MATEUS
Estamos começando uma série de pequenas mensagens no livro de Mateus do Novo Testamento. Este é o primeiro livro do Novo Testamento. Não vamos estudar todos os versículos. Mas vamos examinar muitos versículos, e você pode usar essas mensagens para lhe guiar a chegar a uma compreensão de outras passagens de Mateus.
1. TEMAS
Dentre os muitos temas que o livro de Mateus ensina escolhemos focalizar Jesus Cristo como o rei que reina. Essa é uma idéia que também é encontrada no livro de Zacarias que está no Velho Testamento, capítulo 9, versículo 9.
2. VERSÍCULO CHAVE
Um versículo chave no livro de Mateus que chama a nossa atenção para o tema é Mateus 2:2, que diz, "Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? pois do oriente vimos a sua estrela e viemos adorá-lo."
3. PEQUENA VISÃO
Agora vamos apresentar uma pequena visão do livro de Mateus. Vamos examinar porções do livro e apontar para detalhes de cada porção.
Os capítulos 1 e 2 de Mateus podem ser entitulados "A Vinda do Rei." Nessa porção observamos que o nome de Jesus revela o grande propósito para a Sua primeira vinda a esse mundo. Vamos ler Mateus 1:21, "Ela dará à luz um filho, a quem chamará JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados." A frase "seu povo" significa todos os verdadeiros crentes. Outra grande verdade em Mateus é que o Rei é o próprio Deus. Observe Mateus 1:23, "Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, o qual será chamado EMANUEL, que traduzido é: Deus conosco." Também podemos observar que quando os magos foram visistar Jesus, eles sabiam que estavam procurando por um rei. Lemos em Mateus 2:2, "Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? pois do oriente vimos a sua estrela e viemos adorá-lo." Finalmente, nessa sessão devemos sobressaltar que os três presentes que os magos ofertaram a Jesus estão relacionados com o Seu ministério. Deus relaciona os presentes com a Sua lealdade; o incenso usado no templo, relaciona com o Seu sacrifício e mirra, que era usada para preparar corpos para o sepultamento, está ligado com a morte de Jesus.
Os capítulos 3 e 4 de Mateus podem ser entitulados como "Credenciais do Rei". Nessa sessão aprendemos que Jesus tinha o direito de governar por quem Ele era. Ele era o prometido, conforme lemos em Mateus 3:15, "Jesus, porém, lhe respondeu: Consente agora; porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele consentiu." Jesus também recebeu aceitação de Deus conforme lemos em Mateus 3:17, "E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo." Nessa sessão de Mateus aprendemos que Jesus também recebeu o direito de reinar como Rei por causa do que ele fez. Ele era um filho perfeitamente obediente, conforme vemos, por exemplo, em Mateus 4:10, "Então ordenou-lhe Jesus: Vai-te, Satanás; porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás."
Os capítulos 5 até o 9 de Mateus podem ser entitulados "A Autoridade do Rei." Nessa sessão aprendemos que Jesus falou com autoridade, conforme lemos em Mateus 7:29, "Porque as ensinava como tendo autoridade, e não como os escribas." Os pronunciamentos forçados de Jesus, ilustrados em Mateus 5:27 e 28, os lembra da autoridade que Deus usou quando deu a lei a Moisés no Monte Sinai. Nessa porção de Mateus, aprendemos que Jesus tinha autoridade sobre a Lei, conforme lemos em Mateus 8:4, "Disse-lhe então Jesus: Olha, não conte isso a ninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote, e apresenta a oferta que Moisés determinou, para lhes servir de testemunho." Também aprendemos que Jesus possui autoridade sobre todos os homens, gentios e também judeus, conforme lemos em Mateus 8:8 e 13, "O centurião, porém, replicou-lhe: Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu telhado; mas somente dize uma palavra, e o meu criado há de sarar." Versículo 13, "Então disse Jesus ao centurião: Vai-te, e te seja feito assim como creste. E naquela mesma hora o seu criado sarou." Aprendemos que Jesus tem autoridade sobre toda a criação, conforme lemos em Mateus 8:26, "Ele lhes respondeu: Por que temeis, homens de pouca fé? Então, levantando-se repreendeu os ventos e o mar, e seguiu-se grande bonança." E aprendemos que Jesus tem poder sobre Satanás e todas as suas potestades conforme lemos em Mateus 8:29 e 32, "E eis que gritaram, dizendo: Que temos nós contigo, Filho de Deus? Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?" Versículo 32, "Disse-lhes Jesus: Ide. Então saíram, e entraram nos porcos; e eis que toda a manada se precipitou pelo despenhadeiro no mar, perecendo nas águas." Especialmente vemos que Jesus tem autoridade sobre a salvação, como lemos em Mateus 9:6, "Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados (disse então ao paralítico): levanta-te, toma o teu leito, e vai para a tua casa."Observe que a salvação que Jesus traz não é para sociedade ou para nações, mas para pecadores.
Os capítulos 10 até o 13 de Mateus podem ser entitulados, "O Rei traz o Evagelho do Reino." A natureza séria do reino é revelada em Mateus 10:38, 39, como lemos, "E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim. Quem achar a sua vida perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim achá-lá-á." A doce chamada do Rei nos é revelada em Mateus 11:28 a 30 que nos diz, "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve." O grande âmbito do reino é revelado em Mateus 12:21 que diz, "E no seu nome os gentios esperarão." E muitas facetas do Reino são reveladas em Mateus 13 através de diferentes parábolas.
Os capítulos 14 a 20 de Mateus podem ser entitulados "O Rei Constrói o Reino." Nessa sessão aprendemos que Jesus trabalha através de homens que são fracos em si mesmos, conforme lemos em Mateus 14:30, 31, "Mas, sentindo o vento, teve medo; e, começando a submergir, clamou: Senhor, salva-me. Imediatamente estendeu Jesus a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste?" Também aprendemos que é tarefa do próprio Rei construir o Seu reino, conforme lemos em Mateus 16:18, 19, "Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do hades não prevalecerão contra ela; dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares, pois, na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus." A palavra "rocha" no versículo 18 significa Jesus Cristo. Portanto, aprendemos nessa sessão que o Rei faz todo o trabalho, possui toda a glória e toda a autoridade.
Os capítulos 21 até o 23 de Mateus podem ser entitulados "O Rei julga os Inimigos do Reino." Nessa sessão aprendemos que os homens são condenados porque eles rejeitam o trabalho, conforme lemos em Mateus 21:15, "Vendo, porém, os principais sacerdotes e os escribas as maravilhas que ele fizera, e os meninos que clamavam no templo: Hosana ao Filho de Davi, indignaram-se." E eles também rejeitaram a pessoa de Jesus Cristo, conforme lemos em Mateus 21:42 a 46, "Disse-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os edificadores rejeitaram, essa foi posta como pedra angular; pelo Senhor foi feito isso, e é maravilhoso aos nossos olhos? Portanto eu vos digo que vos será tirado o reino de Deus, e será dado a um povo que dê os seus frutos. E quem cair sobre esta pedra será despedaçado; mas aquele sobre que ela cair será reduzido a pó. Os principais sacerdotes e os fariseus, ouvindo essas parábolas, entenderam que era deles que Jesus falava. E procuravam prendê-lo, mas temeram o povo, porquanto este o tinha como profeta." Outra causa para condenação é a vida pecadora dos homens. Ninguém se iguala a perfeita vontade de Deus em conhecimento, conforme lemos em Mateus 22:29, "Jesus, porém, lhes respondeu: Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus." ou em prática, conforme lemos em Mateus 22: 37-40, "Respondeu-lhes Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas." Uma outra causa para a condenação do homem é a sua rejeição da Palavra de Deus e autoridade, conforme lemos em Mateus 23:34, "Portanto, eis que vos envio profetas, sábios e escribas; e a uns deles matareis e crucificareis; e a outro açoitareis nas vossas sinagogas e os perseguireis de cidade em cidade."
Os capítulos 24 e 25 de Mateus podem ser entitulados, "O Rei Explica o Futuro do Seu Reino." Nessa sessão aprendemos que o Rei alerta Seu povo sobre os falsos evangelhos que viriam conforme lemos em Mateus 24:5 e 11, "Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e a muitos enganarão." Versículo 11, "Igualmente hão de surgir muitos falsos profetas, e enganarão a muitos;". Observe quão perto do verdadeiro evangelho o falso vai parecer estar, como nos diz Mateus 24:24, "Porque hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, e farão grandes sinais e prodígios; de modo que, se possível fora, enganariam até os escolhidos." Um fato importante a ser observado é que o falso evangelho será marcado por sinais e maravilhas. Nessa sessão aprendemos que embora o Reino tenha oposição, conforme lemos em Mateus 24:9, "Então, sereis entregues à tortura, e vos matarão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome.", a grande esperança do crente é o retorno do Rei, como lemos em Mateus 24:29-31, "Logo depois da tribulação daqueles dias, escurecerá o sol e a lua não dará a sua luz; as estrelas cairão do céu e os poderes dos céus serão abalados. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão vir o Filho do homem sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória. E ele enviará os seus anjos com grande clangor de trombeta, os quais lhe ajuntarão os escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus." Nesse meio tempo todos os verdadeiros crentes serão achados "fiéis" e "sábios". "Sábio" sinifica ser salvo. "Fiel" significa usar a Palavra de Deus corretamente.
Os capítulos 26 e 27 de Mateus podem ser entitulados, "A Grande Obra do Rei." Nessa sessão aprendemos que o Rei prepara para o grande sacrifício da Páscoa para o Seu Reino, conforme lemos em Mateus 26:2, "Sabeis que daqui a dois dias é a páscoa; e o Filho do homem será entregue para ser crucificado." Nessa sessão aprendemos fatos importantes sobre o tipo de sacrifício que o Rei faz por Seu povo. Aprendemos que o sofrimento de Jesus foi real, como Mateus 26:38,44 nos diz, "Então lhes disse: A minha alma está triste até a morte; ficai aqui e vigiai comigo. Deixando-os novamente, foi orar terceira vez, repetindo as mesmas palavras." Com essa passagem aprendemos que Jesus sofreu obedientemente como nos informa Mateus 26:39, "E adiantando-se um pouco, prostrou-se com o rosto em terra e orou, dizendo Meu Pai, se é possível, passa de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres." E Mateus 27:19,24 nos diz que Jesus sofreu inocentemente, "E estando ele assentado no tribunal, sua mulher mandou dizer-lhe: Não te envolvas na questão desse justo, porque muito sofri em sonho por causa dele. Ao ver Pilatos que nada conseguia, mas pelo contrário que o tumulto aumentava, mandando trazer água, lavou as mãos diante da multidão, dizendo: Sou inocente do sangue deste homem; seja isso lá convosco." Aprendemos que o sofrimento de Jesus foi essencialmente espiritual, como lemos em Mateus 27:46, "Cerca da hora nona, bradou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactani; isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" Aprendemos que Jesus sofreu num mundo muito mal que era contra Ele como lemos em Mateus 27:39-44, "E os que iam passando blasfemavam dele, meneando a cabeça e dizendo: Tu, que destróis o santuário e em três dias o reedificas, salva-te a ti mesmo; se és Filho de Deus, desce da cruz. De igual modo também os principais sacerdotes, com os escribas e anciãos, escarnecendo, diziam: A outros salvou; a si mesmo não pode salvar. Rei de Israel é ele; desça agora da cruz, e creremos nele; confiou em Deus, livre-o ele agora, se lhe quer bem; porque disse: Sou Filho de Deus. O mesmo lhe lançaram em rosto também os salteadores que com ele foram crucificados." Aprendemos que Jesus estava sempre em controle completo, como lemos em Mateus 27:50, "De novo bradou Jesus com grande voz, e entregou o espírito." Jesus não foi uma vítima e também não foi um fracasso na cruz. A morte de Jesus e a Sua ressurreição foi antecipada e repetidamente prevista por Ele.
O capítulo 28 de Mateus pode ser entitulado como "A vitória do Rei." Nessa sessão aprendemos sobre o triuno do Rei sobre a morte, conforme lemos em Mateus 28:7, "E ide depressa, e dizei aos seus discípulos que ressurgiu dos mortos; e eis que vai adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis. Eis que vo-lo tenho dito." Portanto, o Rei dos reis está agora reinando e Jesus, o Rei vitorioso, possui a autoridade para salvar e julgar. Mateus termina com o decreto do Rei para os seus assuntos como podemos ler em Mateus 28:10, 19, 20, "Então lhes disse Jesus: Não temais; ide dizer a meus irmãos que vão para a Galiléia; ali me verão. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.".
4. COMENTÁRIOS GERAIS
Alguns comentários gerais sobre o livro de Mateus que vai nos ajudar a ver alguns detalhes mais tarde.
Muito tem sido dito sobre o evangelho de acordo com Mateus sendo uma porção da Escritura escrita particularmente aos Judeus. Entretanto, isso não apenas é incorreto, mas enganoso também. A mensagem do evangelho de Mateus é dirigida a homens de todas as nações como lemos em Mateus 28:19, 20, "Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos." A necessidade de Mateus de explicar as palavras gregas como lemos em Mateus 1:23, "Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, o qual será chamado EMANUEL, que traduzido é: Deus conosco.", assim como a sua ênfase da graça extendida aos gentios demonstra que esse livro foi escrito para todos os homens de todas as nações. Nada de valor é ganhado por enfatizar que mateus escreveu primariamente com os Judeus em mente. Na realidade, tal atitude promove muitas idéias falsas sobre a Bíblia, sobre o Senhor Jesus Cristo como Rei, e sobre a natureza do Seu Reino.
Nesse ponto, nós devemos dizer que existe realmente um evangelho e não quatro biografias sobre Jesus. Juntamente, os quatro evangelhos apresentam um retrato espiritual de Jesus Cristo. Mateus, Marcos e Lucas são similares. Eles relatam eventos comuns e conversações. Eles suportam um ao outro na narrativa da vida de Jesus Cristo, adicionando fatos do Seu ministério e confirmando o caráter autêntico da Bíblia. Existem diferenças nos detalhes sempre que esses três evangelhos descrevem o mesmo episódio. Entretanto, as diferenças não são resultado de erros humanos, mas um reflexo a direção do Espírito Santo que causou os escritores a enfatizar coisas diferentes de acordo com a vontade de Deus. Comparando os três evangelhos, podemos obter o completo ponto espiritual.
Devemos agora gastar um pouco de tempo estudando sobre Mateus, o homem, visto que a Bíblia tem poucas coisas para falar sobre ele. Devemos fazer isso com os escritores dos outros três evangelhos também, para descobrir a mão de Deus em cada uma das suas vidas. Mateus que significa "dom de Deus", algumas vezes foi chamado de Levi. Ele era um homem de decisão. Sem hesitação e debaixo de um custo alto, ele deixou tudo para seguir Jesus. Ele também era um homem de coragem e convicção. Por exemplo, nós vemos que ele convidou os seus antigos colegas à sua casa para ver Jesus. Provavelmente eles eram os seus piores críticos, mas ele possuía uma real preocupação por eles e desejava que eles ouvissem o evangelho. Baseados no fato de que Mateus 10:3 chama Mateus de publicano, mas Marcos 3:18 e Lucas 6:15 não acrescenta isso, podemos ver que como um homem salvo, ele possuía uma humildade saudável, tendo uma honesta visão de que tipo de pessoa ele tinha sido e uma visão honrada da graça que o havia modificado e que o sustentava. Finalmente, Mateus era um oficial de um reino terreno. Ele tinha que lidar com assuntos desse reino todos os dias de trabalho. Ele compreendia o que era um reinado e estava bem preparado para escrever sobre o Reino de Jesus Cristo. Entretanto, não era como se Jesus tivesse pesquisado entre os Judeus pelo candidato certo para escrever um evangelho. Ao invés disso, Deus soberanamente guiou sua vida na arena secular de modo que Mateus inteligentemente escreveu sobre reis e seus reinados.
Existe uma forte ênfase em Mateus sobre as profecias do Velho Testamento as quais prometem o Evangelho e que são cumpridas no Senhor Jesus Cristo. Não menos do que 60 vezes, Mateus aponta para as profecias que foram cumpridas. A expressão "para que seja cumprida" é usada nove vezes na Bíblia, apenas em Mateus. As palavras "foi dito" e referências similares ao Velho Testamento são encontradas 23 vezes, mais uma vez, apenas em Mateus.
É por causa da abundância das referências do Velho Testamento no livro de Mateus que muitas pessoas dizem que ele é um evangelho designado para leitores Judeus. Entretanto, em lugar nenhum a Bíblia ensina esse ponto de vista. Nós não devemos aceitar esss idéias bíblicas extras simplesmente porque elas soam tão bem ou porque quase todo professor da Bíblia assim o faz. Por uma única coisa, podemos facilmente decobrir que, proporcionalmente, livros, como Romanos, Hebreus e Apocalipse, possuem tantas referências ao Velho Testamento como Mateus, especialmente se eles incluem as referências indiretas. Certamente, ninguém iria discutir que o livro de Romanos foi escrito primariamente para leitores Judeus.
Em adição à isso, se desejássemos, poderíamos discutir que as muitas referências ao Velho Testamento suportam a idéia de que o livro de Mateus foi primariamente designado para os leitores gentios, visto que Mateus estava tentando educar os seus leitores, assumindo que eles eram ignorantes quanto ao conteúdo do Velho Testamento. Baseado nesse ponto de vista, podemos supor e isso é apenas uma suposição, que era uma tendência gentia ver o evangelho como mais uma invenção humana, da mesma maneira como os escritos religiosos com os quais estavam tão familiarizados. Portanto, com isso em mente, Mateus poderia estar tentando mostrar que o evangelho é um plano do único Deus verdadeiro que pode prometer e cumprir a Sua Palavra.
Entretanto, tudo isso é um exercício inútil em conjetura. Não importa quão plausível a lógica possa parecer, nós não podemos usar coisas sobre as quais a Bíblia é silenciosa. As nossas mentes pecaminosas invariavelmente vão cometer erros que vão se arrastar dentro da nossa compreensão do que a Bíblia diz explícitamente. O ponto é que a Bíblia em lugar algum afirma que o evangelho de Mateus foi escrito para os Judeus, e é um estudo bíblico ruim afirmar como fato coisas que não são encontradas na Bíblia.
Eu preferi colocar esses pensamentos para mostrar quão casual somos no que diz respeito de pegar idéias vindas dos homens. Muitas pessoas, sem pensar, aceitam o que é comumente lhes ensinado sobre a Bíblia. Geralmente as pessoas não conferem aquilo que ouvem falar. Elas não se importam se é algo rigorosamente apoiado pela Bíblia. E essa é uma maneira não santa de tratar a Bíblia.
Na nossa discussão dos motivos de Mateus para escrever o evangelho, precisamos apenas ir até João 20:31 e II Timóteo 3:15-17 para aprender a idéia da Bíblia do porque Mateus escreveu o evangelho e para quem ele foi dirigido. Não importa o que alguém pode pensar sobre o homem ou sobre o tempo dentro do qual ele escreveu o evangelho. O evangelho de Mateus foi dirigido a todos os homens de todas as idades para a sua edificação espiritual. E essa maneira de olhar para Mateus não é inocente ou sem escolaridade. Ela é baseada nas escrituras.
5. VERSÍCULOS SELECIONADOS
Agora vamos estudar alguns versículos selecionados com mais detalhes no livro de Mateus.
a) Mateus 1:1, "Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão."
O frase, "filho de Davi" é baseada em II Samuel 7:12,13. Davi foi uma representação do verdadeiro Rei do povo de Deus, e Jesus é o cumprimento dessa representação. Jesus é o único que poderia se encaixar dentro das qualificações da passagem do Velho Testamento, visto que Jesus é o único Rei cujo reino é para "sempre". Não apenas isso, mas como um Reino eterno, sabemos baseados em II Pedro 3:10-13, que o reino de Jesus não é terreno, mas sim espiritual, uma vez que apenas um reino epiritual é para sempre.
A luz disso, podemos dizer que as palavras "filho de Davi" significam duas coisas. Uma que Jesus era o eventual descendente de Davi, nascido de Maria muitos anos depois da morte de Davi. Em outras palavras, Jesus possuía sangue real e herdeiro genuino do trono. Em segundo lugar, as palavras "filho de Davi" significa, que Jesus era realmente o legítimo Rei depois de Davi, assim como o primero filho deveria ser. Em outras palavras, o filho de Davi, Salomão e a sua linhagem, eram os reis terrenos, mas eles não eram os reis que Deus tinha em mente em II Samuel 7:13. Por outro lado,O filho de Davi chamado Natã e seus descendentes, de quem Jesus veio através de Maria, não eram reis terrenos. Jesus foi o único descendente nessa linhagem a ser rei. Portanto, Jesus é o "filho de Davi" no sentido de que, através de Natã, Ele é o próximo verdadeiro rei depois de Davi. Jesus foi o primero filho de Davi nessa linhagem a assumir o trono de Davi depois da sua morte. Entretanto, Davi foi rei sobre um reino terrestre e temporário. Ele foi apenas uma representação de Jesus, que é um Rei sobre um reino espiritual e eterno.
A frase "Filho de Abraão" é baseada em Gênesis 22:18. Uma implicação dessa frase é que o reino de Jesus seria uma benção para todos os homens de todas as nações. Em outras palavras, Jesus é o Filho de um homem que é considerado tanto Judeu como gentio. Diante disso, Jesus tem as qualificações para ser um legítimo Rei sobre todos os homens de todas as nações. Uma segunda implicação dessa frase é que Jesus é o filho prometido de Abraão. Entretanto, uma promessa só é apenas boa tanto quanto a Palavra daquele que a fez. Portanto, o nascimento de Jesus confirmou que a Palavra de Deus era verdadeira. O plano de salvação prometido a Abraão através do seu filho prometido realmente iria acontecer. Deus estava querendo e era capaz e fazer o que Ele havia dito que faria. Em adição a isso, a idéia de uma promessa enfatiza a completa soberania de Deus, porque uma promessa é completamente uma invenção daquele que a faz. O programa de salvação através de Jesus Cristo depende completamente do soberano trabalho de Deus. Não é como se Jesus tentasse conseguir o trabalho de Rei e passasse no teste, mas que Ele era o único que havia sido determinado para ser rei. A pergunta não é aonde Jesus viveu, mas Ele era o Cristo ou Messias prometido? Claro que Ele era.
b) Mateus 1:11, "E a Josias nasceram Jeconias e seus irmãos, no tempo da deportação para
a Babilônia." Esse versículo prova que a genealogia em Mateus não é a genealogia
pessoal de Jesus. Por outro lado, Lucas 3, nos dá a lista dos membros da genealogia de Jesus através
de Maria. A linhagem dos reis terrenos de Mateus foi amaldiçoada na pessoa de Jeconias. Esse término
da linhagem terrena é mais do que um fato histórico. A linhagem foi amaldiçoada para remover
qualquer possibilidade de que possamos pensar que Jesus pudesse ter tido a Sua descendência vinda dessa linhagem.
Portanto, Jesus não era um outro membro dessa linhagem terrena de reis.
c) Mateus 2:2, "Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? pois do oriente vimos a sua estrela
e viemos adorá-lo."
A estrela era um evento sobrenatural, não um fenômeno natural, porque no versículo 9 nós lemos que ela se deteve onde estava o menino. Objetos celestiais normais não podem ser associados com um ponto na superfície da terra.
Os magos tinham conhecimento sobre a estrela através de Números 24:17, um versículo que fala sobre o poder e a autoridade os quais são atributos reais. Eles foram movidos em seus corações a procurar pelo Rei o qual o versículo prometera.
A palavra "vimos" no versículo 2 nos lembra Isaías 60:2,3 que profetiza que Jesus seria um objeto de maravilha para os gentios, que eram os magos. A palavra "vimos" está no passado, o que nos diz que a estrela não era visível durante a sua viagem para o oeste. Depois de terem visto a estrela, eles caminharam pela fé e não por vista, o que representa os crentes. Não até que chegassem, em Belém aonde tiveram a oportunidade de ver a estrela mais uma vez.
d) Mateus 2:23, "E foi habitar numa cidade chamada Nazaré para que se cumprisse o que fora dito pelos
profetas: Ele será chamado nazareno."
A frase "Ele será chamado nazareno" é um frase difícil de ser entendida porque o versículo afirma que este é um cumprimento de uma determinada profecia. Não podemos encontrar esse tipo de citação no Velho Testamento. A frase não pode significar que Jesus era um Nazarita. Nazaritas tinham que fazer um voto para não se aproximarem de um corpo morto, como Jesus fez. Portanto, podemos colocar essa idéia de lado. Portanto, o que essa frase significa? E ela faz referência a que promessa do Velho Testamento?
Em um nível físico, podemos olhar para a frase como uma afirmação da identificação de Jesus com a área geográfica na qual Ele passou uma boa parte do Seu tempo, especialmente quando Ele cresceu. Observe que a Bíblia diz que Ele era chamado de nazareno. Em outras palavras, as pessoas pensavam que Jesus havia vindo originalmente de Nazaré (I João 1:45).
Ainda mais importante do que isso, a intenção espiritual da frase é provavelmente associada com Deuteronômio 33:16, a única escrita profética no Velho Testamento onde encontramos a palavra similar a palavra "Nazareno." É a palavra hebraica nazir, que é traduzida em Deuteronômio 33:16 como "separado." É possível que Deus tenha arrumado os eventos da vida de Jesus de tal maneira de modo que o título "Nazareno" seria aplicado à Ele para chamar a atenção para a missão de Jesus. Jesus estava "separado" da comunhão dos Seus irmãos terrenos que não criam nEle. Adicionalmente, Jesus é o cumprimento da figura representada por José que foi separado dos seus irmãos para que os pudesse salvar. O ponto desses fatos é que Jesus foi para a cruz sozinho, não apenas porque ninguém pudesse ajudá-Lo, mas também porque a experiência do inferno, a qual apenas Ele poderia suportar, foi a maior separação do homem de Deus. Jesus como Salvador foi aquele que ficou separado
e) Mateus 3:12, "A sua pá ele tem na mão, e limpará bem a sua eira; recolherá
o seu trigo ao celeiro, mas queimará a palha em fogo inextinguível."
Esse é uma eira muito especial. De acordo com II Samuel 24:16-21, esse era um lugar aonde a ira de Deus estava. Também, de acordo com II Crônicas 3:1, este foi o lugar aonde o templo foi construído.
Essas referências nos mostram que a eira é uma figura do povo organizado de Deus. A igreja está aonde a Palavra de Deus deve ser pregada fielmente, de modo que os homens possam escapar da ira de Deus. A eira é usada como uma referência a igreja organizada de Deus, porque numa eira, assim como numa igreja organizada, encontramos ambos trigo (crentes) e o joio (não crentes). A igreja para a qual Jesus veio deve ser fiel a Palavra de Deus, mas Jesus a encontrou em necessidade de expurgo. Estava cheia de joio e tinha muito pouco trigo. A igreja de Deus não estava fielmente anunciando a Sua Palavra. Quando Jesus foi para a cruz, Ele expurgou a igreja, no sentido de que muitas pessoas seriam salvas e que a igreja nacional judia seria modificada no corpo de pesssoas e todas as nações que proclamam o evangelho. Há ainda um outro expurgo em vista aqui. No final dos tempos, a igreja será perfeitamente limpa no Dia do Julgamento, quando o fogo que nunca acaba removerá todos os não crentes da congregação.
f) Mateus 4:8,9, "Novamente o Diabo o levou a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo,
e a glória deles; e disse-lhe: Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares."
Jesus é o Deus santo que não foi tocado por pecado. Entretanto, a tentação de Jesus foi algo muito real. Ser perfeito não deixa a tentação de lado. Adão e Eva foram perfeitos, mas apesar disso, foram tentados. A tentação em si mesma não é pecado, mas cair na tentação é pecado. A tentação é um ataque que busca a fraqueza. É uma tentação que parece ser extremamente atrativa para aqueles que tiram os seus olhos de Deus. A resposta para a tentação é sempre, "Está escrito" (Mateus 4:4, 7, 10). Quanto mais o crente estudar a Bíblia, mais ele estará protegido da tentação.
Para Cristo, o impulso da tentação foi a sirene oferecida por Satanás, "Você pode ter todas as coisas que deseja e não ir para a cruz. Eu posso lhe dar tudo." Os reinos desse mundo, isto é, todos os homens não salvos, estavam à disposição de Satanás para serem dados. Adão tinha abolido a sua liderança sob a criação e se curvou diante da oferta de Satanás no Jardim do Éden. Nessa época os homens não salvos estavam debaixo da autoridade de Satanás. Satanás soube como embrulhar a sua oferta e uma maneira bastante atrativa. Imagine, Jesus veio a esse mundo para ser Rei sobre todos os homens, e aqui estava uma maneira fácil e sem dor de ter o trabalho feito. A tentação foi algo muito real, no sentido de que o pedido incluíu um alvo legítimo para o qual Jesus veio. Ainda assim, como o obediente Filho de Deus, Ele fez tudo de acordo com a vontade de Deus. Para Ele, a tentação, não levou ao pecado.
Jesus era o Filho de Deus e não pecisou provar isso. Sendo Deus, Ele já possuía todas as coisas. De fato, a Sua recusa à oferta de Satanás provou que Ele é o perfeito Filho de Deus. Mas ainda assim, Jesus foi o homem que repetiu o teste do ser humano. Observe em Mateus 4:4 que Ele diz, "homem" e não "eu". Jesus inclui a Si mesmo na raça humana. Ele foi o segundo Adão e foi testado como aconteceu com o primeiro Adão. Entretanto há uma grande diferença no trabalho que cada um teve que fazer. Em primeiro lugar, Adão teve apenas que tomar conta de si mesmo. Em segundo lugar, ele viveu num mundo perfeito. Por outro lado, Jesus era responsável pelas almas de todos aqueles que o Pai O deu e viveu num deserto aonde não possuía amigos. De modo diferente de Adão, Jesus mostrou a sua obediência como sendo um homem perfeito diante da Lei. Portanto, Ele não apenas fazia parte da raça humana, mas também um homem que seria sacrificado pelos pecados dos seus irmãos. Jesus veio redimir Seu povo do domínio de Satanás, e nisso, Jesus foi bem sucedido.
g) Mateus 4:17, "Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é
chegado o reino dos céus."
A expressão "Reino dos Céus" é apenas encontrada no livro de Mateus. Entretanto, ele é exatamente equivalente a expressão, "Reino de Deus" usada em outro lugar na Bíblia. Precisamos pensar que essas duas frases se referem a dois reinos diferentes.
h) Mateus capítulos 5 a 7.
Esses três capítulos, chamados de "Sermão do Monte", são bastante conhecidos a ponto de que é necessário falar algumas coisas sobre eles para termos certeza que estamos compreendendo da maneira correta. Muitas pessoas têm falado coisas maravilhosas sobre esses três capítulos. Até mesmo os não crentes veêm esses capítulos com admiração como os tendo como uma boa literatura, afirmações clássicas sobre moralidade. Entretanto, a verdade é que esses são capítulos terríveis, incluindo algumas das mais difíceis afirmações que um homem pode ouvir. Assim como os dois últimos versículos dessa passagem nos dizem em Mateus 7:28,29, essa é uma mensagem de autoridade que, conforme podemos ver, cai direto em cima dos homens.
Jesus veio pregando sobre o Reino, e nesses capítulos ouvimos as palavras do Rei. Existe uma Lei de Deus, e o Rei que proclamou essa Lei no Velho Testamento é o mesmo que a veio explicar em Jesus Cristo. A vinda do Rei que iria cumprir a Lei não significa que algo será modificado ou será colocado de lado. A Lei é a idéia perfeita do Rei e ela vai ficar de pé. Na realidade, Jesus veio para fortalecer a compreensão do homem sobre a Lei. Mateus 5-7 é um tipo de torniquete espiritual. Jesus lembra o Seu povo sobre o que a Lei disse, mas o que Ele diz demonstra ser mais sujeitante do que o homem pensa. Jesus aperta o torniquete.
O capítulo 5 fala sobre as bençãos, mas o fato é que as demandas da Lei separam os homens dessas bençãos. As demandas da lei formam o abismo impossível que o homem não é capaz de transpassar. A Lei não vai desaparecer. Precismos encará-la. Que esperança há nela? Assim como em Gálatas 3:11, 24, esses capítulos mostram a nossa necessidade, e têm a intenção de nos levar a buscar ajuda apenas de Deus.
O capítulo 6 nos alerta que quando reconhecemos a nossa necessidade, não devemos buscar ajuda em religião. Apenas o próprio Deus pode ajudar. A nossa real necessidade é ter um coração correto, e apenas Deus pode mudar o nosso coração. A nossa maior prioridade deve ser buscar a vontade de Deus para a nossa vida.
O capítulo 7 fala sobre como podemos conferir as nossas vidas para ver se Jesus é o nosso verdadeiro Rei. O capítulo também nos mostra como é que podemos testar os falsos evangelhos, cujos falsos profetas tentam nos enganar e nos afastar do evangelho do Rei.
Em resumo, esses capítulos chamam a nossa atenção para um dos maiores temas da Bíblia. A lei diz, "Você precisa fazer a vontade de Deus!" A lei também diz, "Você não pode fazer isso e vai ser achado responsável pelo seu fracasso." A Bíblia diz que a nossa reação não deve ser a de desistir ou a de procurar resolver um dilema por nós mesmos, o que é o objetivo de todos os falsos evangelhos. O conselho da Bíblia é, "procure ajuda apenas daquele que pode lhe ajudar, Jesus Cristo, o Rei ao qual a Lei pertence, e que é o único Salvador das demandas e penalidades da Lei.
i) Mateus 5:19, "Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos
homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será
chamado grande no reino dos céus."
Esse versículo não está dizendo que haverão níveis de bençãos no céu. Ao invés disso, devemos compreender esse versículo dessa maneira. As palavras "Reino dos Céus" fazem referência a igreja. Nem todos os membros da igreja são necessariamente crentes verdadeiros. Portanto, o ponto da primeira parte desse versículo é que aqueles que desprezam a Lei de Deus podem fazer parte da igreja, mas isso não faz com que estejam salvos. Por outro lado, aqueles que cumprem e ensinam a Lei, como a segunda parte do versículo explica, serão chamados de grandes no reino dos céus. Isto é, eles fazem parte da igreja e também estão salvos. A última parte do versículo pode ter um significado adicional que aqueles que reconhecem a Lei de Deus fazem parte da igreja espiritual verdadeira do Reino.
j) Mateus 7:14, "E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos
são os que a encontram."
A palavra grega "thlibo" é traduzida como "estreita" apenas nesse versículo. Ela é traduzida três vezes como "aflita", três vezes como "problema", e uma vez como "tribulação" e mais uma como "multidão". Isso significa que a ação que ela expressa está afastada de algum agente externo na direção do assunto. Com tudo isso em mente, a frase "estreito é o caminho" pode ser melhor interpretada como "o caminho tem sido afligido". Essa expressão estranha pode se tornar clara quando adicionamos o fato de que Jesus chama a Si mesmo de Caminho em João 14:6. A conclusão para tudo isso é que essa frase expressa o fato de que Jesus estava sendo afligido.
Esse versículo continua dizendo que a aflição de Jesus leva a vida, a qual nesse caso é a vida eterna, dada a todos aqueles que são salvos. Portanto, de modo diferente do que muitos professores da Bíblia dizem, e do que muitas pessoas crêem, Mateus 7:14 não é uma descrição das dimensões do caminho, e também não está predizendo as dificuldades que uma pessoa pode ter conforme segue a Cristo. Ao invés disso, é uma afirmação da morte de Jesus Cristo na cruz, e da vida que a Sua morte providenciou. O versículo está dizendo que muitos poucos encontram a salvação, porque na sua descrença eles rejeitam a cruz e a encaram como loucura (I Coríntios 1:18). Para eles a cruz não possui valor algum. Eles não desejam essa salvação.
Esse pequeno exercício de análise da Bíblia demonstra a loucura de concordar com uma interpretação comumente aceita de um versículo sem uma confirmação pessoal. Esse exercício também ilustra como uma pequena análise mais cuidadosa pode nos dar um resultado surpreendente.
k) Mateus 10:38,39, "E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é
digno de mim. Quem achar a sua vida perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim achá-la-á."
A idéia do versículo 38 não é que podemos esperar e devemos suportar perseguição, embora tal idéia seja certamente verdadeira. Ao invés disso, a palavra "cruz", designada para um instrumento usado para a morte, é compreendido à luz de certos versículos como Gálatas 5:24 e Colossenses 3:4. Devemos buscar remover o pecado das nossas vidas, não desejando a vontade da nossa carne, mas a vontade de Deus. O versículo 39 apoia esse ponto de vista, visto que ele não está dando mais atenção ao confito entre crentes e não crentes, mas sim a necessidade de abandonar as coisas dessa vida para encontrar vida eterna em Cristo.
l) Mateus 12:39,40, "Mas ele lhes respondeu: Uma geração má e adúltera pede um
sinal; e nenhum sinal se lhe dará, senão o do profeta Jonas;"
O significado desses versículos podem ser compreendidos à luz da experiência de Jonas no ventre da baleia. Um exame de Jonas 2:2, 3, 4 e 6 revela que a experiência de Jonas foi uma representação do inferno. A Bíblia em outros lugares também identifica a frase "no coração da terra" com o inferno. Portanto, o versículo precisa significar que Jesus iria experimentar o equivalente a 3 noites e 3 dias no inferno.
Visto que Mateus 26:37, 38 e Lucas 22:42, 44 descrevem Jesus como se Ele já tivesse tido uma experiência da ira de Deus no Getesêmane na quinta-feira à noite, podemos dizer que os 3 dias e noites começam nesse ponto. Portanto, de quinta-feira até sexta-feira , quando Ele morreu, temos 1 dia e 1 noite. Embora Jesus tenha dado o Seu espírito ao Pai na sexta-feira, até domingo pela manhã quando o Seu corpo foi ressuscitado, Ele esteve completamente separado da morte. Isso nos dá mais 2 dias e noites adicionais e o cumprimento da profecia.
m) Mateus 13:10-14, "E chegando-se a ele os discípulos, perguntaram-lhe: Por que lhe falas por parábolas?
Respondeu-lhes Jesus: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus,
mas a eles não lhes é dado; pois ao que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância;
mas ao que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado. Por isso lhes falo por parábolas;
porque eles, vendo, não vêem; e ouvindo, não ouvem nem entendem. E neles se cumpre a profecia
de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, e de maneira alguma entendereis; e, vendo, vereis, e de maneira alguma
percebereis."
Esses versículos explicam o propósito das parábolas na Bíblia. Assim como Mateus 13:11 coloca, as parábolas descrevem mistérios. De acordo com I Timóteo 3:16 e Efésios 3:3-6, a palavra mistério é equivalente ao evangelho. Se é assim, por que é usada a palavra mistério ao invés da palavra evangelho? A palavra mistério é usada para chamar a atenção para um aspecto muito importante do evangelho, isto é, o fato de que o evangelho não pode ser compreendido por não crentes. Ele está escondido das suas mentes. Ele requer a graça de Deus para revelar as coisas espirituais ao homem, e Deus só revela através do Seu Espírito, o qual Ele dá apenas aqueles que são salvos. Portanto, as parábolas são claras apenas para os crentes porque Deus revelou o seu significado.
As parábolas não ajudam para que as coisas fiquem claras para os não crentes. As parábolas são designadas para deixar os não crentes na escuridão da sua descrença. Conforme Mateus 13:11 nos diz, Jesus falava em parábolas para as pessoas as quais não eram dadas a saber os mistérios do reino. Todo o assunto se baseia no fato de que todos os homens estão espiritualmente mortos, e que apenas pela graça de Deus o homem é salvo e lhe é dada sabedoria espiritual.
O versículo 12 não está querendo dizer que há alguns que são preferidos e portanto receberão mais do que outros. Deus é Justo. Ele não faz acepção de pessoas. Todos os homens merecem o inferno. Portanto, dentro da Sua soberana graça, ele elege alguns para a salvação. O versículo 12 não é uma observação dos diferentes recursos e habilidades dos homens. Deus não está recompensando aqueles que descobriram qual é o mistério. Ao invés disso, o versículo 12 está simplesmente afirmando que os leitos vão receber grandes bençãos espirituais. A abundância citada fala da vida eterna, um dom comum a todos os crentes. A passagem do Velho Testamento citada em Mateus 13:14 foi retirada de Isaías 6:9 e de Ezequiel 12:2 e apoia a idéia que Deus esconde a verdade dos pecadores rebeldes e dá graça para aqueles que humildemente buscam pela fé, com a compreensão de que a fé é um dom gracioso de Deus.
n) Mateus 13:58, "E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles."
Esse versículo não diz que o poder de Jesus para fazer um milagre era limitado por causa da falta de fé das pessoas que estavam à Sua volta. Jesus é Deus e Ele faz o que deseja na hora que quer. De fato, ao menos que Ele nos dê fé, não temos nenhuma por nós mesmos. Ao invés disso o versículo significa que Jesus escolheu não fazer nenhum milagre na presença de descrença para ensinar uma lição. Não havia ponto algum em fazer os milagres porque eles não criam fé, como lemos em Lucas 16:30,31. As pessoas pensaram em Jesus apenas como outro homem, de modo que Ele os deixou pensar como queriam. Ao menos que Ele fizesse o poderoso trabalho de criar fé, não haveria nenhuma.
Observe Marcos 6:5 que a palavra "milagre" está em contraste com curas físicas. Jesus não operou milagres, mas Ele fez algumas curas físicas. Isso significa que a palavra "milagre" não faz referência a milagres físicos, mas a outra coisa, isto é, o trabalho de criar fé. Jesus demonstrou que se Ele não trabalhasse, não haveria nenhuma pessoa que creria nEle. Os poucos milagres físicos de cura que Ele fez não contribuiu para uma reação de fé de qualquer pessoa. Os milagres que Jesus fez quando ele estava aqui na terra tiveram a finalidade de serem vistos por aqueles que já possuíam fé. Os milagres físicos não fazem parte do programa de criar fé e trazer pessoas a salvação.
o) Mateus 18:15-20 e 21-35.
Essas passagens são apresentadas como uma ilustração de dois grupos adjacentes de versículos que ensinam dois princípios diferentes, mas que complementam um ao outro.
Mateus 18:15-20 ensina que os crentes como um corpo, isto é, como a igreja organizada, têm a obrigação de administrar a disciplina. O assunto desses versículos é que a igreja é a súplica final em assuntos espirituais, como por exemplo, como devemos encarar o pecado (versículo 17). A razão é que nesses assuntos, Deus, que conhece a todos, já decidiu o que vai acontecer. É responsabilidade da igreja tomar a decisão (versículo 18), tendo humildemente buscado pela vontade de Deus nesse assunto (versículo 19). Além do mais, como o versículo 20 nos informa, Jesus é o centro da igreja, significando que a Sua autoridade está na igreja e que Ele está com o Seu povo no que diz respeito a disciplina.
Por outro lado, Mateus 18:21-35 ensina que os crentes como indivíduos têm a obrigação de demonstrar perdão. O versículo 22 não quer dizer que cumprimos a nossa obrigação depois de ter perdoado um homem 490 vezes. Ao invés disso, isso significa que precisamos sempre perdoar. O ponto é colocado aqui nos versículos 33 e 35. O perdão é um assunto do coração, de um coração salvo. De acordo com Efésios 4:32, a misericórdia vem de um coração que já mostrou misericórdia. Portanto, Mateus 18:23-25 é especialmente relevante aos indivíduos na igreja e como que eles precisam se comportar, se é claro, são salvos.
p) Mateus 19:3-9, "Aproximaram-se dele alguns dos fariseus que o experimentavam, dizendo: É lícito
ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo? Respondeu-lhes Jesus: Não tendes lido que o Criador os
fez desde o princípio homem e mulher, e que ordenou: Por isso deixará o homem pai e mãe, e
unir-se-á a sua mulher; e serão os dois uma só carne? Assim já não são
mais dois, mas uma só carne. Portanto o que Deus ajuntou, não o separe o homem. Respondeu-lhe: Então
por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio e repudiá-la? Disse-lhes ele: Pela dureza
de vossos corações Moisés os permitiu repudiar vossas mulheres; mas não foi assim desde
o princípio. Eu vos digo porém, que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa
de infidelidade, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete
adultério."
Essa passagem ilustra o valor da compreensão da estrutura da lógica que flui desses versículos. No versículo 3 os Fariseus fizeram uma pergunta que dá forma ao resto da passagem. Será que um homem pela Lei de Deus pode repudiar a sua mulher por qualquer causa que ele desejar, isto é, por qualquer coisa? A resposta que Jesus dá nos versículos 4-6 é "absolutamente não". Do ponto de vista de Deus, um homem e uma mulher nunca devem se divorciar. Eles estão casados até a morte. Essa é uma lei que não pode ser alterada e que é verdadeira, não importa o que uma igreja ou tribunal possa dizer.
Os fariseus, ao invés de ficarem contentes em fazer o melhor para pessoas casadas, eles transformam a conversa em uma discussão legal e trazem uma excessão que Deus criou em Deuteronômio 24:1. Essa concessão era para o que era chamado de fornicação. A concessão era chamada de "coisa vergonhosa" em Deuteronômio 24:1, mas é a mesma coisa que fornicação. Sabemos disso porque a palavra "ervah" em Deuteronômio 24 traduzida como "coisa vergonhosa" é também traduzida como "nudez" em Levítico 18:8. Entretanto, o pecado chamado de "nudez" em Levítico 18 é chamado de "fornicação" em I Coríntios 5:1.
Mateus 19:8 é a resposta de Jesus para a pergunta dos Fariseus. A resposta de Jesus pode ser entendida de duas maneiras. Em primeiro lugar, Deus permitiu o divórcio para pessoas de coração duro. Se eles desejavam ser assim, tudo bem. Mas ainda assim, que terrível acusação (Romanos 9:17, Hebreus 3:8). Quem é que deseja ser esse tipo de pessoa? Além do mais, Jesus volta a conclusão original dos versículos 4 a 6. O divórcio nunca foi algo da vontade de Deus para os homens e mulheres, nem mesmo por fornicação. Agora que Jesus havia falado sobre a desculpa da fornicação, será que ele tinha que falar as outras desculpas uma por uma? Não. No versículo 9, Jesus coloca de lado todos os outros argumentos em potencial antes mesmo que eles fossem falados. Ele diz, "Por todos os outros casos, exceto o que eu já comentei, o divórcio não é da vontade de Deus." Incidentalmente, Marcos 10:11, 12 mostra que o assunto é o mesmo se é o homem ou a mulher que tenta obter o divórcio.
Deus colocou Deuteronômio 24:1 na Bíblia pelas Sua próprias razões espirituais, e isso não foi apenas uma opção para aqueles que desejavam caminhar fielmente segundo a Sua vontade. A razão espiritual pode ser brevemente explicada da seguinte maneira:
Deus casou com Israel como nação, mas Ele tinha alguns compromissos condicionais com essa nação. Desde que eles fossem fiéis, Deus os abençoaria. Infelizmente, a nação de Israel pecou muito, buscando outros deuses e então cometeram fornicação espiritual. Eles violaram a condição do casamento. Portanto, baseado em Deuteronômio 24:1, Deus legalmente poderia Se divorciar de Israel como nação. Deus não tinha mais compromissos com Israel como nação. Além do mais, a nação de Israel, seguindo outros deuses, se casou com outro. Portanto, de acordo com Deuteronômio 24:2, não haveria a possibilidade de uma futura reconciliação.
Agora, a mensagem é que todas as nações estão diante de um mesmo Deus. Deus tem um compromisso espiritual com o povo de todas as nações no que diz respeito a salvação. Nesse sentido, a obrigação para cumprir a Lei cai inteiramente sobre o Senhor Jesus Cristo. A segurança da ligação entre Deus e os crentes está totalmente sobre Ele, e Ele nunca vai falhar. De fato, o casamento eterno que Deus tinha em mente para Si mesmo foi sempre com os verdadeiros crentes nos tempos do Velho e Novo Testamentos.
Portanto, Mateus 19:7 está fazendo alusão a lei que Deus usou como um mecanismo para colocar em prática o Seu plano de salvacão entre as nações. Não era uma razão legítima ou concernente à lei para que um homem ou mulher pedisse divórcio.
q) Mateus capítulo 24 tem para nos ensinar.
Em primeiro lugar devemos olhar para o conteúdo do capítulo. Os versículos 1 e 2 introduzem o assunto do capítulo. O templo físico em Jerusalém é colocado em destaque pelos discípulos, mas uma comparação com João 2:19-21 nos diz que, ao mesmo tempo que os homens estavam pensando sobre um objeto físico, Jesus estava pensando sobre coisas espirituais. Nesse caso, o versículo 2 pode ser compreendido à luz de I Coríntios 3:16, 6:19 e II Coríntios 6:16 que se referem ao corpo e Cristo, a igreja organizada, e não ao templo que é constituído por pedras físicas. O versículo 2 não pode ser um prognóstico da destruição física de Jerusalém nas mãos dos Romanos em 70 AD, porque mesmo depois desse evento, haviam ainda algumas pedras do templo em lugar. Portanto, a destruição física do templo não cumpre o prognóstico. Além do mais, não podemos encontrar tal idéia física em qualquer outro lugar da Bíblia. Como sempre, a Bíblia tem um ponto espiritual para ser colocado e é isso o que buscamos. A idéia do capítulo é que dentre muitos eventos que estão para acontecer conforme o mundo se aproxima do fim, um importante evento é a destruição da igreja. O capítulo explica que a destruição não será física, mas na forma de apostasia espiritual.
No versículo 3, são feitas três perguntas: Quando é que essas coisas vão acontecer? Qual será o sinal da sua vinda? Qual será o sinal do fim do mundo? O resto do capítulo responde essas três perguntas, mas na ordem reversa que elas são feitas.
Os versículos de 4 a 14 respondem a essa última pergunta. Podemos relacionar o versículo 14 com a terceira pergunta pelo significado da palavra "fim". A resposta é, essencialmente, que o fim não vai acontecer até que a grande apostasia aconteça e que o evangelho tenha sido pregado para todo os quais Deus deseja. Essas são idéias espirituais que reforçam a nossa visão de que o capítulo 24 tem um intento primariamente espiritual.
Os versículos 15 a 31 respondem a segunda pergunta com a palavra "sinal" no versículo 30 como o laço que liga isso a segunda pergunta. O conteúdo dessa resposta é que a igreja vai experimentar a grande apostasia, e esse evento será sucedido pelo retorno do Senhor, o colapso do universo, e a trombeta que vai soar no dia do julgamento de Deus.
A primeira pergunta é respondida nos versículos 32 a 51. A essência desses versículos é que vai haver um tempo de aparente fidelidade e bençãos, porque a figueira terá folhas. Isso pode fazer referência a restauração da terra física para a nação de Israel em 1948 ou a igreja apóstata que está cheia de evangelho das obras (assim como as folhas da figueira em Gênesis 3:7 representam a própria tentativa do homem de cobrir o seu pecado). Entretanto, em ambos os casos, as bençãos são apenas aparentes. Não há fruto. Em ambos os casos, não há um real desejo de se afastar do pecado ou de se submeter ao evangelho da graça do Senhor Jesus Cristo. Há uma aparência de santidade, mas isso não é obra do Espírito Santo. O Julgamento estará próximo a acontecer. O alerta desses versículos é que cada pessoa deve estar pronta para o retorno de Cristo. Ela precisa estar certa que está salva, porque então será muito tarde para buscar pela misericórdia de Deus.
r) Mateus capítulo 24, devemos fazer três observações. Essas três observações
dizem respeito ao capítulo 24 e vão nos ajudar a evitar alguns mal entendidos sobre o assunto do
fim do mundo.
O grande perigo no final dos tempos é a apostasia espiritual. Observe por exemplo, os versículos 4, 5, 11 e especialmente o versículo 24.
Em segundo lugar, observe que de acordo com os versículos 21 a 24 a tribulação vai ocorrer quando os eleitos, ou crentes (Romanos 8:33, Efésios 1:4,5, Colossences 3:12), estão ainda na terra.
Em terceiro lugar, a palavra "trombeta" no versículo 31 é uma pista muito importante para nos ajudar a compreender como os muitos eventos do fim do mundo se encaixam. Vamos ver como é que isso pode acontecer.
O som da trombeta no versículo 31 é uma marca do tempo para os eventos de Mateus 24:29-31. Esses eventos incluem o colapso do universo físico (versículo 29) e o retorno do Senhor Jesus Cristo (versículo 30). Outro evento é o arrebatamento dos crentes (versículo 31). Embora o versículo 31 use as palavras "de uma à outra extremidade dos céus", sabemos que o versículo está fazendo referência ao arrebatamento, porque em Marcos 13:27 Jesus está falando do mesmo acontecimento e inclui a terra. Portanto, os crentes na terra estão incluídos na reunião, juntamente com os crentes no céu.
Também precisamos ressaltar que o som da trombeta em I Coríntios 15:52 é uma marca do tempo para a ressurreição dos crentes. Sabemos que esse é o mesmo som de trombeta do som de Mateus 24, porque João 6:39, 40, 44, 54 e 11:24 ensinam que a ressureição acontece no último dia, isto é, no último dia da existência física do universo.
Em adição a isso, I Tessalonicenses 4:16, 17 conecta o som da trombeta com o retorno do Senhor, com a ressurreição e o arrebatamento.
Finalmente, Apocalipse 11:15 e 18 conecta a sétima e última trombeta, isto é, a mesma trombeta de Mateus 24 com o julgamento de Deus no final dos tempos. Essa observação é apoiada por João 12:48.
Resumindo tudo isso, podemos dizer que o retorno do Senhor, a ressurreição, o arrebatamento, o fim do mundo e o Dia do Julgamento são eventos essencialmente simultâneos. Na realidade, uma vez que esses eventos estão além do tempo, podemos dizer que eles vão acontecer sem nenhum sentido de sequência ou ordem que possamos compreender com o nosso limitado quadro de referência.
s) Mateus 27:7, "E tendo deliberado em conselho, compraram com elas o campo do oleiro, para servir de cemitério
para os estrangeiros."
Esse versículo é apresentado como uma ilustração da necessidade de incluir versículos de outras partes da Bíblia na análise de um versículo. Os líderes dos judeus decidiram tirar o dinheiro de Judas que lhe foi dado por ter traído Jesus e que ele jogou fora, dinheiro que era equivalente ao preço de sangue, e compraram um pedaço de terra para enterrar estrangeiros. Esses estrangeiros seriam pessoas que estivessem naquela região quando moressem e que não tinham uma família judia para enterrar o seu corpo. O significado espiritual desse versículo é encontrado quando comparamos as partes do versículo com outros versículos e então colocando todas as partes uma ao lado da outra.
Em primeiro lugar, através das equivalências feitas no versículo 6, podemos dizer que um pedaço de terra foi comprado com sangue, não uma certa quantidade de sangue equivalente ao valor de trinta peças de prata, mas o valor espiritual do sangue. De fato, o campo não foi chamado de campo de prata, mas de campo de sangue, porque o sangue era a idéia importante (embora as 30 peças de prata tenham um importante significado espiritual que não podemos examinar agora). De acordo com Gênesis 9:4, o sangue é equivalente a vida, e de acordo com Levítico 17:11, não é qualquer vida, mas a vida que faz propiciação por nossos pecados. Compare Hebreus 9:22. Portanto, a idéia espiritual é que esse pedaço de terra foi comprado pelo Senhor Jesus Cristo com a Sua própria vida. Mateus 27:7 afirma que esse campo pertencia a um oleiro, ou, conforme lemos em Jeremias 18:2-10 e Romanos 9:21, a terra pertencia a Deus. É interessante que o campo do oleiro era um campo aonde, de acordo com Mateus 13:44, o tesouro foi encontrado, ou por comparação com II Coríntios 4:2-7, aonde o evangelho é encontrado. A palavra estrangeiro pode estar se referindo a Jesus Cristo assim como em Mateus 25:35 e 43, assim como aqueles que Deus designou como Seu povo, como em Efésios 2:12,19 e em Hebreus 11:13. A palavra "enterrar"refere-se a ambos.
Ligando todos os fatos, podemos obter a seguinte figura. Os líderes judeus tomaram conselho para tirar a vida de Jesus Cristo. As suas ações também resultaram na providência de um lugar para enterrar estrangeiros. É claro que eles estavam pensando apenas em conveniências terrenas, mas Deus os guiou para participar numa ilustração da salvação. Os seus esforços para crucificar Jesus resultaram em lugar para Jesus e para os eleitos serem enterrados. Concluindo, Mateus 27:7 está ensinando a idéia de que a cruz fez com que isso fosse possível para o povo de Deus morrer com Cristo, para suportar a punição do inferno por causa do pecado com Ele, conforme lemos em Romanos 6:3-6. mais precisamente, I Pedro 2:24 nos diz que os pecados dos crentes foram para a cruz com Jesus, e é como se eles também tivessem ido para a cruz. Deus planejou isso através do pecado dos líderes dos judeus como nos é dito em Romanos 11:11.
Uma figura similar a Mateus 27:7 é encontrada em Gênesis 23:4. A história em Gênesis é que Abraão (que é uma representação de Deus, conforme lemos em Isaías 51:2) deseja enterrar a sua esposa, Sara. Sara não é mencionada por nome, mas a passagem faz referência à ela como "o meu morto", porque ela e uma representação daqueles que estão mortos em seus pecados, conforme lemos em Efésios 2:1, e que são colocados fora da visão, uma figura de estar no inferno, como lemos em I Tessalonicenses 1:9. Abraão seria também enterrado com o seu morto, como lemos em Gênesis 25:10. Gênesis, numa figura, está ensinando que Jesus Cristo pagou por um lugar para o Seu povo ser enterrado ou para ser colocado fora da visão. Esse lugar é o mesmo aonde Jesus, que é Deus, também foi enterrado. É isso o que Romanos 6:3-6 nos ensina de uma maneira mais direta. A idéia é que quando Jesus foi para o inferno, nós que estávamos mortos em nossos delitos e pecados e estrangeiros para Deus, fomos com Ele, no sentido de que ele tomou sobre Si os nossos pecados. Jesus pagou pelo direito para que todo o Seu povo fosse enterrado com Ele de modo que seus pecados fossem pagos.
t) Mateus 27:24, 25, "Ao ver Pilatos que nada conseguia, mas pelo contrário que o tumulto aumentava,
mandando trazer água, lavou as mãos diante da multidão, dizendo: Sou inocente do sangue deste
homem; seja isso lá convosco. E todo o povo respondeu: O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos
filhos."
Esses versículos ilustram como uma frase pode ter mais de um significado. Entretanto, é importante mostrar como cada significado é validado em comparação com o resto da Bíblia.
Versículo 24, "Sou inocente do sangue deste homem." Em I Pedro 2:24, lemos que Jesus morreu pelos pecados daqueles que são salvos, isto é, foram os seus pecados que levou Jesus para a cruz. Nesse sentido, Pilatos estava correto. Pilatos não era salvo, e Jesus não estava derramando o Seu sangue por qualquer dos pecados de Pilatos. Uma segunda visão disso é baseada no fato de que Jesus foi enviado para a cruz através do plano do Pai ou podemos dizer que Jesus foi para a cruz por Sua própria vontade. Nesse sentido também, Pilatos estava correto. Pilatos não foi o autor e também não foi a causa primária para esse ato em particular. Em terceiro lugar, poderíamos olhar para a afirmação de Pilatos como uma fraca tentativa de absolver a si mesmo de um ato errado. Nesse sentido, Pilatos estava errado. Ele ainda era responsável pelas suas próprias ações nesse caso, ele participou na condenação de um homem inocente.
Versículo 25, "O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos." Essa frase também pode ser compreendida de maneira diferente. Em primeiro lugar, no sentido de que a palavra "nós" se refere aos verdadeiros judeus ou verdadeiros crentes e "nossos filhos" se refere aqueles que fazem parte da família cristã. A frase significa que os crentes desejam que o sangue de Jesus caia sobre eles e seus descendentes. Esse é um pedido que foi honrado. Em segundo lugar, no sentido que a palavra "nós" se refere aos líderes da nação de Israel e que eles desejam tomar crédito pela morte de Jesus, o pedido não foi honrado, uma vez que a cruz foi parte do plano de Deus para a salvação e não sua própria idéia. Em terceiro lugar, no sentido de que a palavra "nós" significa " homens não salvos", o pedido será honrado, porque eles vão pagar pelos seus próprios pecados da mesma maneira que Jesus pagou no inferno. Existe a possibilidade de um quarto ponto de vista expressado em Atos 5:28, o qual é a idéia de que os líderes judaicos estavam expressando o seu desejo de tomar qualquer consequência das mãos das autoridades romanas por terem tomado a lei em suas próprias mãos. Essa visão certamente tem validade histórica, mas não possui apoio bíblico.
Nós precisamos ter em mente o fato de que pode ter existido mais de uma visão para um versículo não significa que existem contradições na Bíblia e também não significa que a correta compreensão da escritura é algo subjetivo totalmente dependente das escolhas do estudante. Um versículo pode ter mais do que um significado por causa da profundidade do conteúdo espiritual que Deus colocou na Bíblia. Diferentes significados pode ser compatíveis. A chave de pensamento é que qualquer interpretação precisa ser reconciliada com todo o resto dos versículos na Bíblia e apenas com a informação encontrada na Bíblia. É absolutamente essencial que seja encontrado um concreto e específico apoio das escrituras para qualquer interpretação de um versículo.
Isso conclui a nossa pesquisa do livro de Mateus. Esperamos que esse breve exame possa lhe ajudar a compreender
e lhe encorajar a estudar por si mesmo. Que o Senhor lhe abençõe ricamente de acordo com a Sua Palavra.