LUCAS
Vamos começar uma série de estudos no livro de Lucas no Novo Testamento. Este é o terceiro livro do Novo Testamento. Não vamos estudar versículo por versículo. Mas vamos examinar muitos versículos e você pode usar essas mensagens para lhe ajudar a ter um entendimento melhor de outras passagens de Lucas.
1. TEMA
Dentre os muitos temas que o livro de Lucas ensina, escolhemos dar atenção a Jesus Cristo como o Rei que salva. Essa é uma idéia também encontrada no livro de Oséias no Velho Testamentocapítulo 13, versículo 4.
2. VERSÍCULO CHAVE
Um versículo chave no livro de Lucas que chama a nossa atenção para o tema escolhido é Lucas 2:11 aonde lemos, "É que vos nasceu hoje, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor."
3. PEQUENA REVISÃO
Agora vamos apresentar uma pequena revisão do livro de Lucas. Vamos examinar porções do livro e destacar alguns detalhes em cada porção.
O capítulo 1 até o 2:20 de Lucas pode ser entitulado, "O Salvador vem aos homens." Depois de uma cuidadosa introdução, essa porção de Lucas descreve como o Rei é anunciado e como nasce no mundo. Nele aprendemos que o Seu anúncio e nascimento trazem alegria porque Ele é o Salvador.
O capítulo 2:21 até o 4:13 de Lucas pode ser entitulado, "O Salvador vem dentre os homens." Essa porção de Lucas descreve como o Salvador Se submete a Lei de Deus assim como todos os homens devem fazer. Essa porção mostra que o Salvador tem uma herança própria para ser o Salvador. E também descreve como o Salvador é testado e prova ser perfeitamente obediente.
O capítulo 4, versículos 14 a 44 de Lucas pode ser entitulado como "A mensagem autoritária do Salvador." Nessa porção de Lucas aprendemos que a Palavra do Salvador é testada e tem o poder de salvar.
Os capítulos 5 e 6 de Lucas podem ser entitulados, "O Salvador prepara Seus mensageiros." Nessa porção de Lucas aprendemos como o Salvador chama os Seus mensageiros e demonstra a Sua mensagem para a sua educação e preparação para serem mensageiros.
Os capítulos 7 e 8 podem ser entitulados "O Salvador anuncia a mensagem ao mundo." Nessa porção de Lucas aprendemos como o Salvador anuncia a Sua mensagem aos gentios e judeus como cumprimentos das escrituras. Essa porção de Lucas também descreve as diferentes reações à Sua mensagem assim como a Sua vitória diante da oposição do mundo pecador e de Satanás.
Os capítulos de 9 até 11 de Lucas podem ser entitulados "O Salvador envia Seus mensageiros ao mundo." Essa porção de Lucas descreve os apóstolos e outros que anunciam a mensagem. Essa porção de Lucas descreve tanto os mensageiros falsos como os verdadeiros.
Os capítulos de 12 a 19, versículo 28 de Lucas podem ser entitulados, "O Salvador explica Sua mensagem de salvação." Essa porção de Lucas descreve os muitos resultados da salvação. Por exemplo, nessa porção de Lucas aprendemos que a salvação resulta no temor de Deus, num desejo de buscar o reino de Deus ao invés de buscar as coisas desse mundo. Essa salvação reconcilia o homem à lei e Deus e leva o homem a desejar a salvação para outros. Essa porção também descreve a fé verdadeira. Por exemplo, nessa porção de Lucas aprendemos que a fé significa buscar uma verdadeira adoração ao invés de uma religião criada pelos homens, que fé significa ser humilde, significa anunciar o evangelho, que fé significa se alegrar com a salvação de pecadores, que a fé está enraizada na Palavra de Deus, que a fé resulta em perdão, em ter um coração agradecido e obediente, que a fé é um dom de Deus e também a recompensa da vida eterna.
O capítulo 19, versículo 29 até o final de Lucas pode ser entitulado, "O Salvador providencia salvação."Essa porção de Lucas descreve como o Salvador entra na cidade, ensina no templo, prepara a Si mesmo e a Seus discípulos para o Seu sacrifício. Essa porção de Lucas também descreve a obra de salvação do Rei no Seu sofrimento, no Seu julgamento, na Sua crucificação, no Seu sepultamento, na Sua ressureição em todo o cumprimento da Palavra e na Sua ascenção.
4. COMENTÁRIOS GERAIS
Agora vamos fazer alguns comentários gerais sobre o livro de Lucas que vão nos ajudar a olhar para os detalhes mais tarde.
De acordo com Colossenses 4:14, Lucas era um médico. Em adição à isso, se as palavras, "sendo unicamente estes, dentre a circuncisão" que encontramos em Colossenses 4:11 se referem aos Judeus: Aristarco, Marcos e Justo, desse modo poderíamos pensar em contraste, em três homens, Lucas, Epafras e Demas que são citados depois de Colossences 4:11 eram gentios. Vamos agora ver como Deus usa a experiência e a herança de Lucas para prepará-lo para escrever esse evangelho.
Lucas não foi uma testemunha das coisas que ele escreveu no que diz respeito à Jesus. Ele era um gentio e não estava entre aqueles que eram chegados a Jesus como os 12 discípulos eram. Na realidade, é bem provável que ele nunca tenha visto ou ouvido falar de Jesus enquanto estava aqui na terra porque o seu ministério estava restrito aos judeus e a poucos gentios que moravam na Palestina. Lucas tinha que se basear no testemunho de outras pessoas, conforme lemos em Lucas 1:2, "Segundo no-los transmitiram os que desde o princípio foram testemunhas oculares e ministros da palavra." Assim como observações cuidadosas de detalhes históricos conforme lemos em Lucas 2:2, "Este primeiro recenseamento foi feito quando Quirínio era governador da Síria." Entretanto, Deus guiou a vida de Lucas para que ele fosse um médico de modo que a a sua educação o qualificaria para cuidadosamente pesquisar o que ele escreveu. Todavia, o produto das escritas de Lucas, guiado pela mão de Deus, era uma palavra exata e com autoridade, a qual até mesmo Lucas reconheceu como providenciando certeza, isto é, tendo um conhecimento confiável e verdadeiro (Lucas 1:4).
A maior das consequências do fato de que Lucas era gentio foi que reconheceu que ele claramente estava fora do evangelho, no sentido do que Efésios 2:11, 12 nos diz, "Portanto, lembrai-vos que outrora vós, gentios na carne, chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão, feita pela mãos dos homens, estáveis naquele tempo sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos aos pactos da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo." Consequentemente, Lucas claramente enfatizou a promessa universal do evangelho, porque ele era a única esperança real para todos os homens. Lucas mostrou que o Salvador veio por causa de todos os tipos de pessoas, pelos Samaritanos, pagãos, Judeus, mulheres assim como homens, lixo da sociedade e pessoas respeitáveis.
Nós não precisamos dar muita atenção aos seus conhecimentos médicos. Embora existam descrições exatas dessas coisas que um médico deveria saber, os escritores dos outros evangelhos também incluem estórias que requerem algum conhecimento de problemas médicos comuns. Além disso, precisamos lembrar que Deus é o Autor da Bíblia e que Ele foi bastante cuidadoso em fazer com que qualquer homem que Ele houvesse comissionado a escrever uma porção da Bíblia seria guiado a escrever corretamente o que Ele achasse necessário.
Por outro lado, como um homem cujo trabalho regularmente o colocava em contato com o sofrimento humano, Lucas era sensível as necessidadese sofrimentos do homem e podemos encontrar simpatia e carinho na maneira que ele escreve. Como um médico, ele tinha um bom conhecimento de que não podia curar as pessoas. Ele sabia que todos os homens dependem da misericórdia de Deus. Lucas, o médico, não curava, mas ele fez com que o paciente e o remédio para a cura se encontrassem. Portanto, Lucas chama nossa atenção para a necessidade de oração, conforme lemos em Lucas 9:28 que diz, "Cerca de oito dias depois de ter proferido essas palavras, tomou Jesus consigo a Pedro, a João e a Tiago, e subiu ao monte para orar. Lucas desejava que os homens dependessem do grande Médico. E não apenas isso, mas Lucas tinha a graça de compreender a raíz espiritual da miséria do homem e a necessidade de salvação que todos os homens precisavam para suprir as suas necessidades. Quanto mais ele era confrontado com o sofrimento físico, mais consciente ele ficava de que a real necessidade do homem era o Salvador.
Deus guiou a vida de Lucas de tal maneira que ele se tornaria um companheiro de Paulo em suas viagens missionárias, conforme lemos em Atos 21:1. Dessa maneira, Lucas aprenderia através do apóstolo Paulo, que foi enviado aos gentios e que compreendeu claramente o propósito do plano de salvação de Deus que se extendia a todo o mundo. Pode ser que com a ajuda de Paulo, Lucas tenha sido capaz de classificar e compreender todos os fatos que ele tinha reunido antes de escrever seu evangelho.
O fato de Paulo e Lucas terem passado muito tempo juntos conversando sobre o evangelho é apoiado por um breve exame da sua escolha de palavras. Por exemplo, a palavra "Salvador" no grego é a palavra soter, que é usada quatro vezes em Lucas e Atos, apenas uma vez em João e muitas vezes por Paulo. A palavra "salvação" no grego é a palavra soteeria que é usada 10 vezes em Lucas e Atos, apenas uma vez por João e muitas vezes por Paulo. A palavra "salvar" que no grego é a palavra sozo é usada mais vezes por Lucas do que por qualquer outro evangelho. Lucas também a usa 13 vezes em Atos em Paulo também a usa muitas vezes. De modo surpreendente a palavra "graça" que no grego é a palavra caris, é também usada 24 vezes em Atos e em Lucas, muitas vezes por Paulo e apenas 3 vezes em João. Uma conecção similar também pode ser encontrada com a palavra "paz" que no grego é a palavra eireenee, e "esperança" que no grego é a palavra elpis. Entretanto, precisamos ter em mente que enquanto parece que essas são palavras que Paulo e Lucas compartilhavam, foi Deus mesmo quem realmente moldou o seu vocabulário.
5. VERSÍCULOS SELECIONADOS
Vamos agora olhar com mais detalhe alguns versículos selecionados no livro de Lucas.
a) Lucas 1:20, "E eis que ficarás mudo, e não poderás falar até o dia em que estas coisas aconteçam; porquanto não creste nas minhas palavras, que a seu tempo hão de cumprir-se."
Esse versículo ilustra como um versículo bíblico pode ter um significado superficial assim como um significado espiritual profundo, ambos os quais são importantes e relacionados um com o outro. Devemos focalizar a nossa atenção para o fato de que Zacarias ficou mudo como resposta a sua falta de fé.
Não há dúvida que durante todos os meses que ele ficou sem falar até que seu filho João nascesse, Zacarias meditou nas palavras do anjo Gabriel e qual deveria ter sido a sua resposta. Zacarias era filho de Deus, e para ele como indivíduo, a sua incapacidade de falar não era uma punição, mas um toque de amor do Pai celestial que lhe estava ajudando a crescer na fé. Podemos chamar isso de significado superficial, embora não seja algo comum ou sem importância.
Podemos olhar para esse incidente de uma perspectiva muito maior. Zacarias nessa ocasião era um sumo sacerdote. O sacerdote levava sacrifícios a Deus em favor do povo. Adicionalmente, era suposto que o sacerdote fosse um mensageiro para o Senhor, dando ao povo as palavras de Deus. Essa segunda tarefa era significante no caso de Zacarias. O fato de que ele não podia falar salientava o fato de que Deus não falava com o Seu povo desde os dias de Malaquias. O silêncio dos céus enfatizava a triste condição do povo de Deus. Ano após ano, por mais de 400 anos, o povo havia esperado pelo Messias prometido sem uma palavra de encorajamento de Deus. Deus falou através dos Seus profetas no Velho Testamento, mas Ele ficou silencioso até que o Seu tempo estivesse correto. E como figura disso, Zacarias ficaria mudo até que o próximo e o último Profeta do Velho Testamento nascesse, João, o Batista, que anunciaria a vinda do Salvador. Portanto, lemos que quando João nasceu, Zacarias começou mais uma vez a profetizar.
b) Lucas 1:30,47, "Disse-lhe então o anjo: Não temas, Maria; pois achaste graça diante
de Deus. E o meu espírito exulta em Deus meu Salvador."
Precisamos olhar para Lucas 1:30 como faríamos com Gênesis 6:8 aonde lemos que Noé encontrou graça aos olhos do Senhor. Não havia nada bom em Noé ou Maria. O testemunho de Deus é que não há nunhum justo (Romanos 3:10). Na realidade, Lucas 1:47 revela que Maria, um ser humano único no sentido de que ela foi escolhida para gerar Jesus, necessitava de um Salvador assim como qualquer outra pessoa. Portanto, Lucas 1:30, assim como Gênesis 6:8, é uma afirmação da graça derramada como um dom sobre aquele que Deus deseja derramar. Assim como Maria disse, a maravilha é que Deus providenciou salvação para ela.
c) Lucas 1:37, "Porque para Deus nada será impossível."
Esse versículo ilustra como os versículos da Bíblia podem ser citados sem cuidado algum. É muito fácil aceitar uma citação de outra pessoa, de um livro, ou de uma insígnia sem fazer o esforço de questionar se a citação é exata ou se a aplicação é apropriada. Lucas 1:37 é usado de maneira descuidada para validar a expectativa de que Deus vai honrar qualquer pedido que um crente possa fazer. Entretanto, se olharmos mais cuidadosamente para esse versículo vamos ver que ele nos revela algo muito mais restrito. Por uma coisa, porque a palavra "nada" é realmente a palavra "palavra". É a mesma palavra grega traduzida como "palavra" no versículo seguinte (Lucas 1:38) ou a palavra "divulgadas" no versículo 65. Que "palavra" é esta? Não é apenas a palavra falada pelo anjo no versículo 35, mas também é a Palavra de Deus anunciada pelos profetas desde o início da criação. Lucas 1:37 é uma reafirmação de Isaías 55:11 que diz que a palavra de Deus não volta vazia, antes fará o que Lhe apráz. Deus é capaz de cumprir tudo o que Ele planejou e que disse que faria. Nunca é impossível para Deus cumprir a Sua própria Palavra. Para nós, a alegria é que a Sua Palavra promete um Salvador.
d) Lucas 2:1, "Naqueles dias saiu um decreto da parte de César Augusto, para que todo o mundo fosse
recenseado."
Registros seculares registram que Augusto César morreu no ano 4 AC. Porque Herodes tentou matar todos os meninos de 2 anos de idade para baixo, contando o tempo desde a visita dos magos (Mateus 2:16), podemos dizer que Jesus nasceu pelo menos cerca de 6 AC, de acordo com o nosso calendário presente. Por causa de outras razões circunstânciais, uma boa data para o nascimento de Jesus Cristo seria 7 AC.
e) Lucas 2:49, "Respondeu-lhes ele: Por que me procuráveis? Não sabíeis que eu devia
estar na casa de meu Pai?"
Essa pergunta que registra as primeiras palavras de Jesus (quando comparadas com João 19:30, a qual é uma das Suas últimas), nos dá a figura da atitude, propósito, motivação e principal ocupação de Jesus: fazer a vontade do Pai.
f) Lucas 3:23, "Ora, Jesus, ao começar o seu ministério, tinha cerca de trinta anos; sendo (como
se cuidava) filho de José, filho de Eli."
Eli era o avô de Jesus, mas não através de José (veja o que diz Mateus 1:16). Portanto, essa precisa ser a genealogia de Maria. As palavras "sendo (como se cuidava) filho de José" são um comentário de palavras anteriores e não são parte dessa genealogia. Isto é, as palavras subsequentes "filho de Eli" se aplicam a Jesus e não a José. A genealogia que Lucas nos dá através de Natã (Lucas 3:31) difere da linha dos reis em Mateus, traçada através de Salomão (Mateus 1:6). O propósito da genealogia que Lucas nos dá é estabelecer Jesus como parte da raça humana, um atributo essencial do Salvador. E como outro atributo essencial do Salvador, nós podemos acrescentar que Jesus foi claramemte declarado ser também Deus.
g) Lucas 4:18-21, 43, "O Espírito do Senhor está sobre mim, porquanto me ungiu para anunciar
boas novas aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos, e restauração
da vista aos cegos, para pôr e liberdade os oprimidos, e para proclamar o ano aceitável do Senhor.
E fechando o livro, devolveu-o ao assistente e sentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele. Então
começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta escritura aos vossos ouvidos. Ele, porém, lhes disse:
É necessário que também às outras cidades eu anuncie o evangelho do reino de Deus;
porque para isso é fui enviado."
O propósito da missão de Jesus está expressado em Lucas 4:18-21. Era a vontade de Jesus levar o evangelho para os pobres de espírito e pregar a salvação num tempo aceitável. De acordo com Lucas 4:18, Jesus foi ungido com o Espírito Santo para esse propósito. Essa é uma das tarefas do Espírito Santo, isto é, qualificar os homens para anunciarem o evangelho.
Todos os crentes possuem o Espírito Santo quando são salvos (Romanos 8:9), não e parte, mas completamente (João 3:34). Entretanto, a Bíblia usa a palavra "ungir" para indicar que quando Deus salva um homem, Ele também qualifica esse homem para anunciar Sua Palavra. Precisamos acrescentar que Jesus é Deus e não precisa de uma qualificação especial. No caso de Jesus, a Sua unção simplesmente significou que era tempo para Jesus começar a anunciar o evangelho no Seu ministério terreno. Esse foi o propósito pelo qual Ele foi enviado.
A propósito, Lucas 4:21 nos diz que o capítulo número 60 de Isaías, do qual Lucas 4:18-19 foi citado, foi cumprido na proclamação de Cristo do evangelho. Portanto, não precisamos esperar um outro cumprimento dele, assim como uma promessa epecial à nação de Isarel.
O âmbito da missão de Jesus é expressada em Lucas 4:43. O ministério de Jesus sempre foi para todo o mundo, para todos os homens de todas as nações, línguas e raças. Lucas 4:43 se refere as cidades dos gentios assim como dos judeus.
h) Lucas 7:47, "Por isso te digo: Perdoados lhe são os pecados, que são muitos; porque ela muito
amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama."
Algumas vezes o correto signficado d eum versículo pode parecer exatamente o oposto que ele parece significar depois de uma leitura superficial. Quando lemos Lucas 7:47 parece que Deus perdoou a mulher por causa do amor que ela possuia em seu coração. Em outras palavras, parece que Jesus primeiro ficou impressionado com o amor que a mulher demonstrou e em troca Ele a perdoou. Entretanto, de uma perspectiva mais ampla da Bíblia, sabemos que o amor não é algo natural do homem, mas é um dom que deve primeiro ser dado por Deus. Portanto, a lógica do versículo é na realidade o oposto do que ele parece significar.
Não podemos pensar que esse versículo diz que o amor da mulher é uma causa e que o perdão de Jesus é o efeito. Ao invés disso, a mulher amou em resposta à obra do perdão de Deus. Em outras palavras, Lucas 7:47 está descrevendo uma característica que temos que esperar de alguém que foi perdoado, isto é, "perdoados lhe são os pecados, que são muitos; porque ela muito amou." A nossa compreensão desse versículo pode ser apoiada por Lucas 7:42,43 que explica que a questão era a seguinte, "Como podemos determinar a quantidade de perdão que uma pessoa recebeu?" Portanto, o versículo 47 significa que essa mulher tinha um grande amor porque ela tinha consciência do perdão de Deus por seu grande pecado.
Essa estória também mostra que ela era uma boa testemunha da sua salvação, não apenas durante a ceia, mas também para todos aqueles que viriam a ler as escrituras através dos tempos. O valor do seu testemunho está baseado no fato de que ela foi apenas motivada pelo amor por seu Salvador. Ela desejava honrar seu Salvador não importava a opinião das outras pessoas e às suas próprias custas. É bom saber que Deus não usa pessoas perfeitas ou anjos para serví-Lo. Ele usa pessoas que O amam porque elas estão perdoadas e sabem disso. Ela, uma pecadora, era a pessoa perfeita para ser uma testemunha, porque ela era um exemplo vivo do que Deus poderia fazer através da Sua misricórdia. Ela demonstrou a glória do amor perdoador de Deus pelos pecadores. A luz disso, podemos pensar no versículo 48 como uma afirmação do único que pode mostrar misericórdia de que ela foi perdoada.
i) Lucas 10:25-37
Lemos a estória do bom samaritano. Assim nos diz a passagem, "E eis qe se levantou certo doutor da lei e, para o experimentar, disse: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? Perguntou-lhe Jesus: Que está escrito na lei? Como lês tu? Respondeu-lhe ele: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo. Tornou-lhe Jesus: Respondeste bem; faze isso, e viverás. Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: E quem é o meu próximo? Jesus, prosseguindo, disse: Um homem descia de Jerusalém a Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram e, espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. Casualmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. De igual modo também um levita chegou àquele lugar, viu-o, e passou de largo. Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou perto dele e, vendo-o, encheu-se de compaixão; e aproximando -se, atou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho; e pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. No dia seguinte tirou dois denários, deu-os aos hospedeiro e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que gastares a mais, eu to pagarei quando voltar. Qual, pois, destes três te parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores? Respondeu o doutor da lei: Aquele que usou de misericória para com ele. Disse-lhe, pois, Jesus: Vai, e faze tu o mesmo."
Essa é uma das 18 parábolas dentre as 23 que encontramos em Lucas que são únicas à esse evangelho. Essa parábola é até mesmo bem conhecida entre os não crentes. Na pesquisa que estamos fazendo não podemos estudá-la em detalhe, mas podemos fazer algumas observações que vão nos ajudar a compreendê-la e a guiar alguém que desejar estudá-la mais adiante.
Em primeiro lugar, precisamos estar certos de que compreendemos corretamente as palavras "como a ti mesmo" no versículo 27 que diz, "Respondeu-lhe ele: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de toda as tuas forças e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo." Essa não é uma ordem para uma pessoa amar a si mesma. Ao invés disso, é uma observação que os homens devem amar uns aos outros. Na realidade, assim como a parábola aponta, os homens amam a si memos a ponto de chegarem a excluir os outros que estão em necessidade. O versículo 27 está dizendo que nós devemos amar os outros pelo menos como amamos a nós mesmos.
Essa parábola é realmente uma resposta para a pergunta no versículo 29 que diz, "Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: E quem é o meu próximo?" Essa é uma pergunta egoísta. É como se ele quisesse perguntar, "Quem é que se qualifica para merecer a minha ajuda?" Geralmente as perguntas que fazemos a Deus revelam os nossos corações quando realmente estamos buscando a verdade dEle. A pergunta do advogado certamente mostrou a sua intenção. O advogado fez a pergunta errada e no versículo 36 Jesus muda completamente de direção a atenção do advogado. A maneira correta de ter feito a pergunta deveria ter sido, "De quem eu devo ser o próximo?" A parábola deixou claro que o advogado tinha a obrigação de cuidar do seu próximo.
Precisamos ainda acrescentar mais um pensamento final. Essa parábola não se aplica ao próprio Deus da mesma maneira que se aplica aos homens. Enquanto o bom samaritano é uma figura de Jesus que ajuda os homens em suas necessidades, a parábola não ensina isso, que como os homens, Ele precisa ajudar. Nó nunca podemos dizer que a grande necessidade que o homem possui requer que Deus faça alguma coisa para ajudá-lo. Deus não é obrigado a ajudar homens que estão mortos em seus pecados.
Essa idéia é ilustrada pela afirmação do publicano em Lucas 18:13 aonde lemos, "Mas o publicano, estando em pé de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, o pecador!" É importante observar que ele não disse, "Senhor, seja misericordioso comigo porque sou pecador." O publicano não pediu a misericórdia de Deus simplesmente porque ele a necessitava. Mas, ele disse, "Sê propício a mim, o pecador!" Esse é o fato. Ambos Deus e ele reconheceram que ele não tinha valor algum. Ele simplesmente pediu por misericórdia, se Deus pudesse concedê-la.
A condição do homem na parábola é uma figura do homem perdido que tem necessidade de salvação espiritual. Com isso em mente, precisamos ter consciência de que embora os homens sejam miseráveis em seus pecados, eles são inimigos e ambos temem e odeiam Deus. Os homens merecem a condenação eterna e Deus é justo e santo para exigir a morte eterna para eles. Essa parábola é uma figura da própria preocupação de Jesus por outros do ponto de vista da graça. Todos os homens merecem ir para o inferno, mas através da graça Deus oferece ajuda através do evangelho.
j) Lucas 12:14, "Mas ele lhe respondeu: Homem, quem me constituiu a mim juiz ou repartidor entre vós."
Esse versículo ilustra o valor em tentar responder as questões que a Bíblia levanta. A questão nesse versículo não é uma reação exasperada de Jesus diante de uma briga em família, mas é um pedido por uma resposta real. Ela poderia ser ser colocada da seguinte maneira, "Você sabe quem eu sou, o seu Criador e Juiz?" A palavra "homem" coloca as pessoas em seu devido lugar. "Você é homem, um ser criado e que deve prestar contas a Deus." A resposta para essa pergunta é a seguinte, "O pai me colocou como Juiz sobre todos os homens." Portanto o alerta do versículo 15 nos está dizendo, "Tenha cuidado se você focaliza sua vida na coisas materiais, porque, Eu, Jesus, sou o seu Juiz."
k) Lucas 13:33-34, "Importa, contudo, caminhar hoje, amanhã, e no dia seguinte; porque não convém
que morra um profeta fora de Jerusalém. Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas
os que a ti são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta a sua ninhada
debaixo das asas, e não quiseste!"
O versículo 33 se refere ao fato de que João, o Batista não vivia mais e Jesus era o único profeta vivo. Para evitar um mal entendido, precisamos ressaltar que a palavra "ti" no versículo 34 faz referência aos fariseus no versículo 31. Em outras palavras, Jesus não está dizendo que Ele desejava salvar muitas pessoas de Jerusalém, mas que eles eram capazes de resistir ao Seu chamado. Ninguém pode resisitir Deus, se Ele decide salvar um homem (João 6:37). Jesus estava comentando sobre a horrível posição dos líderes religiosos quando eles tentavam frustrar o Seu trabalho de levar os homens a salvação.
Agora devemos fazer um rápido e importante comentário em Lucas capítulo 15. É instrutivo dizer que todas as três parábolas nesse capítulo, a parábola da ovelha perdida, a parábola da dracma perdida e do filho pródigo, descrevem a mesma coisa, que é a alegria que Deus tem na salvação. Portanto, precisamos tentar relacionar os detalhes dos versículos com os diferentes aspectos da salvação. Por exemplo, a estória da ovelha perdida se encaixa com o ensinamento de João capítulo 10 aonde Jesus explica a salvação falando sobre Ele como o pastor das ovelhas, encontrando Seu povo, descrito como ovelhas
l) Lucas 16:8-13, "E louvou aquele senhor ao injusto mordomo por haver procedido com sagacidade; porque os
filhos deste mundo são mais sagazes para com a sua geração do que os filhos da luz. Eu vos
digo ainda: Granjeai amigos por meio das riquezas da injustiça; para que, quando estas vos faltarem, vos
recebam eles nos tabernáculos eternos. Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito
quem é injusto no pouco, também é injusto no muito. Se, pois, nas riquezas injustas não
fostes fiéis, quem os confiará as verdadeiras? E se no alheio não fostes fiéis, quem
vos dará o que é vosso? Nenhum servo pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar a
um e amar ao outro, ou há de dedicar-se a um e deprezar o outro. Não podeis servir a Deus às
riquezas."
Essa passagem mostra que precisamos ser cuidadosos para evitar levar um ponto muito adiante. O versículo 8 nos diz, "E louvou aquele senhor ao injusto mordomo por haver procedido com sagacidade; porque os filhos deste mundo são mais sagazes para com a sua geração do que os filhos da luz.". Esse versículo não está dizendo que Jesus aprova o afastamento do homem ou que os não crentes são mais sábios do que os crentes. A idéia aqui é que Jesus está dando um princípio, o qual é ilustrado pelo injusto mordomo.
O mordomo injusto tinha o objetivo de que os seus próprios desejos fossem realizados. O homem era sábio o suficiente para cuidar da sua própria vida e planejar o futuro. O homem de modo esperto usou as coisas do mundo para alcançar os seus propósitos terrenos, embora a sua atitude e método não fossem santos. Nas coisas desse mundo os não crentes são mais espertos do que os crentes. E é isso que esperamos uma vez que os não crentes se importam tanto com o mundo e dedicam tempo a ele. Entretanto, não podemos ir além desse princípio geral e dizer que Jesus perdoou os meios do homem perdido porque eles chegaram a um resultado favorável. Certamente a passagem não ensina que o fim justifica os meios.
A única aplicação própria dessa passgem é que os crentes devem também usar as coisas desse mundo para os seus desejos. Entretanto, os objetivos do crente e seus métodos devem ser guiados pela Palavra de Deus. O versículo 9 diz, "Eu vos digo ainda: Granjeai amigos por meio das riquezas da injustiça; para que quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos." Esse versículo significa que as coisas que não são eternas (as riquezas) são instrumentos que podem ser usados para realizar alvos eternos, como usá-los para anunciar o evangelho às pessoas que possuem a expecatativa de que serão salvas (que se tornaram "amigas"). Os versículos 10 e 11 dizem, "Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito; quem é injusto no pouco, também é injusto no muito. Se, pois, nas riquezas injustas não fostes fiéis, quem vos dará o que é vosso?" Esse versículo nos diz que o bom uso de coisas materiais é importante. Além do mais, se não somos capazes de usar as coisas materiais fielmente ( "pouco", versículo 10 e "riquezas injustas", versículo 11), como podemos esperar que Deus nos use no Seu ministério espiritual da Sua Palavra ("no muito", versículo 10; "as verdadeiras", versículo 11)? O versículo 13 diz, "Nenhum servo pode servir dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar ao outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus a às riquezas." Esse versículo nos alerta para que não usemos nem as riquezas para o reino de Deus como fazer "amigos" para o evangelho, nem devemos adorá-las e não estamos salvos.
m) Lucas 16:14-18, "Os fariseus, que eram gananciosos, ouviam todas essas coisas e zombavam dEle. E ele lhes
disse: Vós sois os que vos justificais a vós mesmos diante os homens, mas Deus conhece os vossos
corações; porque o que entre os homens é elevado, perante Deus é abominação.
A lei e os profetas vigoraram até João; desde então é anunciado o evangelho do reino
de Deus, e todo homem forceja por entar nele. É, porém, mais fácil passar o céu e a
terra do que cair um til da lei. Todo aquele que repudia sua mulher e casa com outra, comete adultério;
e quem casa com a repudiada pelo marido, também comete adultério."
Esses versículos nos mostram como partes da Bíblia estão conectadas, e que a primeira vista não parecem estar. Eles são parte da aplicação do princípio ensinado nos versículos de 1 a 13; isto é, que o povo de Deus deve ser bons mordomos das coisas materiais que Deus lhes dá para o benefício espiritual de outros. Se eles não fazem assim, são adoradores das coisas materiais e não verdadeiros servos de Deus.
n) Lucas 16:1-13,
Chegamos a aplicação do princípio em Lucas 16:14-18. Os fariseus, que amavam esse mundo mais do que a Palavra de Deus ficaram ressentidos com essa lição. Portanto, Jesus continuou com o comentário sobre a maneira infiel através da qual usavam a lei de Deus como uma indicação dos seus infiéis corações. Jesus ressalta no versículo 16 que diz, "A lei e os profetas vigoraram até João; desde então é anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem forceja por entrar nele.", que a lei e os profetas foram a palavra de Deus, até mesmo o último profeta que foi João, o Batista. Uma vez que João não mais existia, o reino de Deus que é baseado nessa lei era pregado. Isso no significa que os homens entram no reino de Deus através da obediência da lei de Deus. Mas, o evangelho do reino inclui o fato de que a lei de Deus permanece eterna, e isso acontece apenas porque Jesus cumpriu as exigências da lei em favor do Seu povo para que qualquer pessoa pudesse ser salva. Mas os homens têm tentado ignorar a lei de Deus e o Seu plano para a reconciliação. Mais uma vez Lucas 16:16 diz, "A lei e os profetas vigoraram até João; desde então é anunciado o evangelho do reino de Deus e todo homem forceja por entrar nele." Esse versículo diz que os homens tentam entrar nele, ou tentam tomar posse do evangelho através dos seus próprios propósitos, ignorando as exigências da lei. Entretanto, como Lucas 16:17 diz, "É, porém, mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da lei", a lei não vai acabar. Ela precisa ser crida.
O versículo 18 diz, "Todo aquele que repudia sua mulher e casa com outra, comete adultério; e quem casa com a que foi repudiada pelo marido também comete adultério." Esse versículo não é uma idéia completamente nova ou sem conecção, mas um exemplo do tipo de lei de Deus que os infiéis mordomos estavam abandonando. A distorção da lei do divórcio pelos fariseus era para que eles tivessem toda conveniência. Em Mateus 19:8 lemos que eles possuiam um duro coração.
o) Lucas 17:3-10, "Tende cuidado de vós mesmos; se teu irmão pecar, repreende-o; se ele se arrepender,
perdoa-lhe. Mesmo se pecar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes vier ter contigo, dizendo: Arrependo-me; tu
lhe perdoarás. Disseram então os apóstolos ao Senhor: aumenta-nos a fé. Respondeu o
Senhor: Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: Desarraiga-te,
e planta-te no mar, e ela vos obedeceria. Qual de vós, tendo um servo a lavrar ou a apascentar gado, lhe
dirá, ao voltar ele do campo: Chega-te já, e reclina-te à mesa? Não lhe dirá
antes: Prepara-me a ceia, e cinge-te, e serve-me, até que eu tenha comido e bebido, e depois comerás
tu e beberás? Porventura agradecerá ao servo, porque este fez o que lhe foi mandado? Assim também
vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis fizemos somente o que
devíamos fazer."
Essa passagem ilustra como versículos diferentes, que à primeira vista parecem não estar relacionados uns com os outros, são realmente partes de uma mensagem contínua. É importante para um estudante da Bíblia buscar as conecções que nós demonstramos abaixo para compreendeer corretamente as passagens na Bíblia.
O versículo 5 diz, "Disseram os apóstolos ao Senhor: Aumenta-nos a fé." Esse versículo é importante porque ele nos ajuda a compreender toda a passagem. Diante da ordem de Jesus para perdoar, encontrada nos versículos 3 e 4, a reação dos discípulos é para que eles tivessem uma fé mais forte. Portanto, o ponto dos versículos 3-5 é que o perdão é um trabalho da fé.
A verdadeira fé dada por Deus, é vista num coração que perdoa. Em adição à isso, perdoar é algo difícil de ser feito e requer ajuda de Deus. Essencialmente, Jesus está dizendo "Perdoe, tenha a atitude de um verdadeiro crente, porque apenas um coração que encontrou misericórdia, pode mostrar misericórdia a outros. (Efésios 4:12). Portanto, a ordem de Jesus é realmente uma chamada do evangelho que é encontrada com uma súplica por fé pelo povo de Deus.
A resposta de Jesus no versículo 6 ao pedido dos discípulos é a seguinte, "Respondeu o Senhor: Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: Desarraiga-te, e planta-te no mar; e ela vos obedeceria." Isso apoia a linha de pensamento que temos apresentado. Jesus diz que não é a quantidade de fé que conta, mas o tipo de fé que temos. A palavra "como" pode ser também "assim como". Também as palavras "grão de mostarda" não faz referência ao tamanho. Mas, comparando com Mateus 13:31 que diz, "Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou, e semeou no seu campo.",podemos aprender que as palavras se referem à um tipo de fé necessária para ser uma pessoa que perdoa para ser salvo. É a fé no reino de Deus, a fé que salva.
Finalmente, os versículos 7-10, especialmente o versículo 10 que diz, "Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis; fizemos somente o que deveríamos fazer." Esse versículo nos diz que se você pede por fé, você vai receber uma lição de obediência. O ponto é que a fé, o tipo certo de fé, a fé que salva, é revelada através da obediência. Toda a passagem, do versículo 3 ao 10 nos ensina que o perdão é a reação obediente de um crente verdadeiro. É a tarefa e é esperado de uma pessoa que tem uma fé
p) Lucas 17:20 - 21, "Sendo Jesus interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, respondeu-lhes:
O reino de Deus não vem com aparência exterior; nem dirão: Ei-lo aqui! ou: Ei-lo ali! pois
o reino de Deus está dentro de vós."
Esses versículos ilustram a importância que a Bíblia dá para que abandonemos a expectativa física e para que nos concentremos na benção espiritual (II Coríntios 5:7). Assim como essa passagem aponta, não buscamos por uma confirmação física da presença do reino de Deus. O reino de Deus é uma realidade presente. Entretanto, a evidência real está dentro de nós. A palavra "dentro" possui o mesmo significado que a palavra "interior" usada em Mateus 23:26 para se referir ao interior do copo. O reino da presença de Deus está nas mudanças espirituais internas na vida do verdadeiro crente.
Continuando, vamos até a passagem de Lucas 18:28-30 lemos, "Disse-lhe Pedro: Eis que nós deixamos tudo, e te seguimos. Respondeu-lhes Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou mulher, ou irmãos, ou pais, ou filhos, por amor do reino de Deus, que não haja de receber no presente muito mais, e no mundo vindouro a vida eterna." Devemos focalizar nossa atenção para a pergunta, "O que é que os crentes devem esperar para receber no céu?"
q) Lucas 18:30, "Que não haja de receber no presente muito mais, e no mundo vindouro a vida eterna."
Esse versículo é uma lista de todas as bençãos que estão à disposição dos crentes. Em primeiro lugar, se eles vivem fielmente de acordo com a palavra de Deus na terra, eles podem esperar as bençãos espirituais que vêm a partir da obediência. Além do mais, quando eles chegarem ao céu, também vão receber uma benção que será comum a todos os crentes, isto é, a vida eterna. Nenhum crenete deve esperar receber mais do que outro crente.
E não apenas isso, mas nós lemos em Lucas 12:44, "Em verdade vos digo que o porá sobre todos os seus bens." Isto é, o Senhor Jesus vai dar a cada mordomo o mesmo, tudo o que Ele possui. Esse fato está relacionado com um versículo como Romanos 8:17 que ensina que somos co-herdeiros de Cristo. Assim diz esse versículo, "E, se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo; se é certo que com ele padecemos, para que com ele também sejamos glorificados." Se Jesus é o herdeiro de todas as coisas, então, todos os filhos de Deus vão receber tudo o que Deus pode dar. Não há nada que Deus possa dar a um dos seus filhos, que não possa dar a outros. Todas as coisas são dadas pela graça e igualmente para cada pecador salvo.
r) Lucas 22:29-30, "E assim como meu Pai me conferiu domínio, eu vo-lo confiro a vós; para que
comais e bebais à minha mesa no meu reino, e vos senteis sobre tronos julgando as doze tribos de Israel."
Esses versículos parecem prometer um tipo de reino físico na terra? Mas se fizermos uma cuidadosa comparação com outras passagens da Bíblia, vamos chegar a uma figura espiritual correta. Em primeiro lugar, uma comparação desses versículos com Mateus 19:28 aonde lemos, "Ao que lhes disse Jesus: Em verdade vos digo a vós que me seguistes, que na regeneração, quando o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, sentar-vos-eis também vós sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel." Essa comparação nos diz que tudo isso acontecerá na "regeneração". Mas quando será a "regeneração"? De acordo com Tito 3:5 nós lemos, "Não em virtude de obras de justiça que nós houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou mediante o lavar da regeneração e renovação pelo Espírito Santo." Nesse versículo podemos ver que a regeneração acontece quando a pessoa é salva. Portanto, quando comparamos as escrituras e permitimos que a Bíblia defina os seus próprios termos, mais uma vez somos colocados face a face com a compreensão espiritual de uma aparente previsão física. Lucas 22:30 não está falando sobre uma restauração física ou política da nação de Israel. Mas essa é uma promessa que os crentes vão anunciar o evangelho e reinar com Cristo no reino de Deus (Efésios 2:6, Apocalipse 1:6).
s) Lucas 22:35-38, "E perguntou-lhes: Quando vos mandei sem bolsa, alforje, ou alparcas, faltou-vos porventura
alguma coisa? Eles resposnderam: Nada. Disse-lhes pois: Mas agora, quem tiver bolsa, tome-a, como também
o alforje; e quem não tiver espada, venda o seu manto e compre-a. Porquanto vos digo que importa que se
cumpra em mim isto que está escrito: E com os malfeitores foi contado. Pois o que me diz respeito tem seu
cumprimento. Disseram eles: Senhor, eis aqui duas espadas. Respondeu-lhes: Basta."
As instruções de Jesus nessa passagem são estranhas. Por que Ele diria para Seus discípulos que carregasse, dinheiro ou espadas? Normalmente os crentes são chamados para anunciar o evangelho e para crer em Deus pelo seu sustento e cuidado. Os crentes não são supostos a confiarem nas sua própria força e recursos. A resposta é que Lucas 22:35-38 descreve um caso especial na história. Jesus disse aos discípulos para que tomassem suas próprias provisões naquele momento conforme lemos no versículo 36 que diz "agora". Jesus falou isso porque não estaria com eles, uma vez que logo adiante Ele estaria debaixo da ira de Deus, como lemos nos versículos subsequentes (versículos 39-53), suportando o equivalente a passar a eternidade no inferno pelos pecados do seu povo. Jesus disse aos discípulos para que se armassem para representar o fato de que eles ficariam sem protetor, Jesus, o seu Senhor, assim como Ele estaria separados deles quando estivesse separado do Pai na cruz. Entretanto, eles nunca ficaram completamente abandonados e Jesus orou pela sua segurança espiritual (Lucas 22:32). De maneira alguma Lucas 22:35-38 é uma justificação para o povo de Deus lutar por seus direitos nesse mundo. O povo de Deus precisa fielmente proclamar o evangelho e pacientemente suportar a reação desse mundo pecador. Uma vez que Jesus ressuscitou dentre os mortos, podemos crer no Seu cuidado e não na nossa própria sabedoria e força.
t) Lucas 22:66-69 e 23:8,9,14,46
Essas passagens revelam o controle completo que Jesus teve nos momentos escuros da Sua vida terrena. Lucas 22:66-68, aonde lemos, "Logo que amanheceu reuniu-se a assembléia dos anciãos do povo, tanto os principais sacerdotes como os escribas, e o conduziram ao sinédrio deles, onde lhe disseram: Se tu és o Cristo, dize-no-lo. Replicou-lhes ele: Se eu vo-lo disser, não o crereis; e se eu os interrogar, de modo algum me respondereis." Essa passagem não nos mostra que Jesus era uma vítima fraca das circunstâncias e dos Seus inimigos. A resposta de Jesus demonstra que Ele conhecia o coração dos homens. Jesus sabia que eles não creriam. Mas sabia também que a descrença dos discípulos seria usada como um instrumento nas mãos de Deus para enviá-Lo para a cruz. É como se Jesus tivesse dito, "Vocês não podem crer, mas eu preciso ser culpado, porque preciso ser crucificado." Lucas 22:69 nos diz, "Mas desde agora estará assentado o Filho do homem à mão direita do poder de Deus." Isso nos mostra que Jesus também sabia que ele teria sucesso na Sua missão como o Salvador e que estaria no controle supremo do universo depois da Sua ressurreição.
Em outro exemplo, vemos que Jesus não poderia acomodar o desejo de Herodes por milagres conforme lemos em Lucas 23:8, "Ora, quando Herodes viu a Jesus, alegrou-se muito; pois e longo tempo desejava vê-lo, por ter ouvido falar a seu respeito; e esperava ver algum sinal feito por Ele." E também não Se defendeu como lemos em Lucas 23:9 que diz, "E fazia-lhe muitas perguntas; mas ele nada lhe respondeu." Jesus não iria tentar nenhum tipo de barganha com Herodes, mesmo para salvar a Sua própria vida. Ele estava determinado a ser o Salvador. Jesus não iria expôr o Seu poder e a Sua autoridade como num show para impressionar os Seus acusadores. Ele usou o Seu poder para os Seus próprios propósitos, especialmente para o Seu plano de ser o Salvador. Jesus estava determinado a ser julgado porque Ele, por Sua própria vontade, suportou a culpa do Seu povo. Jesus não foi pessoalmente culpado, como Pilatos reconheceu, conforme lemos em Lucas 23:14 que diz, "E disse-lhes: Apresentastes-me esse homem como pervertedor do povo; e eis que, interrogando-o diante de vós, não achei nele nenhuma culpa, das de que o acusais." Mas Jesus suportou a culpa daqueles que Ele planejou salvar e portanto, não tinha defesa.
Em um exemplo final, nós lemos em Lucas 23:46, "Jesus, clamando com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou." Isso nos mostra que mesmo nos momentos que aparentemente pareciam os mais fracos de Jesus, Ele não estava passivo. Jesus não morreu assim como todo homem morre, mas Ele deliberadamente abriu mão da Sua vida.
u) Lucas 24:46, "E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicou-lhes o que dele
se achava em todas as Escrituras."
Esse versículo chama a nossa atenção mais uma vez para a importante verdade que Jesus Cristo é o assunto de cada parte da Bíblia. A estória de Jesus não é encontrada apenas num livro do Novo Testamento como Lucas. Desde a primeira página da Bíblia, na estória da criação, em cada livro da Bíblia até o último, que descreve o dia do julgamento, o assunto é sempre Jesus, quem Ele é e o que Ele faz. Precisamos buscar compreender o que uma parte da Bíblia ensina sobre Jesus para realmente compreendê-la.
Com isso concluimos a nossa pesquisa do livro de Lucas. Esperamos que esse breve exame possa lhe ajudar a compreender
melhor esse livro e encorajá-lo a estudar mais profundamente por si mesmo. Que o Senhor o abençõe
ricamente de acordo com a Sua Palavra.