MARCOS
Vamos começar uma série de estudos no livro de Marcos no Novo Testamento. Este é o segundo livro do Novo Testamento. Não vamos estudar versículo por versículo. Mas vamos examinar muitos versículos, e você pode usar essas mensagens para ajudá-lo a ter uma compreensão melhor de outras passagens do livro de Marcos.
1. TEMA
Dentro dos muitos temas que o livro de Marcos ensina, escolhemos focalizar a nossa atenção em Jesus Cristo como o Rei que serve. Essa é uma idéia que também pode ser encontrada no Livro de Isaías no Velho Testamento, capítulo 52, versículo 13.
2. VERSÍCULO CHAVE
Um versículo chave no livro de Marcos que chama a nossa atenção para o tema escolhido é Marcos 10:45, aonde lemos, "Pois também o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos."
3. BREVE VISÃO
Agora vamos apresentar uma breve visão do livro de Marcos. Vamos examinar porções do livro e apontar para alguns detalhes em cada porção.
Os capítulos 1 até o 10 podem ser entitulados, "O Serviço do Rei Entre os Homens." O capítulo 1 descreve como o Rei começa Seu serviço entre os homens. Nele, lemos que João, o Batista proclama o Servo. Aprendemos como o Servo convida Seus ajudantes. Aprendemos sobre as palavras e feitos do Servo. O capítulo 2 descreve o serviço do Rei em conflito. Nesse capítulo aprendemos que o Servo é Senhor do sábado. Aprendemos sobre os amigos e inimigos do Servo.
Os capítulos 4 e 5 de Marcos descrevem a Palavra do Servo. Nesses capítulos aprendemos que o Servo controla o efeito da Sua Palavra e nesses capítulos aprendemos que a Sua Palavra tem poder e autoridade, quando Ele acalma a tempestade, expulsa os demônios, cura uma mulher e ressuscita uma filha.
Os capítulos 6 até o 10 de Marcos descrevem a avaliação dos ajudantes do Servo. Nesses capítulos aprendemos que o serviço do Servo e os Seus ajudantes são criticados e honrados de muitas maneiras pelos incrédulos, por aqueles que tinham uma necessidade, pelos líderes religiosos, pelos gentios, pelos seus próprios discípulos e por Seu Pai celeste. Também aprendemos que o Seu serviço é avaliado à luz das Suas palavras e obras.
Os capítulos 11 até o 16, versículo 14 de Marcos podem ser entitulados, "O Serviço do Rei pelos Homens."Os capítulos 11 até o 14, versículo 25 de Marcos descrevem como o Rei prepara para o Seu maior serviço, que era a morte. Nesses capítulos aprendemos que o Servo entra no templo para servir. Aprendemos que o Servo condena e alerta os incrédulos e que é traído. Também aprendemos que Ele é ungido em preparação para o Seu grande serviço.
Os capítulos 14, versículo 26 até o capítulo 16, versículo 14 de Marcos descrevem a maior de todas as obras do Rei. Nesses capítulos aprendemos que o Rei serve no Jardim do Getesêmane, numa corte religiosa e numa corte do mundo. Nesses capítulos aprendemos que o Rei serve no Seu sacrifício, enterro e resurreição. Também aprendemos como o Rei confirma o Seu trabalho concluído.
O capítulo 16, versículos 15 até o 20 de Marcos, podem ser entitulados, "O Serviço do Rei Através dos Homens." Esses versículos de Marcos descrevem como o Servo do Rei comissiona Seus ajudadores, como controla o resultado de seu trabalho e como apoia seus ajudadores no trabalho que exercem por Ele.
4. COMENTÁRIOS GERAIS
Vamos fazer alguns comentários gerais sobre o livro de Marcos que vão nos ajudar a olhar para certos detalhes mais tarde.
O livro de Marcos pode ser caracterizado como um evangelho que estava sempre em ação. Existe muito mais diálogo em Marcos do que em qualquer outro evangelho. Uma cena ativa segue outra. A conjunção conectiva "e" pode ser encontrada centenas de vezes, como se o autor estivesse indo de um versículo para o outro sem nem mesmo ter tempo para respirar. A palavra grega "eutheos", traduzida como "imediatamente", é usada mais comumente em Marcos do que em qualquer outro livro do Novo Testamento e chama a nossa atenção para o passo acelerado desse evangelho.
Em adição a isso, Marcos inclui muitas descrições claras das ações de Jesus. Por exemplo, em Marcos 1:31 nós lemos, "chegando-se e tomando-a pela mão, a levantou", e em Marcos 1:41 nós lemos, "estendendo a mão, tocou-o" e em Marcos 7:33, "tirou-o de entre a multidão, à parte, meteu-lhe os dedos nos ouvidos e, cuspindo, tocou-lhe na língua."
Não existe muita elaboração sobre o nascimento de Jesus ou muitas pausas para refletir sobre o Seu trabalho ou palavras. O evangelho começa com Jesus pronto para agir e termina com a transferência das Suas atividades para o Seu povo, ou melhor continuando Suas ações através do Seu povo. É esse mesmo passo exaustivo que revela a vitalidade e o dinamismo da mão de Jesus Cristo. Como alguém falou, Marcos é um "evangelho que vai adiante." Jesus espera que o Seu povo vá com Ele; e eles irão, pelo Seu poder e graça.
Nesse ponto seria uma boa idéia corrigir um mal entendido sobre o evangelho de Marcos. O evangelho de Marcos é menor que os evangelhos de Mateus, Lucas e João. Isso tem levado muitas pessoas a dizer que o livro de Marcos é um tipo de edição condensada de um relatório de alguém ou que Marcos é um relatório cru e que os outros evangelhos são versões expandidas desse relatório. Algumas pessoas dizem que porque o evangelho de Marcos é parecido com as pregações de Pedro no livro de Atos, Marcos estava realmente escrevendo o evangelho debaixo do ponto de vista de Pedro ou debaixo da sua influência. Outros dizem que não, que o estilo conciso do evangelho de Marcos nos leva a concluir que esse é o documento básico a partir do qual todas as outras narrativas foram baseadas. Tudo isso é uma conjectura inoportuna. O que os escritores dos evangelhos podem ter tirado de outros homens não têm relevância alguma. Nenhum dos escritores eram imitadores. Nenhum dos evangelhos é um resumo ou uma expansão de outro evangelho. Cada evangelho deve a sua existência à direta intervenção de Deus. Cada escritor escreveu conforme o Espírito Santo o dirigia para tal, e cada evangelho tem qualidades únicas que suplementam e suportam os outros.
Marcos, ou melhor, João Marcos, foi um servo dos apóstolos, conforme lemos em Atos 13:5. Ele compreendia o que era serviço, e estava bem preparado para escrever sobre o serviço de Jesus Cristo. Parece que Marcos era uma amigo especial de Pedro, uma outra pessoa bastante energética. Talvez ele fosse especialmente de grande ajuda para Pedro, assim como também era ajudado por ele.
Baseado no ponto de vista de que Colossences 4:10 está se referindo ao mesmo homem, aprendemos que ele era sobrinho de Barnabé, e nesse ponto temos uma interesssante revelação do seu caráter. Paulo e Barnabé levaram consigo Marcos na sua primeira viagem missionária fora da Palestina. E parece que Marcos teve uma mudança no seu coração, conforme lemos em Atos 13:13 que diz, "Tendo Paulo e seus companheiros navegado de Pafos, chegaram a Perge, na Panfília. João, porém apartando-se deles, voltou para Jerusalém." Essa deserção resultou numa separação entre Barnabé, que desejava levar seu sobrinho com ele na sua segunda viagem missionária Paulo que recusou porque achou que havia a evidência que Marcos poderia fazer a mesma coisa mais uma vez. Entretanto tendo passado mais tempo com Barnabé e sem dúvida com Pedro, com o qual se identificou e quem compreendeu o seu comportamento por causa de sua primeira experiência, Marcos deve ter amadurecido. Na realidade, Paulo reconheceu o crescimento espiritual de Marcos e pessoalmente testificou da sua fidelidade. Paulo tinha um grande respeito pelo trabalho de Deus na vida de Marcos e desejou que Marcos pudesse servir mais uma vez com ele, conforme lemos em II Timóteo 4:11, "Só Lucas estava comigo. Toma a Marcos e traze-o contigo, porque me é muito útil para o ministério."
5. VERSÍCULOS SELECIONADOS.
Vamos agora examinar alguns versículos selecionados do livro de Marcos em maior detalhe.
a) Em primeiro lugar, vamos olhar para o relacionamento de uma passagem com a outra no livro de Marcos.
Conforme todos os evangelhos vão de um episódio para outro, é possível para estudantes ter a impressão que cada evangelho é uma coleção de histórias, no sentido de que cada história é importante, mas não necessáriamente relacionada com outra próxima à ela, exceto pelo fato de que todas contribuem para o evangelho de Jesus Cristo. O evangelho de Marcos especialmente, parece ter sido escrito na forma de um grupo de passagens que pulam bruscamente de uma situação para outra. Entretanto, a sequência de histórias não é acidental ou desconexa. O Autor da Bíblia tomou um grande cuidado, não apenas com o conteúdo de cada versículo, mas também com a arrumação dos versículos em relação um com o outro. Existe uma razão lógica espiritual para a sequência das histórias. Vamos providenciar duas ilustrações para essa idéia.
1) Marcos 2:1- 3:6.
Uma mensagem importante de Marcos 2:1-12 é que o Filho tem autoridade para perdoar pecados, conforme lemos em Marcos 2:10, "Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados." Embora Marcos 2, versículo 13-17 pareçam apresentar um incidente completamente sem ligação, eles podem ser relacionados com os versículos 1-12 pela observação que descreve aqueles que o Filho pretende perdoar. Eles descrevem a extensão ou o alcance do perdão do Filho, conforme lemos em Marcos 2:15, "Ora, estando Jesus à mesa em casa de Levi, estavam também ali reclinados com ele e seus discípulos muitos publicanos e pecadores; pois eram em grande número e o seguiam." Continuando em Marcos 2, versículos 18-22, aprendemos algo sobre o efeito do perdão do Filho na vida daqueles que Ele perdou. Esses versículos ensinam que o perdão resulta numa grande mudança na vida de uma pessoa, conforme lemos em Marcos 2:22, "E ninguém deita vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho novo romperá os odres, e perde-se-á o vinho e também os odres; mas, deita-se vinho novo em odres novos." Existe uma mensagem adicional que aqueles que foram perdoados não iriam anunciar o evangelho do perdão (por exemplo, eles não iriam jejuar) até que o Filho fosse tirado do meio deles (por exemplo, Ele assegurou o perdão quando foi para a cruz). Marcos 2, versículos 23-28, concluem o capítulo 2 com a mensagem, entre outras, que o Filho tem autoridade sobre a lei cerimonial, a qual predisse e que representou o perdão que haveria de vir através do Filho, conforme lemos em Marcos 2:28, "Pelo que o Filho do homem até do sábado é Senhor." Foi o Filho que criou e ensinou aos anciãos Israelitas as representações cerimoniais que prometeram o que eles fariam, para que o seu povo pudesse ser perdoado.
Vamos terminar a nossa ilustração com uma olhada em Marcos 3:1 até o versículo 6 para mostrar que as conecções entre as passagens podem ser feitas além das divisões dos capítulos.
Marcos 3, versículos 1 até o 6, mostram que os homens reprimem a verdade do perdão de Deus em Jesus Cristo. Essa mensagem da graça incorreu na ira daqueles que desejavam obter o perdão baseados em seus próprios esforços em obedecer a lei. É como se aqueles aos quais foram dados as leis cerimoniais desejassem as representações físicas ao invés das realidades espirituais para as quais essas figuras apontavam. Existe uma idéia adicional aqui: que aqueles que não buscam o perdão oferecido pelo Filho não possuem a preocupação espiritual pelas outras pessoas. Tais pessoas não procuram por misericórdia nem para si mesmo nem para os outros.
2) Marcos 7:1-37.
Em Marcos 7, versículos 1-13, Jesus expõe a futilidade de um falso evangelho das obras, um evangelho que encoraja as pessoas a tentarem obedecer a lei para estarem limpos diante de Deus conforme lemos em Marcos 7:6, "Respondeu-lhes: Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim." Marcos 7, versículos 14 até o 23, a primeira vista parecem não estar relacionados com os versículos 1 até o 13. Entretanto, os versículos 14 até o 23 continuam a mensagem dos versículos 1 até o 13, explicando a razão pela qual um evangelho de obras é vão. A razão é que os homens são realmente contaminados por dentro, conforme lemos em Marcos 7:20. É aí que a limpeza precisa ser feita. Mais adiante em Marcos 7, versículos 24 até o 34, lemos a maravilhosa história que Jesus limpa a pessoa mais contaminada que os fariseus pudessem imaginar, uma pessoa que não estivesse ligada às leis cerimoniais, conforme lemos em Marcos 7:26, "(Ora, a mulher era grega, de origem siro-fenícia) e rogava-lhe que expulsasse de sua filha o demônio." Vamos parar essa ilustração observando que os versículos 31-37 ensinam que Jesus, o doador da Lei, pode limpar a língua, isto é, todo o homem.
Essas duas ilustrações de como os versículos estão interligados no livro de Marcos demonstram o tema espiritual consistente de salvação na Bíblia e o cuidado com o qual ele foi composto. Essas conecções nos ajudam a lembrar dos diferentes acontecimentos na Bíblia através de uma ligação de muitos. E não apenas isso, quando descobrimos uma idéia que flui através de várias passagens e que as une, podemos usar essa idéia para nos ajudar a compreender mais versículos difíceis nessas passagens.
b) Agora vamos olhar para o valor que o Velho Testamento tem na compreensão do livro de Marcos.
O evangelho de Mateus tem muitas citações diretas do Velho Testamento, enquanto que o livro de Marcos tem poucas citações. De que ajuda pode ser o Velho Testamento na compreensão de Marcos? Alguns professores da Bíblia dizem que é legítimo usar uma passagem do Velho Testamento quando um versículo do Novo Testamento faz uma citação sobre ela, mas que não é próprio introduzí-la quando o Novo Testamento não faz tal conecção. Entretanto, essa atitude leva a um pobre estudo da Bíblia. O fato é que a Bíblia é apenas uma unidade, escrita por um único Deus. Os testamentos e divisões de livros são realmente artificiais, no sentindo de que eles parecem dividir a Bíblia em compartimentos independentes. É possível e na realidade mandatório pesquisar versículos do Velho Testamento que contém palavras e frases no Novo Tesatamento. Esse princípio é tão importante que devemos dar vários exemplos breves para que cada pessoa possa por si mesmo fazer tais conecções. Vamos providenciar cinco ilustrações para essa idéia
1) Marcos 1:6, "Ora, João usava uma veste de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus
lombos, e comia gafanhotos e mel silvestre."
João usava vestes de pelo de camelo. Podemos ir até II Reis 1:8 para mostrar que João é identificado como um verdadeiro profeta de Deus no Velho Testamento, como Elias. Levítico 11:4 ensina que as suas vestes eram roupas imundas. Seguindo, através de Isaías 7:22 e Salmos 19:10, podemos ver que o mel que João comia fazia referência à Palavra de Deus. No total, a idéia é que como um profeta do Velho Testamento que possuia a lei de Deus em sua boca, João ainda não era capaz de remover a sujeira com a qual estava coberto. O ponto é que João pessoalmente, necessitava de salvação, mas essa salvação não podia ser providenciada pela lei. Ela apenas poderia vir através de um Salvador, conforme lemos em João 1:17 que diz, "Porque a lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo."
2) Marcos 4:1-9
A segunda ilustração está nos versículos de Marcos 4:1-9, especialmente os versículos 4 e 5 que dizem, "E aconteceu que, quando semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho, e vieram as aves e a comeram. Outra caiu no solo pedregoso, onde não havia muita terra; e logo nasceu, porque não tinha terra profunda."
Toda essa parábola é rica em conecções com o Velho Testamento. Algumas dessas conecções são as seguintes: O semeador pode ser comparado ao Salmo 126:5 e Oséias 3:23, que é então visto como uma referência ao evangelho sendo anuncidado no mundo. O versículo 4 pode ser ligado a Jeremias 10:25 para mostrar que "comer" ou "devorar" se refere ao ódio e oposição do mundo à proclamação do evangelho. O versículo 5 pode ser comparado com Ezequiel 36:26 para mostrar que a palavra "pedregoso" se refere à situação dos homens quando ainda não estão salvos. O versículo 5 pode também ser comparado a Ezequiel 7:23 para mostrar que a palavra "solo" se refere não a geografia, mas ao povo, todas as pessoas do mundo que ainda estão perdidas. O salmo 121:6 revela que Marcos 4:5 ensina que o sol é uma referência ao julgamento de Deus que aflige os não crentes. Uma comparação com Isaías 40:8 e 24 mostra que as palavras "não tinha terra profunda" e "secou-se" se referem ao julgamento de Deus. Pessoas não salvas não possuem raízes ou Salvador e nem força pessoal. Agora é fácil ver como a parábola de Marcos depende do Velho Testamento.
3) Marcos 7:33, "Jesus, pois, tirou-o de entre a multidão, à parte, meteu-lhe os dedos nos ouvidos
e, cuspindo, tocou-lhe na língua."
Comparando esse versículo com Êxodo 31:18, aonde lemos, "E deu a Moisés, quando acabou de falar com ele no monte Sinai, as duas tábuas do testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus", podemos ver que Jesus é o Único cujo dedo escreveu a Lei de deus. Ele é o Doador da Lei. Esse versículo em Marcos está colocando a verdade espiritual que diz que Jesus tem o poder para colocar a Lei dentro dos ouvidos do homem de modo que ele seja capaz de ouví-la. Essa é uma figura do poderoso trabalho de Deus na salvação.
4) Marcos 7:37, "E se maravilharam sobremaneira, dizendo: Tudo tem feito bem; faz até os surdos ouvir
e os mudos falar."
Esse versículo pode ser comparado com Gênesis 1:31, aonde lemos, "E viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. E foi a tarde e a manhã, do dia sexto", para revelar que Jesus é o Criador, o único que pode fazer todas as coisas bem. Isso mostra que apenas Ele pode ser o Salvador que cria todas as coisas novas.
5) Marcos 10:16, "E, tomando-as nos seus braços, as abençõou, pondo as mãos sobre
elas."
Esse versículo nos dá um novo e melhor entendimento através da conecção que ele tem com Deuteronômio 33:27 aonde lemos, "O Deus eterno é a tua habitação, e por baixo estão os braços eternos; ele lançou o inimigo de diante de ti e disse: Destrói-o." Os braços de Jesus não são apenas um conforto humano, mas um conforto divino e eterno.
6) Marcos 13:14, "Ora, quando vós virdes a abominação da desolação estar
onde não deve estar (quem lê entenda), então os que estiverem na Judéia fujam para os
montes."
Esse versículo está claramente ligado a Daniel 8 e 11 através das palavras, "abominação da desolação", assim como também de uma maneira mais discreta a Salmos 72:3 e 121:1,2 através da palavra "montes". A "abominacão da desolação" se refere ao reinado de Satanás no fim dos tempos em igrejas apóstatas através de falsos profetas. A palavra "montes" se refere a reino, nesse caso o reino de Deus. Esses versículos ensinam que aqueles que escaparem da influência da abominação da desolação serão aqueles que estão seguros no reino de Deus. Apenas verdadeiros crentes vão escapar da tentativa de Satanás de levar homens para falsos evangelhos.
c) Marcos 2:23-28.
Essa passagem chama a nossa atenção para a tentativa de Jesus de violar o conceito dos fariseus sobre o sábado. A pergunta "Por que estão fazendo no sábado o que não é lícito?" no versículo 24 define o problema. Os fariseus estavam corretos no que diz respeito às leis cerimoniais. O homem não devia trabalhar no sábado, porque o sábado era parte das leis cerimoniais que apontavam para a salvação de Deus. A salvação que a cerimônia representava não é uma mistura do trabalho de Deus e do homem. Se um homem tenta contribuir para a sua salvação, ele é levado a julgamento. A ironia era que o seu inescrupuloso cuidado de aderir às leis cerimoniais era em si mesmo uma obra que violava a finalidade da lei. E ainda, eles pensavam que através do descanso físico eles se faziam santos, e portanto, através de seus próprios esforços encontrariam a justiça. O sábado se tornou um ídolo judaico, e Jesus atacou essa mudança da cerimônia e o orgulho dos judeus que a modificava.
O sábado, como todas as leis cerimoniais, foi dado porque o homem possuia uma necessidade, uma grande necessidade espiritual. Essas leis apontavam para a maneira como Deus supriria essa necessidade. Portanto, em Marcos 2:25, aonde lemos, "Respondeu-lhes ele: Acaso nunca lestes o que fez Davi quando se viu em necessidade e teve fome, ele e seus companheiros?" Jesus, que criou as leis, demonstou que a necessidade humana é a motivacão própria para o trabalho no sábado. E porque os seus corações não estavam corretos, os líderes judeus não se preocupavam com as necessidades humanas. O seu abuso em guardar o sábado os levou a usar isso para bloquear as pessoas da necessidade que elas tinham. Portanto, Jesus violou um conceito judeu do sábado para ensinar algo sobre a lei cerimonial e sobre Si mesmo, o Doador da Lei que veio para cumprir a Lei e colocar de lado as observâncias físicas.
Os violadores da cerimônia física eram os discípulos de Jesus que representavam o povo escolhido de Deus, os eleitos. Sua violação foi terem comido milho, o que representa o próprio Jesus que é o pão da vida. É sempre apropriado para o povo de Deus buscar as bençãos da salvação, visto que Deus fez todo o trabalho para salvá-los. Agora que o Salvador já veio, eles podem comer. A cerimônia foi violada para representar o seu cumprimento que estava próximo para acontecer.
Marcos 2:27, "E proseguiu: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado." Nesse versículo vemos que o homem foi criado primeiro do que o sábado. Isso não é apenas um fato de uma sequência criativa, mas também de valor. O sábado foi criado com a necessidade do homem em mente. O sábado foi planejado para servir o homem. O sábado nos conta a história de um Deus que trabalhou e homens que descansaram. Deus viu a necessidade do homem, planejou a obra da salvacão, a concluiu e descansou de todo o trabalho. Agora Deus trabalha no coração dos homens para dar-lhes vida. O homem não trabalha. Ele apenas busca a salvação de Deus e a anuncia a outras pessoas. E nesse episódio, Jesus não pecou ou deixou o sábado de lado. Quando Ele trabalha, está revelando que é o cumprimento dessa lei. O homem pode agora se alimentar do pão que Ele providenciou.
d) Marcos 3:29-30, "Mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca mais terá perdão,
mas será réu de pecado eterno. Porquanto eles diziam: Está possesso de um espírito
imundo"
A frase, "blasfemar contra o Espírito Santo" é sempre mal compreendida e temida visto que é seguida pelas palavras, "nunca mais terá perdão." A seguinte pergunta é sempre feita, "Será que existe um pecado que eu possa cometer que me afastaria para sempre da graça de Deus?"
Precisamos imediatamente colocar de lado duas noções que dizem respeito a essa frase. Em primeiro lugar, a frase não está se referindo a uma pessoa que recusa crer no Senhor Jesus Cristo. Se fosse assim, ninguém poderia ser salvo, porque antes de sermos salvos, somos todos rebeldes e pecadores sem fé. Em segundo lugar, não podemos relacionar essa frase com a passagem de I Coríntios 1:18 ou 12:3, como se fosse uma referência geral a pessoa que não está salva. A frase não significa que se uma pessoa não deseja ser salva e pensa que a cruz não é um meio de salvacão , ela cometeu um pecado que não pode ser perdoado.
A maneira própria para compreender Marcos 3:29 é encontrada em Marcos 3:30. A idéia é que um homem que blasfema contra o Espírito Santo é um homem que está convencido em seu coração que Jesus é de Satanás, isto é, que ambos são ímpios. Essa situação é uma anomalia na história que é encontrada apenas nessa passagem e em passagens paralelas em Mateus e Lucas e em João 5:16. O versículo 30 não significa que um homem está perdido se ele falar essas palavras. Mas se refere a uma pessoa que tem um coração que o leva a falar essas palavras, que realmente crê que Jesus é de Satanás. O incidente em Marcos capítulo 3 descreve o endurecimento do coração dos líderes judeus, os quais Deus usou para levar Jesus a cruz. Talvez existam pessoas hoje que possuem o mesmo coração, mas isso seria uma rara exceção, mesmo para esse mundo ímpio.
Esse incidente raro foi colocado na Bíblia como um teste para aqueles que tem a oportunidade de lê-lo. É para aqueles que convenceram a si mesmos que não têm mais esperança e se recusam a buscar a Deus para receberem a misericórdia que Ele promete. Tais pessoas podem achar razão nesse versículo para se afastarem do evangelho, para desistirem e continuarem em seus pecados. Esse tipo de pessoa está ouvindo a Satanás, que usa tal passagem para tentar impedir que as pessoas busquem a salvação de Deus.
Uma pessoa que esteja verdadeiramente preocupada em ter cometido o pecado que não tem perdão, não o cometeu. Agora, uma outra pessoa que como os escribas, odeia tanto a Cristo que crê que Ele é de Satanás, não está preocupada com o que a Bíblia tem para dizer e também não busca por perdão. Qualquer pessoa que está preocupada reconheceu corretamente que Jesus é o Juiz com quem todos os homens vão ter que lidar. Esse é o temor que é o primeiro passo para a salvação.
e) Marcos 5:1-15
Essa passagem ilustra o conteúdo espiritual que deveríamos encontrar em um acontecimento histórico na Bíblia. Vamos selecionar algumas palavras e frases e usando referências cruzadas mostrar o conteúdo espiritual de outros versículos.
Em primeiro lugar, devemos ver como a passagem descreve a situação de um homem diante de Deus antes que a graça de Deus lhe foi concedida. O versículo 1 nos diz que ele vivia no "outro lado do mar" de onde Jesus estava. O ponto espiritual é que esse homem, assim como todo homem perdido, estava longe da graça de Deus, conforme lemos em Efésios 2:12,13. Quão longe ele estava? De acordo com Apocalipse 13:1, o mar é uma representação do domínio do dragão ou Satanás. Também, de acordo com Apocalipse 17:15, o mar se refere as pessoas não salvas do mundo. Portanto, o homem da passagem bíblica estava na mesma situação aonde todos os perdidos estão, isto é, no reino de Satanás. Para suportar essa conclusão, sabemos que Jesus precisou entrar no reino de Satanás para encontrar esse homem, e é aonde Ele encontra todo o Seu povo. O domínio desse homem por Satanás é enfatizado pela frase "um homem com espírito imundo", embora a frase também faça referência a condição pecaminosa que o homem possuía diante da lei de Deus.
Marcos 5:1 menciona o fato de que os discípulos de Jesus foram com Ele. Isso chama a nossa atenção para o fato de que Jesus envia Seu povo ao mundo para anunciar o evangelho da graça para aqueles que estão no reino de Satanás, e Ele vai com eles, conforme lemos em Mateus 28:19, 20. O versículo 1 também menciona que o homem estava na terra dos gerasenos, o que o identifica como um gentio, chamando nossa atenção para o fato de que o homem é um dos homens do mundo, representando os pecadores de todas as nações.
Marcos 5:2 lemos que esse homem foi ao encontro de Jesus, saindo dos sepulcros, aonde é esperado que se encontrem pessoas mortas. Isso é identificado com Efésios 2:1, aonde lemos, "Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados." E essa passagem descreve a condição espiritual do homem perdido. A passagem paralela a essa em Lucas capítulo 8 acrescenta o fato de que ele estava lá por um longo período e isso está em Lucas 8:27. Isso chama a nossa atenção para o fato de que os homens têm estado mortos espiritualmente falando desde a queda de Adão no Jardim do Éden. Também aprendemos a partir de Lucas 8:27 que o homem não usava roupas, significando que ele estava exposto diante de Deus por causa dos seus pecados, conforme lemos, "Logo que saltou em terra, saiu-lhe ao encontro um homem da cidade, possesso de demônios, que havia muito tempo não vestia roupa, nem morava em casa, mas nos sepulcros."
Lemos em Marcos 5:4 que o homem quebrou as cadeias e os grilhões com as quais tentaram prendê-lo. Isso se identifica espiritualmente com a rebelião de homens perdidos que não desejam que o Homem, Cristo, seja o Senhor sobre eles. Todo homem deseja ser lei para si mesmo e se rebela diante da vontade de Deus, a qual geralmente vem para nós através das leis dos homens em autoridade. Marcos 5:5 descreve o fruto amargo da rebelião do homem. As palavras "sempre, de dia e de noite" significam que o homem estava preso a morte eterna. As palavras "ferindo-se com pedras" nos dizem que a sua miséria era culpa sua. O homem se auto destrói dentro da sua rebeldia. As pedras se referem a lei de Deus e a Jesus. Porque ele era pecador, a lei o estava matando. Em outras palavras, ele estava condenado ao inferno pela lei que o rejeitou. E porque o homem é pecador, o Senhor Jesus o julgará.
Agora chegamos ao momento da sua restauração. A sua situacão diante da graça de Deus foi modidicada. Marcos 5:15 mostra que o homem estava sentado. Isso significa mais do que calma e repouso físico. Comparando isso com Efésios 2:6, aprendemos que esse homem foi salvo e foi espiritualmente ressuscitado dos mortos e agora está reinando com Cristo. Ele encontrou verdadeiro descanso. E ao invés de estar nú, agora ele está vestido, isto é, coberto pela justiça de Cristo. Marcos 5:15 também diz que ele estava em perfeito juízo. Isso está relacionado com o fato de que ele passou a ter a mente de Cristo. Jesus é o Senhor de tudo que ele pensa e faz.
Como podemos ver, essa história tem muitas riquezas espirituais para cada um de nós. Cadapessoa pode ser desafiado a continuar de um modo similar como foi mostrado acima e descobrir por si mesmo o intento epiritual do resto dessa passagem.
f) Marcos 7:24-30.
Em cada caso no qual uma história é encontrada em mais de um evangelho, os detalhes de cada evangelho diferem. Vamos comparar algumas das diferenças entre alguns dos detalhes de Marcos 7:24-30 e em Mateus 15:21-28, para ilustrar alguns princípios importantes que precisam guiar o nosso estudo bíblico. Através da escolha de uma história que seja apenas encontrada em Marcos e Mateus, vamos simplificar um pouco a nossa discussão, mas as idéias podem ser aplicadas à nossa investigação de histórias que são comuns a mais de dois evangelhos.
Algumas diferenças na mesma história entre o evangelho de Mateus e o evangelho de Marcos podem ser atribuídos ao fato de que cada homem condensou muitos diálogos e ações dentro de poucas palavras. Esse fato tem levado pessoas a dizerem que os detalhes são simplesmente coisas que cada homem lembrou ou algo que o impressionou. Existe uma idéia muito popular entre os estudantes da Bíblia que essas diferenças são como diferenças no depoimento de duas testemunhas para o mesmo acidente ou dois artigos de dois jornais diferentes sobre a mesma história. A idéia é que temos dois depoimentos diferentes e subjetivos do mesmo evento. Certamente Marcos e Mateus não são a mesma pessoa e poderíamos esperar algumas diferenças em suas histórias se o que eles escreveram foi produto dos seus próprios esforços. Ainda assim, o que cada um colocou no seu depoimento não foi resultado de uma tentativa para lembrar o que sabiam e os evangelhos também não são duas versões da mesma história. As diferenças são muito.s mais intencionais do que isso. Elas revelam a mão do próprio Deus. As diferenças não são arbitrárias, também não aconteceram por acaso dependendo da memória das pessoas. As histórias não são redundantes, como se algumas passagens fossem desnecessáriamente duplicatas de outras. Muitos detalhes em Marcos 7:24-30 e em Mateus 15:21-28 são diferentes porque cada homem foi guiado pelo Espírito Santo para contribuir com uma parte da passagem, a qual, depois de ser comparada, revela a verdade histórica e espiritual.
Precisamos crer que a Bíblia é exata nos seus depoimentos de lugares, pessoas, eventos e diálogos. Apenas quando reconhecemos que todos os detalhes em ambas passagens possuem um Autor divino, e apenas quando buscamos a intenção espiritual de cada passagem, é que os detalhes serão harmonizados e bem compreendidos. Vamos olhar para algumas diferenças nessas duas passagens para ilustrar o próprio procedimento para reconciliá-las.
Existem algumas diferenças entre essas duas passagens que não são muito difíceis para serem compreendidas. Por exemplo, Mateus 15:23 diz que Jesus não respondeu a mulher quando ela lhe disse que sua filha precisava de ajuda, mas em Marcos 7:27 nos afirma que Ele respondeu. Existe apenas uma única solução para essa aparente discrepância. Ela pode ser que a conversação foi muito maior do que tanto Mateus e Marcos descreveram, e cada homem incluiu porções diferentes de todo o diálogo. Cada homem colocou porções exatas, mas diferentes do que foi dito. Aconteceu que tanto Jesus como a mulher disseram coisas similares mais de uma vez de modo que poderíamos facilmente errar as afirmações diferentes para serem as mesmas afirmações que foram colocadas de maneira diferente por Mateus e Marcos. Nesse caso, a mulher apelou para Jesus pelo menos duas vezes. Uma vez, Jesus não lhe respondeu diretamente e em outra ocasião Ele respondeu.
Como outro exemplo, observe que em Mateus 15:22 ela disse, "tem compaixão de mim". Esse pedido não é encontrado em Marcos.Também parece estar em conflito com o fato de que em ambas passagens era a sua filha que estava endemoniada, ao invés dela. A omissão desse pedido em Marcos pode ser atribuido ao fato de que Mateus nos dá mais da conversação. E muito mais importante do que isso, Deus inclui o pedido em Mateus para nos dar uma importante lição espiritual, como vamos ver. No uso da palavra "mim", essa mulher estava expressando mais do que uma preocupação materna que a levou a se identificar com a sua filha para quem ela buscava alívio. Ao invés disso, ela recebeu a graça para tomar consciência de que ela também não estava salva e debaixo do controle de Satanás. Ela estava colocando o fato de que ambas, ela e sua filha, tinham as mesmas necessidades espirituais. O ponto principal é sobre ela e sua filha como uma família. Ela buscou por ajuda para si mesma como parte do seu apelo para Jesus por sua filha. Nessa maneira, a Bíblia chama a nossa atencão para o fato de que Deus trabalha através de famílias, conforme lemos em Atos 2:39 e 16:15.
Um contraste ainda mais difícil é encontrado quando comparamos as palavras da mulher em Mateus 15:27 e em Marcos 7:28. Esses versículos parecem fazer referência a mesma conversação entre ela e Jesus. Entretanto, as palavras não são idênticas. A questão é, quais palavras ela usou? Será que a Bíblia é exata? Será que ambos os evangelhos estão dando apenas um resumo do diálogo que eles tiveram?
O fato de que parecem existir discrepâncias nos detalhes dos depoimentos dos eventos que são registrados em mais de um evangelho é chamado de problema por muitos professores da Bíblia. Os evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas são parecidos em muitas coisas, mas não idênticos. Eles diferem em muitos detalhes, e isso é chamado de "problema". Todavia, não existe problema nenhum, ao menos que esteja nas mentes que não sabem como devem compreender a Bíblia.
A única resposta para esse conflito aparente é que ambos evangelhos afirmam as palavras exatas de Jesus e da mulher. Entretanto, precisou ser que conforme a conversa se desenvolveu, Jesus a desafiou duas vezes, e ela respondeu de uma maneira parecida mas não idêntica em cada ocasião. Isso realmente expande a afirmação de Jesus em Mateus 15:28. A sua fé foi tão grande, revelada não apenas pelo que ela disse, mas também pela sua persistência. Em adição à isso, esses dois versículos juntos nos dão a completa historia espiritual que Jesus deseja comunicar. Mateus 15:27 focaliza a mesa do mestre. As migalhas Lhe pertencem para que as dê a quem desejar. Ele é o Mestre da graça, e só na Sua mesa as pessoas vão encontrar o pão da vida. Marcos 7:28, em adição à isso, focaliza que aqueles que recebem as bençãos de Deus não merecem, assim como também no fato de que Deus deu a nação de Isarel as bençãos do evangelho na Sua Palavra, e são as bençãos espirituais que eles tinham que o mundo precisa buscar.
Essa comparação entre Marcos 7:24-30 e Mateus 15:21-28 nos mostra que Deus recompensa aqueles que possuem fé na exatidão da Bíblia e um coração que busca pela mensagem espiritual. Para qualquer pessoa, a Bíblia é cheia de contradições. Foi assim que Deus criou a Bíblia. A Bíblia é mais do que um documento histórico aberto à inspeção do homem. É um livro dinâmico que por um lado sela os homens na descrença e por outro, trabalha poderosamente nos corações de muitos por salvação.
g) Marcos 10:39
Esse versículo ilustra o uso de duas palavras diferentes como equivalentes para repetir e reforçar uma idéia. O significado de "o cálice que eu bebo, haveis de bebê-lo", pode ser compreendido como suportar a ira de Deus. Jesus coloca dessa maneira em Marcos 14:36 e também é usado em Apocalipse 14:10 e 16:19. O significado de "haveis de ser batizados", usado como sinônimo para a frase " o cálice que eu bebo, haveis de bebê-lo", é para remover o pecado pela lavagem. O batismo e a lavagem podem ser conectados com Marcos 7:4. As palavras "lavar", "lavagem" e "batismo", são traduções da mesma palavra grega. Marcos 7:4 é baseado nesses versículos assim como Levítico 14:8,9 e 16:26,27 os quais descrevem as leis que descrevem a lavagem como uma maneira de estar cerimonialmente limpo do pecado. Essas leis eram figuras do que Deus faria em Jesus Cristo através do Seu trabalho na cruz.
Marcos 10:39, Jesus reúne as idéias de beber do cálice e do batismo para predizer que os discípulos iriam experimentar a ira de Deus como Ele iria e ao mesmo tempo seriam lavados dos seus pecados. O ponto não é que eles iriam morrer numa cruz, mas assim como Romanos 6:4 afirma, eles, como todos os crentes, morreram em Cristo. Isto é, os seus pecados foram carregados até a cruz em Cristo que os representa, conforme lemos em I Pedro 2:24, "Levando ele mesmo os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados." Eles foram separados completamente e de maneira permanente da penalidade que foi requerida pela lei por sua desobediência e não mais possuem pecado em suas almas.
h) Marcos 16:14-20.
Essa passagem requer um comentário por duas razões. Em primeiro lugar, precisamos colocar de lado qualquer dúvida que essa passagem de Marcos é parte da Palavra inspirada de Deus. Porque os versículos 17 e 18 aonde lemos, "E estes sinais acompanharão aos que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos e estes serão curados", não parecem ser cumpridos na vida dos crentes e muitas pessoas apontam para eles para terem apoio a idéia de que os versículos 14-20 não são provavelmente parte da Bíblia original, especialmente uma vez que alguns manuscritos não os inclui. Entretanto, uma compreensão própria dos versículos 17 e 18 não apenas desagravam a integridade dessa última parte de Marcos, mas também demonstra a necessidade de buscar pela intenção da passagem.
Marcos 16:17,18, quando é propriamente compreendido, se refere ao efeito espiritual que é resultado da pregação do evangelho. As palavras "expulsarão demônios" significam que quando os crentes anunciam o evangelho e pessoas são salvas, Satanás perde o seu poder sobre aqueles que são salvos, e eles estão livres para servir Jesus Cristo. Uma figura parecida com essa é usada em Lucas 10:17,18. A libertação do inimigo apenas acontece quando o evangelho é apresentado e Deus graciosamente o usa para salvar o homem. Isso só é possível por causa da morte de Cristo na cruz.
A palavra "línguas" em Marcos 16:17 pode ser compreendida à luz de Atos 2:4,8. A idéia é que Deus vai fazer isso possível para o evangelho ser anunciado ao mundo para todas as nações, não importa que língua eles falem. A palavra "novo" se refere tanto ao fato de que a Palavra de Deus não vai estar mais limitada à língua judaica ou que a mensagem que as línguas falam é a promessa cumprida de Deus, assim como a palavra "novo" é usada no livro de Hebreus para fazer referência ao pacto cumprido de Deus.
Poderíamos compreender o versículo 18 de modo similar, porque certamente nenhum crente hoje tentaria cumprir esse versículo seguro que é imune ao veneno ou à mordida de uma cobra venenosa. Com isso em mente, o versículo 18, quando comparado com outros versículos, significa que os crentes não serão feridos por Satanás quando ele vier através de falsos evangelhos que buscam persuadir crentes a aceitarem o que eles dizem. De modo similar, a última parte do versículo 18 não é uma promessa que podemos compreender fisicamente. Essa não é uma promessa médica, porque não importa o que façamos, todos os homens vão eventualmente morrer.
Finalmente as palavras "porão as mãos" significam trazer o Espírito Santo, não porque os crentes possuem um comando sobre os Espírito para distribuí-Lo a quem desejarem, mas porque os crentes anunciam o evangelho, e o Espírito Santo limpa o homem através da Palavra. É dessa maneira que um homem se recupera da sua doença do pecado.
i) Marcos 16:14, "Por último, então, apareceu aos onze, estando eles reclinados à mesa,
e lançou-lhes em rosto a sua incredulidade e dureza de coração, por haverem dado crédito
aos que o tinham visto ressurgido."
Esse versículo contém uma afirmação que Jesus censurou Seus discípulos. Essa dura afirmação parece não fazer sentido quando aplicada aos discípulos. Podemos ser tentados a suavizar a palavra "censura". Entretanto, não é possível fazer isso. A palavra "censura" é bastante dura, algumas vezes traduzida como "injúria" ou "repreensão". Ela é aplicada a não crentes em Mateus 11:20. Adicionalmente Tiago 1:5 nos diz que Deus não vai censurar aqueles que buscarem por sabedoria. E não apenas isso, mas o termo "dureza dos vossos corações" em Marcos 16 é aplicado aos não crentes em Hebreus 3:8-11. Não podemos deixar de lado a dureza da afirmação de Jesus dizendo que a palavra discípulo é um termo geral, como em João 6:66, para se referir aqueles que seguiram Jesus, mas que não foram necessáriamente salvos. A razão é que Marcos 16:14 específicamente menciona "os onze" que certamente eram salvos.
Podemos olhar para esse versículo de duas maneiras diferentes. Em primeiro lugar, esse versículo pode ser visto como uma figura da natureza básica do homem em seus pecados e na sua escravidão a Satanás. Assim como todos os homens do mundo, ao menos que lhe seja dada a graça para compreenderem, os discípulos não creram que Jesus havia ressuscitado dos mortos. Jesus estava colocando Seus discípulos dentro da raça humana e dando a resposta divina para a descrença e portanto, expondo o que os homens são em si mesmos. Dessa maneira, aprendemos que é completamente fruto da graça que alguém responda ao evangelho, e é completamente fruto da graça que qualquer um daqueles que são de Jesus testemunhem fielmente. Em si mesmos, os homens estão com seus corações endurecidos. O grande amor de Deus é revelado quando Ele suaviza os corações dos eleitos para crerem. Essencialmente, esse versículo é uma recordação séria de que não merecemos nada e que toda a glória deve ser dada a Deus.
Em segundo lugar, podemos compreender esse versículo à luz de Marcos 16:15, aonde lemos, "E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura." Dessa maneira, podemos comprender o versículo 14 quer dizer que agora é o tempo de Deus para que o evangelho seja anunciado ao mundo e da mesma maneira Ele vai fazer com que suas testemunhas vejam o que eles nunca viram de maneira clara antes. O versículo 14 é portanto, uma figura que nos lembra que Deus tem um tempo específico para revelar Seus planos ao Seu povo. Deus nos mostra no versículo 14 que ao menos que Ele prepare Suas testemunhas e as dê compreensão espiritual, eles não serão capazes de pregar o evangelho. Lemos em muitos locais que os discípulos não aceitaram o fato de que Jesus morreria e que seria ressuscitado dos mortos conforme lemos em Marcos 9:31, 32, "Porque ensinava a seus discípulos, e lhes dizia: O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens, que o matarão; e morto ele, depois de três dias ressurgirá. Mas eles não entendiam esta palavra e temiam interrogá-lo." Portanto, a mensagem do versículo 14 é que o trabalho de testemunhar o evangelho é um dom que é dado graciosamente das mãos de um Deus poderoso de acordo com o Seu tempo e modo.
Isso conclui a nossa pesquisa do livro de Marcos. Esperamos que esse breve exame o ajude a compreender melhor
o livro de Marcos e a lhe encorajar a estudá-lo mais tarde por si mesmo. Que o Senhor o abençõe
ricamente de acordo com a Sua Palavra.