deus diz que não é necessário divorciar-se quando há um casamento deste tipo. Portanto, a aplicação das leis cerimoniais do Deuteronômio 7:2-4 e Isaías 52:11 não precisa ser seguida. Estas leis não dão uma base válida para o divórcio.
    O sentido espiritual destas leis continua hoje. Qualquer um que estiver demasiado envolvido com o mundo, a ponto de parecer “casado” com ele deve mudar esta situação. Os que estiverem assim devem desfazer esta aliança profana.
    Portanto, até Cristo ser crucificado, um divórcio sancionado biblicamente era necessário quando o homem violava o Deuteronômio 7:2-4 casando-se com uma mulher pagã. O aspecto terreno desta lei teve fim quando Cristo morreu (2 Coríntios 7:12-13, 2 Coríntios 6:14-17, 1 Pedro 3:1).


CAPÍTULO 2