O Batismo
A purificação dos nossos pecados





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qualificado para continuar como sumo sacerdote para oferecer o Cordeiro em sacrifício.


Jesus é ungido

    Jesus agora está limpo, mas Ele não pode ainda oferecer o sacrifício. Outra ação deve ser realizada. No Velho Testamento, os sacerdotes eram ungidos com óleo depois de serem lavados. Assim, eles poderiam ser consagrados a servir como sacerdotes (Êxodo 30:22-31). O óleo simbolizava o Espírito Santo pairando sobre o sacerdote para qualifica-lo para a tarefa sagrada à qual ele deve se dedicar.
    Mas Jesus era Deus. E como tal, Ele estava completamente em consonância com o Espírito Santo. No Livro aos Colossenses capítulo 2, versículo 9, lemos: “Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade”. Por que, então, Ele deve ser ungido com o Espírito Santo?
    Lembremo-nos que Ele se tornou pecador por nossa causa. Ele se identificou com a humanidade pecadora. Ele deve seguir o caminho do sacerdote do Velho Testamento. Por Ele ser o sumo sacerdote eterno, a consagração não seria com o mesmo óleo que era exatamente o símbolo da consagração do Espírito Santo. Ele foi ungido pelo próprio Espírito Santo na presença de testemunhas. Os céus se abriram assim que Ele emergiu da água. Em Mateus capítulo 3, versículo 16, nós lemos:

E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele.


    Ele estava consagrado para a sua missão. No Livro dos Atos, capítulo 10, versículo 38, Pedro disse: “Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude”. Ele estava purificado e ungido. Ele estava preparado para oferecer o sacrifício pelos pecados.
    Até aqui, nós percebemos que batizar com água era uma das maneiras de ser purificado do pecado de acordo com a lei do Velho

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Testamento. Nós constatamos, também, que batismo significa ablução ou purificação. O batismo de João Batista era muito semelhante também, mas por ser muito mais intenso, o cerimonial de purificação do Velho Testamento foi utilizado por Deus para preparar Jesus para a Sua missão como o nosso eterno sumo sacerdote.


Para satisfazer a santidade e a justiça infinitamente perfeitas de Deus, Ele teve que pagar a punição que era igual ou equivalente à morte eterna para cada pecador que Ele veio salvar.



Jesus é purificado dos nossos pecados

    Para continuar o nosso estudo do significado do batismo no Novo Testamento, nós devemos voltar a nossa atenção para Jesus. Conforme já vimos, Ele se tornou um pecador por nossa causa (II Coríntios 5:21). Foi como se Ele tivesse assumido todos os pecados até daqueles que nunca viveram, e dos que Nele acreditavam. Ele teve que lidar com um enorme e opressivo carregamento de pecados. Para satisfazer a santidade e a justiça infinitamente perfeitas de Deus, Ele teve de pagar a punição que era igual ou equivalente à morte eterna para cada pecador que Ele veio salvar.
    Como Cristo se purificava dos nossos pecados? Um requisito básico era que com o derramamento de sangue por si só não poderia haver a remissão dos pecados. O Seu sangue, portanto, devia ser semeado. Isto é, Ele devia dar a Sua vida como prova derradeira do sofrimento merecido por todos que Ele veio salvar.
    Tal punição precisava ser igual à condenação eterna em favor de cada um dos crentes. A Sua morte era necessária, e como aprendemos anteriormente, tratava-se da segunda morte, a condenação eterna; era essa a exigência.
    Ele sofreu os tormentos do inferno equivalente ao sofrimento necessário por todos aqueles eleitos por Ele para serem salvos passando a eternidade no inferno. Ele teve que oferecer a Si mesmo como o único acima da ira de Deus que estava para ser derramada. O inferno é chamado de a fornalha de fogo. Jesus diz em Mateus, capítulo 13, versículo 42: “E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali

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haverá pranto e ranger de dentes”. Assim, as sombras da expiação do Velho Testamento, que eram o derramamento de sangue e o holocausto, foram completamente cumpridas por Cristo, pois Ele espalhou o Seu sangue e se deu em holocausto para ser punido pelo fogo do inferno. Não é surpresa, portanto, que Jesus diga em Lucas, capítulo 12, versículos 49 e 50:

Vim lançar fogo na terra; e que mais quero, se já está aceso? Importa, porém, que seja batizado com um certo batismo; e como me angustio até que venha a cumprir-se!


    O fogo a ser aceso seria aquele no qual Ele mesmo seria oferecido como o Cordeiro do sacrifício. Por ter assumido os nossos pecados, Ele precisava ser purificado. Portanto, Ele corretamente chama o sacrifício para o pecado de batismo, isto é, uma limpeza ou purificação.
    Lembremo-nos que a Bíblia ensina que os pecados dos eleitos estavam agregados a Ele. Isaías, no capítulo 53, versículos 5 e 6, afirma:

Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos.


    Assim, ao assumir a natureza humana, estava carregado com uma carga extrema de pecados apesar de Ele próprio permanecer sem pecado. O capítulo 5, versículo 21, do Segundo Livro aos Coríntios, ensina:

Aquele que não conheceu o pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.


Como Jesus foi purificado?

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    Como esses pecados foram removidos de Jesus? Esses pecados deviam ser purificados. Mas, como? Deus poderia, por meio de um decreto divino remover simplesmente todos os pecados e culpas de Jesus? A resposta é um enfático não! Assim como uma ação poderia ser uma violação terrível da perfeita justiça de Deus.


Cristo se submeteu ao julgamento de Deus para se ver livre da imensa carga de pecados que Lhe havia sido determinada.



    A única maneira encontrada por Jesus para remover os pecados foi submeter-se totalmente à ira de Deus, estabelecida como punição aos pecados. Somente se essa punição estabelecida pela lei de Deus fosse totalmente paga, Jesus poderia novamente entrar no paraíso divino.
    No capítulo 12, versículos 49 e 50, do Livro de Lucas, Jesus fala sobre esse assunto. O versículo 49 afirma que Jesus veio para lançar fogo sobre a terra. Na Bíblia, a palavra “fogo”, invariavelmente, aponta para o julgamento de Deus sobre o pecado. Cristo se submeteu ao julgamento de Deus para se ver livre da imensa carga de pecados que Lhe havia sido determinada. Nesse versículo, Ele afirma que o ato de se submeter ao julgamento de Deu se iniciaria em breve. Assim, como já vimos anteriormente, Ele enfatiza, no versículo 50, ter sido batizado (lembrando-nos que a palavra “batismo” sempre significa purificação), e que Ele está limitado (pressionado ou reprimido) até a sua consumação.
    Deixamos bem claro que a única maneira que Jesus poderia ser purificado de todos os pecados seria se submeter à ira de Deus como punição por todos aqueles pecados. É essa a purificação (o batismo) que Ele deseja. Somente depois de purificar-se desses pecados, Ele retornaria aos céus.
    Agora podemos entender o que Jesus está dizendo a Tiago e João, no capítulo 10, versículos 38 e 39, do Livro de Marcos:

Mas Jesus lhes disse: Não sabeis o que pedis; podeis vós

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beber o cálice que eu bebo, e ser batizados com o batismo com que eu sou batizado? E eles lhes disseram: Podemos. Jesus, porém, disse-lhes: Em verdade, vós bebereis o cálice que eu beber, e sereis batizados com o batismo com que eu sou batizado.


    A esses dois discípulos, que representam os crentes, Jesus está dizendo que eles bebem no mesmo cálice que Ele e que serão batizados da mesma forma que Ele foi batizado.
    Como entendermos essa questão? Nós sabemos que o cálice que Jesus deve beber era a ira total de Deus derramado sobre Jesus como punição por todos os pecados jogados sobre Ele. Mas os cristãos experimentaram a ira de Deus? Seria o caso de se pensar que, neste caso, Jesus diga: Em verdade, vós bebereis o cálice que eu beber”.
    A resposta a essas questões pode ser entendida quando nós percebemos que Jesus sofreu a ira de Deus em nosso lugar, como se fosse o nosso reserva. Quando Deus derramou a Sua ira em Jesus, pensou-se que Ele estava fazendo isso sobre cada indivíduo cujos pecados foram colocados sobre Jesus. Portanto, quando Jesus sofreu a ira total de Deus, significa que todos aqueles cujos pecados foram assumidos por Ele tinha também sofrido a ira de Deus por seus pecados.
    Quando Jesus pagou por aqueles pecados, aqueles pecados foram lavados de Jesus por ele próprio. Eles foram também lavados daqueles que Ele veio salvar, pois eram deles os pecados dos quais Jesus foi purificado. Por isso a Bíblia pode dizer: Portanto agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito.
    Agora podemos entender a frase no Livro de Marcos, capítulo 10, versículo 39: “E eles lhes disseram: Podemos. Jesus, porém, disse-lhes: Em verdade, vós bebereis o cálice que eu beber, e sereis batizados com o batismo com que eu sou batizado”.
    Com a purificação dos pecados que foram derramados sobre Jesus, nós fomos purificados dos nossos pecados, pois Jesus pagou totalmente por todos eles. Nós que acreditamos Nele tivemos os nossos pecados purificados (batizados).

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Quando Deus derramou a Sua ira em Jesus, pensou-se que Ele estava fazendo isso sobre cada indivíduo cujos pecados foram colocados sobre Jesus.



Nós somos batizados em Sua morte

    Agora podemos entender o que diz o capítulo 6, versículos 3 a 6, do Livro aos Romanos:

Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição. Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado.


    O batismo mencionado nesses versículos não se refere ao batismo com água como comumente se acredita. Ele se refere à experiência de purificação de Jesus ao se submeter à ira de Deus pelos nossos pecados.
    Nós somos batizados em Jesus Cristo. Isto é, em Sua morte, pois dentre os pecados que foram Nele lançados estavam os meus pecados. Ele foi limpo ou purificado deles enfrentando a segunda morte, a condenação às penas eternas. Portanto, já que os pecados eram meus, fui eu batizado (purificado) ou limpo deles.

O sepultamento: a prova da morte

    O versículo 4 afirma:” fomos sepultados com ele pelo batismo na morte”. Qual é o significado da palavra “sepultamento”? Vamos examinar esta questão.

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    Quando Adão e Eva estavam no Jardim do Éden, foi-lhes dito que no dia em que comessem do fruto proibido eles, com certeza, morreriam (Gênesis 2:17). O dia em que eles comeram do fruto, eles não morreram fisicamente, pois depois disso, Adão teve muitos filhos e morreu com a idade de 930 anos.
    Entretanto, no dia em que eles comeram do fruto proibido, eles morreram espiritualmente. Naquele momento, eles se tornaram o alvo da maldição de Deus, ficando, assim, sujeitos à morte física. Na verdade, toda a criação estava sob a maldição de Deus, portanto a morte física atinge tanto animais quanto ao homem.


Por ter sido o homem criado à imagem de Deus, e, portanto, responsável pelos seus atos perante Deus, a maldição trouxe a Sua ira sobre a humanidade.



    E falou o Senhor a Moisés, dizendo: Fará também uma pia de cobre com a sua base de cobre, para lavar; e a porás entre a tenda da congregação e o altar, e deitarás água nela. E Arão e seus filhos nela lavarão as suas mãos e os seus pés. Quando entrarem na tenda da congregação, lavar-se-ão com água, para que não morram, ou quando se chegarem ao altar para ministrar, para acender a oferta queimada ao Senhor. Lavarão pois as suas mãos e os seus pés, para que não morram; e isto lhes será por estatuto perpétuo a ele e à sua semente nas suas gerações.
    Essa purificação das mãos e pés dos sacerdotes era necessária, pois os sacerdotes eram culpados. Ao se lavar, ele estava limpo, de acordo com o cerimonial, podendo, assim, vir à presença do Senhor e oferecer o seu sacrifício.
    Essa purificação das mãos e pés dos sacerdotes era necessária, pois os sacerdotes eram culpados. Ele próprio era um pecador. Ao se lavar, ele estava limpo, de acordo com o cerimonial, podendo, assim, vir à presença do Senhor e oferecer o seu sacrifício.
    O fato que lavando com a água relacionada à purificação do pecado pode ser adicionado a outras referências do Velho Testamento.

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O leproso que foi curado foi limpo depois de ter lavado suas roupas e banhado o seu corpo (Levítico 14:9). A absolvição do corpo de uma pessoa a torna dela impura diante de Deus (Levítico 15:2). Quando a sua absolvição fosse ordenada, “contar-se-ão sete dias para a sua purificação, e lavará os seus vestidos, e banhará a sua carne em águas vivas, e será limpo”. (Levítico 15:13).
    Comer um animal morto de forma natural era um pecado (Levítico 22:8), mas a pessoa culpada poderia ser limpa pela purificação, tal como lemos em Levítico capítulo 17, versículos 15 e 16:

E toda a alma entre os naturais, ou entre os estrangeiros, que comer corpo morto ou dilacerado, lavará os seus vestidos, e se banhará com água, e será imunda até à tarde; depois será limpa. Mas, se os não lavar, nem banhar a sua carne, levará sobre si a sua iniqüidade.


    Um exemplo conclusivo do uso da água para purificação no Velho Testamento é dado no capítulo 8, versículos 6 e 7, do Livro dos Números:

Toma os levitas do meio dos filhos de Israel, e purifica-os. E assim lhes farás, para os purificar: esparge sobre eles a água da expiação; e sobre toda a sua carne farão passar a navalha, e lavarão os seus vestidos, e se purificarão.


    Essa purificação pela água era seguida pelo holocausto e uma de expiação do pecado (Números 8:8-13). Assim, notamos que Deus usou o derramamento de sangue, o holocausto e a purificação pela água significando a limpeza espiritual.
    Assim, notamos que Deus usou o derramamento de sangue, o holocausto e a purificação pela água significando a limpeza espiritual.
    Infelizmente, havia um sério problema ligado a esses símbolos de purificação do Velho Testamento. Enquanto o crente pudesse ser ungido com água, oferecer um sacrifício de sangue e fazer um holocausto, e ser, de acordo com o cerimonial, purificado dos seus pecados, ele nunca foi permanentemente purificado o que identifica

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com vida eterna. Ele teve que oferecer os mesmos sacrifícios repetidas vezes. O sumo sacerdote teve “de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos do povo; (Hebreus 7:27). No Livro aos Hebreus, capítulo 10, versículos 1 a 3, lemos:

Porque, tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os eu a eles se chegam. Doutra maneira, teriam deixado de se oferecer, porque, purificados uma vez os ministrantes, nunca mais teriam consciência de pecado. Nesses sacrifícios, porém, cada ano se faz comemoração dos pecados.


    Ofertas e sacrifícios eram oferecidos, como lemos em Hebreus capítulo 9, versículos 9 e 10:

Que é uma alegoria para o tempo presente, em que se oferecem dons e sacrifícios que, quanto à consciência, não podem aperfeiçoar aquele que faz o serviço. Consistindo somente em manjares, e bebidas, e várias abluções e justificações da carne, impostas até ao tempo da correção.



Como João Batista se insere nessa imagem? Era o batismo realizado por ele parte das purificações do Velho Testamento ou é algo novo sendo introduzido?



    Portanto, a Bíblia mostra, claramente, a necessidade de uma purificação permanente, estabelecida de modo permanente por meio da Sua morte na cruz.
    Além disso, há muito tempo nós aprendemos que as ações das assembléias do Velho Testamento, que aguardavam a vinda do Messias para a purificação dos pecados, incluiu as ofertas de sangue, os holocaustos e a purificação com água. Purificar com água incluía

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aspersão, lavagem das mãos e pés e até mesmo do corpo inteiro.
    Após revermos esses modos de purificação do Velho Testamento, a próxima questão a ser discutida é: como João Batista se insere nessa imagem? O batismo realizado por ele fazia parte das purificações do Velho Testamento ou é algo novo sendo introduzido?
    À medida que avançarmos o nosso estudo, olharemos esse assunto com atenção.

A morte física não apaga o pecado

    É verdade que a morte física do homem e o seu sepultamento não apagam a punição do pecado? A Bíblia, no Livro aos Hebreus, capítulo 9, versículo 27, diz:

E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez vindo depois disso o juízo.


    Quando chegar a hora de nossa morte não deveremos pensar na morte física. A morte à qual a humanidade está destinada é aquela “vivida” por Adão quando ele pecou. No capítulo 15, versículo 22, do Primeiro Livro aos Coríntios, nós lemos: “Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo”. Como já vimos anteriormente, Adão morreu espiritualmente ao ser submetido à maldição de Deus.


... bilhões de pessoas nunca experimentarão a morte física...



    O fato de que a morte física não pode ser um objetivo no Livro aos Hebreus, capítulo 9, versículo 27, e que ela não é parte do pagamento pelo pecado, pode ser visto por, pelo menos, em três razões muito fortes.
    A primeira delas é o fato de que bilhões de pessoas nunca experimentarão a morte física. Quando Cristo vier no último dia, e cada um olhar para Ele, os bilhões de pessoas que deixarão a terra

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naquele momento serão levadas diante do trono do julgamento de Deus para responder pelos seus pecados. Elas não terão experimentado a morte física e além de serem punidas pelos seus pecados, elas passarão a eternidade no inferno.
    A segunda razão pela qual sabemos que a morte física não faz parte do nosso pagamento pelos nossos pecados pode ser vista quando nós examinamos a salvação de um indivíduo. Deus insiste que todo o trabalho para a redenção era desempenhado por Cristo. No Segundo Livro aos Coríntios, capítulo 5, versículo 21, nós lemos:

Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.


    A Bíblia afirma no Livro aos Efésios, capítulo 2, versículos 8 a 10:

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.


    Com base nesses versículos, assim como em muitos outros, nós percebemos que ao sermos salvos, a punição que a justa lei de Deus exige tem que ser totalmente paga. Não há nada que possamos fazer para ajudar na punição.
    Se a morte física fosse parte do pagamento pelo pecado, os cristãos não poderiam morrer fisicamente. A justiça divina seria inteiramente violada se todos aqueles pecados encobertos por Cristo devessem mesmo a menor parte da punição pelo pecado.
    O que acontece ao evangélico após a sua salvação? Durante 13 mil anos, os cristãos têm morrido fisicamente. Desde que a punição pelos seus pecados estivesse inteiramente cumprida antes de sua morte, é óbvio que a sua morte física não tinha nada a ver com a punição pelos seus pecados. Ou melhor, a sua morte física é a evidência ou a prova de que eles estiveram sob a maldição de Deus, e, conseqüentemente, sob a Sua ira.

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    Na verdade, enquanto judicialmente a punição pelos seus pecados está cem por cento completa, a aplicação em suas vidas é apenas parcial. Eles receberam a vida eterna em suas novas almas ressuscitadas. Eles devem continuar a sobreviver em um corpo que ainda carrega a evidência da maldição de Deus. Isso está provado, pois eles morrem fisicamente, e os seus corpos decadentes devem ser queimados.
    Quando refletimos sobre a redenção, nós observamos uma terceira razão pela qual a morte física não pode ser uma parte da punição ao pecado. Nós percebemos que a punição ao pecado estava totalmente paga antes de Jesus morrer fisicamente. Este é um fato muito importante, e, portanto, nós o examinaremos com muito cuidado.

A morte física de Jesus: não uma punição pelo pecado

    A maioria dos estudantes da Bíblia talvez fiquem surpresos ou até mesmo ofendidos com a idéia de que a morte física de Jesus não foi parte da punição ao pecado. Entretanto, ao observarmos cuidadosamente a crucificação, concluímos que não foi a Sua morte física que pagou por nossos pecados. Ao invés disso, a punição foi realizada porque ele enfrentou uma morte infinitamente superior que a morte física: a segunda morte, a condenação eterna.
    Para entender a verdade dessa questão, devemos observar com cuidado a crucificação. Um apelo derradeiro veio de Jesus um pouco antes da Sua morte física: “Está consumado” (João 19:30).


Neste estudo, nós aprenderemos que a morte física de Jesus não foi uma parte da punição ao pecado.



    O que estava consumado? Fisicamente, Ele estava vivo, ainda havia sangue em Seu corpo. A resposta é que a punição lançada sobre Ele por causa dos nossos pecados, os quais Ele assumiu, tinha sido totalmente paga. Como vimos anteriormente, a Sua morte física

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não poderia ter sido parte da punição. Se a Sua morte física tivesse sido parte da punição, então aqueles a quem Ele veio salvar não poderiam passar pela morte física.
    Como então entendermos todos os acontecimentos que se seguiram ao seu apelo “Está consumado?”
    Antes de Jesus gritar “Está consumado”, Cristo havia sofrido tanto quanto Deus lançou a Sua ira sobre Ele. No Jardim Getsêmani, afastado de todos, em Sua agonia o suor brotou de Seu corpo em grandes gotas de sangue (Lucas 22:44). No Livro de Mateus, capítulo 26, versículo 38, nós lemos que Ele gritou: “A minha alma está cheia de tristeza até à morte”. E Mateus, no capítulo 26, versículo 39, nos conta:

“E, indo um pouco mais diante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível passe de mim esse cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres.


    Jesus estava bebendo do cálice amargo da eterna ira de Deus que nós, a quem Ele veio salvar, também deveríamos beber.
    O seu sofrimento chegou a um clímax quando Ele, crucificado, clamou: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mateus 27:46). Todos esses versículos nos falam que Jesus estava sofrendo a total ira de Deus, pela qual todo a quem Ele veio salvar deveria também passar.
    Quando Jesus gritou “Está consumado”, a justiça de Deus foi satisfeita. Não havia mais punição a ser paga.
    Como devemos, então, interpretar a Sua morte física e o Seu sepultamento? No Livro de Mateus, capítulo 12, versículo 40, nós lemos: “assim estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra”. A frase o coração da terra, assim como a frase ”as partes mais baixas da terra” (Efésios 4:9), um sinônimo para o inferno? É verdade que os três dias e as três noites incluem todo o período de tempo a partir da manhã da terça-feira no Jardim Getsêmani até a manhã de domingo, quando Jesus se levantou?
    Essas afirmações são verdadeiras. Mesmo quando Jesus disse “Está consumado”, era quase noite de sexta-feira, a menos de vinte e quatro horas depois de Ele ter começado a Sua agonia pelos nossos

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pecados. Como harmonizar tais fatos contraditórios?

As duas fases da expiação

    Eles podem ser harmonizados se nós entendermos que existem duas partes incluídas na expiação. A primeira era o efetivo sofrimento dos tormentos do inferno quando Cristo vivenciou a terrível ira de Deus. Essa parte começou no Jardim Getsêmani e terminou quando Cristo gritou “Está consumado”. A segunda parte foi o tempo durante o qual Cristo deu evidências ou provas que Ele realmente havia pago totalmente a punição pelos nossos pecados. Essa parte começou na hora que Ele gritou “Está consumado”, e terminou com a Sua ressurreição.
    Essas duas partes compunham a expiação e, por essa razão, se identificam com os três dias e as três noites no coração da terra.
    Examinemos, com atenção, todos os acontecimentos que se seguiram imediatamente à Sua exclamação “Está consumado”. Nós daremos inúmeras provas de que a punição ao pecado foi totalmente paga até o momento que Ele exclamou “Está consumado”.
    A primeira prova é que, logo após Ele exclamar “Está consumado”, o Seu espírito deixou o Seu corpo, isto é, Ele morreu fisicamente. No capítulo 24, versículo 46, do Livro de Lucas, lê-se:

E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse e ao terceiro dia ressuscitasse dos mortos.


    Ao considerarmos essa informação, devemos ter em mente que Jesus veio como o Filho de Deus e tomou a forma humana para que como o Filho de Deus e Filho do Homem, Ele pudesse suportar os nossos pecados. Quando Deus O estava punindo pelos nossos pecados, Ele teve de ser punido como Deus-homem. E Ele, tanto em Sua natureza divina quanto na natureza humana, foi punido pelos nossos pecados.
    Quando Ele afirmou: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito (Lucas 23:46), Ele não era mais uma pessoa completa dependurada na cruz. Momentos antes, Ele prometeu ao ladrão crucificado ao seu lado, dizendo: “E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje

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estarás comigo no Paraíso” (Lucas 23:43). Portanto, quando o ladrão morreu, o seu corpo ainda estava na cruz, mas a sua alma ou a essência do seu espírito já estavam no paraíso. Esta é a experiência de cada evangélico; no momento da morte, a nossa alma deixa o nosso corpo e vai reinar junto com Cristo no paraíso.
    Assim, seria óbvio que Jesus, ao encomendar o Seu espírito nas mãos do Seu Pai, não mais fosse uma pessoa completa embora o Seu corpo ainda estivesse dependurado na cruz. Algumas partes da Sua individualidade deixaram o Seu corpo e foram para o paraíso. Saliente-se que nós lemos a palavra “corpo” no Livro de Mateus capítulo 27, versículos 58 e 59; em Marcos capítulo 15, versículos 43 e 45; Lucas capítulo 23, versículos 52 e 55; Lucas capítulo 24, versículo 3; e João capítulo 19, versículos 38 e 40. Deus está certamente ressaltando a importância da palavra “corpo”. No capítulo 19, versículo 38, do Livro de João, observa-se esses aspectos:

Depois disto, José de Arimatéia (o que era discípulo de Jesus, mas oculto, por medo dos judeus) rogou a Pilatos que lhe permitisse tirar o corpo de Jesus. E Pilatos lho permitiu. Então foi e tirou o corpo de Jesus.


    Espiritualmente, Ele foi para o paraíso. O Seu corpo foi colocado no túmulo. Assim, a partir daquele momento, Ele não era mais uma pessoa completa. Portanto, Ele não poderia mais ser punido pelo pecado.
    Ao invés disso, a Sua morte física foi a evidência ou a prova que Ele estivera sob a maldição de Deus, como afirma o capítulo 3, versículo 13, do Livro aos Gálatas: “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro”. Anteriormente, nós aprendemos que a morte física de Adão foi a prova que ele e a humanidade estiveram sob a maldição de Deus.
    Além disso, quando Jesus entregou o Seu espírito nas mãos do

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Seu Pai, era um cumprimento à profecia do Livro dos Salmos, capítulo 16, citada em Atos capítulo 2, versículo 27, onde lemos:

Pois não deixarás a minha alma no Hades...



Até que Jesus clamasse “Está consumado”, como uma pessoa inteira, Ele se encontrava no inferno.



    Até que Jesus clamasse “Está consumado”, como uma pessoa inteira, Ele se encontrava no inferno. Isto é, Ele estava sendo punido enquanto a ira de Deus era lançada sobre Ele. Quando Ele clamou “Está consumado”, Ele recebeu a punição máxima da ira de Deus. Como o Filho de Deus e como o Filho do Homem, Ele sofreu intensamente a terrível ira de Deus, que teria sido lançada sobre aqueles a quem Jesus veio salvar.
    Conseqüentemente, Ele não mais estava sob a ira de Deus, e em Seu espírito, Ele deixou o Seu corpo na cruz e dirigiu-se aos céus. Isso provou que Ele havia terminado a sua missão de pagar pelos pecados dos eleitos. O Livro de Atos, capítulo 2, versículo 31, usa uma linguagem que fala dessa verdade:

Nesta previsão, disse da ressurreição de Cristo: que a sua alma não foi deixada no Hades....


    De fato, Deus está afirmando que a prova que Cristo poderia ter ressuscitado é que Ele, em Seu Espírito ou alma, tinha ido ao Pai.

Sangue e água saem do corpo de Jesus

    A segunda evidência ou prova que a punição para o pecado havia sido totalmente paga é observar a atitude do soldado ao enfiar a lança em um dos lados do corpo morto de Jesus. João, no capítulo 19, versículo 34, afirma:

    Capítulo 1
42

Contudo, um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.


    Nessa ação, Deus demonstra que a punição para o pecado tinha sido totalmente paga. A lança nas mãos do soldado representa a lei de Deus que, judicialmente, declarou Jesus culpado. Todos os pecados lançados sobre Ele eram transgressões à lei de Deus. Quando Jesus voltar no fim do mundo para trazer o julgamento para os fracos, nós lemos no Livro do Apocalipse, capítulo 19, versículo 15 que: “e da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações”. De acordo com o capítulo 6, versículo 17, do Livro aos Efésios, aquela Espada era a Palavra de Deus.
    Assim, também, Jesus foi atingido duramente pelos nossos pecados. A Palavra de Deus estabeleceu a sua culpa.
    Notavelmente, por estar trespassado pelos nossos pecados, sangue e água saíram Dele. O sangue mostrou que Ele tinha, realmente, dado a Sua vida pelos nossos pecados. A água representava o Evangelho. No capítulo 7, versículos 37 e 38, Jesus diz:

E no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé, e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim, e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios dagua viva correrão do seu ventre.


    O Evangelho flui da redenção, do fato de que Cristo tinha pago totalmente pelos pecados de todos a quem Ele veio salvar.

... o furo da lança é a segunda prova dramática que a punição para o pecado tinha sido totalmente paga.


    Portanto, o furo da lança é a segunda prova dramática que a punição para o pecado tinha sido totalmente paga.
    A terceira evidência ou prova de que a punição tinha sido totalmente paga quando Ele clamou “Está consumado”, é observar o Seu sepultamento. Ao morrer, o homem é enterrado, o que configura a evidência ou prova de que ele fisicamente está morto; e Cristo, em Seu corpo, foi sepultado como prova de que Ele esta

    Capítulo 1
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fisicamente morto, provando-se, também, que Ele estava sob a maldição e a ira de Deus.

O corpo puro de Jesus

    A quarta evidência ou prova que a sentença foi totalmente paga quando Ele clamou “Está consumado”, está no fato que o Seu corpo não entrou em decomposição. Como já vimos anteriormente, os corpos dos cristãos são absolutamente sujeitos à decomposição, pois o impacto final da expiação não é aplicado às pessoas comuns até que recebamos a glorificação espiritual dos nossos corpos, o que acontecerá na ressurreição no último dia.
    Mas o corpo de Cristo não foi decomposto. No Livro dos Atos, capítulo 13, versículo 35, nós lemos:

Pelo que também em outro salvo diz: Não permitirás que o teu santo veja corrupção.


    Antes de clamar “Está consumado”, Jesus estava sob a maldição de Deus: Ele foi punido pelos nossos pecados, os quais Lhe foram lançados. Uma vez que os pecados foram totalmente punidos, a maldição e ira de Deus desapareceram, não há mais punição a ser infligida. A prova disso é a não decomposição do Seu corpo.
    Além do mais, o fato do Seu corpo não ter apodrecido no túmulo provou que não havia mais nada a ser feito em Sua missão de nos salvar. No Jardim do Getsêmani, o suor vazou do Seu corpo. O suor é produto de esforço realizado. Em Seu sofrimento, Cristo se esforçou ao extremo para nos salvar. No túmulo, o Seu corpo descansou. Nenhum esforço estava sendo realizado, pois a expiação foi totalmente completada quando Jesus disse: “Está consumado”.
    A quinta e última prova ou evidência que a punição foi cumprida é a ressurreição de Cristo que provou, sem sombra de dúvida, que a punição pelos pecados foi totalmente cumprida.
    É bom meditar sobre o que Deus diz no capítulo 1, versículo 3, do Livro dos Atos:

Aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo,

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com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias, e falando do que respeita ao reino de Deus.

    Assim como Deus deu muitas provas de que Jesus ressuscitou, Ele também deu muitas provas, antes da ressurreição, que a punição para o pecado foi totalmente cumprida. Essas provas são tão importantes que Deus fala da experiência de Jesus no Jardim do Getsêmani até a ressurreição como se Ele estivesse no coração da terra.


Essas provas são tão importantes que Deus fala da experiência de Jesus no Jardim do Getsêmani até a ressurreição como se Ele estivesse no coração da terra.



    Retomando o Livro aos Romanos, capítulo 6, versículo 4, nós lemos: “fomos sepultados com ele pelo batismo na morte”. Assim como o sepultamento de Cristo após a sua morte física foi a evidência de que Ele esteve sob a ira de Deus, assim também nós fomos batizados (purificados) dos nossos pecados e identificados com Ele em Seu sepultamento, como a evidência de que nós também estávamos sob a ira de Deus.
    Do mesmo modo, nós lemos em Romanos, capítulo 6, versículo 5:

Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição.


    Isto é, os nossos pecados foram completamente purificados por Cristo assim que Ele morreu pela segunda vez, a eterna ira de Deus. O cumprimento absoluto da punição é provado com a ressurreição de Cristo. Portanto, nós, que nos salvamos, experimentamos a ressurreição da morte espiritual à vida eterna como evidência de que todos os nossos pecados foram punidos.
    Todavia, o fato é que a nós, no momento da salvação, foi-nos

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concedidas almas ressuscitadas, das quais temos a vida eterna; é a prova que os nossos pecados foram completamente purificados. Mais adiante, em nosso estudo, nós nos deteremos mais sobre esse assunto.
    Assim, nós podemos entender o que diz o capítulo 2, versículos 11 e 12, do Livro aos Colossenses:

No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo da carne: a circuncisão de Cristo. Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos.


    Quando Jesus foi purificado (batizado) dos nossos pecados, estes também o foram da mesma forma, pois esses eram os meus e de todos aqueles que acreditam Nele. Assim, mesmo que Ele tenha sido sepultado e ressuscitado como prova de ter enfrentado a segunda morte, assim nós fomos sepultados e ressuscitamos com Ele. Ou, para falar de outra maneira, os nossos pecados foram cortados (ou circuncidados) quando Cristo cortou os pecados, pagando por eles. Nós nos identificamos com a Sua purificação (batismo) quando Ele passou pela segunda morte, o que provou a Sua morte física e o Seu sepultamento.
    Agora nós podemos entender Romanos, capítulo 6, versículo 6, onde lemos: “o nosso homem velho foi com ele crucificado”, isto é, o nosso corpo e a nossa alma. Judicialmente em toda nossa personalidade, os nossos pecados foram purificados. Assim, permanecemos inocentes diante de Deus, porque fomos envolvidos na honradez/generosidade de Cristo. Isto porque nós ainda estamos envolvidos pelo pecado nesta vida, nós não recebemos ainda os nossos corpos ressuscitados.
    Agora estamos prontos para entender o texto do capítulo 15, versículo 29, do Primeiro Livro aos Coríntios:

Doutra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos, se absolutamente os mortos não ressuscitam? Por que se batizam eles então pelos mortos?

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    O batismo citado nesse versículo é o vivido por Jesus ao pagar por nossos pecados, mas o batismo ou purificação é em nosso benefício por inteiro, não apenas das nossas almas, que são eternamente renovadas no momento da salvação. Aquela purificação (batismo) é também em favor dos nossos corpos mortos espiritualmente. A evidência de que os nossos corpos mortos estão incluídos nessa purificação é comprovada quando, no último dia, eles ressuscitarão como corpos glorificados, tal como enfatiza o capítulo 15 do Primeiro Livro aos Coríntios.

A importância do batismo

    Agora entendemos porque Jesus, no Livro de Marcos, capítulo 16, versículo 16, afirma:

Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.


    Obviamente, o batismo é a condição a qual deve ser encontrada para que nós possamos ser salvos. Certamente, isto não pode ser falando de água do batismo não é diferente da água física que lavará os nossos pecados. Isto se refere à purificação (batismo) que Jesus viveu ao pagar pelos nossos pecados. Se os pecados de alguém não tivessem sido lançados sobre o Senhor Jesus, tanto que Ele enfrentou a ira de Deus por todos e os seus pecados foram purificados, que ela não poderia ser salva. Mas aqueles foram salvos porque Jesus abraçou os seus pecados. Enfrentando a ira de Deus como punição, Jesus foi purificado. Portanto, a condição do batismo (purificação) tem sido o encontro para aquele indivíduo, e quando o Espírito Santo aplica a salvação de Deus à vida de alguém, ele está salvo. A evidencia da salvação é a presença da fé na vida do evangélico. Essa fé é um resultado da nossa fé em Deus.


Mas aqueles foram salvos porque Jesus abraçou os seus pecados.



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    Do mesmo modo, o batismo citado em Atos, capítulo 2, versículo 38, é exatamente o mesmo citado em Marcos, capítulo 16, versículo 16. O Livro de Atos, capítulo 2, versículo 38 registrou:

E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo.


    Mais uma vez devemos entender que a água do batismo não está em discussão. Trata-se apenas do batismo (purificação), o qual vivenciamos como Jesus tinha os nossos pecados, que, lançados sobre Ele, foram purificados. Somente quando Deus consagra essa purificação em nossas vidas nós somos salvos.
    A ordem para se arrepender e ser batizado é equivalente à ordem que Paulo deu ao carcereiro filipense, quando lhe disse para se converter.
    Todos aqueles citados no capítulo 2, versículo 38, do Livro de Atos, assim como o carcereiro estavam espiritualmente mortos. Eles eram totalmente incapazes de serem purificados dos seus pecados ou de se converter em cristãos de Cristo. Do mesmo modo, havia uma ordem para se arrepender. É verdade que uma pessoa pagã pode desviar-se de um ou outro pecado, mas arrepender-se do pecado é um resultado da salvação; nós todos devemos, juntos, seguir em direção oposta àquela que escolhemos. Uma pessoa espiritualmente morta não pode fazer isto.
    Portanto, acreditar, ser batizado (purificado de todos os pecados), arrepender-se, são ações exclusivas de Deus. Ele purifica os nossos pecados; Ele nos concede uma nova alma ressuscitada para que a nossa vida seja dedicada a servir a Deus; Ele nos dá a fé para que, doravante, acreditemos em Deus, isto é, unidos toda a nossa vida por Deus, acreditando que tudo o que a Bíblia diz é a mais pura e definitiva verdade.
    Da mesma maneira, agora entendemos a ordem dada a Paulo de Tarso depois de ele ter ficado cego por três dias, depois do seu encontro com Jesus. Nós lemos o que Ananias disse a Paulo em Atos, capítulo 22, versículo 16:

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E agora por que te deténs? Levanta-te, e batiza-te, e lava os teus pecados, invocando o nome do Senhor.


    Alguns podem concluir que esse versículo é a prova textual que a água do batismo seja uma exigência para a salvação. Mas como já aprendemos anteriormente, isto não é possível. Na verdade, não se faz menção à água nesse versículo, nem no em Atos capítulo 2, versículo 38. O fato é que o devoto Ananias, sob as ordens de Deus, ordenou a Paulo que ressuscitasse (tornar-se espiritualmente ressuscitado) e ser batizado (ser purificado dos seus pecados). Certamente, Saul não poderia fazer essas coisas. Somente a Deus isso é permitido, e assim podemos entender que este é o momento da salvação. Deus deve cumprir todo o trabalho de eleva-lo aos céus e purificar os seus pecados.
    A prova de ser este o momento em que Deus salvou-O pode ser lido no capítulo 9, versículo 18, do Livro de Atos:

E logo lhe caíram dos olhos como que umas escamas, e recuperou a vista; e, levantando-se, foi batizado.


    As escamas que caíram dos seus olhos lembram-nos a linguagem do Segundo Livro aos Coríntios, capítulo 3, versículos 14 a 16:

Mas os seus sentidos foram endurecidos. Porque até hoje o mesmo véu está por levantar na lição do velho testamento, o qual foi por Cristo abolido. E até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles. Mas, quando se converterem ao Senhor, então o véu se tirará.

    Em outras palavras, a queda das escamas dos olhos de Paulo significa a abertura dos seus olhos espirituais. Ele foi salvo e os seus pecados foram purificados.

Moisés batizou os Israelitas

    Outra referência ao batismo é encontrada no Primeiro Livro aos Coríntios, capítulo 10, versículos 1 a 5, no qual lemos que os

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    Israelitas foram batizados em Moisés na nuvem e no mar. Eis o texto:

Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar. E todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar. E todos comeram dum mesmo manjar espiritual. E beberam todos duma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo. Mas Deus não se agradou da maior parte deles, pelo que foram prostrados no deserto.


    Este texto indica que, fisicamente, todos os Israelitas estavam sob a mesma nuvem com Moisés e, portanto, estavam frente ao Juízo de Deus assim como Moisés. A nuvem de dia e a coluna de fogo à noite, que permaneceram com Israel por quarenta anos durante a travessia do deserto, foi uma constante lembrança que eles tiveram de responder a Deus por causa dos seus pecados. A protetora presença do Juízo de Deus foi revelada pela presença da nuvem. Neste trecho, Moisés é uma imagem de Cristo que, por causa dos nossos pecados, ficou sob o julgamento de Deus. Israel, que aqui representa todos os cristãos neste trecho está, em princípio, também sob o julgamento de Deus, pois somos identificados com Cristo que suportou a ira de Deus por causa dos nossos pecados. Por essa razão, nós somos lavados (purificados) em Cristo, assim como Israel foi identificado com Moisés na nuvem.
    Do mesmo modo, todos os Israelitas atravessaram o Mar Vermelho com Moisés. O Mar Vermelho era uma imagem do inferno. Moisés, por sua vez, é também uma imagem de Cristo, e atravessou o Mar Vermelho com o povo de Israel. Isto é, Cristo resistiu à ira de Deus pelos nossos pecados (atravessou o Mar Vermelho), e, conseqüentemente, nós fomos salvos (simbolizados por Israel), fomos lavados e purificados em Cristo (Moisés) porque com Ele nós, também, atravessamos o Mar Vermelho (o inferno).
    Assim, ambos, Moisés (Cristo) e os israelitas (aqueles que são salvos) atravessaram o inferno e voltaram do inferno (Cristo ressuscitou novamente), pois Cristo cumpriu inteiramente a punição determinada por Deus para os nossos pecados.

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    Os egípcios, que simbolizavam os não cristãos, foram afogados no Mar Vermelho, simbolizando, assim, a segunda morte, a condenação eterna. Mas Israel foi batizado (purificado) em Moisés, na nuvem e no mar (I Coríntios 10:2). Eles não foram destruídos por Deus nem pelo Mar Vermelho como os egípcios, porque Cristo estava com eles e, verdadeiramente, suportando a ira de Deus.


Ao sermos purificados dos nossos pecados, nós somos identificados com Cristo assim como Ele defrontou-se com o Juízo de Deus e como Ele, com êxito, voltou da condenação eterna, pois Ele cumpriu totalmente a punição pelos nossos pecados, determinada pela lei de Deus.



    Por ter sido o homem criado à imagem de Deus, e, portanto, responsável pelos seus atos perante Deus, a maldição trouxe a Sua ira sobre a humanidade. A maldição e a ira de Deus incluíram que se, depois de ser justamente colocado à prova e considerado culpado, ele poderia ser punido sendo condenado para sempre ao inferno, que é chamado de a segunda morte no Livro do Apocalipse, capítulo 20, versículo 14, e esta é a punição que a humanidade encara por causa dos seus pecados.
    Assim, nós sabemos que a morte física não é pagamento pelo pecado. Pelo contrário, a morte física é a evidência ou a prova que o homem surgiu sob a maldição de Deus, assim como a humanidade também está sob essa maldição. Por essa razão, a morte física do homem provoca-lhe alguma decadência enquanto ele viver, e apodrecendo totalmente quando ele morre. A degradação é tão repulsiva que o cadáver deve ser queimado ou até mesmo destruído. Portanto, o sepultamento é a prova de que o indivíduo morreu, o que evidencia ou prova que ele estava sob a maldição de Deus e deve ser tentado em um futuro próximo, diante do trono do julgamento de Deus, quando a sentença da condenação eterna lhe será, enfim, determinada.


CAPÍTULO 2