JOÃO
Vamos começar uma série de estudos no livro de João no Novo Testamento. Este é o quarto livro no Novo Testamento. Não vamos estudar versículo por versículo, mas vamos examinar muitos deles, e você pode usar esses estudos para lhe ajudar a lhe dar uma melhor compreensão de outras passagens de João.
1. TEMAS
Dentre os muitos temas que o livro de João ensina, escolhemos dar mais atenção em Jesus Cristo como o Rei que é o Deus Todo Poderoso. Essa é uma idéia que também é encontrada no livro de Salmos no Velho Testamento capítulo 74:12 e Isaías 40:9.
2. VERSÍCULOS CHAVE
Dois versículos chave no livro de João que chama nossa atenção para o tema escolhido é João 1:49 aonde lemos, "Respondeu-lhe Natanael: Donde me conheces? Respondeu-lhe Jesus: Antes que Filipe te chamasse, eu te vi, quando estavas debaixo da figueira." E também João 20:31 que diz, "Estes, porém, estão escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome."
3. PEQUENA REVISÃO
Agora vamos apresentar uma pequena revisão do livro de João. Vamos examinar porções do livro e apontar alguns detalhes de cada porção
Os capítulos de 1 a 4 de João podem ser entitulados "O testemunho de Deus para os homens." Esses capítulos descrevem os muitos testemunhos que Deus deu aos homens para o fato de que Jesus é Deus, o Rei Todo Poderoso do universo. Nesses capítulos aprendemos que o testemunho do fato de que Jesus é Deus começou desde a eternidade, que é encontrado na criação e que o testemunho também veio através dos profetas do Velho e Novo Testamentos. Nesses capítulos aprendemos que o testemunho do fato de que Jesus é Deus é enviado para todo o mundo, incluindo os samaritanos e reis da terra.
Os capítulos 5 até 8 de João podem ser entitulados "A descrença do homem em resposta ao testemunho de Deus." João capítulo 5 descreve o milagre de curar de Jesus e a Sua defesa diante das acusações que Lhe estavam fazendo. João 6 descreve o milagre de Jesus quando Ele providenciou o pão e Sua defesa diante das acusações. João 7 descreve as maneiras diferentes através da qual os homens falsamente julgam Jesus, decidindo por si mesmos quem Ele é realmente. Em contraste com isso, João capítulo 8 descreve o fato de que Jesus é quem cria as leis e é o único que decide como e quando pode se distribuir a misericórdia e o julgamento.
Os capítulos 9 até o 11 podem ser entitulados, "O conflito continua." João capítulo 9 descreve o testemunho e Jesus como a luz do mundo e a descrença dos homens em reação a esse fato. João 10 descreve o testemunho de Jesus como o bom Pastor e a reação de descrença dos homens. João capítulo 11 descreve o testemunho de Jesus como a fonte da vida verdadeira e a reação de descrença do homem.
Os capítulos 12 até o 21 de João podem ser entitulados "O testemunho cumprido." Esses capítulos descrevem o grande testemunho do fato de que Jesus é Deus, e que foi o seu grande e único sacrifício pelo pecado com a Sua morte na cruz. O testemunho inclui o que Ele disse para Seus discípulos durante a última ceia com eles, assim como os eventos que fizeram parte do Seu sofrimento no Jardim do Getesêmane e Seu julgamento tanto na corte romana quanto na corte judia. O testemunho inclui especialmente os eventos que tomaram parte da Sua morte e ressurreição.
4. COMENTÁRIOS GERAIS
Concluimos a nossa rápida visão geral do livro de João. Agora vamos fazer alguns comentários gerais sobre o livro de João o qual vai nos ajudar a entender alguns detalhes mais tarde
O apóstolo João não é mencionado por nome nesse livro, embora se faça referência a ele muitas vezes como "o discípulo a quem Jesus amava" (João 20:2, 21:7). Isso não é uma exaltação ao ego de João, mas uma referência direcionada por Deus do íntimo relacionamento que havia entre João e Jesus. Em adição a isso, João, com Pedro e Tiago, parece ter sido incluido de uma maneira especial nos eventos da vida de Jesus. Por exemplo, apenas João, Pedro e Tiago acompanharam Jesus até a montanha e foram privilegiados porque presenciaram um pouco da Sua verdadeira glória como Deus. Esses eventos que João presenciou, o qualificaram para revelar uma imagem profunda de Jesus. Consequentemente, esse livro contém mais diálogos e comentários nas palavras e obras de Jesus do que outro evangelho. Aprendemos mais de afirmações claras sobre o caráter e missão de Jesus e menos sobre figuras e representações através das parábolas.
Embora João pareça ser uma pessoa pensativa e que reflete muito, ele não era um homem passivo. Na realidade, ele era vigoroso, e algumas vezes um defensor do seu Senhor não sabia muito bem para onde estava indo. Jesus o chamou e também seu irmão Tiago, Boanerges, isto é, os filhos do trovão.
Além do contato humano próximo que João experimentou com Jesus, um fato se tornou cada vez mais claro para João, não apenas quando ele estava com Jesus, mas também através de uma reflexão antes que ele começasse a escrever esse livro. Esse fato era que Jesus Cristo era o verdadeiro Deus que veio na carne. Tal surpreendente idéia dominou o evangelho de João, e podemos ver a necessidade pela mão de Deus para guiar João até mesmo para começar a escrever essas coisas.
Existem muitas observações que podemos fazer no evangelho de João, as quais demonstram o tema da divinidade de Jesus. Uma observação envolve diferentes referências a Jesus Cristo e que são muito numerosas para contar, assim como as palavras "verbo" em João 1:1;"luz" em João 1:5; "tabernáculo" em João 1:51; "cordeiro" em João 1:29,36 e muitas e muitas encontradas pelo livro de João. A variedade de palavras associadas com Jesus suportam a idéia que Jesus é o Deus Todo Poderoso, porque não há nenhum outro nome adequado para descrever os Seus infinitos atributos.
Outra observação que diz respeito ao testemunho pessoal claro de Jesus da Sua divindade. Observe o uso da palavra "Eu sou" nas passagens de 8:24, 28, 58 e 13:19 aonde lemos, "Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados; porque, se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados. Prosseguiu, pois, Jesus: Quando tiverdes levantado o Filho do homem, então conhecereis que eu sou, e que nada faço de mim mesmo; mas como o Pai me ensinou, assim falo. Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou. Desde já vo-lo digo, antes que suceda, para que, quando suceder, creiais que eu sou." Na realidade, todas as partes que diz "Eu sou" de frases e sentenças que Jesus fala são Seu testemunho divino, porque é assim que Deus descreve a Si mesmo a Moisés em Êxodo 3:14 que diz, "Respondeu Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás ao povo de Israel: EU SOU me enviou a vós." Por exemplo, "Eu sou o pão da vida" (6:35) realmente significa "Eu sou" o pão da vida; isto é, Deus é o pão que dá e que sustém a vida. De modo similar, podemos compreender que a frase "eu sou a luz do mundo" (8:12, 9:5) significa "Eu sou Deus que traz luz ao mundo."
Em adição à essas observações, podemo acrescentar muitas outras evidências no evangelho de João que mostram que Jesus é Deus.
5. VERSÍCULOS SELECIONADAS
Concluimos os nossos comentários gerais sobre o livro de João. Agora vamos examinar alguns versículos selecionados do livro de João em maior detalhe.
a) João 1:1 "No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. "
Esse versículo não está nos dizendo que Jesus teve um princípio, o qual coincidiu com o princípio do universo. Significa que Jesus estava presente no princípio, como lemos no versículo 3 que diz, "Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada foi feito se fez." Jesus é o Deus eterno que não teve princípio.
b) João 1:10-12 "Estava ele no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, e o mundo não
o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, aos que
crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus."
Esses versículos sobre o âmbito mundial do que diz respeito ao evangelho seguem uma declaração de Jesus como o Criador. Para alguns dos quais Ele deu vida com Suas mãos, Ele também deu nova vida como filhos de Deus. As palavras "o que era seu" no versículo 11 dizem respeito a palavra "mundo" no versículo 10 e se referem especialmente aos homens de todas as nações do mundo. Todos são Sua criação e a sua salvação é direcionada aos homens por todo o mundo, não importa qual seja a sua nacionalidade.
É instrutivo notar que o versículo 12 ilustra a necessidade de comparar escritura com ecritura. Enquanto a ação de "receber" Jesus e "receber" a vida que está em Jesus parece estar dentro do poder do homem, João, o Batista comenta no capítulo 3, versículo 27, "Respondeu João: O homem não pode receber coisa alguma, se não lhe for dada do céu", que receber é uma ação que precisa ser dada ao homem apenas por Deus como um dom. Como na criação, todas as coisas que dizem respeito a salvação foram originadas das mãos de Deus, como lemos em João 1:13, "Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus."
c) João 1:17 "Porque a lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por
Jesus Cristo."
Esse versículo chama nossa atenção para o contraste entre a lei e a graça. A melhor ilustração desse versículo é encontrada no livro de Josué. Os Israelitas são uma representação dos eleitos, pessoas que Deus salva. A terra que eles estavam para possuir representa o céu , o país do qual os crentes são cidadãos, uma vez que estão salvos. Moisés é um figura da lei de Deus e Josué, cujo nome significa "salvador" é uma representação de Jesus Cristo. Moisés liderou os Israelitas até a borda da terra prometida e Josué foi quem levou o povo para dentro da terra. A idéia espiritual do livro de Josué é que a lei era capaz de levar o povo de Deus até a borda da salvação, mostrando-os sua necessidade por salvação, mas a lei não era capaz de levá-los até a salvação. Por outro lado, o Salvador leva as pessoas até a salvação.
Essa linha de pensamento é apoiada por Romanos 8:3 aonde lemos, "Porquanto o que era impossível à lei, visto que se achava fraca pela carne, Deus, enviando a seu próprio Filho em semelhança da carne do pecado, e por causa do pecado, na carne condenou o pecado." Nesse versículo aprendemos que a lei não tem poder para reconciliar o homem com Deus. A lei apenas pode condenar um homem para mostrar a graça que apenas Deus pode providenciar. Romanos 8:3 diz que o que a lei não podia providenciar, Jesus mesmo providenciou na cruz, isto é, o pagamento pelos pecados. Baseado nesse pagamento, Jesus oferece a Sua graça para o Seu povo.
d) João 2:4 "Respondeu-lhe Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a
minha hora."
A pergunta de Jesus não foi uma repreensão a Maria. Jesus não estava surpreso ou reagindo de modo negativo aos pedido de Maria. Ele nunca reage ou fica aborrecido com o pedido de uma pessoa. Ele é Deus e sabia que ela iria lhe fazer um pedido antes mesmo que qualquer palavra saisse da sua boca. De modo coerente com Seu costume e com o costume de toda a Bíblia, Jesus tomou a oportunidade nesse casamento para ensinar uma lição espiritual muito importante.
Quando Jesus chamou Maria de "mulher", Ele quis lembrar Maria que ela fazia parte da raça humana. Era como se Ele estivesse dizendo, "Você é uma mulher, filha de Eva." Jesus queria que ela pensasse seriamente sobre quem era e sobre quem Ele é. Jesus estava perguntando a ela, "Você sabe qual é o me relacionamento com você?" Depois disso, Ele procedeu em ajuda na festa de uma tal maneira que respondeu a Sua própria pergunta. Entretanto, antes de que Ele começasse a trabalhar, Ele disse, "...Ainda não é chegada a minha hora (de sacrifício, João 12:23,24)", indicando com isso que algumas das coisas que Ele ia revelar sobre Si mesmo aida não seriam cumpridas até que Ele fosse para a cruz.
O milagre que Jesus fez foi a resposta para a pergunta de Maria. Em primeiro lugar, o fato de transformar a água, que contém apenas elementos de hidrogênio e oxigênio, em vinho que possui também carbono, Jesus demonstrou o Seu poder como Criador. Em segundo lugar João 2:6 afirma que Jesus usou a água da purificação, a qual era usada no templo para a purificação dos levitas. A luz disso, Jesus transformou a água em vinho como uma representação do Seu sangue, a única coisa que pode realmente purificar, e o agente de limpeza para o qual a água da purificação apontava.
Conforme os convidados bebiam, eles testificaram que o vinho era "bom". Espiritualmente falando, isso significa que eles beberam de Jesus, que é o único bom. Portanto, essas pessoas eram uma representação daqueles que são salvos pelo Seu sangue. De fato, o próprio casamento, assim como os convidados, eram uma representação da salvação de Deus. Portanto, a resposta para a pergunta no versículo 4 é, "Eu tenho muito que fazer. Eu sou o Criador e Salvador." Essa é a glória de Deus que foi mencionada no versículo 11 do capítulo 2 de João.
e) João 3:16 "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que
todo aquele que nele crêr não pereça, mas tenha vida eterna."
Esse é um dos versículos mais bem conhecidos no Novo Testamento. E ele é tão comumente citado, que muitas pessoas acham que compreendem o que ele diz sem se importar em verificar o que lhes foi dito que ele significa. Infelizmente existem muitas idéias erradas com esse versículo, e é importante gastar um pouco de tempo para ter certeza que estamos pensando da maneira correta e clara sobre ele.
A palavra "mundo", a qual esse versículo traz é o objeto do amor de Deus, e pode fazer referência ao universo físico, as pessoas no universo ou ambos. O amor que é mencionado nesse versículo é um amor redentor que se tem a sua consumação na salvação do mundo. A luz disso, a palavra "mundo" pode se referir a promessa que Deus tem para a criação física, como lemos em II Pedro 3:13 que diz, "Nós, porém, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e uma nova terra, nos quais habita a justiça." Assim como a Sua promessa aos eleitos, aquelas pessoas no mundo que Ele vai salvar, como lemos em João 17:9, "Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me tens dado, porque são teus;"
A palavra "unigênito" se referindo a Jesus Cristo, não significa que ele é um ser criado e portanto, menor do que o Deus Todo Poderoso. Mas, ela se refere a Jesus do ponto de que Ele é o Filho ressurreto; porque é assim que as palavras são usadas na Bíblia.
As palavras "todo aquele que nele crê" são geralmente mal citadas como "todo aquele que desejar", implicando que todo homem tem a habilidade ou vontade latente dentro de si mesmo para crer. Essa é uma maneira errada para pensar sobre essas palavras. Esse versículo não ensina, e também nenhum outro versículo da Bíblia ensina que o homem tem o potencial de crer. Na realidade, a Bíblia diz justamente o oposto como em passagens como Jeremias 10:23, "Eu sei, ó Senhor, que não é do homem o seu caminho; nem é do homem que caminha o dirigir os seus passos." E Romanos 3:11, "Não há quem entenda; não há quem busque a Deus." João 3:16 é uma afirmação do fato que realmente acontece, isto é, são apenas os crentes que não perecem, mas têm a vida eterna. A estória é que o homem não crê como ele deseja, mas como Deus quer e João 1:13 nos diz, "Os quais não nasceram do sangue mas de Deus." Certamente o homem precisa de fé para obter a vida eterna, mas é um dom que apenas Deus pode dar conforme João 6:29 nos diz, "Jesus lhes respondeu: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou."
A palavra "pereça" não significa que os não crentes são aniquilados e não mais existem. Ela se refere ao fato de que todos os homens originalmente tinham vida em Adão. Quando Adão pecou e imediamente morreu espiritualmente, isso assegurou que todos os homens que viriam da sua descendência estariam também espiritualmente mortos. Todos os homens estão mortos em seus pecados como lemos em Efésios 2:1, "Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados." E ao menos que eles creiam , eles vão experimentar a segunda morte da condenação eterna no inferno.
A palavra "vida eterna" não significa "um longo período", assim como milhões de anos, ou não significa "até que a pessoa cometa um grave pecado", como se ela pudesse perder a sua salvação mais tarde. "Vida eterna" significa que se uma pessoa é salva, não há nada que possa algum dia mudar isso. Ela passa a ter uma vida que nunca acaba.
Embora a vida eterna comece no momento que a pessoa é salva, é mais do que uma vida que nunca acaba. Vida eterna é também uma afirmação de quaqlidade de vida que uma pessoa recebe quando ela é salva. A vida eterna possui características por si mesmo. Aqueles que possuem vida eterna se comportam de tal maneira que é diferente daqueles que não possuem esse tipo de vida. Existe algo especial no comportamento de uma pessoa que encontra a vida eterna em Jesus Cristo. De fato, a vida eterna realmente descreve a vida que é o próprio Jesus. É Ele, o Deus que vive para sempre, que nEle mesmo é vida como lemos em João 14:6 que diz, "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." Os crentes vivem apenas porque Jesus vive neles. Gálatas 2:20 nos diz, "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim."
f) João 3:18-20 " Quem crê nele não é julgado; mas quem não crê, já
está julgado; porquanto não crê no nome do unigênito filho de Deus. E o julgamento é
este; A luz veio ao mundo, e os homens amaram antes as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más.
Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não
sejam reprovadas".
Muitas pessoas ensinam que único pecado que pode lançar um homem no inferno é rejeitar Jesus Cristo como Salvador. Essa é uma idéia errada e não é apoiada por João 3:18. A palavra "porquanto" é mais do que a idéia de "uma vez que", no sentido de que a descrença da pessoa revela como ela é, antes mesmo que Cristo chegue a sua vida. Em outras palavras, a negligência de uma pessoa e a sua resistência para com o único escape da condenação é evidência da sua descrença. É verdade que os homens estão condenados por terem rejeitado Jesus Cristo, mas como o versículo 18 nos diz, esse é apenas mais um pecado entre vários outros pecados que já os trancaram na prisão. Os versículos 19 e 20 continuam descrevendo as ações dos não crentes e a atitude que os motiva. Portanto, não deveríamos ficar surpresos pela rejeição do homem à oferta da salvação. Isso é parte do curso. Na realidade, todos os homens reagiriam da mesma maneira, ao menos, como o versículo 21 nos diz, que Deus trabalhe neles para que se comportem de maneira diferente. Apenas pela graça de Deus é que existe alguma esperança para que eles possam buscar por salvação em Jesus ao invés de rejeitá-Lo. De outra maneira, iríamos todos para o inferno pagar pelos nossos pecados.
g) João 4:35 "Não dizeis vós: Ainda há quatro meses até que venha a ceifa?
Ora, eu vos digo: Levantai os vossos olhos, e vede os campos, que já estão brancos para a ceifa."
Essa passagem pode ser melhor compreendida à luz do calendário judeu. O tempo da "ceifa" ocorre no décimo quinto dia do sétimo mês no calendário judeu. Esse acontecimento é parte de uma importante festa chamada de festa dos tabernáculos. As palavras "ainda há quatro meses até que venha a ceifa" significa que Jesus está falando no terceiro mês do ano cerimonial judeu.
Existia uma outra festa judia chamada Páscoa, que acontecia do décimo quarto dia até o vigésimo segundo dia do primeiro mês. Nós queremos ressaltar isso porque a Bíblia diz que 50 dias mais tarde havia a festa das primícias ou o Pentecostes que acontecia no quinto dia do terceiro mês do calendário judeu. Agora podemos compreender que a referência do tempo em João 4:35 quando Jesus fala sobre o período dos quatro meses aponta para a festa do Pentencoste.
Embora quando Jesus falou sobre isso pudesse ser o tempo do Pentecoste, Ele não estava lhes dando uma lição em como reconhecer os eventos especiais no calendário judeu. Jesus estava explicando algumas idéias importantes sobre o tempo de Deus para o evangelismo. A festa do Petencoste ou das primícias representou o tempo quando o evangelho começou a ser anunciado a todo o mundo pela primeira vez. A festa dos tabernáculos ou da colheita representa o tempo do fim do mundo, quando o plano do evangelho é concluído.
Reunindo o que aprendemos, podemos dizer que a afirmação de Jesus "Ainda há quatro meses para que venha a ceifa" em João 4:35 significa que a colheita estava apenas começando. Era apenas o tempo dos primeiros frutos. Ainda não era o tempo da grande colheita no final dos tempos.
O ponto é que Jesus não queria que Seus discípulos chegassem a pensar que o único tempo quando Deus vai reunir Seu povo no Seu reino é quando estivermos no final dos tempos. Eles não deveriam pensar que Jesus viria no último dia e salvaria Seu povo. Eles precisavam lembrar que o Pentecostes era apenas o começo da colheita, uma colheita que continuaria até o fim. Conforme o versículo 35 diz, os campos já estão brancos para a colheita. Portanto, Jesus envia Seus discípulos para colher agora e não quando Ele retornar no final dos tempos. O ajuntamento associado com o dia da expiação no final da colheita não é o tempo para trazer pessoas para o reino. Essa é a colheita para o julgamento. O tempo da colheita para a salvação é durante todo o verão, quando o evangelho está disponível. Agora é o tempo para a salvação, portanto os discípulos de Jesus devem estar ocupados anunciando o evangelho enquanto há tempo, antes que seja muito tarde.
h) João 5:19 "Disse-lhes, pois, Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que o Filho de si mesmo nada
pode fazer, senão o que vir o Pai fazer; porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente."
Esse versículo não está dizendo que o Filho é um boneco que não raciocina fazendo aquilo o que o Pai Lhe manda fazer. Precisamos ter em mente que não existe diferença entre a autoridade do Pai e do Filho, porque como o versículo 23 nos diz, Eles possuem a mesma honra, "Para que todos honrem o Filho, assim como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou."
O ponto do versículo 19 pode ser compreendido à luz das palavras, "o Filho o faz igualmente". Jesus diz que Ele não pode fazer nada diferente do Pai, porque Ele não pode violar a Sua própria vontade. A vontade do Pai é a mesma vontade de Jesus. Jesus não deseja nada além do que fazer a vontade do Pai. E isso é esperado porque Eles são um e possuem uma mesma vontade, e existem antes mesmo da criação do mundo, desenvolvendo a vontade que teria de ser cumprida. O que mais poderíamos esperar que o Messias pudesse fazer a não ser o que o Pai faz? Essa é Sua alegria.
Agora devemos voltar nossa atenção para João 5:31 aonde lemos, "Se eu der testemunho de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro." Esse versículo chama a nossa atenção de que precisamos usar outras passagens para obter uma compreensão completa de um versículo. João 5:31 certamente não está dizendo que o testemunho e Jesus é deficiente. A Sua integridade não está debaixo de suspeita alguma. Uma vez que Jesus é Deus, apenas a Sua Palavra é suficiente para autenticar Seu testemunho. Entretanto, uma vez que Ele estabeleceu o princípio na Bíblia que tudo é estabelecido por duas ou três testemunhas, Ele suporta a Sua própria Palavra. Por essa razão, Ele declara que uma testemunha não é sufuciente. Se colocarmos a palavra "apenas" depois da palavra "eu mesmo", de modo que a idéia do versículo seja, "Se apenas eu mesmo sou a testemunha", desse modo o versículo está claro. O testemunho de Jesus é ainda próprio e verdadeiro. Mas de acordo com as Suas próprias regras, é necessário que exista uma outra testemunha. Essa obeservação é apoiada por João 8:14 aonde lemos, "Respondeu-lhes Jesus: Ainda que eu dou testemunho de mim mesmo, o meu testemunho é verdadeiro; porque sei donde vim, e para onde vou; mas vós não sabeis donde venho, nem para onde vou." O capítulo 5 de João nos dá uma lista de muitos testemunhos que apoiam isso além das próprias palavras de Jesus. Um dos testemunhos vem de João, o Batista (5:33), outro vem das obras de Jesus (5:36), outro é o testemunho do Pai celestial (5:37) e outro é o testemunho da Palavra de Deus (5:39).
i) João 6:15 e 18:36 "Percebendo, pois, Jesus que estavam prestes a vir e levá-lo à força
para o fazerem rei, tornou a retirar-se para o monte, ele sozinho. Respondeu Jesus: O meu reino não é
deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para ue eu não fosse entregue
aos judeus; entretanto, o meu reino não é daqu."
Esses versículos claramente nos mostram que o reino de Jesus não é físico e não está em competição com todos os outos reinos desse mundo. Uma vez que as pessoas testemunharam os milagres que Jesus fazia, elas queriam que Ele fosse o seu rei terreno. Jesus rapidamente Se retirou, não porque Ele tinha medo do que as autoridades romanas iriam pensar, mas porque o Se reino não era desse mundo. Não era um reino físico como as outras nações do mundo possuíam.
j) João 6:26 "Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que me buscais, não porque
vistes sinais, mas porque comestes do pão e vos saciastes."
Essa passagem aponta para o fato de que os maiores desejos e expectativas dos homens é um reino físico. De fato, quando muitos dos que seguiam a Jesus peceberam que as suas expectativas não seriam alcançadas, muitos voltaram-se para trás, como lemos em João 6:66 que diz, "Por causa disso muitos dos seus discípulos voltaram para trás e não andavam mais com ele."
A propósito, existe um mal entendido muito comum da palavra "discípulo" que é usada em João 6:66. Muitas pessoas usam a palavra "discípulo" para fazerem referência a um crente que alcançou um nível de maturidade. A idéia é que um discípulo é mais fiel do que um crente comum. Entretanto, a Bíblia não faz tal distinção entre os crentes. De fato, a palavra "discípulo" é um termo geral que se refere a qualquer pessoa que segue Jesus, e de acordo com João 6:66 o discípulo pode nem mesmo ser salvo. É por isso que Jesus alerta os discípulos que se alguém se considerava discípulo, eles deveriam realmente ser discípulos e deveriam demonstrar isso em seu comportamento, conforme lemos em João 8:31 que diz, "Dizia, pois, Jesus aos judeus que nele creram: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos."
l) João 6:29 e 44 "Jesus lhes respondeu: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele
enviou. Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último
dia."
Não podemos deixar passar esse importante testemunho de fé. Não podemos pensar na fé como uma habilidade que possuimos ou controlamos, mas como um dom que Deus dá aqueles que Ele salva e os quais dão evidência de que já foram salvos por Ele. De modo similar, a ação de um homem se aproximando de Deus, deve ser encarado não como uma habilidade que esse homem possui, mas como uma evidência de que é Deus quem o está trazendo para Si.
Vamos dar atenção para João capítulos 7 e 8 e sua relação um com o outro. Vamos usar esses dois capítulos como uma ilustração de como muitos versículos em uma longa passagem se encaixam quando os ligamos a um tema em comum.
O capítulo 7 poderia ser entitulado, "O homem julga Deus". O capítulo fala sobre pessoas diferentes e suas conclusões sobre Jesus. Baseados nisso, podemos dizer que o capítulo se desenrolou no tempo da festa dos tabernáculos porque a festa acontecia na época da colheita, o que é uma figura espiritual do tempo do julgamento no final dos tempos. É como se a Bíblia estivesse dizendo, "No momento do julgamento, qual é o que vai estar correto? O do homem ou o de Deus?"
Em João 7:5 nós lemos sobre os parentes de Jesus na terra que avaliaram Jesus e tiraram as suas próprias conclusões. Eles não creram nEle. Em João 7:7 nós lemos sobre a conclusão do mundo de um modo geral. O mundo o odiou. Em João 7:12, aprendemos sobre a avaliação daquelas pessoas que ouviram e\ viram Jesus ensinar. Como os homens sempre faziam, eles fizeram de Jesus um assunto para debate ao invés de adoração. Algumas pessoas pensaram em Jesus apenas como um homem bom e não no que Ele realmente é, o Filho de Deus. A avaliação que fizeram dEle era apenas intelectual e não algo vindo do coração; portanto, conforme lemos em João 7:13, não havia força de convicção, especialmente diante da oposição. Em João 7:15, nós lemos que os judeus não pensavam muito na Sua educação e estavam surpresos com os Seus ensinamentos. Em João 7:24, Jesus os alerta que se eles continuassem a julgá-Lo, era melhor que usassem o padrão correto e a avaliação correta. De acordo com João 7:28, o fato e que os judeus sabiam bem quem Ele era. O julgamento errado que estavam fazendo era algo deliberado e uma indicação da sua rebelião diante de Deus. A partir de João 7:30 nós vemos que a ira que existe no coração de todo os homens fez com que os judeus fossem incapazes de dar o veredito correto, não importa qual fossem os fatos. Portanto, de acordo com João 7:31, algumas pessoas estavam impressionadas com os milagres de Jesus e fizeram a sua avaliação com base nisso. João 4:40-44 mostra a confusão que havia na mente das pessoas no que diz respeito a quem Jesus era, até chegar a que desejassem destruí-Lo.
João 7:50 e 51 nos mostra como Deus guia um homem a fazer a avaliação correta de Jesus. Esses versículos falam sobre Nicodemos no meio de uma luta espiritual. Encontramos Nicodemos em João 3 como um homem temeroso quanto aos líderes judaicos, mas que buscava a sabedoria que Jesus pode dar. Em João 7 podemos ver Nicodemos começando a questionar os líderes judeus quando ele defende Jesus. A evidência de João 19:39 nos mostra que Nicodemos estava andando no plano espiritual quando ele se identifica e tem afeição por Jesus. A graça de Deus é vista quando Nicodemos passa a tomar parte no rebanho do Pastor.
No capítulo 8, a confusão está formada. Depois do homem ter tido o seu dia na corte, era a vez de Deus começar a julgar. Esse capítulo poderia ser entitulado "Deus julga o homem." Em João 8:2, vemos o Juiz que possui autoridade e que fala a verdade. João 8:6 mostra, por comparação com Êxodo 31:18, que Jeus é aquele que faz as leis. Jesus é Deus que escreveu as leis de Deus com Seu dedo nas tábuas de pedra e as deu a Moisés. Portanto, apenas Jesus tem a autoridade e o direito para julgar. João 8:11 mostra o contraste entre o caráter dos homens e o caráter de Jesus como Juiz. O homem é sempre um juiz duro que não mostra nenhuma misericórdia para com o seu próximo. Apenas Deus pode e mostra misericórdia. João 8:12 afirma que Jesus é o Juiz, visto que apenas Ele pode revelar a verdade. João 8:15 explica que Jesus não julga da mesma maneira que o homem. Isto é, Jesus não julga pela carne. João 8:17 e 18 revela que o julgamento de Jesus é verdadeiro e é apoiado pelo testemunho de duas testemunhas confiáveis, o Pai e Ele mesmo. João 8:24 nos diz que o julgamento de Jesus é final, sem precisar que o caso seja levado a nenhuma outra corte. Se um homem não vê Jesus como o próprio Deus (Eu Sou), então está condenado, e esse é o final do assunto. Ainda assim Deus é gracioso, porque de acordo com João 8:36 e 51, Ele o Único que é Juiz dos homens, pode libertá-los da condenação.
m) João 8:56, 12:41 "Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia; viu-o, e alegrou-se. Estas
coisas disse Isaías, porque viu a sua glória, e dele falou."
Esses dois versículos mostram que o evangelho da salvação em Jesus Cristo não é apenas uma idéia do Novo Testamento. Todos os crentes precisam crer no Filho de Deus, não importa se eles viveram antes que Jesus viesse a terra, como Abraão e Isaías, e olharam para a promessa da salvação que estava à sua frente, ou viveram depois que Jesus veio e olharam para o cumprimento da promessa.
n) João 9:39, 12:47 "Prosseguiu então Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de
que os que não vêem vejam, e os que vêem se tornem cegos. E, se alguém ouvir as minhas
palavras, e não as guardar, eu não os julgo; pois eu vim, não para julgar o mundo, mas para
salvar o mundo."
Esses dois versículos nos dão a ilustração do como a perspectiva de um contexto mais amplo ajuda a resolver uma aparente contradição na Bíblia.
Em primeiro lugar, vamos considerar João 12:47. A mensagem desse versículo diz que quando Jesus veio a esse mundo, não era plano Seu nessa época, trazer julgamento. O julgamento foi planejado para o final dos tempos. Jesus veio a primeira vez com o propósito de morrer na cruz como o Salvador de homens pecadores. Isso não será verdadeiro quando Ele vier pela segunda vez. De fato, o versículo seguinte, João 12:48 explica que vai haver um período de julgamento, mas isso será apenas no final dos tempos. Portanto, João 12:47 ensina que Jesus veio pela primeira vez para salvar os seus. Entretanto, uma vez que Jesus veio, e través de todos os anos subsequentes, a maioria das pessoas O tem rejeitado.
Isso nos leva até João 9:39. Podemos compreender esse versículo da seguinte maneira. Muitas pessoas rejeitam a verdade do evangelho porque pensam que já possuem a verdade ou porque não se importam com as coisas espirituais e amam muito esse mundo pecador. E porque não existe um plano alternativo para evitar o julgamento, eles fecham a si mesmos no cárcere através da sua descrença. A sua rejeição do evangelho e o fato de estarem prontos para o julgamento revelam a sua rejeição do evangelho. Essa rejeição revela o que eles têm sido por tanto tempo, homens debaixo da sentença do julgamento. Quando Jesus permite que eles continuem na sua descrença, Ele os está preparando para o julgamento. Portanto, João 9:39 quer dizer que a vinda de Jesus revela e prepara aqueles que serão julgados no último dia. Isso acontece através da sua rejeição de Jesus. Jesus veio para dar graça ao Seu povo, mas muitos vão mostrar que não são Seu povo através da sua falta de fé.
o) João 9:39 e João 12:47
Podem ser compreendidos da seguinte maneira: Jesus veio a primeira vez para fazer o trabalho de Salvador. Ele mesmo proclamou o evangelho através do Seu testemunho, a qual é a maneira como Ele chama os Seus eleitos para o Reino. Entretanto, as coisas que Ele falou e o Seu testemunho, foram fatos que tiveram dois lados. Alguns vão crer e serão salvos. Alguns vão rejeitar o evangelho e assim estarão se preparando para o julgamento no último dia. As palavras que Jesus disse quando estava na terra e através do Seu povo quando Eles anunciam o evangelho, não serão usadas para julgar pecadores que não se arrependeram, mas sim aqueles que se arrependeram.
p) João 9:41 "Respondeu-lhes Jesus: Se fosseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora
dizeis: Nós vemos, permanece o vosso pecado."
Esse versículo ilustra a necessidade de acrescentar algumas palavras a um versículo para ajudar a completar o pensamento. As palavras que são acrescentadas vêm de um contexto, isto é, do resto dos versículos na passagem. Esse versículo pode ser compreendido da seguinte maneira. As palavras "se fosseis cegos" podem ser colocadas da seguinte maneira,"se vocês dizem que são cegos" ou "se vocês admitem que são espiritualmente cegos assim como o homem era fisicamente..."
O assunto é sobre pecado, assim como a próxima frase nos diz e falando sobre julgamento por pecado nos diz o versículo 39, "Prosseguiu então Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não vêem vejam, e os que vêem se tornem cegos." O problema era que as pessoas com as quais Jesus falava não reconheciam Jesus como o Filho de Deus ou que eram pecadores e que necessitavam da Sua ajuda. Portanto as palavras, "não teríeis pecado" podem ser expandidas para dizer, "Se vocês viessem a mim, não teriam pecado."
E a passagem 9:41 acresecenta, "mas como agora dizeis". Essas palavras mostram que somos justificados acrescentando a palavra "dizeis" à primeira frase que estudamos acima. Isto é, a lógica para as duas metades e João 9:41 é a mesma, e estamos corretos em colocar João 9:41 como "Se dizemos que somos cegos."
Finalmente, João 9:41 termina com as palavras "mas agora como dizeis: Nós vemos, permanece o vosso pecado." Podemos interpretar essas palavras da seguinte maneira: "Você ainda acha que pode espiritualmente ver a sua situação e concluir que não possui pecado. Entretanto, uma vez que você não busca ajuda, vai continuar no seu pecado." Essas pessoas estão espiritualmente cegas, e como o versículo 39 diz, "e os que vêem (que dizem que enxergam, mas isso não acontece) se tornem cegos (permanecem na sua desilusão do pecado).
Agora vamos voltar nossa atenção para João capítulo 10. Esse capítulo traz um grande conforto para os crentes. Esse conforto é baseado no completo controle que Deus tem sobre a vida do homem. E porque esse é apenas um curso de pesquisa, vamos apenas salientar umas duas idéias.
q) João 10
Um tipo de conforto é o fato de que aqueles que são salvos não vão se afastar da fé e dar ouvidos a outros evangelhos conforme lemos em João 10:5 e 27 que diz, "Mas de modo algum seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos. As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem;" Um outro conforto é saber que os verdadeiros crentes têm segurança eterna seguros no que diz respeito a salvação que possuem e que nunca podem cair da graça, como lemos em João 10:28,29 que diz, "Eu lhes dou a vida eterna, e jamais perecerão; e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai."
r) João 11:11-14
Agora, devemos voltar nossa atenção para João capítulo 11. Esse capítulo nos fala de quando Jesus ressuscitou Seu amigo Lázaro dos mortos. Em João 11:11-14, nós lemos, "E, tendo assim falado, acrescentou: Lázaro, o nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo do sono. Disseram-lhe, pois, os discípulos: Senhor, se dorme, ficará bom. Mas Jesus falara da sua morte; eles, porém, entenderam que falava do repouso do sono. Então Jesus lhes disse claramente: Lázaro morreu." Isso nos alerta para o fato de que não podemos compreender os eventos e as palavras de Jesus apenas de uma maneira física. Sempre precisamos buscar a intenção espiritual do que lemos na Bíblia. Os eventos de João 11 são uma representação da salvação espiritual do evangelho.
s) João 11:25 e 26 "Declarou-lhe Jesus: Eu sou a ressureição e a vida; quem crê
em mim, ainda que morra viverá; e todo aquele que vive, e crê em mim, jamais morrerá. Crês
isto?"
A partir dessa passagem aprendemos a verdade espiritual que apenas Jesus possui a autoridade e o poder de dar a vida, como o Criador Todo Poderoso. E apenas Ele possui o desejo de conceder vida porque é o Salvador. Em João 11:43 e 44 nós lemos, "E, tendo dito isso, clamou em alta voz: Lázaro, vem para fora! Saiu o que estivera morto, ligados os pés e as mãos com faixas, e o seu rosto envolto num lenço. Disse-lhes Jesus: Desligai-o e deixai-o ir." Baseados nesse versículo podemos aprender algumas verdades espirituais sobre o evangelho. Primeiro, as palavras, "saiu o que estivera morto" nos dizem que a salvação é algo muito bom, porque leva alguém da vida para a morte, conforme lemos em Efésios 2:5, "Estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)." As palavras "clamou em alta voz: Lázaro" nos mostram o poder das palavras de Jesus como também o fato de que Deus chama os Seus por nome como nós lemos em João 10:3 que diz, "A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz, e chama pelo nome às suas ovelhas, e as traz para fora."
t) João 14:28 "Ouvistes que eu vos disse: Vou, e voltarei a vós. Se me amásseis, alegrar-vos-íeis
de que eu vá para o Pai; porque o Pai é maior do que eu."
Esse versículo como muitos outros que encontramos, não podem ser propriamente compreendidos sem uma cuidadosa comparação com outras passagens. Não podemos esperar compreender um versículo ao menos que estudemos o resto da Bíblia e apenas a Bíblia.
Em primeiro lugar, precisamos colocar de lado visões erradas desse versículo. A frase, "porque o Pai é maior do que eu" não significa que de alguma maneira Jesus é menor do que o Pai. Além do mais o versículo 12 usa uma frase similar, "Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que crê em mim, esse também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas; porque eu vou para o Pai." E certamente não podemos chegar a conclusão de que hoje os crentes podem fazer obras maiores do que aquelas que Jesus fez. Por uma razão: ninguém nunca alimentou 5.000 pessoas com apenas 5 pães ou caminhou sobre as águas ou ressuscitou pessoas dos mortos. E por mais um motivo, Jesus faz a Sua obra em todos os crentes, portanto, é Ele que faz tudo o que os crentes conseguem realizar em suas vidas.
João 14:12 nos diz que quando Jeus estava na terra, Ele não viajava para lugares distantes e também muitas pessoas não foram salvas através da Sua pregação do evangelho. Entretanto, depois que Ele foi para os céus, os seus discípulos foram até os confins da terra e milhares de pessoas foram salvas conforme eles anunciavam o evangelho. Isso não significa que o ministério de Jesus foi deficiente, mas significa que o grande trabalho de evangelizar o mundo foi dado aos crentes. Este não era o objetivo de Jesus para o Seu ministério quando estava na terra.
Então, o que João 14:28 significa? A palavra "porque" no versículo 28 não significa "Eu agora vou lhe dar um fato para que você creia." É com esse significado que a palavra "porque" é usada em outras ocasiões no livro de João. A idéia em João 14:28 é que a frase continuando com "porque" explica a próxima frase. Jesus disse "Porque o Pai é maior do que eu." A palavra "maior do que" significa que Jesus não estava aonde o Pai está, então Ele precisava ir até lá. O Pai está num lugar maior do que o Filho estava porque Ele estava no céu enquanto o Filho estava na terra.
u) João 15:8 "Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos."
Um erro muito comum no que diz respeito a compreensão desse versículo é que a palavra "fruto" se refere às pessoas as quais os crentes dão testemunho e que consequentemente são salvas em resposta à esse testemunho. Mas não é esse o significado da palavra "fruto".
Podemos encontrar o significado da palavra "fruto" quando fazemos uma comparação com Gálatas 5:22 aonde lemos, "Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade." Isto é, fruto é o resultado da obra de Deus nos corações das pessoas que Ele já salvou. O fruto é uma evidência que revela se a pessoa é salva ou não. João 15 enfatiza em muitas passagens o tipo de fruto que Jesus espera dos Seus discípulos, isto é, o amor, que é a maior evidência de que a pessoa seja crente. Ou a pessoa tem o Espírito e demonstra isso ou não tem e demonstra isso porque não possui o fruto do Espírito.
João 15 não diz que um homem que não dá fruto é menos fiel, mas é ainda um crente. Ao invés disso, João 15:6 afirma que aqueles que não dão frutos devem ser queimados. Ou um homem está em Cristo, e é salvo e dá fruto, ou não está, o que nos leva a crer que ele não é salvo, não dá fruto e será lançado no fogo do inferno. Portanto, o assunto aqui não é se um crente dá mais frutos do que outro, isto é, se dá evidência de que é crente, ou uma pessoa não é crente e portanto não produz fruto, não dá evidência de que é crente.
v) João 15:19, 20 e 16:2,33 "Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas, porque não
sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia. Lembrai-vos da palavra que
eu vos disse: Não é o servo maior do que o seu senhor. Se a mim me perseguiram, também vos
pereguirão a vós; se guardaram a minha palavra, guardarão também a vossa. Expulsar-vos-ão
das sinagogas; ainda mais; vem a hora em que qualquer que vos matar julgará prestar um serviço a
Deus. Tenho-vos dito estas coisas, para que em mim tenhais paz. No mundo tereis tribulações; mas
tende bom ânimo, eu venci o mundo."
Devemos ressaltar uma importante verdade desses versículos. Um crente nunca pode se apegar a idéia de que porque ele está salvo, possui uma certa imunidade ou proteção garantida da tribulação física. Em outras palavras, não existe benção física prometida no evangelho ou que necessáriamente acompanham a salvação, do mesmo modo que os confortos físicos são uma indicação das bênçãos de Deus. Os crentes não são salvos de um disconforto físico, mas são salvos para testemunharem, conforme lemos em João 15:27.
x) João 17:9 "Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me tens dado, porque
são teus."
Esse versículo fortemente suporta o ensino de que dentro da raça humana, Deus soberanamente elegeu algumas pessoas para a salvação conforme lemos em Romanos 9:18 que diz, "Portanto, tem misericórdia de quem quer, e a quem quer endurece." As pessoas que não aceitam essa idéia e dizem que as palavras, "por aqueles que me tens dado" se referem a apenas os 11 discípulos, como se Jesus estivesse focalizando a sua tarefa especial como apóstolos. É verdade que os 11 discípulos foram dados ao Filho pelo Pai, mas ainda assim, esse versículo diz respeito a todos os eleitos de todas as nações. Essa visão é apoiada por João 17:2 como lemos, "Assim como lhe deste autoridade sobre toda carne, para que dê a vida eterna a todos aqueles que lhe tens dado." E não apenas isso, mas nós lemos em João 17:9 que Jesus exclui a palavra "mundo" das Suas orações. Portanto, a palavra "mundo" é usada para fazer referência aos não eleitos para os quais Jesus não foi enviado e que são Seus inimigos. É verdade que mais adiante em João 17:20 Jesus fala do esforço evangelístico que deveria ser feito para anunciar o evangelho ao mundo. Entretanto, na ordem de evangelizar, Jesus se refere àqueles indivíduos no mundo que vão crer pela graça de Deus, "por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim." Eles podem estar "no mundo" como o versículo 18 afirma, mas o povo de Deus aqui não é chamado de "mundo".
z) João 19:15 "Mas eles clamaram: Tira-o! tira-o! crucifica-o! Disse-lhes Pilatos: Hei de crucificar
o vosso rei? Responderam os principais sacerdotes: Não temos rei, senão César."
Existe uma grande similaridade entre a rejeição de Jesus pelos judeus e a rejeição da soberania de Deus através da história. Eles diziam, "Não temos rei senão César" e isso era verdadeiro no sentido mais profundo das palavras. Jesus não era o Rei da sua nação política e também não era Senhor das suas vidas, no sentido de que eles não desejavam fazer a Sua vontade, embora Ele seja o Senhor de todos, Criador e Juiz. Mas no final eles vão ter que dar contas de suas vidas no dia do julgamento por causa de seus pecados. O maior princípio é que todas as nações estão no mesmo nível diante de Deus.
aa) João 20:17 "Disse-lhe Jesus: Deixa de me tocar, porque ainda não subi para o Pai; mas vai
a meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus."
Aqui nessa passagem Jesus não está preocupado no sentido do contato físico. Além do mais, Jesus permitia ser tocado por outras pessoas. De acordo com I Coríntios 7:1 e 2, a idéia por trás das palavras "tocar" é de um relacionamento romântico entre um homem e uma mulher quando o tocar é um contato físico que se desenvolve em um forte relacionamento íntimo reservado para o casamento. O tocar está apontando para a consumação do casamento. Entretanto, Jesus não possuia e vista nehuma idéia romântica ou física em vista. Jesus estava usando a palavra "tocar" como uma representação do relacionamento espiritual entre Ele e a Sua noiva, que é a igreja resumida em todos os verdadeiros crentes. Maria como crente, e como mulher, é uma representação de todos os crentes.
A idéia de João 20:17 é que a igreja não pode esperar a festa do casamento e a consumação da salvação no momento da ressurreição de Jesus. O plano do evangelho não estava consumado quando Jesus estava diante de Maria. Um dia será consumado e aí eles poderão se tocar, isto é, a noiva de Cristo e Cristo consumarão o casamento. Mas até lá ainda há trabalho para ser feito. Como Ele fala nesse versículo, "mas vai.... e dize-lhes". O que precisa ser feito agora é anunciar o evangelho ao mundo. Mais tarde, o tempo de anunciar o evangelho terá passado e a igreja estará com Jesus para sempre no céu.
bb) João 20:31 "Estes, porém, estão escritos pra que creiais que Jesus é o Cristo,
o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome."
Esse versículo não se aplica apenas ao evangelho de João, porque a Bíblia é um todo, escrita por um só Deus. A idéia desse versículo é que qualquer coisa que Deus tenha falado e que foi escrita tem uma dimensão evangelística. Não importa qual seja o assunto, se ele está na Bíblia, uma pessoa que esteja buscando o Senhor será capaz de ler e encontrar a mensagem do evangelho, conforme lemos em II Timóteo 3:16 que diz, "Toda escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça."
Com isso concluimos a nossa pesquisa do evangelho de João. Esperamos que esse breve estudo possa lhe
ajudar a compreender e lhe encorajar a estudar esse livro por si mesmo. E que o Senhor possa lhe abençoar
ricamente de acordo com a Sua Palavra.