I PEDRO

Vamos começar uma série de estudos no livro de I Pedro no Novo Testamento. Este é o vigésimo primeiro livro do Novo Testamento. Não vamos estudar versículo por versículo, mas vamos examinar muitos versículos, e você pode usar essas mensagens para ajudá-lo a ter uma melhor compreensão de outras passgens de I Pedro.

1. TEMA

Dentre os muitos temas que o livro de I pedro ensina, escolhemos focalizar a nossa atencão para O Sofrimento de Jesus Cristo.

2. VERSÍCULOS CHAVE

Dois versículos chave no livro de I Pedro que chamam a nossa atenção para o tema escolhido são I Pedro 2:21 e 5:10 aonde lemos, "Porque para isso fostes chamados, porquanto também Cristo padeceu por vos, deixando-os exemplo, para que sigais as suas pisadas. E o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, confirmar e fortalecer."

3. PEQUENA VISÃO

Agora vamos apresentar uma pequena visão do livro de I Pedro. Vamos examinar algumas porções do livro e apontar para os detalhes de cada porção.
I Pedro capítulo 1 pode ser entitulado "Esperança Cristã ou Conforto no Sofrimento." Por exemplo, nós lemos em I Pedro 1:6,7 e 13, "Na qual exultais, ainda que agora por um pouco de tempo, sendo necessário, estejais contristados por várias provações, para que a prova da vossa fé, mais preciosa do que o ouro que perece, embora provado pelo fogo, redunde para louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo.Portanto, cingindo os vossos lombos do vosso entendimento, sede sóbrios, e esperai inteiramente na graça que os oferece na revelção de Jesus Cristo." Essa parte de I Pedro descreve o plano de poder de Deus, o qual dá aos crentes uma esperança espiritual certa no meio do sofrimento. Esses versículos descrevem o propósito de Deus quando Ele permite que o Seu povo sofra, o que os ajuda a ver o valor da sua difícil experiência. Esses versículos descrevem a proclamação da Palavra de Deus, a qual é a única segurança da esperanca espiritual do crente. Nesses versículos também aprendemos sobre a provisão de Deus através do sacrifício de Jesus Cristo, o qual é a base para a certa esperança do crente no meio do sofrimento.
I Pedro 2, versículo 1 até o capítulo 3, versículo 17 podem ser entitulados "O Comportamento do Crente em Meio ao Sofrimento." Por exemplo, nós lemos em I Pedro 2:11, 12, e 21, "Amados, exorto-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências da carne, as quais combatem contra a vossa alma; tendo o vosso procedimento correto entre os gentios, para que, naquilo e que falam mal de vós, como de malfeitores, observando as vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação. Porque para isto fostes chamados, porquanto também Cristo padeceu por vós, deixando-vos exemplo, para que sigais as suas pisadas." Essa porção de I Pedro descreve a base para o crente no meio do sofrimento, parte do qual é o fato de que crentes sofrem porque são membros da casa ou família de Deus e o fato de que eles são estranhos e peregrinos nesse mundo. Esses versículos nos dão diferentes exemplos de um comportamento próprio do crente no sofrimento, exemplos de servos, esposas e maridos. Aprendemos a partir desses versículos sobre o princípio do amor, especialmente o amor evangelístico, que motiva o comportamento do crente no meio do sofrimento.
I Pedro capítulo 3, versículo 18 até o capítulo 4, versículo 19 pode ser entitulado, "A Compreenssão ou Atitude do Crente Diante do Sofrimento." Por exemplo nós lemos em I Pedro 4:1,2 e 19, "Ora pois, já que Cristo padeceu na carne, armai-vos também vós deste mesmo pensamento; porque aquele que padeceu na carne já cessou de pecado; para que, no tempo que ainda vos resta na carne não continueis a viver para as concupiscências dos homens, mas para a vontade de Deus." Essa parte de I Pedro descreve o propósito do sofrimento através do exemplo de Cristo. Esses versículos explicam a urgência de crer e a obrigação de obedecer ao evangelho. Esses versículos alertam aqueles que produzem sofrimento para o povo de Deus e descreve a alegria de crentes que sofrem pela razão correta. Esse versículo ensina que os crentes glorificam o Seu Criador e Salvador Jesus Cristo, conforme permanecem fiéis no sofrimento.
I Pedro capítulo 5 pode ser entitulado "A Liderança do Crente em Meio ao Sofrimento." Por exemplo, nós lemos em I Pedro 5:1, 2 e 10, 11, "Aos anciãos, pois, que há entre vós, rogo eu, que sou ancião com eles e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e participante da glória que se há de revelar: Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, não por força, mas espontaneamente segundo a vontade de Deus; nem mesmo por torpe ganância, mas de boa vontade. E o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, confirmar e fortalecer. A ele seja o domínio para todo o sempre. Amém." Essa parte de I Pedro explica que os líderes cristãos devem ser humildes em todas as situações, alerta para os perigos espirituais e fortalecidos pela graça de Deus.

4. COMENTÁRIOS GERAIS

Concluimos com uma pequena visão do livro de I Pedro. Agora vamos fazer comentários gerais sobre o livro de I Pedro os quais nos ajudarão mais tarde a olhar para os detalhes desse livro.
O apóstolo Pedro é o único homem na Bíblia do qual é feita referência usando esse nome na Bíblia e portanto é razoável aceitar que ele é o autor dessa carta. Com isso em mente, vamos rapidamente olhar para algumas coisas que a Bíblia revela sobre ele, especialmente aquelas coisas que nos ajudam a compreender melhor o seu livro de I Pedro.
A característica de Pedro que mais chama a nossa atenção é a sua segurança pessoal, ou mais exatamente o seu orgulho, o traço fundamental de todos os homens. E ainda assim essa era uma segurança superficial que era baseada na sua confiança na carne. Pedro ostentava a sua fidelidade e o seu auto-sacrifício, assim como suas rápidas ações. Mas a sua segurança era algo frágil, e que murchou debaixo da fraqueza da sua carne, conforme lemos em Mateus 26:40,43, "Voltando para os discípulos achou-os dormindo; e disse a Pedro:Assim nem uma hora pudestes vigiar comigo? E voltando outra vez, achou-os dormindo, porque seus olhos estavam carregados." A sua segurança enfraqueceu diante de uma apresentação de força pelos guardas armados, conforme lemos em Marcos 14:50, "Nisto, todos o deixaram e fugiram." E foi transformado em covardia quando confrontado com as acusações da jovem, conforme lemos em Marcos 14:69-71, "E a criada, vendo-o, começou de novo a dizer aos que ali estavam: Esse é um deles. Mas ele o negou outra vez. E pouco depois os que ali estavam disseram novamente a Pedro: Certamente tu és um deles; pois és também galileu. Ele, porém, começou a praguejar e a jurar: Não conheço esse homem de quem falas."
Pedro precisou aprender que a sua confiança não poderia estar no braço dos homens, na força da carne, mas apenas no Senhor, o Criador de todas as coisas e Juiz de todos os homens. O seu orgulho fez com que ele fosse um homem instável, guiado por atos que eram impulsivos e emocionais ao invés de atos pensados e consistentes que estivessem debaixo de controle. Ao invés de contribuir para os propósitos de Deus, o caráter impetuoso e cheio de orgulho de Pedro o levou a interferir com os planos de Deus e causou-lhe muito sofrimento.
Mas Deus sabia dos Seus propósitos para Pedro antes mesmo da fundação do mundo, e criou sua personalidade par capacitá-lo a cumprir a sua tarefa na terra, embora o pecado de Pedro houvesse distorcido suas boas qualidades e acrescentado muitas más qualidades. A misericórdia de Deus, sobre a qual Pedro havia houvido Jesus falar, seria mostrada a ele também. Pedro aprendeu sobre o grande cuidado de Deus por ele. Jesus, que previamente declarou que Pedro seria pescador de homens mostrou que, além da fraqueza de Pedro e da sua traição, Ele não o havia abandonado ou mudado de idéia no que diz respeito a usá-lo no Seu reino. Deus tinha conhecimento do coração arrependido de Pedro, conforme lemos em Lucas 22:62, "E, havendo saído, chorou amargamente." E Pedro ainda era um dos Seus escolhidos para o evangelismo.
A graça de Deus é demonstrada em que, enquanto Pedro estava fraco e não era dócil, Deus foi paciente, e sempre estava trabalhando na vida de Pedro de acordo com o Seu tempo, preparando Pedro para as sua futura tarefa. Portanto, Pedro foi um maravilhoso troféu da graça transformadora e remidora de Deus. Jesus aproveitou a energia impetuosa e mal direcionada de Pedro, usando-a mais a frente para o Seu bom propósito. Jesus substituiu o orgulho de Pedro por humildade. Isso significa que Pedro não confiava mais na carne, mas na sabedoria e força do Senhor. O resultado foi que, ao invés da agressão e covardia, Pedro apresentou coragem e fidelidade no meio do sofrimento. Isso também significou que Pedro era paciente. Ele aprendeu a esperar no tempo do Senhor, não importa o quanto as coisas pudessem ser difíceis para ele. Pedro era sempre aquele que estava pronto para falar e liderar. Pela graça de Deus, Pedro trabalhou de modo humilde e no poder, não em si mesmo, mas no Espírito de Deus, e portanto, ofereceu tanto palavras boas como exemplo para outros crentes que também estavam sofrendo.
Dentre as maravilhosas verdades no livro de I Pedro, escolhemos dar atenção sobre o que esse livro ensina sobre o sofrimento. Uma pista para nos mostrar que o tema de sofrimento é proeminente nessa carta é que as palavras traduzidas como "sofrer" e "sofrimento" são encontradas com mais frequência em I Pedro do que em qualquer outro livro do Novo Testamento. Mas, mais importante do que isso, precisamos focalizar a nossa atenção sobre o contexto do sofrimento, porque ele nos ajuda na nossa análise de muitos versículos de I Pedro. O sofrimento no sentido de dor e mágoa são constantes companheiras de todos os homens, são sintomas do problema básico do universo e a razão para que o evangelho exista. Essas mágoas são discutidas em todas as partes da Bíblia e são uma grande parte da mensagem de I Pedro.
Por causa da sua proeminência e importância em I Pedro, nós precisamos estar certos que estamos pensando exata e claramente sobre o conceito de sofrimento. Para começarmos, precisamos compreender a resposta para a pergunta, "Por que o sofrimento faz parte do universo? Por que é uma parte necessária da experiência do homem?" A resposta para isso é que a causa do sofrimento pertence a Deus, mas a falta pertence ao homem. Por um lado, Deus assume a responsabilidade por infligir o universo com uma maldição que o leva a sua queda e destruição, assim como a morte de todas as criaturas que o habitam. O universo não se tornou do modo como está por si mesmo, como se estivesse fora do controle de Deus. Mas, ele está caindo debaixo da pesada mão da maldição de Deus contra o pecado. Por outro lado, os homens são responsáveis pela maldição, no sentido de que o seu comportamento pecaminoso requer que Deus envie a Sua maldição, de modo que eles devem ser culpados pelo mal que enche o mundo. Em Adão, a raça humana egoísticamente se rebelou contra Deus, que em troca amaldiçoou o Seu universo perfeito. Não é como se Deus estivesse frustrado ou desejando vingança, mas a Sua maldição foi uma resposta apropriada de um Deus justo ao pecado. A Sua maldição é uma lembrança do julgamento final que vai vir sobre os perdidos do mundo. E isso deve levar o homem a ter um saudável temor de Deus conforme lemos em Lucas 12:4-5, "Digo-vos, amigos meus: Não temais os que matam o corpo, e depois disso nada mais podem fazer. Mas eu vos mostrarei a quem é que deveis temer; temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno; sim, vos digo, a esse temei."
Precisamos compreender as maneiras diferentes nas quais a maldição de Deus trabalha no mundo. Isto é, existem várias razões imediatas pelas quais os homens sofrem. Os homens sofrem porque o universo físico que inclui seus corpos, está quebrado. Ele não funciona da maneira que deveria funcionar para a qual foi criado. O tempo e os eventos trabalham para o destruir e para dissipar a energia utilizável e materiais. As catástrofes naturais aceleram a destruição dos recursos dos quais o homem depende para sua sobrevivência e lazer. Os homens sofrem porque doenças invadem seus corpos e a idade reduz a sua vitalidade e força. O mal físico, então, é uma manifestação do mal espiritual da reação de Deus ao pecado, conforme lemos em Oséias 4:1-3, "Ouvi a palavra do Senhor, vós, filhos de Israel; pois o Senhor tem uma contenda com os habitantes da terra; porque na terra não há verdade, nem benignidade, nem conhecimento de Deus. Só prevalecem o perjurar, o mentir, o matar, o furtar e o adulterar; há violências e homicídios sobre homicídios. Por isso a terra se lamenta, e todo o que nela mora desfalece, juntamente com os animais do campo e com as aves do céu; até os peixes do mar perecem."
Em segundo lugar, os homens sofrem por causa da cobiça do seu pecado da carne que os leva a se comportarem de modo tolo, o que traz um amargo fruto físico, moral e espiritual. Em outras palavras, os homens sofrem porque o seu egoísmo e orgulho os levam a intencionalmente ou não danificarem ou machucarem a vida dos outros.
Em terceiro lugar, os homens sofrem porque Deus envia problemas fisicos e trauma na vida das pessoas com finalidade espiritual. Isso algumas vezes, serve a vontade de Deus para reduzir uma pessoa físicamente para que ela alcançe algum objetivo espiritual, conforme lemos em João 9:1-3, "E passando Jesus, viu um homem cego de nascença. Perguntaram-lhe os seus discípulos: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? Respondeu Jesus: Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que nele se manifestem as obras de Deus." Isso também se aplica aos crentes, quando lembramos de como Deus permitiu que acontecesse com Jó.
Isso nos traz a uma pergunta que é feita comumente, "Por que os santos sofrem?" O fato de que os crentes sofrem juntamente com todos os homens perturba muitas pessoas. Na realidade, as perguntas em seus corações são, "Por que Deus permite que Seus filhos sofram? Por que Deus permite que seus filhos sejam perseguidos por inimigos?" Essas são perguntas importantes e devemos discutí-las na próxima oportunidade.
Discutimos o sofrimento que vem para todas as pessoas e as razões para que isso aconteça. Isso nos trouxe a uma pergunta que comumente é feita, "Por que o povo de Deus sofre?" ou "Por que os crentes sofrem?" E agora vamos pensar um pouco sobre essas perguntas.
O fato de que crentes sofrem como todos os outros homens perturba muitas pessoas. Na realidade, as perguntas em seus corações são as seguintes, "Por que Deus permite que o Seu povo sofra? Por que Deus permite que Seus filhos sejam perseguidos por seus inimigos?" Algumas vezes pessoas que não conseguem compreender porque Deus permitiria que Seu povo sofresse, tentam acalmar a sua confusão com algumas explicações sem valor. "Pode ser que muitos crentes sejam como crianças na sociedade humana que possuem menos valores do que adultos, e portanto, estão tirando vantagem deles e os abusando? Será que Deus está muito preocupado ou esmagado pelos complexos problemas desse mundo para proteger todo o Seu povo? Será que os eventos deixam Deus surpreso? Será que a morte do povo de Deus é um erro? Será que Ele deseja os fortalecer para prepará-los para encarar as dificuldades da vida por si mesmos? Será que Ele os está punindo por causa de algum pecado ou afronta à Sua vontade?" Essas são apenas algumas das perguntas nos corações das pessoas quando elas buscam por paz enquanto vivendo num mundo cheio de mágoa? Entretanto, tentar descobrir algo por si mesmo nunca ajuda a decidir como esclarecer um assunto, especialmente um que nos incomoda pessoalmente como o sofrimento. Precisamos ir até a Bíblia que possui uma explicação melhor, mais positiva e encorajadora.
O sofrimento dos crentes, incluindo o sofrimento que é resultado do ataque de seus inimigos, faz parte da vontade de Deus para eles aqui na terra, conforme lemos em I Pedro 4:19, "Portanto os que sofrem segundo a vontade de Deus confiem as suas almas ao fiel Criador, praticando o bem." Pedro sabia que Deus poderia resgatar Seus filhos do perigo físico se Ele assim desejasse, conforme lemos em II Pedro 2:9, "Também sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos, e reservar para o dia do juízo os injustos, que já estão sendo castigados." Mas aos olhos de Deus essa não é sempre a melhor maneira. Algumas vezes um crente aprende uma lição através do sofrimento que ele não aprenderia de outra maneira. Nesse caso, ele é ensinado por um sábio e amoroso Pai Celestial, através do sofrimento, por exemplo, a ser mais dependente de Deus, mais paciente com os planos e tempo de Deus, mais paciente com outras pessoas imperfeitas, mais desejoso de reajustar suas prioridades e subordinar os seus próprios desejos, ou estar mais sensível as necessidades dos outros.
Algumas vezes as lições não são primariamente para a pessoa que suporta o sofrimento, mas para os outros. O sofrimento de um crente e a sua reação a isso pode mostrar a outros o trabalho de fé das mãos de Deus na sua vida, conforme lemos em Pedro 1:7, "Para que a prova da vossa fé, mais preciosa do que o ouro que perece, embora provado pelo fogo, redunde para louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo." O sofrimento de um crente pode ser um poderoso testemunho para a contínua surpresa de não crentes, pois o crente reage de modo suave a seus ataques, de um modo que não é visto em outras pessoas, conforme lemos em I Pedro 3:9, "Não retribuindo mal por mal, ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo; porque para isso fostes chamados, para herdardes uma benção." E mais sério do que isso, o sofrimento do crente pode expôr a maldade daqueles que odeiam Deus, mostrando que eles estão prontos para o julgamento, conforme lemos em Filipenses 1:28, "E que em nada estais atemorizados pelos adversários, o que para eles é indício de perdição, mas para vós de salvação, e isso da parte de Deus."
Não está sempre claro, observando o comportamento de pessoas conforme elas enfrentam o sofrimento, o que é especial sobre o sofrimento como crente. Não crentes, assim como crentes, algumas vezes enfrentam com grande coragem uma grande perda e dor por uma causa, ou por causa de uma outra pessoa que eles amam. Podemos compreender o sofrimento como um crente apenas quando reconhecemos a dimensão espiritual da vida de uma pessoa crente. Certamente o crente deve ser humilde e mais amoroso do que qualquer outra pessoa. Mas a marca única do sofrimento do crente é seu relacionamento com o evangelho da Bíblia. Apenas crentes sofrem porque são fiéis à verdade encontrada na Bíblia. Os crentes sofrem como parte do ataque de Satanás e do mundo sobre Cristo. Os crentes sofrem porque o mundo odeia o seu testemunho verbal do único verdadeiro evangelho do pecado, julgamento e graça encontrado exclusivamente em Jesus Cristo. Os crentes sofrem por causa da sua obediência à verdade do evangelho é uma vida de testemunho, a qual convence os crentes da sua rebelião. Os crentes sofrem com a esperança da ressurreição e da herança dos céus. Os crentes sofrem acompanhados da presença de Deus.
Mais importante do que tudo isso, é que precisamos reconhecer que o sofrimento precisa ser atribuído a um conflito espiritual profundo no universo, isto é, a ira entre Satanás e Deus. Quando ele não pode atacar Deus, Satanás envia não crentes, que são seus escravos, contra aqueles que confessam o nome de Deus, conforme ele tenta ferir e matá-los para colocar em perigo ou silenciar as suas testemunhas. Esse conflito ou batalha espiritual é descrito por toda a Bíblia e é um dos assuntos mais importantes que encontramos em I Pedro também. O sofrimento sobre o qual lemos em I Pedro é especialmente resultado do ataque do homem ímpio sobre o povo de Deus, conforme lemos em I Pedro 3:16, "Tendo uma boa consciência, para que, naquilo em que falam mal de vós, fiquem confundidos o que vituperam o vosso bom procedimento em Cristo."
Portanto, não é surpreendente que o sofrimento pessoal de Jesus é também parte da história de I Pedro. O corpo físico de Jesus foi sem pecado e não estava sujeito a queda, portanto, Ele não compartilhou na queda física do mundo. Mas Ele foi o alvo das palavras ímpias dos homens. E Ele sofreu debaixo da ira de Deus para libertar Seu povo dos efeitos espirituais da maldição de Deus agora, e dos seus efeitos físicos e espirituais no final dos tempos.
Finalmente precisamos compreender a importância da reação de uma pessoa diante do sofrimento, se este é auto-induzido ou afligido externamente. O grande medo do não crente, a mágoa e a raiva no sofrimento parece para eles algo sem esperança e que estão condenados como pecadores rebeldes. A alegria do crente, a sua humildade e amor lhe concede uma nova vida através da obra do Espírito e ele é amado por Deus sendo o Seu povo obediente, arrependido e confiável. A reação de Jesus ao sofrimento O revela como sendo o Todo-Poderoso que está no controle de todas as coisas de eternidade a eternidade. A reação dos crentes e de Jesus a ataques externos é cuidadosamente discutida em I Pedro, observe o que I Pedro 4:12,13 nos diz, "Amados, não estranheis a ardente provação que vem sobre vós para vos experimentar, como se coisa estranha vos acontecesse; mas regozijai-vos por serdes participantes das aflições de Cristo; para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e exulteis."

5. VERSÍCULOS SELECIONADOS

Concluímos os nossos comentários gerais sobre o livro de I Pedro. Vamos agora analisar com mais detalhes alguns versículos selecionados no livro de I Pedro.

a) I Pedro 1:1,2 , "Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos peregrinos da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, eleitos segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas."

Embora Pedro fosse judeu, ele tinha tanto judeus como gentios em mente quando escreveu essa carta. Como toda a Bíblia, I Pedro foi dirigido a todas as pessoas que dizem crer e seguir Jesus Cristo, não importa qual seja a sua herança física.
A palavra "peregrinos" engloba particularmente todos os crentes verdadeiros que nasceram de novo e que vivem nessa terra. Eles são peregrinos diante de Deus antes de serem salvos, mas se tornam peregrinos para o mundo uma vez que são salvos. No passado eles eram amigos do mundo, mas eles agora não agem mais como pessoas as quais os não crentes desse mundo não podem mais reconhecer, conforme lemos em I Pedro 4:4 que diz o seguinte, "E achavam estranho não correrdes com eles no mesmo desenfreamento de dissolução, blasfemando de vós. E portanto, são alvos da ira do mundo."
A palavra "dispersão" é também bastante apropriada para descrever o povo de Deus à luz do tema que escolhemos para enfatizar o nosso estudo de I Pedro. Ela se refere, entre muitas coisas, para o fato de que eles estão epalhados pelo mundo, tendo ao redor aqueles que lhes odeiam. Isso chama a nossa atenção para o fato de que não possuem um lugar certo na terra e ao invés disso possuem uma esperança celestial (Filipenses 3:20, Hebreus 11:16, I Pedro 1:4). Isso enfatiza a vulnerabilidade do crente, pessoas que não precisam depender dos seus próprios recursos, e que precisam do cuidado de Deus para a sua sobrevivência espiritual quando são atacados pelos homens ímpios (I Pedro 2:23, 4:19, 5:7).
Portanto, as bençãos de I Pedro 1:2 se aplicam a crentes de todas as nacionalidades. Eles são escolhidos, pessoas que o Pai soberanamente escolheu e que são objeto de Seus cuidados (I Pedro 5:7, II Pedro 2:9), mesmo no meio do sofrimento. Eles são santificados, pessoas que o Espírito modifica conforme Ele purifica através da verdade da Sua Palavra (João 15:3, I Pedro 1:22), mesmo no meio do sofrimento. Eles são obedientes, pessoas que mostram quão limpo o sangue de Jesus os deixou (I Pedro 2:9), mesmo no meio do sofrimento.

b) I Pedro 1:3,4, "Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada nos céus para vós."

Certamente os crentes não ficam felizes em saber que seus corpos e reputação são feridos, ou que aqueles que amam são feridos. Entretanto, a Bíblia afirma com boa razão que os crentes precisam bendizer a Deus. Eles devem sempre dizer coisas boas dEle, mesmo nos momentos de dificuldade. Por que? Por causa da Sua "grande misericórdia." Os crentes devem se alegrar porque Deus os regenerou na Sua misericórdia. Os crentes passam a ter uma vida que nunca tiveram antes. Uma vida nova que vem do seu Pai celestial, vida esta que vem de uma fonte incorruptível e eterna e portanto se apresenta a si mesmo como uma vida nova e santa no mundo conforme lemos em I Pedro 1:22, 23, "Já que tendes purificado as vossas almas na obediência à verdade, que leva ao amor fraternal não fingido, de coração amai-vos ardentemente uns aos outros, tendo renascido, não de semente corrupível, mas de incorruptível, pela palavra de Deus, a qual vive e permanece."
Os crentes também se alegram pela sua "viva esperança," uma esperança que não é um truque emocional para segurar o desespero, mas que é viva como o próprio Deus. É uma esperanca viva no sentido de que o próprio Jesus Cristo que está vivo para reinar no céu e para cuidar do Seu povo, conforme lemos em I Pedro 5:7, "Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós."- Essa esperança está viva "pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos." Essa frase significa que a ressurreição de Jesus mostra que Ele pagou toda a quantia necessária para a redenção das almas do Seu povo e portanto, eles possuem a esperança de que não serão julgados no final dos tempos, conforme lemos em I Pedro 4:17 que diz, "Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e se começa por nós, qual será o fim daqueles que desobedecem o evangelho de Deus?", mas ao invés disso, receberão bençãos como lemos em I Pedro 5:4, "E, quando se manifestar o sumo Pastor, recebereis a imarcescível coroa da glória." A frase, "viva esperança" também siginifica que os crentes possuem a esperança da redenção dos seus corpos, porque a ressurreição de Jesus mostra que Ele pode e vai também ressuscitar seus corpos no último dia.
Os crentes se alegram porque a sua herança, que lhes foi prometida na base da redenção que viria através de Cristo e que lhes estava reservada nos céus, é incorrupível e incontaminável. Essa é uma herança celestial que não está sujeita à deterioração do pecado assim como todas as outras coisas terrenas que são preciosas para o homem estão sujeitas. A sua herança é durável, um tesouro que não pode ser abalado ou estar em perigo por causa de nenhuma perseguição.
Eles se alegram porque a sua triste experiência pode resultar em adoração, honra e glória a Deus, e se não for agora, então pode ser no final dos tempos. Eles sabem que os seus julgamentos são propositais e que são instrumentos nas mãos de Deus através dos quais Ele pode completar Seus propósitos. Eles crêem que através de todo o sofrimento que passam, Deus pode criar coisas boas, porque Ele deseja o melhor para eles, conforme lemos em I Pedro 2:25, "Porque éreis desgarrados, como ovelhas; mas agora tendes voltado ao Pastor e Bispo das vossas almas."

c) I Pedro 1:6-8, "Na qual exultais, ainda que agora por um pouco de tempo, sendo necessário, estejais contristados por várias provações, para que a prova da vossa fé, mais preciosa do que o ouro que perece, embora provado pelo fogo, redunde para louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo; a quem, sem o terdes visto, amais; no qual, sem agora o verdes mas crendo, exultais com gozo inefável e cheio de glória."

A palavra grega traduzida aqui como, "estejais contristados" geralmente aparece na Bíblia como "tristeza." E também a palavra "provação" é melhor interpretada como "julgamento." A idéia nesse versículo é que os crentes devem se alegrar, embora estejam passando por julgamentos aqui na terra, se Deus assim deseja. A alegria do crente não é encontrada nesse mundo cheio de tristezas, mas é baseada no que eles experimentam em seus corações e na sua compreensão das coisas espirituais, coisas que são mais reais do que o seu sofrimento terreno.
As palavras em I Pedro 1:8, "A quem (que é Jesus), sem o terdes visto, amais..." parece ser uma idéia estranha. Como é que podemos amar alguém que nunca vimos com nossos olhos? É fácil amar alguém que está à nossa frente. Mas amar alguém que nunca vimos? Isso não parece fazer sentido. Parece uma idéia bastante estranha se olhamos pelo ponto de vista humano. Mas I Pedro 1:7 nos ajuda a compreender isso. Nessa passagem lemos que o sofrimento é "a prova da vossa fé." A idéia é que Deus permite que Seus queridos filhos passem pelo fogo dos sofrimentos como uma maneira de fortalecer a sua fé, porque é pela fé que eles passam a ver Jesus e a amá-Lo. No julgamento do sofrimento o povo de Deus enxerga a sabedoria, força e o conforto de Deus. É uma benção que Jesus dá ao Seu povo. Mesmo quando eles experimentam os seus momentos mais difíceis, eles enxergam o Seu amor e portanto, passam em retorno a amá-Lo. E também é pela fé que o povo de Deus se liberta desse sofrimento presente e que espera pelas maravilhosas promessas de Jesus no céu.
O sofrimento ajuda o povo de Deus a focalizar a sua atenção para a dimensão não material do amor e da esperança do crente. As palavras, "terdes visto" e "verdes" no versículo 8 são palavras normais para visão física, mas algumas vezes são interpretadas como "saber" ou "compreender," isto é, conhecimento ou compreensão baseados na experiência pessoal de cada um. A idéia desse versículo é que a força da segurança do crente não é baseada numa experiência física que rapidamente é apagada da sua memória e facilmente coberta com a dúvida, especialmente quando estão no meio de um teste pelo fogo do sofrimento nas mãos dos inimigos, fogo que parece queimar por tanto tempo enquanto eles estão passando pelo problema. Ao invés disso, a sua fé é baseada em coisas que não podem ser vistas, na certeza do que Deus fez em suas almas e no que a Sua Palavra diz sobre o evangelho espiritual de Jesus, conforme lemos em I Pedro 1:9,10, "Alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas. Desta salvação inquiriram e indagaram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que para vós era destinada."
Os crentes se alegram porque são objetos do amor de Deus em Jesus Cristo, O qual eles amam em troca e O qual vêem não através da visão física, mas através da fé. Eles sabem que a visão física não possui nenhuma força que pode lhes trazer um alívio real ou conforto no seu sofrimento e que também não existe nenhuma mágica que possa lhes aproximar do Salvador de suas almas. O amor e a alegria dos crentes é baseada no que eles aprenderam sobre Jesus na Bíblia, juntamente com o trabalho do Espírito Santo em suas mentes e corações. O crente ama aquele que viu nas escrituras e que o abençoou com o evangelho e com a obra do Espírito Santo. A realidade espiritual em seu coração e a verdade da palavra escrita suprime qualquer dúvida que possa ser induzida pela dureza do sofrimento. Os crentes pacientemente esperam pela conclusão da sua salvação enquanto vivem na terra, porque eles focalizam sempre a realidade espiritual que está por vir, conforme lemos em II Coríntios 4:17, 18, "Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós cada vez mais abundantemente peso de glória; não atentando nós nas coisas que se vêem, mas sim nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, enquanto as que se não vêem são eternas."

d) I Pedro 1:20, "O qual, na verdade, foi conhecido ainda antes da fundação do mundo, mas manifesto no fim dos tempos por amor de vós."

Conhecemos Deus como o Poderoso Criador e como o Juiz que possui toda a autoridade. I Pedro 1:19 nos lembra também a soberania de Deus na redenção. O seu controle sobre as coisas pertencentes a salvação existia "antes da fundação do mundo" e continua para toda a eternidade. Esse versículo nos ensina que o Rei que possui todo o poder e autoridade opera todas as coisas "por amor de vós." Isto é, Ele possui o Seu povo em Sua mente e coração, e tem controle total sobre todos eles.
Os crentes não temem e não duvidam quando suportam o sofrimento. Eles não sentem como se Deus estivesse do lado dos seus inimigos ou como se seus problemas são grandes demais para Deus. Deus não ficou surpreso com o pecado de Adão e então precisou criar um plano para lidar com suas consequências. A corrupção e a miséria desse mundo e de seus habitantes não foi um problema que Deus resolveu como um quebra-cabeça. Ao invés disso, os crentes sabem que Jesus é o Mestre de todas as coisas, conforme lemos em I Pedro 3:22, "Que está à destra de Deus, tendo subido a céu; havendo-se-lhe sujeitado os anjos, e as autoridades, e as potestades." Conforme o sofrimento de Jesus foi cuidadosamente planejado "desde a fundação do mundo" e portanto, foi um evento proposital e efetivo, da mesma maneira o sofrimento dos crentes está nas capazes mãos de Deus. Os crentes sabem que podem lançar sobre Deus todas as suas ansiedades porque Deus é sábio e capaz de ajudá-los e que pode usar e usa o sofrimento para realizar toda Sua boa obra. Ao invés de ser um sinal de fraqueza, o sofrimento permite que Deus trabalhe num mundo pecador e mostra que Ele ainda pode manter Sua Palavra. Os crentes sofrem de acordo com o tempo de Deus e debaixo do Seu controle. Eles crêem que Deus não apenas vai trazer um fim para o seu sofrimento no momento certo, mas também que vai lhes dar a conclusão da sua salvação, assim como a prometida esperança.

e) I Pedro 1:22 até 2:3, "Já que tendes purificado as vossas almas na obediência à verdade, que leva ao amor fraterno não fingido, de coração amai-vos ardentemente uns aos outros. Se é que já provastes que o Senhor é bom."
A frase, "amai-vos ardentemente uns aos outros" em I Pedro 1:22 nos lembra que o mandamento e as expectativas de Deus estão num nível muito mais profundo do que apenas um conformismo com a Sua Lei. A obediência deve vir do fundo do coração do homem. O homem precisa ser movido por um coração que ama fazer a vontade de Deus. A ordem para que o homem seja santo como Deus é Santo, conforme lemos em I Pedro 1:15, 16 que diz, "Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em todo o vosso procedimento; porquanto está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo," significa, dentre outras coisas, que o homem precisa se comportar de uma maneira santa porque ele possui um coração que ama as mesmas coisas que Deus ama.
Deus sabe que o homem perdido não é capaz ou não deseja alcançar esse nível de obediência. Ele sabe que o desejo do seu coração é sempre cumprir a cobiça da carne. Mesmo se eles, por alguma razão, fazem externamente aquilo que a vontade de Deus deseja, todas as vezes que eles desejarem satisfazer os seus próprios desejos pecaminosos, as suas aparentes boas obras não terão valor, conforme lemos em Isaías 64:6, "Pois todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades, como o vento, nos arrebatam." Do ponto de vista de Deus, desejar fazer alguma coisa pecaminosa, mas não fazer, é tão ruim quanto fazer. Na realidade, é o mesmo que fazer. O coração do homem perdido é sempre o mesmo, portanto, não importa o que eles façam ou deixem de fazer.
Há uma imensa separação entre o homem perdido e a justiça de Deus! Sem a misericórdia e iniciativa de Deus, todo homem ímpio tem que encarar o terror da ira de Deus no inferno. Mas através da morte de Jesus, Deus removeu a responsabilidade que Seu povo possuia diante da lei de Deus, conforme lemos em I Pedro 1:18,19 que diz, "Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo." E por causa dessa grande obra, Deus pode purificar o coração ou alma do Seu povo. Dessa maneira eles podem verdadeiramente amar ardentemente uns aos outros.
A mudança necessária para que uma pessoa obedeça a Deus com seu coração, para ter uma alma purificada é algo tão grande que é descrito como um novo nascimento, conforme I Pedro 1:23 nos diz, "Tendo renascido, não de semente corruptível, mas de incorruptível, pela palavra de Deus, a qual vive e permanece." Os crentes, as pessoas que receberam a graça de Deus, são pessoas novas por dentro, pessoas que receberam vida de uma nova fonte, um novo Pai, se desejarem, conforme lemos em I Pedro 1:17, "E, se invocais por Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo a obra e cada um, andai em temor durante o tempo da vossa peregrinação." Com uma vida nova, eles possuem a motivação correta e o poder para se comportarem da maneira correta. O seu antigo desejo de fazer as coisas é substituido por um desejo novo que se encaixa com o desejo de Deus.
O princípio sobre o qual a mudança do evangelho é baseada é que uma raça gera a mesma raça. Girafas geram girafas, macacos geram macacos e pessoas geram pessoas. Baseados nesse princípio, podemos dizer que a semente incorruptível a qual concebe crentes produz filhos incorruptíveis, a semente sendo a Palavra de Deus ou o evangelho. Em contraste a isso, I Pedro 1:24 afirma que "toda a carne é como a erva," o que significa não apenas que a carne é fraca e que a sua força é temporária, mas também que ela é pecadora. Homens pecadores geram filhos pecadores. A Bíblia explica que Deus se aproxima de pessoas pecadoras e fracas com palavras de conforto, palavras de um pastor que cuida das Suas ovelhas, conforme lemos em I Pedro 2:25, "Porque éreis desgarrados, como ovelhas; mas agora tendes voltado ao Pastor e Bispo das vossas almas." Deus sabe que os homens são fracos e perecíveis. A Sua misericórdia vem ao homem que não possui outra esperança. Portanto, Deus gera os Seus queridos filhos através da Sua Palavra, a qual dura para sempre, conforme lemos em I Pedro 1:25, "Mas a palavra do Senhor permanece para sempre. E esta é a palavra que vos foi evangelizada."
Os crentes recebem uma vida nova e são capazes de colocar de lado suas vidas pecaminosas, incluindo a reação pecadora ao sofrimento e a perseguição que é característica do homem não salvo, conforme I Pedro 2:1 nos diz, "Deixando, pois, toda a malícia, todo o engano, e fingimentos, e invejas, e toda a maledicência." Os crentes se alimentam da palavra e lidam mais e mais com a perseguição de acordo com a vontade de Deus, mas é claro, apenas se receberam a graça. I Pedro 2:2,3 nos diz, "Desejai como meninos recém-nascidos, o puro leite espiritual, a fim de por ele crescerdes para a salvação, se é que já provastes que o Senhor é bom." Os crentes têm consciência da fraqueza da sua carne. Eles sabem que o maior problema que enfrentam não é como se manterem firmes diante das investidas físicas daqueles que os odeiam, mas ao invés disso, como lidar com a responsabilidade e poder do seu pecado. Eles estão cada vez mais convencidos da sua dependência da ajuda divina para viverem uma vida santa, especialmente no meio do sofrimento, o qual os pode enfraquecer e tirar a sua atenção do alvo.

f) I Pedro 2:6, "Por isso, na Escritura se diz: Eis que ponho em Sião uma principal pedra angular, eleita e preciosa; e quem nela crer não será confundido."

I Pedro 2:6 nos apresenta o triste fato de que uma grande fonte de perseguição e sofrimento para os crentes vem das igrejas, de lugares que deveriam demonstrar amizade para o crente, mas que muitas vezes não faz isso. Deus usa várias passagens no Velho Testamento para nos dirigir a esse ponto.
I Pedro 2:6 é uma citação de Isaías 28:16. Uma mensagem de Isaías 28 é que Deus vai julgar as igrejas apóstatas, isto é, a liderança da igreja apóstata e os seus membros não salvos. Essas pessoas criaram os seu próprio evangelho para que nele pudessem encaixar a sua própria expectativa de salvação e o seu pecaminoso estilo de vida. Ainda assim, Deus não deixa as igrejas sem uma testemunha do verdadeiro evangelho da salvação em Jesus Cristo. E uma vez que o plano de salvação falsificado dos não crentes não funciona, não cobre os seus pecados, eles precisam ridicularizar o evangelho verdadeiro que lhes foi anunciado pelos crentes verdadeiros, esperando que dessa maneira possam esconder a sua vergonha do testemunho que os condena. O membros não crentes de igrejas apóstatas tentam silenciar o verdadeiro evangelho através da perseguição e intimidação. O conforto de I Pedro 2:6 é que "quem nela crer não será confundido." Embora o crente possa ficar confundido porque o ataque vem de pessoas que usam palavras santas e que dizem representar Cristo, Deus vai proteger o Seu povo da influência de falsos evangelhos, conforme lemos em I Pedro 1:5, "Que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que está preparada para se revelar no último tempo."
A idéia de I Pedro 2:6 é que o Deus Poderoso vai colocar uma pedra de esquina, a qual se refere ao fato de que Jesus deu a Sua vida, conforme lemos em João 10:11, para que pudesse construir a Sua casa, que faz referência a todas as pessoas que seriam salvas. Ele, e apenas Ele é o arquiteto, o construtor da casa. Isso significa que todas as pessoas que Ele salva e que portanto, são acresecentadas à Ele, estão seguras e não podem ser removidas através do sofrimento, incluindo o sofrimento causado por falsos menssageiros. Isso também significa que a religião que os falsos profetas tentam construir não é estável ou duradora. Tanto os falsos profetas quanto a religião que eles constroem serão "confundidas" ou envergonhadas no dia do julgamento.

g) I Pedro 2:11 até 3:9.

Essa longa passagem ensina um princípio importante que vamos gastar um pouco de tempo explicando. O princípio dessa passagem é descrito em I Pedro 2:12 aonde lemos, "Tendo o vosso procedimento correto entre os gentios, para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, observando as vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação." As palavras, "falam mal de vós," se referem ao ataque dos não crentes contra os crentes. As palavras "vossas boas obras" se referem a reação dos crentes ao ataque de pessoas que buscam causar-lhes algum dano. O princípio em vista é resumido em I Pedro 3:9 pelas palavras, "Finalmente, sede todos de um mesmo sentimento, compassivos, cheios de amor fraternal, misericordiosos, humildes, não retribuindo mal por mal, ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo; porque para isto fostes chamados, para herdarde uma benção." I Pedro 2:11 até 3:9 poderia ser entitulado como "Como aceitar o mal sem vingança," e explica o princípio de retornar o mal com o bem. A nossa proposição em analisar essa passagem será tentar compreendê-la à luz desse princípio.
Vingança é a expressão do ódio no coração de todo homem não salvo, ódio que pode ser encontrado até pelo próprio Deus. Na sociedade moderna esse ódio pode ser velado. Os homens perdidos geralmente não tem consciência do seu ódio por Deus. E ao invés disso, eles substituem a adoração a Deus por uma cerimônia religiosa e por tradição, ou na sua preocupação com as coisas do mundo eles ignoram Deus ou O insultam com a sua ingratidão pelas bençãos físicas que recebem das Sua mãos, ou eles negam Deus completamente através da criação de elaboradas filosofias.
Os homens podem dizer, "Bem, eu vou por meu caminho e Deus vai pelo dEle," ou "Deus é uma idéia primitiva que não me diz respeito." Entretanto, o ódio do homem em relação a Deus é muito mais forte do que isso. Em seus corações queima um ressentimento baseado no fato de que eles sabem que devem se submeter à vontade do seu Poderoso Criador. Eles também têm ressentimento contra Deus porque Deus permite que sobre eles venha toda a miséria e dor que eles têm que suportar, embora não tenham a quem culpar a não ser eles mesmos. Não existe uma maneira que eles possam atacar a Deus pessoalmente agora, embora tenham feito isso quando Ele veio a terra. Portanto, toda a maldade dos seus corações é colocada sobre os seus companheiros especialmente os crentes que através do seu testemunho das suas palavras e atos lembram os não crentes da sua obrigação de honrar e obedecer Deus, assim como da sua responsabilidade por sua rebelião diante da vontade de Deus.
Essa passagem ensina um princípio importante, o qual vamos tomar mais tempo para que seja bem explicado. Essa passagem poderia ser entitulada "Como aceitar o mal sem buscar vingança" e explica como podemos retribuir o mal com o bem. O nosso objetivo em analisar essa passagem é tentar compreendê-la à luz desse princípio.
Antes de voltarmos a nossa análise dessa passagem, precisamos fazer alguns comentários introdutórios. O desejo de vingança também carrega o orgulho. A vingança revela a visão inflada do homem do seu próprio valor e autoridade, assim como uma preocupação com seus direitos. Em geral, o homem perdido pode ser bastante agradável quando ele não é desafiado. Mas a sua compustura é rapidamente abandonada quando o reservatório de ira em seu coração começa a derramar raiva em ataque, e geralmente com pouca provocação, sobre qualquer pessoa que ele pensa que o ameaçou de alguma maneira ou que interferiu com a oportunidade que possui de obter o que sente que o levou a procurá-lo.
Provavelmente não existe um pecado que seja tão instantâneo e destrutivo como o desejo de uma pessoa de "se vingar" de alguém que o feriu de alguma maneira. Quando o homem é ferido por alguém de maneira intencional ou não, ele passa a ter um incontrolável desejo de ensinar a essa pessoa uma lição. Portanto, o desejo de vingança não apenas demonstra o amor que o homem tem por si mesmo, mas também a falta de amor por outra pessoa quando ele tenta destruir a outra pessoa. A vingança é algo delicioso para o não crente, mas nunca satisfaz a sua raiva. Ele faz qualquer coisa para manter a sua própria idéia de justiça. A sua falta e controle e misericórdia mostra sua escravidão da cobiça por vingança.
I Pedro 2:11 e 3:9 vai nos ajudar a compreendermos o conselho de Deus nessas áreas de vingança. Essa passagem é precedida pelo versículo 10 o qual reconhece que os verdadeiros crentes "outrora nem éreis povo." Isto é, eles não eram pessoas que pertenciam a Deus. Eles não tinham Deus nesse mundo, ligados ao pecado e buscando vingança por palavras que foram ditas contra eles. E a dramática mudança que aconteceu em suas vidas e que foi produto da misericórdia de Deus nos é revelada em I Pedro 2:9 que diz, "Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz." Apenas depois que eles alcançaram misericórdia puderam demonstrar em seu comportamento para seus inimigos a graça de Deus que os chamou das trevas. Em Cristo, eles passaram pela morte requerida pela lei e nasceram de novo pela Palavra de Deus. Portanto, eles tinham uma vida que foi caracterizada pelo amor ao invés da vingança, assim como o "povo de Deus" que agora O serve ao invés de servir a si mesmos, conforme lemos em I Pedro 4:8 que diz, "Tendo antes de tudo ardente amor uns para com os outros, porque o amor cobre uma multidão de pecados."
Em I Pedro 2:11 lemos o seguinte, "Amados, exorto-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências da carne, as quais combatem contra a alma." A partir desse versículo podemos aprender que a resposta do crente para o mal é baseada apenas no fato de que crentes são "amados." Isso significa mais do que o fato de que Pedro os amava. Mas significa que Deus os amava em Jesus Cristo, conforme lemos em Romanos 5:8, "Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós." Os crentes possuem a segurança do amor de Deus que reduz o seu temor da perda quando são atacados por seus inimigos, sabendo que a sua herança e todos os seus valores para com Deus nunca vão desaparecer.
A súplica dessa passagem é para pessoas que são estrangeiras e peregrinas nesse mundo, não que a sua lealdade é estranha ao resto das pessoas no mundo, mas que o desejo de vingança lhes é estranho e não é o seu costume como cidadãos de um reino celeste. O seu novo padrão de comportamento, especialmente para com as suas reações a coisas erradas que lhes foram feitas por outras pessoas, é tão diferente que os não crentes não podem compreender sua nova atitude e ação conforme lemos em I Pedro 4:4, "E acham estranho não correrdes com eles no mesmo desenfreamento de dissolução, blasfemando de vós."
I Pedro 2:11 descreve a vingança como "concupiscências da carne." É um desejo que é gerado por uma sede não espiritual de alcançar a auto-satisfação. Ela está enraizada numa visão exaltada da importância pessoal e uma estima baixa pelos valores dos outros e até mesmo de Deus.
I Pedro 2:11 é uma bandeira vermelha que nos alerta para o fato de que a vingança é uma concupiscência que "combate contra a alma." Nada separa um não crente de Deus mais rapidamente do que um coração cheio de vingança inflamado pelo ego da pessoa. Um não crente não está preocupado com a separação que existe entre ele e Deus. Mas um crente deseja estar perto do seu Senhor. Um crente reconhece que o desejo por vingança afasta todos os bons pensamentos da sua mente. E esse desejo consome a sua energia facilmente e envenena o seu relacionamento com Deus e com outras pessoas. Ele acaba com seu testemunho da graça de Deus e diminui a sua vitalidade espiritual. É por isso que os crentes devem e precisam lutar contra o desejo de vingança, que está tão ligado a sua carne. Em geral, as vidas dos crentes são caracterizadas por não possuirem vingança. Entretanto, algumas vezes, os crentes na sua fraqueza, buscam por vingança. Mas eles não continuam desejando vingança porque agora possam ter ums atitude de misericórdia.
Em I Pedro 2:12, nós lemos, "Tendo o vosso procedimento correto entre os gentios, para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, observando as vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitaçã.. " A palavra "gentios" no versículo 12 diz respeito aos não crentes, não importa qual seja a sua nacionalidade, conforme lemos em I Pedro 4:3, "Porque é bastante que no tempo passado tenhais cumprido a vontade dos gentios, andando em dissoluções, concupiscências, borrachices, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias." Em outras palavras, a palavra "gentios" se aplica também a judeus cheios de vingança que tinham muitas coisas contra os crentes, conforme Pedro sabia muito bem de outras experiências. Pessoas de todas as nações possuem problemas com isso e precisam receber conselhos sobre essa questão de vingança.
As palavras "observando as vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação," não significam que os crentes serão necessariamente crentes por causa da graça de Deus que é demonstrada através das suas boas ações embora retribuindo o mal com o bem seja um testemunho poderoso e Deus pode usar isso para trazer pessoas para o Seu reino. Ao invés disso, o ponto principal é que os não crentes vão dar a Deus a glória que Ele merece no dia do julgamento, embora eles recusem adorá-Lo antes, o que será evidenciado pelo mal tratamento dos Seus embaixadores.
Em I Pedro 2:13 lemos, "Tendo o vosso procedimento correto entre os gentios, para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, observando as vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação." A partir desse versículo aprendemos que Deus possui Seu próprio método de justiça na terra antes que Ele volte para acertar todas as coisas erradas no dia da Sua visitação. Não é o chamado ou a preocupação dos crentes gastar tempo e esforço para buscar a justiça perfeita através de seus esforços. Os crentes não podem fazer a lei com suas próprias mãos, mas deixar a justiça nas mãos dos governantes, uma vez que eles são apontados por Deus.
O conselho de Deus é "Sujeitai-vos a toda autoridade humana por amor do Senhor." Isto é, Deus tem um plano em mente e está em controle de todos os problemas do homem através das autoridades civis, e os crentes não devem aumentar a guerra que os não crentes tentam fazer contra eles, respondendo o mal com o mal. Vingança não é apreciada pelos líderes civis, que são chamados para manter a paz e trazer justiça à terra. As autoridades civis, valorizam os cidadãos que vivem uma vida calma e quieta e que não aumentam as brigas às quais são muitas vezes expostos. Um crente que usa de vingança, interfere com o plano de Deus para a sua vida, especialmente como testemunha para as autoridades civis que o governam.
Em I Pedro 2:14,15 lemos o seguinte, "Quer aos governadores, como por ele enviado para castigo dos malfeitores, e para o louvor dos que fazem o bem. Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo o bem, façais emudecer a ignorância dos homens insensatos." As palavras, "castigo dos malfeitores" se referem não apenas a punição dos "governadores" para com os não crentes por causa da sua maldade, mas também quando eles fazem coisas erradas contra os crentes. Os crentes devem se submeter às regras das autoridades civis como uma extensão do governo de Deus sobre as atitudes dos homens, ao invés de buscar através de seus próprios esforços fora da lei, satisfação ou restituição por um tratamento que não foi justo. Como esses versículos falam, essa é a vontade de Deus.
Em I Pedro 2:16, lemos, "Como livres, e não tendo a liberdade como capa da malícia, mas como servos de Deus." As palavras a "como livres" significam que os crentes são livres e não escravos das concupiscências da carne. Os crentes não precisam ser escravos de um desejo por vingança que consume os pensamentos e o tempo daquelas pessoas que buscam por malícia. Ao invés disso, eles são servos de Deus, o que significa que eles são pessoas que humildemente fazem a vontade do seu Mestre, não desejando mal aos homens, embora possam ser maltratados enquanto servem ao Senhor e a sua carne os chama para defender o seu orgulho e propriedade.
Em I Pedro 2:17, 18 lemos, "Honrai a todos. Amai aos irmãos. Temei a Deus. Honrai ao Rei. Vós, servos, sujeitai-vos com todo o temor aos vossos senhores, não somente os bons e moderados, mas também aos maus." As palavras "Honrai a todos" nos lembra que quando uma pessoa não tem o desejo de vingança, isso em parte está relacionado com essa grande visão dos outros e da sua pequena visão de si mesmo. Na realidade, as palavras "Temei a Deus,"não foram apenas colocadas na Bíblia como uma outra ordem. A ordem "Honrai a todos," "Amai aos irmãos" e "Honrai ao Rei" mostra que a visão de uma pessoa dos outros, especialmente em relação a noção de vingança, é parte ou uma medida do ponto de vista dessa pessoa. Na realidade, as palavras, "mas também aos maus" nos mostra que a nossa reação em favor do bem contra o mal não é determinado pelo fato de que se a pessoa que nos ofende merece ou não uma boa resposta, porque ela pode ser uma pessoa terrível, mas é determinado pelo fato de que nós tememos a Deus. Nós retribuimos o bem porque essa é a vontade do Deus Poderoso. Além disso, será que Deus fez menos do que isso conosco, pecadores?
Essa passagem ensina um princípio importante sobre o qual vamos gastar mais um pouco de tempo para explicar. Essa passagem poderia ser entituladda "Como aceitar o mal sem procurar por vingança" e explica como devolver o mal com o bem. O nosso objetivo em analisar essa passagem será buscar a compreensão dela à luz desse versículo.
Em I Pedro 2:19, 20 lemos, "Porque isto é agradável, que alguém, por causa da consciência para com Deus, suporte tristezas, padecendo injustamente. Pois, que glória é essa, se, quando cometeis pecado e sois por isso esbofeteados, sofreis com paciência? Mas se, quando fazeis o bem e sois afligidos, o sofreis com paciência, isso é agradável a Deus." Uma afirmação humilde nesse assunto de vingança é que muitas vezes somos parte do problema. É muito fácil sentir que estamos certos quando somos vítimas de uma perseguição. Mas temos uma visão mais clara e mais saudável quando reconhecemos os nossos pecados antes de atacar uma pessoa por ofensas recebidas. A paciência que é mencionada no versículo 20 se refere especialmente a paciência com a vontade de Deus, isto é, a única coisa que pode ser agradável a Deus. Se um homem não crê em Deus e nem mesmo se preocupa com o que Deus está pensando, desse modo, ele dificilmente será paciente com os problema e as perseguições que Deus permite que aconteçam em sua vida. O conselho aqui é que um crente precisa reconhecer que a sua própria autoridade é limitada, e que ele não precisa insistir em consertar uma situação que não é justa se ele não foi chamado para isso. Ao invés disso, ele precisa crer em Deus que sabe todas as coisas e está trabalhando em tudo de acordo com o Seu tempo e modo.
Em I Pedro 2:21, 22 lemos, "Porque para isto fostes chamados, porquanto também Cristo padeceu por vós, deixando-vos exemplo, para que sigais as suas pisadas." Dessa passagem aprendemos o conselho de que não podemos fazer mais do que Cristo que é o nosso exemplo. De uma coisa temos certeza, é que o fim nunca justifica os meios aos olhos de Jesus. Uma ação pecaminosa feita por uma pessoa que nos ataca nunca deve ser receber em troca uma palavra de astúcia. Algumas vezes é considerada uma justiça poética quando um homem valente encontra um outro mais forte do que eles e é ferido de tal maneira como ele mesmo já feriu outras pessoas. Mas essa não é a atitude característica de um coração salvo. Certamente Jesus, que é o próprio Deus Poderoso, poderia ter feito o que desejasse com aqueles que Lhe feriram, mas a Sua prioridade número 1 era fazer o que era aceitável a Deus, isto é, fazer a vontade de Deus. O que passasse disso seria pecado. Não se achou engano na boca de Jesus porque o Seu coração era correto e isso deve ser verdadeiro para todos os crentes, mesmo no meio da perseguição. Além do mais, Jesus não pecou no sentido de que Ele sofreu sendo um homem que não possuia pecado. Algumas vezes merecemos mais acusações do que recebemos. Portanto, como é que nós, pecadores salvos pela graça, poderíamos ser menos misericórdiosos do que Ele que tinha o direito de julgar Seus inimigos e não o fez?
Em I Pedro 2:23, lemos, "Sendo injuriado, não injuriava, e quando padecia não ameaçava, mas entregáva-se àquele que julga justamente." O conselho contra vingança nessa passagem é que o crente precisa reconhecer Deus como um Deus de justiça. Deus não destruiu os crentes antes deles serem salvos, embora eles tivessem vivido uma vida que foi uma afronta para Jesus, conforme lemos em I Pedro 4:3 que diz, "Porque é bastante que no tempo passado tenhais cumprido a vontade dos gentios, andando em dissoluções, concupiscências, borrachices, glutonarias, bebedices e abominável idolatria." A justiça para muitos pecadores significou que Deus teve que entregar o Seu filho para ser morto na cruz, conforme lemos em I Pedro 2:24, "Levando ele mesmo os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro, para que, mortos para os nossos pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados." Portanto, os crentes devem possuir uma compreensão com compaixão da cegueira dos seus atacantes. Tais pessoas estão indo na direção do inferno para sofrerem a condenação eterna. Quão terrível é cair nas mãos do Deus vivo! Os crentes devem orar para que aqueles que os atacam encontrem o caminho de volta para Deus em Cristo para evitarem esse julgamento.
I Pedro 2:24 enfatiza o ponto de vista que pode ser expressado, "Olhe para o que nós éramos e Deus não Se vingou de nós, mas ao invés disso fez um grande esforço para que pudéssemos escapar da penalidade do nosso pecado, e nos livrar do poder do pecado que tão facilmente nos assedia. Como então podemos desejar nos vingar? Não apenas Deus nos mostrou Seu amor, e em troca devemos desejar mostrar amor aos outros, mas também escapamos do grande perigo do inferno que marecíamos e portanto devemos ser humildes quando nos relacionamos com os outros." Ou pode também ser expressado da seguinte maneira, "Se eu escapei da ira de Deus e de todo aquele horror, por que devo ficar com tanta raiva do que os homens procuram fazer contra mim?" Ou, "Se eu mereço a ira de Deus, mas não a recebi, certamente não vou tentar receber nenhum reconhecimento de que eu deveria ter alguns direitos sobre os homens." Ou, "Se Deus cuidou tão bem de mim, um homem que era Seu inimigo, será que eu não deveria estar preocupado com as almas dos meus perseguidores ao invés de fazer deles em alvo para a minha vingança?" Essencialmente a reação de um crente para com as pessoas que fizeram coisas erradas contra ele deve ser a mais evangelística possível.
Em I Pedro 2:25 lemos, "Porque éreis desgarrados, como ovelhas; mas agora tendes voltado ao Pastor e Bispo das vossas alma." Esse versículo acrescenta a idéia de que sabendo que Deus demonstrou Seu amor por nós na cruz e continua cuidando de nós como o Pastor das nossas almas, isso deveria diminuir a ferida da perseguição e da dor, portanto, acabando com o desejo de vingança.
O conselho de I Pedro 2:21-25 é que a salvação foi sempre a maior prioridade de Deus e também deve ser a nossa. Deus tem um alto propósito para os homens do que apenas mandá-los pelos seus próprios caminhos porque eles O atacaram. A idéia é que a melhor maneira para lidar com um pensamento de vingança é fazer a pessoa que nos ataca um alvo para o evangelismo e nos relacionarmos com ela como Deus Se relaciona com os pecadores, isto é, Deus perdoa e esquece.
Em adição a isso, os crentes precisam reconhecer que vai ter um tempo para equilibrar todo o mal cometido, mas apenas no tempo certo. Ninguém vai ficar sem punição pelo que fez. Deus não brinca com a injustiça e também não explica a todos os homens tudo o que Ele faz na terra antes desse grande Dia. O crente deve entregar todas as coisas a Deus que é mais capaz e mais sábio do que ele é. Em outras palavras, o oposto a um desejo de vingança é crer em Deus, crer que Ele cuida de nós e Se importa com o sofrimento do Seu povo e que um dia Ele vai acertar todas as coisas no Seu tempo correto conforme lemos em Salmos 37:1-3, "Não te enfades por causa dos malfeitores, nem tenhas inveja dos que praticam a iniquidade. Pois em breve murcharão como a relva, e secarão como a erva verde. Confia no Senhor e faze o bem; assim habitarás na terra, e te alimentarás em segurança."
I Pedro 3:1,2 lemos, "Semelhantemente vós, mulheres, sede submissas a vossos maridos; para que também, se alguns deles não obedecem à palavra, sejam ganhos sem palavra pelo procedimento de suas mulheres, considerando a vossa vida casta em temor." Essa passagem começa uma discussão sobre o relacionamento entre uma mulher e um marido não salvo. A discussão continua até o versículo 6 e no versículo 7 os maridos recebem alguns conselhos. Mais alguns conselhos sobre vingança são dados em I Pedro 3:8 e 9 o que completa essa longa discussão em retornar o mal com o bem. A primeira vista, parece que I Pedro 3:1-7 está fora de lugar dentro dessa discussão de vingança, ou é uma inserção dentro do assunto de vingança que é retornado a I Pedro 3:8,9. Entretanto, I Pedro 3:1-7 se encaixa perfeitamente dentro da lógica dos versículos que falam sobre vingança.
Os problemas do casamento providenciam uma das melhores oportunidades para demonstrar as virtudes dos crentes que brilham em contraste com o desejo obscuro de vingança, que é o desejo de tantos maridos e esposas não crentes. Em adição a isso, essa discussão nos dá uma visão clara e efetiva de como podemos resolver problemas conjugais. A chave para a resolução de problemas conjugais é a reação correta quando o cônjuge faz algo de errado contra o outro. Há uma grande necessidade de aconselhamento no que diz respeito a vingança dentro do casamento. Além do mais, como é que pode haver uma briga num casamento se um dos cônjuges nunca buscou fazer represália contra o companheiro, mesmo se ele pensou que foi tratado com injustiça? Como é que a amargura e o ressentimento pode crescer se um parceiro sempre desejou e procurou a salvação para o outro companheiro, embora ele possa ter sofrido muito nas mãos do cônjuge?
Deus escolhe para ilustrar Seu ponto um casamento que tem um grande potencial para um tratamento injusto e para uma razão aparente de vingança, isto é, um casamento no qual apenas um dos cônjuges é crente. Antes de continuarmos, precisamos dizer que é verdade que a Bíblia ensina que crentes nunca devem casar com não crentes. Entretanto, o exemplo de I Pedro 3:1-7 não contradiz esse ensinamento. O fato é que crentes se encontram casados com pessoas não crentes por muitas razões, como por exemplo, a conversão do cônjuge depois do casamento e esses versículos nos dão o conselho próprio nesse tipo de casamento, não importa porque ele existe.
Essencialmente, o conselho dos versículos para uma esposa crente, casada com um homem não crente é que ela deve ser submissa ou como lemos em I Pedro 2:13, "sujeitai-os." Não recebemos condições de mudanças, exceto o que lemos em I Pedro 3:3,4, "O vosso adorno não seja o enfeite exterior, como as tranças dos cabelos, o uso de jóias de ouro, ou o luxo dos vestidos, mas seja o adorno do íntimo do coração, no incorruptível traje de um espírito manso e tranquilo, que é precioso diante de Deus." A mensagem desses versículos é que o interesse da esposa não deve estar na aparência externa, mas no coração. Isto é, a sua submissão, mencionada no versículo 1, precisa ser uma submissão do coração. Qualquer outro tipo de submissão que não vem do coração, não vai durar. Será uma submissão falsa que não vai enganar a Deus e a seu marido. Ao menos que o marido não crente peça que a sua esposa crente faça algo que é pecado, ela precisa aceitar com um espírito calmo a autoridade do marido e crer que Deus vai honrar o seu testemunho. Talvez Deus poderá usá-la para levar seu marido a salvação, talvez não. Mas sempre o assunto chega ao ponto da confiança. Se ela crê que Deus cuida dos Seus filhos, a sua submissão ao seu marido é uma reflexão da sua submissão a Deus. O fato dela não desejar uma vingança demonstra a sua confiança de que a vontade de Deus é o melhor para ela mesma, para o seu casamento e para o seu marido.
Submissão a Deus é necessária num casamento quando o marido não crente segue os seus próprios desejos egoístas e tira vantagem da sua esposa - e maridos não crentes pode ser muito injustos. O testemunho da sua eposa, na sua mansidão, pode tanto envergonhá-lo e levá-lo a refletir sobre o seu mal comportamento ou levá-lo a maravilhar-se da sua boa sorte de ter uma esposa tão maravilhosa, e talvez pode passar a seguir o Deus que lhe deu ela. É claro, é possível que o seu marido continue a ser teimoso na sua rebelião e orgulho. Mas o fato é que Deus trabalha, não através das suas reclamações, desafios ou vinganças, mas através de um comportamento que permite que Deus faça a Sua vontade.
I Pedro 3:7 lemos, "Igualmente vós, maridos, vivei com elas com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais frágil, e como sendo elas herdeiras convosco da graça da vida, para que não sejam impedidas as vossas orações." O conselho para os maridos é que eles devem viver com suas mulheres com entendimento. Isso pode ser compreendido de duas maneiras dependendo de como pensamos na palavra "entendimento." Entendimento significa o entendimento de Deus que é encontrado na Sua Palavra. Nesse sentido, o conselho é que o marido precisa ser um estudante da Bíblia e se relacionar com a sua esposa de acordo com o que a Bíblia diz. Por exemplo, a ordem de Deus para um marido é que ele ame a sua esposa em todas as situações do casamento, inclusive quando a sua esposa o trata com deslealdade. O seu amor derruba a sua tendência de vingança contra ela através do domínio, o que só serve para piorar a atitude dela para com ele e para com Deus.
Por outro lado, o entendimento em vista pode ser o conhecimento da sua esposa, isto é, da sua personalidade. Nesse sentido, o conselho é que o marido precisa ser um estudante da sua esposa. É interessante que o exemplo dado é de maridos casados com esposas crentes que junto com eles são herdeiras da graça da vida. A idéia é que o marido deve ser sábio com uma esposa que compreende e que possui um coração que obedece ao evangelho. Então, até que ponto eles devem ser sábios com esposas que não conhecem o evangelho, que são rebeldes e que fazem o mal contra seus maridos? Não importa se a esposa de um homem é ou não crente, pois o conselho é o mesmo, "Estude a sua esposa." Isso toma tempo e uma observação cuidadosa. Quanto mais um marido conhece a sua esposa e sabe mais sobre ela, mais ele vai aprender a amá-la como criação de Deus e estará menos sujeito a reagir de uma maneira vingativa quando ela o magoa de alguma maneira.
Vamos agora voltar a nossa atenção para I Pedro 2:21 aonde lemos, "Porque para isto fostes chamados, porquanto também Cristo padeceu por vós, deixando-vos exemplo, para que sigais as suas pisadas."
A frase "Deixando-vos exemplo" no versículo 21 não significa que pecadores são chamados para expiar por seus pecados através de uma experiência sofredora que é similar a de Jesus. Jesus não é um exemplo no sentido de que Ele sofreu como crente, para redimir seus pecados pessoais. Mas ao invés disso, Jesus sofreu como o Cristo, aquele que foi escolhido desde a fundação do mundo para suportar o pecado do Seu povo. I Pedro 2:21 significa que os crentes são chamados para imitar o comportamento de Jesus como é descrito nos versículos 22 e 23, conforme lemos, "Ele não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano; sendo injuriado, não injuriava, e quando padecia não ameaçava, mas entregáva-se àquele que julga justamente." Isto é, depois que as pessoas são salvas, elas precisam demonstrar as virtudes de Jesus em suas vidas. A vida de Jesus é um exemplo que as pessoas podem usar para saber como reagir propriamente em relação as pessoas que os odeiam e que procuram ameaçá-las de alguma maneira, e através disso demonstram a graça de Deus em seus corações.
Agora devemos voltar a nossa atenção para I Pedro 2:24 aonde lemos, "Levando ele mesmo os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados."
A frase "Levando ele mesmo os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro..." no versículo 24 traz a nossa mente um fato fascinante e muitas vezes mal compreendido sobre a morte de Jesus. Geralmente pregadores e professores tentam impressionar o seu auditório com detalhes sobre o tormento físico e a agonia de Jesus na cruz. A idéia é que o sofrimento físico de Jesus na cruz é a maior porção do Seu pagamento pelo pecado. Mas essa é uma ênfase errada, a qual tira a real visão da natureza da morte de Jesus e do seu valor para os pecadores.
Se concordamos que Jesus de todas as maneiras cumpriu a lei de Deus em todos os seus detalhes, então, isso precisa incluir Deuteronômio 21:22 aonde lemos, "Se algum homem tiver cometido um pecado digno de morte, e for morto, e o tiveres pendurado num madeiro." Esse versículo é um problema porque não está claro como a última parte da passagem se encaixa na vida de Jesus como o Redentor. Observe um importante detalhe nesse versículo. A palavra "e" na frase "for morto, e o tiveres pendurado num madeiro" não implica uma ação simultânea, como se o fato de tê-lo pendurado no madeiro foi a maneira usada para executá-lo. Mas ao invés disso, a palavra determina uma sequência. Portanto, de acordo com a lei o homem culpado deveria ser primeiro ser morto e depois pendurado no madeiro. De acordo com Deteronômio 21:23, a razão para que o homem fosse pendurado numa árvore era para mostrar que ele estava amaldiçoado. Observe que a ordem é a seguinte: primeiro o homem é morto e depois ele é pendurado. Não é assim que estamos acostumados a pensar na experiência de Jesus na cruz. Normalmente pensamos que Ele morreu na cruz.
A primeira vista essa idéia não parece correta porque temos o registro nos evangelhos que dizem que Jesus expirou e entregou Sua alma enquanto estava na cruz. Como é que podemos unir todas essas idéias? A explicação está na compreensão de que a morte de Jesus, através da qual Ele remiu o Seu povo dos seus pecados foi espiritual. Não foi a Sua morte física que pagou pelos pecados, mas o Seu sofrimento espiritual debaixo da ira de Deus foi o que satisfez a lei e removeu o Seu povo da condenação.
Sofrimento físico não tem mérito espiritual. Muitos líderes religiosos foram mortos, alguns de maneira mais sofredora do que Jesus o foi, e nenhum desses sacrifícios benefíciou alguém. A morte de Jesus foi mais do que a morte do Seu corpo físico na cruz. Certamente Jesus precisou morrer fisicamente porque Ele estava sujeito à maldição que vem sobre pecadores. O fato dEle ter morrido fisicamente mostrou que Ele estava debaixo dessa maldição. Entretanto, a morte que teve um valor espiritual real porque removeu a condenação foi a morte de estar debaixo da ira de Deus no inferno, isto é, a morte que acompanha o julgamento pelo pecado.
Embora a Bíblia diga que Jesus derramou Seu sangue para remir Seu povo, a palavra "sangue" não se refere primariamente a sangue físico que saíu do seu corpo quando Ele teve o Seu lado perfurado pela espada de um dos soldados, mas faz referência a vida espiritual da alma de Jesus. Foi a tribulação da alma de Jesus e não o Seu corpo que satisfez a justiça de Deus. A terrível morte que veio sobre Ele por causa dos pecados do Seu povo começou no Jardim do Getsêmane na noite anterior antes de ir para a cruz conforme Mateus 26:38 nos diz,"Então lhes disse: A minha alma está triste até a morte; ficai aqui e vigiai comigo." Jesus bebeu o cálice da ira de Deus e derramou o Seu sangue mesmo antes de estar nas mãos dos soldados, conforme lemos em Lucas 22:42,44, "Dizendo: Pai, se queres afasta de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua. E, posto em agonia, orava mais intensamente; e o seu suor tornou-se como grandes gotas de sangue, que caíam sobre o chão." O sofrimento de Jesus foi ainda maior do que qualquer abuso físico que Ele pudesse suportar nas mãos dos homens.
Jesus morreu fisicamente na cruz. A Sua morte física foi uma parte necessária do Seu trabalho como Cristo o Salvador. Isso assegurou a redenção dos corpos do Seu povo também. Mas o Seu grande sofrimento pelos pecados do Seu povo, o sofrimento da morte espiritual, começou antes que Ele fosse pendurado no madeiro, e terminou na cruz quando Ele disse, "Está consumado," um pouco antes dEle entregar o Seu Espírito. O fato de que Ele foi fisicamente pendurado numa cruz foi um anúncio de que Jesus já havia morrido debaixo da maldição de Deus como podemos ler em Gálatas 3:13, "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro."

h) I Pedro 3:19,20, "No qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão; os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava, nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas, isto é, oito almas se salvaram através da água."

Os professores da Bíblia têm dado muitas explicações estranhas desses versículos, estranhas no sentido de que não estão de acordo com o que a Bíblia ensina. Alguns professores usam esses versículos para apoiar a idéia de que depois que Jesus morreu na cruz, Ele foi para um lugar aonde os contemporâneos de Noé foram depois que morreram e pregou o evangelho a eles. Mas por que as pessoas que morreram nos dias de Noé foram privilegiadas? Precisamos colocar de lado uma idéia absurda como essa. A Bíblia ensina que depois que um homem morre ele não possui uma segunda chance, conforme lemos em Hebreus 9:27, "E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disso o juízo."
Esses versículos apenas fazem sentido e concordam com o resto da Bíblia quando os vemos à luz do evangelho, especialmente à luz do evangelismo. As palavras "espíritos em prisão" se referem a pessoas que "noutro tempo foram rebeldes." Isso não significa que eles eram ocasionalmente maus, mas em geral se comportavam bem. A palavra traduzida como "noutro tempo" significa "em tempos passados" assim como é encontrada em I Pedro 2:10 como "outrora." A idéia é que os espíritos em prisão eram pessoas que viveram no passado e que foram desobedientes a Deus. Eles eram não crentes que viveram na terra no mesmo tempo que Noé. Eles estavam "em prisão" no sentido de que estavam ligados aos pecado e a Satanás assim como todas as pessoas que estão perdidas (João 8:34).
A idéia dos versículos 19 e 20 é que "(Jesus) foi e pregou aos espíritos em prisão...nos dias de Noé," quando esses não crentes viveram. Como é que Jesus fez isso? Será que Ele apareceu de uma maneira especial? Não. Jesus pregou através de Noé e Noé levou a Palavra de Deus a seus companheiros. Mas Noé não estava ocupado construindo a arca? Sim. Mas ele também era um pregador do evangelho, conforme lemos em II Pedro 2:5, "Se não poupou ao mundo antigo, embora preservasse a Noé, pregador da justiça com mais sete pessoas, ao trazer o dilúvio sobre o mundo dos ímpios." A afirmação da Bíblia que Jesus pregou, embora Noé tenha falado as palavras para sua geração, é parecida com o que é ensinado em II Coríntios 5:20 que diz, "De sorte que somos embaixadores pr Cristo, como se Deus por nós vos exortasse. Rogamo-vos, pois, por Cristo que vos reconcilieis com Deus." Isto é, um crente quando prega é equivalente a Deus pregando.
Noé sofreu o escárnio dos ímpios a sua volta quando estava construindo a arca. Noé era um tolo aos olhos do povo que vivia naquela época. Podemos quase escutar as pessoas dizendo, "Para que construir um barco e tão grande? Aonde está toda essa água? Que perda de tempo!" E ainda assim Noé foi fiel ao alerta de Deus embora não soubesse exatamente a magnitude do julgamento que Deus mandaria sobre a terra. Noé pregou não se importando com o que sofria. Ele demonstrou uma reação cristã diante do escárnio daquele povo que desejava que ele estivesse doente. Noé demosntrou a reação de Cristo.

i) I Pedro 4:1, "Ora pois, já que Cristo padeceu na carne, armai-vos também vós deste mesmo pensamento; porque aquele que padeceu na carne já cessou do pecado."

Ao menos que sejamos cuidadosos podemos tirar conclusões erradas para a frase, "porque aquele que já padeceu na carne já cessou do pecado." Será que essa frase está se referindo a um super crente que chegou a um tal nível de santificação que o seu comportamento é tão santo quanto o de Deus? Certamente esse não é o caso. Precisamos evitar a conclusão que I Pedro 4:1 ensina que o sofrimento elimina totalmente o pecado da vida de uma pessoa. É verdadeiro que um crente está aberto para a instrução do Senhor e pode aprender muito mais sobre o que é importante na vida através do sofrimento. O sofrimento pode fazer com que ele altere a sua vida para se encaixar com a vontade de Deus. Mas o sofrimento não vai completar o trabalho da santificação aqui na terra.
A Bíblia ensina que os crentes lutam com o pecado por todas as suas vidas. I Pedro 4:1 se aplica a crentes que mudaram muito a sua maneira de viver, mas que ainda lutam com os desejos da carne. Portanto, o foco de I Pedro 4:1 precisa estar sobre as suas vidas novas. De acordo com I Pedro 3:4 os crentes são incorruptíveis em seus corações e nesta passagem lemos, "Mas seja o íntimo do coração, no incorruptível traje de um espírito manso e tranquilo, que é precioso diante de Deus." O seu homem interior não peca mais. Os crentes possuem um espírito purificado sem pecado que nasceu de uma semente incorruptível, a Palavra de Deus, conforme lemos em I Pedro 1:22, 23 que diz, "Já que tendes purificado as vossas almas na obediência à verdade, que leva ao amor fraternal não fingido, de coração amai-vos ardentemente uns aos outros, tendo renascido, não de semente corruptível, mas de incorruptível, pela palavra de Deus, a qual vive e permanece."
É por causa dessa nova vida que os crentes passam a possuir que I Pedro 4:2 diz que crentes, "não continueis a viver para as concupiscências dos homens, mas para a vontade de Deus." O seu espírito que não possui pecado busca servir a Deus mesmo quando a carne cheia de pecado os leva para cumprir os seus desejos.

j) I Pedro 4:6, "Pois é por isto que foi pregado o evangelho até aos mortos, para que, na verdade fossem julgados segundo os homens na carne, mas vivessem segundo Deus em Espírito."

Esse versículo só pode ser compreendido corretamente se pensamos nas palavras "até os mortos" à luz de um versículo como Efésios 2:1 que diz, "Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados." Pedro 4:6 não apoia a idéia esquisita, que é apoiada por muitos professores da Bíblia, que Jesus foi para aonde as pessoas mortas vão e pregou a elas. Ao invés disso, I Pedro 4:6 é uma afirmação clara que o evangelho é pregado a todos os não crentes, pessoas que estão espiritualmente mortas.
As palavras "Pois é por isto" podem ser ligadas a I Pedro 4:2, que diz, "Para que, no tempo que ainda vos resta na carne não continueis a viver para as concupiscências dos homens, mas para a vontade de Deus." E através dessa passagem podemos chegar a idéia de que o evangelho é pregado para que os homens possam viver, não dominados pela cobiça da carne, mas de acordo com a vontade de Deus. Isto é, a obediência a Deus é a causa ou o propósito pelo qual o evangelho é pregado até os mortos. Uma vez que os homens que estão espiritualmente mortos não podem obedecer a Deus, eles precisam do evangelho para lhe dar nova vida de modo que possam obedecer.
Outra razão pela qual o evangelho é proclamado a pessoas que estão espiritualmente mortas é "para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens na carne." Porque I Pedro 4:6 termina com as palavras, "mas vivessem segundo Deus em espírito," as pessoas em vista aqui são os eleitos, aqueles para os quais a pregação do evangelho resulta em vida no espírito. Com isso em mente, podemos compreender a palavra "julgados" que faz referência ao fato de que Cristo tomou sobre Si mesmo os seus pecados e foi julgado em seu lugar na cruz, conforme lemos em I Pedro 2:24, "Levando ele mesmo os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados." Em Jesus, todos os eleitos já foram julgados na Sua carne, assim como todos os ímpios estão destinados a serem pessoalmente julgados no final dos tempos.
Isso nos leva a acrescentar um ponto muito importante que é mal compreendido por muitos professores da Bíblia. Em Cristo, todos os eleitos já estão condenados, julgados e suportaram a ira de Deus pelo pecado. A maioria do povo evangélico poderia concordar com essa descrição da expiação. Mas poucas pessoas compreendem que os crentes não vão precisar passar por nenhum tipo de julgamento no final dos tempos. A Bíblia não ensina em lugar algum que os crentes vão ter que se apresentar para julgamento no final dos tempos. As pessoas tentam torcer a palavra julgamento para defender a sua posição de que crentes vão ter que se apresentar diante do mesmo tipo de julgamento ao mesmo tempo, mas essa idéia não é ensinada na Bíblia. Essa idéia é contrária ao que a Bíblia ensina sobre graça e sobre o que Jesus fez na cruz. Essa idéia não está apenas errada, mas também é espiritualmente perigosa porque ela leva a um evangelho baseado nas obras.
As pessoas que se apegam a idéia de que de alguma maneira os crentes serão julgados no final dos tempos, geralmente têm as suas explicações acompanhadas com a idéia inocente e boba de que os crentes são motivados a se afastar do pecado por causa da ameaça do julgamento que está por vir. Promover esse tipo de medo nos crentes é uma maneira errada de motivá-los a abandonar o pecado e a buscar servir a Deus fielmente. Os crentes obedecem a Deus porque eles amam a Deus que os amou primeiro. Se uma pessoa que se diz crente está vivendo em pecado, a pergunta que ela deve fazer é a seguinte, "Por que eu não amo a Deus e acabo fazendo isso?" Se um homem se volta para o pecado na frente da Palavra de Deus, então certamente ela vai ter que enfrentar o julgamento, mas apenas como um não crente que não ama Deus.
Existe apenas um tipo de julgamento que a Bíblia ensina, julgamento para determinar se é culpado ou inocente. Na história do universo, ninguém foi ou jamais será declarado inocente. Certamente que no final dos tempos os ímpios não serão poupados. Mas Jesus também não foi porque Ele estava carregado com os pecados do Seu povo. O Julgamento sempre resulta em condenação e a sentença do inferno. Portanto, nunca os crentes terão que se apresentar para serem julgados.
Juntamente com a doutrina errada do julgamento dos crentes encontramos a idéia que os crentes vão receber algum tipo de reconhecimento especial ou compensação pela sua fidelidade na terra, como se I Pedro 5:4 fosse uma indução a obediência aonde lemos, "E, quando se manifestar o sumo Pastor, recebereis a imarcescível coroa da glória." A coroa da glória não é um tipo especial de tratamento que as pessoas fiéis vão possuir no céu, mas é o próprio Deus conforme lemos em Isaías 28:5 que diz, "Naquele dia o Senhor dos exércitos será por coroa de glória e diadema de formosura para o restante de seu povo." A motivação para a recompensa está errada, enraizada em orgulho pessoal assim como em desejo de adquirir coisas. Mais uma vez, o crente serve apenas por causa do amor.
Embora não exista espaço para desenvolver essas idéias de maneira própria na nossa pesquisa do Novo Testamento, é necessário alertar os estudantes da Bíblia para que se afastem dos ensinamentos de que os crentes são julgados ou recompensados no final dor tempos. O resultado de tais idéias ímpias é que as pessoas serão levadas para um evangelho das obras, o qual ensina que a situação da pessoa no céu é em parte determinada pelos seus esforços aqui na terra. Essa noção é inimiga da doutrina da graça e não tem espaço no pensamento dos crentes. A Bíblia ensina que Deus é quem executa toda a salvação. Até mesmo a fé de uma pessoa é resultado do trabalho de Deus.

l) I Pedro 4:19, "Portanto os que sofrem segundo a vontade de Deus confiem as suas almas ao fiel Criador, praticando o bem."

Em primeiro lugar, parece meio estranho que os crentes sofram segundo a vontade de Deus. Por que Deus incluiria o sofrimento nos Seus planos para os Seus filhos? E ainda assim a Bíblia declara que os crentes não devem ficar surpresos em suportar dificuldades, conforme lemos em I Pedro 4:12, "Amados, não estranheis a ardente provação que vem sobre vós para vos experimentar, como se coisa estranha vos acontecesse." É algo comum para o crente enquanto ele vive aqui na terra, estar debaixo de provações e muitas vezes ser maltratado, conforme lemos em II Timóteo 3:12, "E na verdade todos os que querem viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições."
As palavras "segundo a" podem ser compreendidas no sentido da maneira que Deus deseja ou para o propósito que Deus tem em mente. Deus permite que o homem ímpio ataque Seu povo, porque essa é a maneira que Deus usa para fazer a Sua vontade.
De maneira negativa, a perseguição prepara o homem ímpio para o julgamento. Quando homens ímpios são membros de uma igreja, eles podem dizer que são santos através da associação com as coisas de Deus e dizer que a perseguição que estão fazendo é para Deus, como lemos em João 16:2, "Expulsar-vos-ão das sinagogas; ainda mais, vem a hora em que qualquer que vos matar julgará prestar um serviço a Deus." No meio de uma igreja nem sempre está claro quem são os inimigos e os amigos de Deus. Portanto, Deus permite que o homem ímpio mostre quem ele realmente é, quando permite que eles tratem os crentes com rancor. Filipenses 1:28 nos diz, "E que em nada estais atemorizados pelos adversários, o que para eles é indício de perdição, mas para vós de salvação, e isso da parte de Deus." É assim que Deus vai começar o Seu julgamento da Sua casa, assim como lemos em I Pedro 4:17, "Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e se começa por nós, qual será o fim daqueles que desobedecem ao evangelho de Deus?" Um homem que pode seguir e cumprir os seus desejos pecaminosos é um homem amaldiçoado. Apenas um homem que é preso por causa dos seus atos ímpios e que é colocado por baixo pela mão de Deus de modo que pode ver a sua loucura é abençoado por Deus. No nosso mundo, o princípio é o mesmo. O sucesso do homem ímpio em perseguir e ferir os crentes é uma marca que nos leva a crer que eles estão prontos para o julgamento.
De maneira positiva, a perseguição força os crentes a confiar suas almas ao fiel Criador, praticando o bem. A mensagem mais importante que um crente pode aprender e a ordem mais vital que um crente pode obedecer é crer em Deus. Ao invés de permitir que o sofrimento o deixe deprimido e confuso, o crente deve perguntar, "Como é que Deus e a Sua vontade se encaixam nessa situação?" Não é que ele tenha que ter uma explicação detalhada de Deus para que possa conviver com seus problemas. Ao invés disso, o crente precisa ter em mente que Deus está envolvido, está no controle de tudo o que acontece no universo que Ele criou e é capaz de suprir as necessidades dos Seus filhos. Não podemos dizer que isso é suficiente. Um crente precisa crer e não entrar em pânico. Um crente precisa crer no Senhor e não buscar por vingança. Um crente precisa crer em Deus e não ter pena de si mesmo de modo que acabe ferindo outras pessoas, até mesmo as pessoas que ele deveria amar. Um crente precisa crer em Deus e não negligenciar a sua obrigação de cuidar das necessidades espirituais dos outros.
As provações que Deus manda para a vida de um crente e a reação dele diante do sofrimento, é um testemunho que pode impressionar as pessoas como nada mais pode. É um testemunho da surpreendente graça de Deus que transforma os pecadores em pessoas amorosas e fortes, não importa o tratamento que recebem. A sua coragem e graça será então, um reflexo da beleza do Seu Criador e Senhor.

m) I Pedro 5:2,3, "Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, não por força, mas espontaneamente segundo a vontade de Deus; nem por torpe ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores sobre os que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho."

Sem entrar em muito detalhe, podemos ressaltar um ponto importante nesses versículos, dentre muitos outros, que é que enquanto Deus envia sofrimento físico na vida do Seu povo por causa dos Seus propósitos, Ele também envia ajuda física para lhes dar o apoio que precisam. Deus levanta líderes na igreja para "apascentar o rebanho" com a Palavra de Deus e para ser exemplos para o rebanho para edificá-los e encorajá-los conforme eles enfrentam os problemas nesse mundo pecador.

n) I Pedro 5:5-7, "Semelhantemente, vós, os mais moços, sede sujeitos aos mais velhos. E cingi-vos todos de humildade uns para com os outros, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte; lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós."

Não importa qual seja o propósito de Deus quando Ele permite o sofrimento no mundo, pois a coisa mais importante que devemos ter em mente é que é sempre bom para os crentes serem lembrados da sua fraqueza e do cuidado de Deus por eles. Quando os crentes não podem mais fazer as coisas que normalmente faziam por causa da dor e sofrimento pelo qual estão passando, quando a poderosa mão de Deus vem sobre eles de modo que a sua própria força é quebrantada, quando eles não possuem mais soluções ou idéias para os seus problemas, quando eles estão verdadeiramente humilhados, então eles podem se alegrar porque Deus resiste ao orgulhoso mas dá graça aos humildes, cuidando daqueles que são seus. Os crentes precisam esperar pacientemente porque Deus trabalha no tempo certo para vingar a Sua honra e Seu povo, nunca esperando muito para remover seus sofrimentos, e nunca abandonando Seu povo quando eles enfrentam as dificuldades.
Pode parecer que I Pedro 5:7 não possui nenhum valor prático além do que uma frase bonita num cartão de conforto que podemos comprar em qualquer papelaria. Essa passagem diz assim , "Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós." Nós poderíamos falar sobre esse versículo o seguinte, "Então Deus cuida de mim. Que bem que isso me traz? Estou ainda sofrendo." Entretanto, o cuidado de Deus não é apenas o fato de que Ele Se preocupa, que sente muito pela nossa situação e deseja que estejamos bem, mas que a Sua mão poderosa que trouxe o sofrimento é a mesma mão poderosa que vai transformar o sofrimento em algo bom e que um dia vai removê-lo completamente.
Um crente que fica face a face com as dimensões físicas do seu sofrimento precisa do conselho de I Pedro 5:7 para focalizar novamente seus olhos em Deus. O lugar da oração no meio do sofrimento é essencial porque nos permite ver uma situação trágica e triste a partir de um ponto de vista espiritual. A oração mantém a mente do crente no fato de que grandes assuntos sobre a salvação e o julgamento estão passando tomar lugar na vida de todo ser humano. A oração ajuda o crente a olhar além do sofrimento imediato para a glória que se segue, isto é, para o fim de todas as coisas, que estão perto. Apenas quando isso acontecer é que as suas lágrimas e sua dor no coração vão ser transformados em alegria e paz.
Deus como o soberano Criador e Juiz, tem a Sua própria missão e agenda. Os crentes precisam crer em Deus no meio do sofrimento, embora muitos dos detalhes do plano de Deus estão escondidos deles e portanto, são ignorantes de algumas das coisas boas que vai vir das suas experiências difíceis. Entretanto, o conforto de I Pedro 5:7 é que também existe muitas coisas que os crentes têm conhecimento do que Deus fez, o que os convence do seu cuidado por eles. Eles sabem do Seu sacrifício pessoal para a sua redenção. Eles sabem do Seu trabalho para lhes dar uma nova vida e bençãos preciosas no futuro. Eles sabem que o sofrimento que os seus inimigos são permitidos a infligir contra eles é apenas físico e temporário, e que nenhum mal espiritual pode tocá-los. As bençãos do passado, do presente e do futuro são tão reais como o Deus que cuida deles e que revela a Si mesmo e as Suas intenções na Sua Palavra.

o) I Pedro 5:8, "Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar."

Esse versículo nos lembra que nós os crentes nunca devemos tomar os ataques dos homens ímpios como pessoais, mesmo se eles tiveram a intenção de ser pessoais. O real conflito é entre Jesus e Satanás. O povo de Deus é atacado apenas como uma tentativa de ameaçar Jesus, quem o Seu povo representa aqui na terra. Essa é uma outra razão pela qual precisam deixar a batalha para Deus, pacientemente dedicando suas vidas e sua situação à Ele.
Precisamos reconhecer que Satanás faz o seu trabalho como um leão que está rugindo. Essa é uma imagem um pouco mais assustadora do que apenas um leão zangado e com fome que fica rugindo na floresta buscando por comida. Jesus Cristo é chamado de Leão da tribo de Judá. Portanto, o perigo é que Satanás ruge como uma imitação de Jesus conforme lemos em Mateus 24:24 que diz, "Porque hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, e farão grandes sinais e prodígios; de modo que, se possível fora, enganariam até os escolhidos." O alerta é que os crentes não podem ser enganados ou se render aos assaltos dos seus atacantes, que parecem ser tão santos, porque dessa maneira estariam se rendendo a Satanás. Ao invés de desistir no meio do medo, confusão e desespero, os crentes precisam resistir na fé, eles precisam crer que embora Satanás envie emissários no nome de Jesus para atacá-los, isso não tem consequência alguma porque Jesus destruiu o poder de Satanás. Satanás não tem poder algum sobre os crentes.
A propósito, as palavras "e procurando a quem possa tragar" não quer dizer que um crente possa estar em perigo espiritual por causa dos ataques de Satanás. O crente apenas está sujeito ao sofrimento físico como resultado de obras ímpias dos seus inimigos. Um crente vai se manter de pé pela fé que Deus lhe deu. Ainda assim, Satanás não procura em vão. Os homens que não crêem, isto é, os homens não crentes e tolos, são devorados. Portanto, podemos pensar em I Pedro 5:8 como uma chamada evangelística para os crentes para reconhecerem o perigo que espera as pessoas que não são salvas. Os crentes leigos e líderes precisam estar sóbrios e vigilantes para que possam ser usados por Deus a ajudar os pecadores a escaparem das garras do leão. Os crentes precisam estar prontos para dar a mãos aos outros para que esses possam conhecer o evangelho e serem salvos.
Com isso concluimos a nossa pesquisa do livro de I Pedro. Esperamos que esse breve estudo possa ajudá-lo a comprender esse livro e encorajá-lo a estudá-lo por si mesmo. E que o Senhor possa abençoá-lo ricamente segundo a Sua Palavra.



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