O Batismo
A purificação dos nossos pecados





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Capítulo 1


    Há muitas palavras na Bíblia que, freqüentemente, são mal entendidas pelos teólogos ou estudantes dos textos bíblicos. Palavras, como Israel, e expressões - promessas divinas, renascimento, bem-aventuranças, derramamento de sangue, etc. -, estão entre aquelas cujo sentido é, freqüentemente, confundido por muitas pessoas. Entre elas, uma sobressai entre as demais: a palavra batismo. Infelizmente, a não compreensão da palavra batismo tem levado, constantemente, a ensinamentos equivocados em relação à natureza da salvação. Portanto, é indispensável que entendamos com clareza o ensinamento Bíblico sobre o significado do batismo.


Infelizmente, a não-compreensão da palavra batismo tem levado, freqüentemente, a ensinamentos equivocados em relação à natureza da salvação.



Como nós entendemos a palavra Batismo?

    À medida que examinamos como a Bíblia fala em batismo, nós podemos entender facilmente porque há tanta controvérsia e equívoco em relação ao assunto batismo.
    João Batista foi batizado para a remissão dos pecados (Marcos 1:4). Jesus foi batizado pelo Espírito Santo (Mateus 3:11). Ele foi batizado por João Batista mesmo sem possuir nenhum pecado (Mateus 3:16). Jesus, assim como no batismo, também teve uma experiência em relação à crucificação a qual foi compartilhada com os discípulos (Marcos 10:39). Os crentes são batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mateus 28:19). Eles eram batizados em Cristo (Romanos 6:13), em nome de Cristo (Atos 2:38), em nome do Senhor Jesus (Atos 19:5), e em nome do Senhor (Atos 10:48). Em Marcos - capítulo 16 versículo 16 - e em Atos - capítulo 2 versículo 38 -, a Bíblia demonstra que o batismo é uma exigência para a salvação.

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    Realmente, o objetivo do batismo é confuso. Assim, neste estudo cada estudo e referência ao batismo será examinada para que possamos descobrir harmonia entre todos eles.
    Durante a nossa atividade de entendimento da palavra “batismo”, nós também aprenderemos mais sobre essa maravilhosa salvação. Deus é generoso e compassivo com aqueles que se salvarão. Nós aprenderemos muito mais sobre a crucificação e o que acontece às pessoas que são salvas.
    Como o nosso objetivo é tentar harmonizar cada referência bíblica ao batismo, é mais importante em primeiro lugar descobrir o significado bíblico da palavra “batismo”. Uma vez esclarecidos sobre o significado dessa palavra, nós seremos recompensados ao entendermos todas as referências Bíblicas à palavra em questão. E maravilhosamente, assim que entendermos o significado as referências Bíblicas ao batismo, nós também entenderemos com maior clareza o magnífico plano de Deus para a salvação.
    Nós devemos seguir um princípio fundamental ao procurarmos entender o significado da palavra “batismo”. Tal princípio determina que somente a Bíblia é o seu intérprete. Na verdade, é o seu único dicionário. Portanto, o nosso estudo seguirá paralelo às páginas da Bíblia.
    No idioma Grego, as palavras similares a “batismo” são baptizo, traduzida como batizar; baptismos, traduzida como batismo; e baptisma, traduzida como batismo. João, o Batista, é João, o “Baptistes”.

E o que dizer sobre a palavra grega bapto?

    Antes de nos determos sobre essas palavras gregas, vejamos uma outra semelhante denominada bapto, pois alguns estudantes do texto bíblico estariam convencidos que “batismo” significa imersão/mergulho. Um de seus argumentos é que a origem da palavra “batismo” venha de bapto, que é sempre traduzida por “mergulho” na Bíblia.
    O fato é que, ao estudarmos o uso bíblico da palavra “batismo”, veremos que ela nunca é usada com o significado de imersão. Além disso, nós descobriremos que a palavra “batismo”, caso tenha algum

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sentido espiritual, será com o significado de purificação dos pecados. Esses dois princípios ficarão bastante claros à medida que desenvolvermos o nosso estudo bíblico.
    Por outro lado, a palavra grega bapto ou outra semelhante, embapto, é sempre traduzida por “mergulho”. Mas em todos os textos bíblicos em que ambas são citadas, veremos que nenhuma delas é usada com o significado de purificação dos nossos pecados. Portanto, não há razão para usa-las como sinônimo ou relativo à salvação. Assim, mesmo que em algumas circunstâncias elas possam ser consideradas sinônimas da palavra “batismo”, na verdade, elas são palavras diferentes das palavras usadas por Deus na Bíblia.
    Para termos absoluta certeza disso, façamos um exame de todos os textos bíblicos onde as palavras bapto e embapto são encontradas.


O fato é que, ao estudarmos o uso bíblico da palavra “batismo”, veremos que ela nunca é usada com o significado de imersão.



    No Livro de João, capítulo 13, versículo 26, nós lemos:

Jesus respondeu: É aquele a quem eu der o bocado molhado. E, molhando o bocado, o deu a Judas Iscariotes, filho de Simão.


    Semelhantemente, em Mateus, capítulo 26, versículo 23, em Marcos, capítulo 14, versículo 20, e em Lucas, capítulo 16, versículo 24, nós lemos:

Mateus 26:23: E ele, respondendo, disse: O que mete comigo a mão no prato, esse me há de trair.

Marcos 14:20: Mas ele, respondendo, disse-lhes: É um dos doze, que mete comigo a mão no prato.

Lucas 16:24: E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia


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de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.


    Pode ser que nesses versículos as palavras bapto e embapto não tenham nenhuma relação com a purificação dos pecados. Por mais que Deus nos faça entender a ação de mergulhar o pão no prato e dá-lo ao traidor Judas, não tem nada a ver com a salvação dele. Nem o mergulho do dedo de Lázaro no prato trará a sua salvação ou do homem rico.
    Um outro versículo bíblico – em Apocalipse capítulo 19, versículo 13 -, emprega um derivado da palavra bapto:

E ele estava vestido de uma veste salpicada de sangue; e o nome pelo qual se chama é a Palavra de Deus.


    Na verdade, a palavra grega bapto é o correspondente grego para a palavra bebamnenon, traduzida, literalmente, por “foi mergulhado”.
    Esse versículo nos fala de Cristo como o Salvador que suportou a ira de Deus pelos nossos pecados. A questão é de quem era o sangue salpicado em suas vestes; se for em Seu sangue, então neste caso a palavra “bapto” ou bebamnenon terá relação com salvação. Mas se o sangue salpicado em Suas vestes era o nosso sangue, então saberíamos que a palavra “bapto” não está identificada com salvação, porque o nosso sangue não pode trazer a salvação.
    Nós descobriremos que o sangue que estava em suas roupas era o sangue daqueles que Ele veio salvar. No capítulo 63, versículos 2 a 3 do Livro de Isaías, nos leva a entender essa afirmação:

Por que está vermelha a tua vestidura? E os teus vestidos como os daquele que pisa no lagar? Eu sozinho pisei no lagar, e dos povos ninguém houve comigo; e os pisei na minha ira, e os esmaguei no meu furor, e o seu sangue*1 salpicou os meus vestidos, e manchei toda a minha vestidura.



*1 Nota: grifo de autor

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    Observe que a frase “e o seu sangue salpicou os meus vestidos” é semelhante à frase “veste salpicada de sangue” encontrada no Livro do Apocalipse, capítulo 19, versículo 13. Entretanto, notamos que a frase “que as Suas vestes estavam salpicadas de sangue” não se refere ao Seu sangue, e sim ao sangue daqueles que Ele veio salvar. Em Isaías este versículo fala de Jesus como se Ele estivesse sendo punido pelos pecados daqueles que Ele veio salvar. Ele personificou tanto o juiz como o cordeiro. A sua ira contra o pecado é a mesma contra o pecador que Ele veio salvar. Mas Ele, tomando as nossas dores, recebe a punição e a ira de Deus contra o pecado. Ele, sozinho, suportou a ira de Deus pelos nossos pecados, mas foi como se nós quem Ele viesse salvar estivesse presente com Ele.
    A princípio, portanto, foi o nosso sangue que manchou as suas roupas. Nós aprenderemos mais sobre esse conceito fundamental mais tarde em nosso estudo. O nosso sangue em Suas roupas é a evidência que Ele é o único que transformou o pecado em benefício de todos aqueles que Ele veio salvar. As suas vestes estavam mergulhadas em nosso sangue.
    Ele deu a Sua vida e experimentou uma segunda morte, para que pudéssemos ser purificados dos nossos pecados. No capítulo 1, versículo 5 do Livro do Apocalipse, nós lemos:

E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dos mortos e o príncipe dos reis da terra. Aquele que nos ama, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados.


    E lemos, também, no Primeiro Livro de João, capítulo 1, versículo 7:

Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.


    Assim, no capítulo 19, versículo 13, do Livro do Apocalipse, onde uma derivação da palavra bapto é usada, tanto quanto em todos os outros versículos onde encontramos as palavras bapto ou embapto, não nos dá nenhuma pista do significado da palavra “batismo”.

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O que significa a palavra “batismo”?

    De volta ao nosso estudo das palavras gregas baptizo, baptismos e baptisma, nós percebemos que normalmente elas são traduzidas por “batizado” ou “batismo”. Mas em alguns casos, o contexto não permite essa tradução.
    Nós poderíamos examinar cada um dos textos da Bíblia onde essas palavras são traduzidas por “batizado” ou “batismo”. Isso nos ajudará a compreender o significado dessas palavras gregas.
    Em primeiro lugar, vamos dar uma olhada no capítulo 7, versículo 4 do Livro de Marcos:

E, quando voltam do mercado, se não se lavarem, não comem. E muitas outras coisas há que receberam para observar, como lavar os copos, e os jarros, e os vasos de metal e as mesas.



Assim, no capítulo 19, versículo 13, do Livro do Apocalipse, onde uma derivação da palavra bapto é usada, tanto quanto em todos os outros versículos onde encontramos as palavras bapto ou embapto, não nos dá nenhuma pista do significado da palavra “batismo”.



    A palavra “lavar” aqui empregada é derivada de uma raiz grega da palavra “baptizo”, que normalmente é traduzida como “batizado”. A palavra “purificação” é usada como baptismos, que normalmente é traduzida como “batismo”.
    Além disso, no Livro de Lucas, capítulo 11, versículo 38, nós lemos:

Mas o fariseu admirou-se, vendo que se não lavara antes de jantar.


    Nessa frase, a palavra “lavar” é a correspondente grega para

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baptizo, que também é normalmente traduzida como “batizado”.
    Do mesmo modo, no Livro aos Hebreus, capítulo 9, versículo 10, nós lemos:

Consistindo somente em manjares, e bebidas, e várias abluções e justificações da carne, impostas até ao tempo da correção.


    A palavra “abluções” é a correspondente grega para baptismos, que também é usualmente traduzida como “batismo”.
    Observe que em todos esses trechos as palavras inglesas lavar e purificação são as mesmas palavras gregas que podem ser, literalmente, traduzidas por “batizado” ou “batismo”.


Entretanto, esses trechos nos mostram que na Bíblia a palavra “batizado” significa lavar, limpar ou purificar.



    O contexto de cada um desses versículos nos mostra, claramente, que a palavra “purificação” é a tradução correta. Além disso, não há inconveniência em usar mergulho ou imersão. Por exemplo, em “mesas” (Marcos 7:4) não há necessidade de se entender estarem as mesmas mergulhadas ou imersas para que alguém as limpe. Portanto, esses trechos nos mostram que na Bíblia a palavra “batizado” significa lavar, limpar ou purificar.
    Essas abluções dos fariseus antes do jantar e a purificação dos copos, jarros, vasos de metal e as mesas fazem parte do ritual de limpeza relatado no Velho Testamento. Isso é sugerido pela linguagem usada no Livro de Lucas, capítulo 11, versículos 39 e 40, que imediatamente segue o versículo onde os fariseus se purificam antes do jantar de negócios. Jesus diz:

E o senhor lhe disse: Agora vós, os fariseus, limpais o exterior do copo e do prato; mas o vosso interior está cheio de rapina e maldade. Loucos! O que fez o exterior não fez também o interior?

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    Isso concorda com o que lemos no Livro aos Hebreus, capítulo 9, versículo 10, o qual declara ser esse ritual de purificação do Velho Testamento (e os fariseus faziam questão de manter as leis cerimoniais tanto o quanto possível), sustenta-se somente como um ritual físico. Mais tarde, nós nos deteremos nos detalhes desses rituais de purificação do Velho Testamento.
    Nós veremos que essas abluções citadas no Velho Testamento eram sinais apontando para o caminho da purificação dos nossos pecados pela redenção de Cristo. Assim, nós podemos entender porque as referências a eles no Novo Testamento na língua grega são chamadas de baptizo ou baptismos, como vimos nos versículos anteriores.
    Pode-se também notar que as palavras gregas baptizo ou baptismos nunca são traduzidas por “mergulho” ou “imersão”. Isso está em completa harmonia com o princípio que a idéia de imersão nunca é usada como um sinônimo para salvação. Mas como leremos adiante, limpeza ou purificação são, repetidamente, usadas para descrever salvação. Nós poderemos notar isso tanto em versículos no Livro de Ezequiel – capítulo 36, versículo 25, e no Livro de Atos, capítulo 22, versículo 16.

Ezequiel 36:25: Então espalharei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei.

Atos 22:16: E agora por que te deténs? Levanta-te, e batiza-te, e lava os teus pecados, invocando o nome do Senhor.


    Lembremo-nos, também, que anteriormente em nosso estudo, nós lemos sobre o sangue de Jesus lavando e purificando os nossos pecados (Apocalipse capítulo 1, versículo 5, e em João capítulo 1, versículo 7).
    Nós podemos, portanto, ter certeza que baptizo significa lavar ou limpar. À medida que prosseguirmos o nosso estudo, nós veremos o quanto isso é verdade.

As sombras de purificação do pecado do Velho Testamento

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    Para entender e apreciar o significado do batismo nós devemos começar pelo Velho Testamento, onde as bases foram plantadas para nos preparar para o batismo do Novo Testamento em diversas maneiras.
    No Velho Testamento, Deus emprega diversos sinais e figuras que apontam para o perdão dos pecados. O primeiro deles era a semente de sangue. Deus determinou uma regra que sem a semente de sangue não haveria remissão ou purificação dos pecados (Hebreus 9:22).

O sangue é a vida

    A Bíblia enfatiza que os nossos pecados são purificados pela semente do sangue de Jesus Cristo. Nós lemos, por exemplo:

Colossenses 1:14: Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados.

Hebreus 9:14: Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?



No Velho Testamento, Deus emprega diversos sinais e figuras que apontam para o perdão dos pecados.



    Primeiro Livro de João 1:7: Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.
    Esses versículos – claramente, como muitos outros -, associam o sangue de Cristo com a nossa salvação.
    Isso nos apresenta a uma questão crucial: ao olharmos, com cuidado, para o Cristo pagador dos nossos pecados, nós não o vemos literalmente derramando o Seu sangue. Nós vemos como Ele

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suportou a agonia de sofrer a ira de Deus pelos nossos pecados, fazendo isso sem derramar o Seu sangue. Após Ele dizer, “Tudo está terminado”, Ele ainda mantém o Seu sangue. Posteriormente em nosso estudo nós aprenderemos que ao gritar, “Tudo está terminado”, a punição pelo pecado havia sido totalmente paga. Tudo aquilo se seguiu: a Sua morte física, o sepultamento e a ressurreição são a evidência de que, realmente, Ele pagou totalmente pelos nossos pecados. Mas quando Ele disse “Tudo está terminado”, ele ainda estava fisicamente vivo, Ele ainda conservava muito sangue em seu corpo. É verdade que Ele perdeu sangue ao ser chicoteado, coroado com espinhos e ao ser pregado na cruz.
    Apesar desses acontecimentos traumáticos, Ele ainda conservou sangue o suficiente para mantê-lo vivo para que pudesse dizer, “Tudo está terminado”.
    Assim, após a Sua morte física, o soldado atravessou com a lança o Seu corpo e água e sangue jorraram dele. Portanto, nós imaginamos porque Deus afirma que Cristo derramou o Seu sangue para a nossa salvação.
    A chave para solucionar essa dificuldade é a frase dita no Livro do Deuteronômio, capítulo 12, versículo 23:

Somente esforça-te para que não comas o sangue, pois o sangue é a vida; pelo que não comerás a vida com a carne.


    Mais adiante, em Levítico, capítulo 17, versículo 11:

Porque a alma da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas; porquanto é o sangue que fará expiação pela alma.


    Nesses versículos Deus nos ensina que a vida e o sangue são, virtualmente, sinônimos. Isso é perfeitamente entendido se nós percebermos que qualquer homem ou animal cujo sangue tenha sido removido está morto. Para estarmos vivos é imprescindível que o sangue esteja em nosso corpo.
    Portanto, entendemos que a Bíblia ao falar do sangue de Cristo está falando da vida de Cristo. Todos os versículos que falam sob

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o sangue de Cristo têm em vista a vida de Cristo.
    Por exemplo, quando Ele estava no Jardim do Getsêmani e o suor escorria do Seu corpo como grandes gotas de sangue, a Bíblia está falando sobre Ele dando a sua vida como se Deus o tivesse punindo por nossos pecados. A Bíblia fala de “suor” e suor vem de labor ou esforço. Jesus estava se esforçando para nos salvar assim como Deus o estava punindo com a segunda morte por causa dos nossos pecados. “Como grandes gotas de sangue” significa que Ele estava dando a Sua vida, quer dizer, estava enfrentando a segunda morte, a eterna condenação por nossos pecados.
    Eis porque no capítulo 6 do Livro de João, Deus afirma que beberemos o sangue de Cristo. Deus está demonstrando que assim nós receberemos a vida eterna, porque Cristo deu o Seu sangue. Isto é, Cristo deu a Sua vida para que possamos viver.
    No capítulo 6, versículo 54 a 57 do Livro de João, lê-se:

Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim.


    Nesse trecho, Jesus enfatiza que nós recebemos a nossa vida (vida eterna) porque Cristo deu a Sua vida padecendo a segunda morte em nosso favor.


Nós sabemos que a expressão derramando o Seu sangue significa dando a Sua vida. Cristo deu a Sua vida em sentido final porque Ele sofreu a segunda morte, a eterna condenação, em favor de todos aqueles que Ele veio salvar


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    Assim, nós não olhamos o sangue físico de Jesus como um instrumento da salvação. A salvação é possível porque Jesus sofreu a segunda morte, a eterna condenação. Isto é, Ele deu a Sua vida no sentido real da palavra. A doação da Sua vida é expressa pela frase “Ele derramou o Seu sangue”. Conseqüentemente, a Bíblia usa essa frase como se Deus declarasse “sem derramamento de sangue não há remissão do pecado”.
    Nós sabemos que a expressão derramar o Seu sangue é equivalente a dando a Sua vida. Cristo deu a Sua vida, porque sofreu a segunda morte, a condenação eterna, em favor de todos aqueles que Ele veio salvar.
    Naquele tempo, os pastores sempre ofereciam sacrifícios com o sangue de animais como se eles procurassem o perdão pelos seus pecados assim como os pecados do povo. Nenhum dos seus sacrifícios eram suficientes para uma purificação permanente e eterna, assim eles precisavam repetir o sacrifício várias vezes. Por mais que o perdão derivasse desses sacrifícios eles eram símbolos ou sombras olhando à frente para o sangue de Cristo no calvário. Isto é, eles aguardavam o retorno de Cristo para salvar a todos do pecado. Pois Ele tomou a si a segunda morte, a qual era a ira eterna de Deus, a Sua punição pelo pecado.
    Quando Cristo derramou o Seu sangue pelos nossos peados, isto é, quando Ele deu a Sua vida, Ele trouxe o fim dos sacrifícios de sangue. Por ele ter enfrentado a segunda morte, a eterna condenação (Ele derramou o Seu sangue), foi suficiente para estabelecer a purificação eterna para aqueles que acreditavam Nele como sacrifício pelos seus pecados.
    Percebe-se que Deus quer nos lembrar o grande sacrifício do derramamento do sangue de Cristo comparando-o com a Santa Ceia. Ao tomar parte dessa maravilhosa ceia, nós lembramos que a morte do Senhor até a sua vinda (I Coríntios 11:26). Nós nos lembramos que Ele purificou os nossos pecados derramando o Seu sangue, isto é, dando a Sua vida.
    Além disso, após a nossa participação, e o pão e o vinho forem parte do nosso corpo, nós somos lembrados que se nós fomos salvos, nós estamos completamente identificados com Cristo em Sua morte e ressurreição, portanto é como se cada um de nós que Nele acredita

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tivesse sido crucificado e sofrido a terna punição do inferno pelos nossos pecados. Além do mais, as coisas que compartilhamos representam o fato de que nós recebemos a nossa vida (vida eterna) porque Ele deu a Sua vida.
    Essa grande verdade é enfatizada por dois versículos já examinados - Apocalipse, capítulo 1, versículo 5, afirma “e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados”, e em I João, capítulo 1, versículo 7 reitera “o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado”.

Ofertas de fogo

    Uma figura secundária do Velho Testamento ou símbolo empregado por Deus em relação a purificação era o oferecimento pelo fogo. Geralmente, a oferta pelo fogo era um ato realizado simultaneamente com o derramamento de sangue. O animal era morto e oferecido assado. Acontecia também, às vezes, de ser realizado sem o derramamento de sangue, por exemplo, quando um cereal produzido era oferecido (Levítico 6:14-17, e Levítico 5). Se alguém cometia um pecado, oferecia um carneiro ou uma cabra (Levítico 5:1-6). Se não tivesse recursos para oferecer um animal, oferecia duas rolas ou dois pombos (Levítico 5:7-10). Se isso também não fosse possível, ele oferecia farinha (Levítico 5:11-12):

Porém, se a sua mão não alcançar duas rolas, ou dois pombinhos, então aquele que pecou trará pela sua oferta a décima parte duma efa de flor de farinha, para expiação do pecado; não deitará sobre ela azeite, em lhe porá em cima o incenso, porquanto é expiação do pecado. E a trará ao sacerdote, e o sacerdote dela tomará o seu punho cheio por seu memorial, e a queimará sobre o altar, em cima das ofertas queimadas do Senhor; expiação do pecado é.


    Pode-se observar que, geralmente, os sacerdotes comiam as ofertas que, embora tocadas, tornavam-se sagradas (Levítico 6:16-29). Esse oferecimento, visto como a redenção de Cristo, lembra-nos das palavras de Jesus em João capítulo 6, versículos 53 a 56:

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Jesus pois lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim.


    Apesar dos sacerdotes comerem as ofertas do holocausto, o que assinala para a bênção espiritual que viria de Cristo como oferta de holocausto, nós somos partes do corpo de Cristo assim como Ele se ofereceu para o holocausto, uma oferta pelo fogo pelos nossos pecados.
    Essa verdade maravilhosa ganha ênfase na Santa Ceia do Senhor. Assim como tomamos parte dela, nós somos simbolicamente parte do corpo violado e do sangue derramado de Cristo. Isto é, isso é um sinal que aponta para a verdade maravilhosa que se nós nos salvamos e ganhamos vida eterna é porque Ele deu a vida por nós. Ele sofreu a mesma ira de Deus destinada pela Sua lei como punição pelos nossos pecados. Assim como as ofertas queimadas, e os sacrifícios de sangue no V. Testamento apontavam à vinda de Cristo, igual a Ceia do Senhor no N.Testamento, é uma lei cerimanial que aponta à morte de Cristo


Assim como tomamos parte da Ceia do Senhor, nós somos simbolicamente parte do corpo violado e do sangue derramado de Cristo.



Brasas em fogo

    Voltando a falar em oferta pelo fogo, nós notamos outra característica na queima de incenso. O incenso é lançado sobre as brasas do altar de oferendas assinadas na redenção a ser estabelecida

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por Jesus. Nós observamos isso na experiência de Korah, Dathan e Abiram. Quando esses três homens ofereceram esse fogo singular ao Senhor, Deus matou-os e a duzentos e cinqüenta outros (Números 16:1-35). Quando os israelitas souberam desse fato, Deus enviou-lhes uma praga, que matou quatorze mil e setecentos deles (Números 16:41-49). Para acabar com a praga, assim Moisés falou a Arão em Números, capítulo 16, versículos 46-48:

E disse Moisés a Arão: Toma o teu incensário, e põe nele fogo do altar, deita incenso sobre ele, e vai depressa à congregação, e faze expiação por eles; porque grande indignação saiu de diante do Senhor; já começou a praga. E tomou-o Arão, como Moisés tinha falado, e correu ao meio da congregação; e eis que já a praga havia começado entre o povo; e deitou incenso nele, e fez expiação pelo povo. E estava em pé entre os mortos e os vivos; e cessou a praga.


    É claro que não é o ato da oferta física de incenso que produz a redenção. O ato físico era uma sombra que assinalava para a realidade espiritual de Cristo enfrentando a ira de Deus pelos nossos pecados.
    A mesma imagem de purificação foi usada por Deus ao preparar Isaías para o seu ministério. Isaías, no capítulo 6, versículos 5 a 7, afirma:

Então disse eu: Ai de mim, que vou perecendo porque eu sou um homem de lábios impuros, e habito no meio dum povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o rei, o Senhor dos Exércitos! Mas um dos serafins voou para mim trazendo na sua mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz. E com ela tocou a minha boca, e disse: Eis que isto tocou os teus lábios; e a tua iniqüidade foi tirada, e purificado o teu pecado.


    A brasa viva representa Cristo que enfrentou o fogo do inferno em favor daqueles que Ele veio salvar. Ao enfrentar a ira de Deus, os nossos pecados foram expurgados. Isto é, nós estamos purificados dos nossos pecados.

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    Conseqüentemente, eis o que ensina o capítulo 12, versículo 20 do Livro aos Romanos:

Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça.


    O inimigo é qualquer um que não esteja salvo. A comida e a bebida servida no Evangelho. As brasas representam a salvação concedida por Cristo porque Ele enfrentou o fogo do inferno.
    Desta maneira, nós percebemos que em acréscimo ao sangue derramado, Deus usou a oferta de fogo como um símbolo de purificação do pecado.

Lavagem/ablução ou banho

    Uma terceira figura ou símbolo empregado por Deus em relação à limpeza do pecado é que ambos – lavagem/ablução ou banho – são realizado com água.
    Consideremos o mais alto sacerdote do Velho Testamento ao oferecer um sacrifício. Fora do mais sagrado lugar no qual a arca estava havia um vaso de abluções com água, como indicado no Livro do Êxodo, capítulo 30, versículos 17 a 21:

E falou o Senhor a Moisés, dizendo: Fará também uma pia de cobre com a sua base de cobre, para lavar; e a porás entre a tenda da congregação e o altar, e deitarás água nela. E Arão e seus filhos nela lavarão as suas mãos e os seus pés. Quando entrarem na tenda da congregação, lavar-se-ão com água, para que não morram, ou quando se chegarem ao altar para ministrar, para acender a oferta queimada ao Senhor. Lavarão pois as suas mãos e os seus pés, para que não morram; e isto lhes será por estatuto perpétuo a ele e à sua semente nas suas gerações.



Essa purificação das mãos e pés dos sacerdotes era necessária, pois os sacerdotes eram culpados. Ao se lavar, ele estava limpo, de acordo com o cerimonial, podendo, assim, vir à presença do Senhor e oferecer o seu sacrifício.


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    Essa purificação das mãos e pés dos sacerdotes era necessária, pois os sacerdotes eram culpados. Ele próprio era um pecador. Ao se lavar, ele estava limpo, de acordo com o cerimonial, podendo, assim, vir à presença do Senhor e oferecer o seu sacrifício.
    O fato que lavando com a água relacionada à purificação do pecado pode ser adicionado a outras referências do Velho Testamento. O leproso que foi curado foi limpo depois de ter lavado suas roupas e banhado o seu corpo (Levítico 14:9). A absolvição do corpo de uma pessoa a torna dela impura diante de Deus (Levítico 15:2). Quando a sua absolvição fosse ordenada, “contar-se-ão sete dias para a sua purificação, e lavará os seus vestidos, e banhará a sua carne em águas vivas, e será limpo”. (Levítico 15:13).
    Comer um animal morto de forma natural era um pecado (Levítico 22:8), mas a pessoa culpada poderia ser limpa pela purificação, tal como lemos em Levítico capítulo 17, versículos 15 e 16:

E toda a alma entre os naturais, ou entre os estrangeiros, que comer corpo morto ou dilacerado, lavará os seus vestidos, e se banhará com água, e será imunda até à tarde; depois será limpa. Mas, se os não lavar, nem banhar a sua carne, levará sobre si a sua iniqüidade.


    Um exemplo conclusivo do uso da água para purificação no Velho Testamento é dado no capítulo 8, versículos 6 e 7, do Livro dos Números:

Toma os levitas do meio dos filhos de Israel, e purifica-os. E assim lhes farás, para os purificar: esparge sobre eles a água da expiação; e sobre toda a sua carne farão passar a navalha, e lavarão os seus vestidos, e se purificarão.


    Essa purificação pela água era seguida pelo holocausto e uma de expiação do pecado (Números 8:8-13). Assim, notamos que Deus

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usou o derramamento de sangue, o holocausto e a purificação pela água significando a limpeza espiritual.

Assim, notamos que Deus usou o derramamento de sangue, o holocausto e a purificação pela água significando a limpeza espiritual.


    Infelizmente, havia um sério problema ligado a esses símbolos de purificação do Velho Testamento. Enquanto o crente pudesse ser ungido com água, oferecer um sacrifício de sangue e fazer um holocausto, e ser, de acordo com o cerimonial, purificado dos seus pecados, ele nunca foi permanentemente purificado o que identifica com vida eterna. Ele teve que oferecer os mesmos sacrifícios repetidas vezes. O sumo sacerdote teve “de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos do povo; (Hebreus 7:27). No Livro aos Hebreus, capítulo 10, versículos 1 a 3, lemos:

Porque, tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os eu a eles se chegam. Doutra maneira, teriam deixado de se oferecer, porque, purificados uma vez os ministrantes, nunca mais teriam consciência de pecado. Nesses sacrifícios, porém, cada ano se faz comemoração dos pecados.


    Ofertas e sacrifícios eram oferecidos, como lemos em Hebreus capítulo 9, versículos 9 e 10:

Que é uma alegoria para o tempo presente, em que se oferecem dons e sacrifícios que, quanto à consciência, não podem aperfeiçoar aquele que faz o serviço. Consistindo somente em manjares, e bebidas, e várias abluções e justificações da carne, impostas até ao tempo da correção.


    Portanto, a Bíblia mostra, claramente, a necessidade de uma purificação permanente, estabelecida de modo permanente por meio

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da Sua morte na cruz.


Como João Batista se insere nessa imagem? Era o batismo realizado por ele parte das purificações do Velho Testamento ou é algo novo sendo introduzido?



    Além disso, há muito tempo nós aprendemos que as ações das assembléias do Velho Testamento, que aguardavam a vinda do Messias para a purificação dos pecados, incluiu as ofertas de sangue, os holocaustos e a purificação com água. Purificar com água incluía aspersão, lavagem das mãos e pés e até mesmo do corpo inteiro. Do mesmo modo, na era da igreja no N.Testamento, Deus introdiziu o sinal cerimonial do batismo com água o qual enfatiza e aponta a nossa necesidade de ter os nossos pecados lavados.
    Após revermos esses modos de purificação do Velho Testamento, a próxima questão a ser discutida é: como João Batista se insere nessa imagem? O batismo realizado por ele fazia parte das purificações do Velho Testamento ou é algo novo sendo introduzido?
    À medida que avançarmos o nosso estudo, olharemos esse assunto com atenção.

O batismo de João Batista

    Naquele tempo, a estranha figura de João, chamado o Batista, é vista pelo rio Jordão, chamando os judeus para se arrepender e batizando-os no rio. Que batismo era esse? Pode ele ser relacionado com a água do batismo dos crentes que surgidos depois de Pentecostes? Ou ele possui uma relação próxima às purificações do Velho Testamento que, como já vimos, faziam parte das leis cerimoniais do Velho Testamento. Desde que ele foi chamado “batismo”, nós sabemos que ele é relacionado a limpeza ou purificação.

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    Nós podemos encontrar a resposta a essas questões se considerarmos, por um momento, o tempo do batizado de João Batista. Observemos, cuidadosamente, o batismo de Jesus por João Batista.
    O tempo das leis cerimoniais havia quase chegado ao fim, o vaso de Aarão, e o templo como o lugar onde Deus desceu até o homem. O sumo sacerdote, Jesus, que ofereceu a sim mesmo como o Cordeiro do sacrifício, apareceriam a qualquer momento. Ele cumpriria todas as leis do Velho Testamento, que aguardavam a Sua vinda.
    O sacerdócio de Aarão em breve se tornaria obsoleto. O capítulo 8, versículo 13 do Livro aos Hebreus afirma:

Dizendo Novo Concerto, envelheceu o primeiro. Ora, o que foi tornado velho, e se envelhece, perto está de acabar.


    Assim, Deus escreve-nos no Livro aos Hebreus a respeito do fim do sacerdócio de Aarão e em relação à promessa divina. Um novo sacerdócio estava sendo estabelecido.
    Mas o novo sumo sacerdote tinha de ser, cerimonialmente, purificado. Mais adiante voltaremos a este assunto.
    Vamos recordar que havia uma pia larga de cobre para as abluções no templo. O sumo sacerdote devia lavar suas mãos e pés com água desse vaso antes de subir ao altar. Assim o lemos em Êxodo, capítulo 30, versículos 17 a 21:

E falou o Senhor a Moisés, dizendo: Farás também uma pia de cobre com a sua base de cobre, para lavar; e a porás entre a tenda da congregação e o altar, e deitarás água nela. E Arão e seus filhos nela lavarão as suas mãos e os seus pés. Quando entrarem na tenda da congregação, lavar?se?ão com água, para que não morram, ou quando se chegarem ao altar para ministrar, para acender a oferta queimada ao Senhor. Lavarão pois as suas mãos e os seus pés, para que não morram; e isto lhes será por estatuto perpétuo a ele e à sua semente nas suas gerações.

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    Com os seus pés e as suas mãos lavados, o sumo sacerdote estava purificado, de acordo com as leis cerimoniais, e poderia dar continuidade aos seus deveres sacerdotais.

O batismo de Jesus

    Mas, sendo Jesus livre do pecado, o que a ablução realizada por sacerdotes pecadores acrescentaria a Ele? Muito, se nos recordarmos dos papéis que Jesus desempenhou no drama da salvação que estava se desenrolando.
    Em primeiro lugar, Ele veio como o sumo sacerdote que foi oferecido em sacrifício. Depois, Ele foi o Cordeiro sacrificado. Isso é narrado tão graciosamente nas palavras de João Batista, no capítulo 1, versículo 29, do Livro de João: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”.
    Ele veio para salvar a humanidade, e para fazer isto, Ele teve que se identificar completamente com o homem pecador. Ele, totalmente desprovido do pecado, tornou-se pecador por nossa causa. Ele estava carregado de toda a sujeira e dos podres pecados realizados por aqueles que Ele veio salvar. Portanto, Ele, diante de Deus, apresentou-se como culpado. Ele se transformou num daqueles que precisavam ser limpos dos seus pecados.
    Certamente, devemos nos lembrar que o Seu sacerdócio era, na verdade, totalmente diferente do sacerdócio de Arão, pois que era eterno antes da ordem de Melquizedeque (Hebreus 5:6, Hebreus 7). Em outro sentido, isso foi ordenado antes do sacerdócio de Arão (Hebreus 9:24, Hebreus 10:1). Portanto, Ele teve que ser banhado, de acordo com o cerimonial, antes do sacrifício do Cordeiro.
    Como Ele poderia ser banhado? Ele não poderia se lavar na pia do templo, pois ela somente podia ser utilizada pelos Levitas. Jesus era da tribo de Judá. Além disso, a pia era relacionada ao altar do templo e aos lugares sagrados. O altar de Jesus era a cruz e o lugar sagrado era o céu em si mesmo (Hebreus 8:1-2, Hebreus 9:24). Assim, algo muito diferente da pia do templo era exigido para a Sua purificação cerimonial.
    E assim Deus nos apresenta a João Batista, que despontou como um personagem destinado a ser um elo entre a lei do Velho

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Como Ele poderia ser banhado? Ele não poderia se lavar na pia do templo, pois ela somente podia ser utilizada pelos Levitas.



Testamento numa das mãos, e na outra, a nova promessa divina estabelecida por Jesus. O pai de João, Zacarias, era um sacerdote descendente de Aarão e a sua mãe, Elizabete, era descendente de Aarão. Entretanto, João era um sacerdote de alta posição. Ele estava naturalmente qualificado para administrar a cerimônia de purificação com água. Além disso, ele foi mandado por Deus especificamente para batizar com água. Em Mateus, capítulo 3, versículos 13 a 15, lemos:

Então veio Jesus da Galiléia ter com João, junto do Jordão, para ser batizado por ele. Mas João opunha-se-lhe, dizendo: Eu careço de ser batizado por ti, e vens tu a mim? Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele o permitiu.


    O ponto de convergência do sacerdócio divino de João Batista era claramente relacionado ao sacerdócio de Aarão, que já estava no fim. A missão de João Batista era ser aquele que preparou o caminho para a cerimônia de purificação de Jesus e anunciá-Lo como o Messias. Contudo, apesar do clero de Jesus não fosse da tribo de Levi, João teve que cumprir a sua tarefa em outro lugar, fora do templo.
    Assim, João estava no Rio Jordão, batizando e clamando ao povo para o arrependimento. O rito de batismo que ele apresentava não poderia ter menos significado do que as cerimônias de ablução descritas no Velho Testamento e, certamente, eram adequadas às cerimônias de purificação de um sacerdote.
    As cerimônias de purificação e sacrifício do Velho Testamento eram sombras turvas de limpeza a serem estabelecidas pela redenção de Cristo e que assinalava para a salvação a ser estabelecida pela vinda do Messias. O batismo realizado por João assinalava também

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a purificação a ser estabelecida pela expiação de Cristo.

Jesus é batizado

    Agora o sumo sacerdote, o Senhor Jesus, chegou. Mas antes que Ele possa oficialmente iniciar o seu trabalho como sumo sacerdote, como já aprendemos anteriormente, para cumprir a promessa com toda a eqüidade, Ele tem de ser limpo cerimonialmente, exatamente como Aarão foi limpo de acordo com a lei antes de começar as suas atividades como sumo sacerdote. João Batista chegara para aplicar em Jesus o cerimonial da purificação com água. A limpeza prevista pelas sombras do cerimonial está prestes a se tornar um fato histórico.
    Isso se tornaria um fato histórico tal como Deus despejou a Sua ira quando Jesus foi crucificado. O vestígio da purificação ou do batismo deixado por João Batista está forte e intensamente em evidência, embora ainda seja uma sombra. O batismo com água feito por João não tinha valor de limpeza em si, assim como a sombra de uma árvore não tem substância em si mesma. A árvore pode existir sem a sombra, mas a sombra não é nada sem a árvore. Quanto mais perto da árvore a sombra estiver, mais claramente esta refletirá a verdadeira substância da árvore.
    Por isso, João prega o arrependimento; ele fala de batismo ou do batismo de arrependimento para o perdão dos pecados. Em Marcos capítulo 1, versículo 4, lemos: “Apareceu João batizando no deserto, e pregando o batismo de arrependimento, para remissão dos pecados”. Era como se a crucificação já tivesse acontecido.


O batismo com água feito por João não tinha valor de limpeza em si, assim como a sombra de uma árvore não tem substância em si mesma



    O batismo de João, assim como o batismo realizado pelos apóstolos antes da crucificação, seguia os mesmos preceitos daquele

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realizado no Velho Testamento, quando era somente um prenúncio de um evento futuro, mas eles seriam muito mais intensos, vibrantes e significativos. Esses batismos assinalavam a necessidade de sermos limpos dos nossos pecados. Tanto o arrependimento quanto a purificação dos pecados poderiam ser consumados somente pela ação de Deus ao nos proporcionar a purificação por meio de Jesus.
    Assim, o drama segue adiante. O Cordeiro do sacrifício (Jesus) está inserido no cenário. O sumo sacerdote (também Jesus) que oferece o sacrifício está presente.
    Talvez João Batista tenha escolhido o Rio Jordão por ter sido onde Naamã foi curado de lepra. Vocês se lembram quando Naamã, o sírio leproso, veio a Eliseu buscar a cura? Eliseu disse-lhe para se lavar sete vezes no Rio Jordão e ele seria curado. No capítulo 5, versículos 9 e 10, do Segundo Livro dos Reis, lemos:

Veio, pois, Naamã com os seus cavalos, e com o seu carro, e parou à porta da casa de Eliseu. Então Eliseu lhe mandou um mensageiro, dizendo: Vai, e lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne te tornará, e ficarás purificado.


    Deus usou a lepra como um exemplo de pecado. A cura de Naamã, lavando-se no Rio Jordão, era um sinal apontando para a purificação do pecado.

Rio Jordão: um retrato do inferno

    Outra prova irrefutável de que João Batista deve ter realizado batismos no Rio Jordão é que antigamente ele era usado por Deus como um cenário do inferno. Quando Israel chegou à terra de Canaã, o rio estava em seu estado líquido, mas ao atravessa-lo ele transformou-se em solo seco. Os sacerdotes que carregavam a Arca da Aliança estavam no fundo do rio quando Israel o atravessou. A arca representava Jesus, que enfrentou o inferno por nós, permitindo-nos, assim, a passagem pelo inferno sem sermos tocados pela ira de Deus.
    O batizado de Jesus no Rio Jordão confirma que ele deve suportar a ira de Deus, simbolizada pelo Rio Jordão, para que Ele

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possa ser purificado dos nossos pecados que foram a ele destinados.


Outra prova irrefutável de que João Batista deve ter realizado batismos no Rio Jordão é que antigamente ele era usado por Deus como um cenário do inferno.



    Da mesma forma, as pessoas batizadas por João Batista e pelos apóstolos no Rio Jordão eram lembradas que, por causa dos seus pecados, elas estavam sob a ira de Deus. E somente depois de sofrerem a eterna ira de Deus (simbolizada pelo Rio Jordão), elas poderiam ser purificadas ou limpas dos seus pecados. Essa lavagem ou batismo no Rio Jordão significava a sua necessidade por alguém que carregasse o seu pecado. Isso demonstra que elas precisavam de um Salvador para pagar por eles.
    De volta a João Batista, Jesus estava em cena. Assim como o sacerdote tinha que se lavar para que ele pudesse estar consagrado diante do Senhor, Jesus, tal como aprendemos, tinha que ser, cerimonialmente, lavado. O cerimonial de limpeza de Jesus foi consumado ao ser batizado por João Batista. Durante o ato, Ele foi cerimonialmente purificado: Ele estava cerimonialmente lavado; Ele estava purificado, portanto Ele poderia oferecer o sacrifício pelos pecados.
    Se Ele não tivesse sido batizado, Ele não estaria qualificado para continuar como sumo sacerdote para oferecer o Cordeiro em sacrifício. Não há interrupções no trabalho de Jesus como eterno sumo sacerdote. Para “cumprir toda a justiça”. (Mateus 3:15), Ele precisava banhar-se antes de oferecer o sacrifício, assim como o sacerdote do Velho Testamento lavou as suas mãos e os seus pés antes de fazer o mesmo. Esse batismo era uma cerimônia indispensável, pois assinalava para o fato de que Jesus estava prostrado com os pecados de todos que Ele veio salvar. De qualquer maneira, Ele tinha que ser purificado desses pecados.


Se Ele não tivesse sido batizado, Ele não estaria



CAPÍTULO 1 PARTE 2