I CORÍNTIOS

Vamos começar uma série de curtas mensagens no livro de I Coríntios no Novo Testamento. Este é o sétimo livro do Novo Testamento. Não vamos estudar versículo por versículo, mas vamos examinar muitos versículos e você pode usar essas mensagens para lhe ajudar a compreender melhor outras passagens de I Coríntios.

1. TEMAS

Dentre os muitos temas que o livro de I Coríntios ensina, escolhemos dar atenção a vontade espiritual de Jesus Cristo.

2. VERSÍCULOS CHAVES

Os versículos chaves no livro de I Coríntios que destacam o nosso tema escolhido, estão em I Coríntios 2:12,13 aonde lemos, "Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, mas sim o Espírito que provém de Deus, a fim de compreendermos as coisas que nos foram dadas gratuitamente por Deus; as quais também falamos, com palavras ensinadas pelo Espírito Santo, comparando coisas espirituais com espirituais."

3. PEQUENA REVISÃO

Agora vamos apresentar uma pequena revisão do livro de I Coríntios. Devemos examinar porções do livro e apontar alguns detalhes de cada porção.

A atração e a influência do mundo físico entra em conflito com o plano espiritual de Deus para o Seu povo. A revisão rápida que vamos apresentar a seguir, descreve como Deus apresenta esse assunto em I Coríntios.

I Coríntios 1:1 até 9 nos apresenta a vontade epiritual de Deus para o Seu povo. Esses versículos mostram que antes de qualquer outra coisa, o povo de Deus direciona a sua atenção na salvação de Deus pela graça para eles mesmos e para os outros, como lemos em I Coríntios 1:4 que diz, "Sempre dou graças a Deus por vós, pela graça de Deus que vos foi dada em Cristo Jesus." I Coríntios fala sobre esse foco que é a base para resolver os problemas.

I Coríntios 1:10 até 31 descreve um problema espiritual muito sério. Os sintomas do problema eram as notáveis divisões e conflitos na congregação, conforme lemos em I Coríntios 1:11 que diz, "Pois a respeito de vós, irmãos meus, fui informado pelos da família de Cloé que há contendas entre vós." A causa imediata do problema era que as pessoas que receberam o evangelho estavam colocando sua atenção na pessoa que anunciou o evangelho, ao invés de na mensagem espiritual anunciada. Isso levou pessoas a honrarem um determindado mensageiro enquanto outras pessoas honravam outro. A raíz do problema foi que muitas pessoas na congregação estavam colocando a sua atenção em coisas físicas ao invés das espirituais. Eles colocaram sua atenção nos homens ao invés da mensagem espiritual que os homens anunciavam. O triste resultado foi que muito membros honraram homens quando deveriam estar honrando Deus. Portanto, a ordem de Deus em I Coríntios 1:31 é, "Para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor."

I Coríntios 2 ensina que o método que o povo de Deus usa para anunciar Sua mensagem para o mundo precisa se encaixar dentro da mensagem espiritual que eles anunciam. Em outras palavras, o método de Deus de anunciar o evangelho é espiritual tanto quanto a mensagem, como lemos em I Coríntios 2:4,5 que diz, "A minha linguagem e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e do poder; para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus." I Coríntios 2 ensina que a vontade de Deus no evangelismo não é promovida através das maneiras e sabedoria do homem porque o evangelho de Deus é uma mensagem espiritual que só pode ser compreendida por aqueles que Deus preparou através do Seu Espírito, como lemos em I Coríntios 2:13 que diz, "As quais também falamos, não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito Santo, comparando coisas espirituais com espirituais."

I Coríntios 3 explica a perspectiva espiritual correta dos resultados do evangelismo, que é o fato de que o resultado de uma apresentação fiel do evangelho é algo que só diz respeito a Deus e é medido de um modo espiritual. Em I Coríntios 3 aprendemos que Deus constroi a Sua igreja. Portanto, Deus está em controle dos resultados espirituais do evangelho e que são apresentados através dos ministros, como lemos em I Coríntios 3:7 que diz, "De modo que, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus , que dá o crescimento." I Coríntios 3 ensina que os crentes precisam estar certos de que estão construindo sobre a fundação correta. Eles precisam estar certos que estão pregando a salvação apenas através da fé em Jesus Cristo e deixar os resultados do seu testemunho para Deus. Os verdadeiros crentes precisam ter em mente que a sua salvação está segura, uma vez que não depende dos resultados do seu testemunho. Por outro lado, I Coríntios 3 também alerta os não crentes que Deus vai tratá-los de uma determinada maneira por causa da mensagem falsa que eles anunciam e dos seus métodos mundanos.

I Coríntios 4 nos dá um retrato espiritual do verdadeiro ministro de Cristo. Baseados em I Coríntios 4, aprendemos que o ministro de Deus precisa ser fiel, como lemos em I Coríntios 4:2 que diz, "Ora, além disso, o que se requer nos depenseiros é que cada um seja encontrado fiel." E também que o ministro de Deus deve ter uma preocupação pessoal por aqueles a quem ele ministra, como lemos em I Coríntios 4:15 que diz, "Porque ainda que tenhais dez mil aios em Cristo, não tendes contudo muitos pais; pois eu pelo evangelho vos gerei em Cristo Jesus".

I Coríntios 5 responde a pergunta, "O que o povo de Deus deve fazer quando a vida espiritual da igreja está ameaçada?" I Coríntios explica qual deve ser a resposta correta para o pecado aberto e arrependimento dos seus membros. É uma resposta que Deus insiste ser necessária para manter e proteger a saúde espiritual da congregação. Infelizmente algumas pessoas na igreja e Corinto não pareciam estar preocupadas com os pecados flagrantes de alguns membros rebeldes, pecados estes que poderiam destruir a igreja. I Coríntios 5 ensina que o povo de Deus precisa ter uma certa preocupacão com os pecados que ferem a igreja, como lemos em I Coríntios 5:2 que diz, "E vós estais inchados? E nem ao menos pranteastes para que fosse tirado do vosso meio quem particou esse mal?" I Coríntios 5 também ensina que os membros da congregação precisam ter a sabedoria e a coragem para saber quando e como devem remover um pecador sem arrependimento que continua ferindo a igreja, como lemos em I Coríntios 5:13, "Mas Deus julga os que estão de fora. Tirai esse iníquo do meio de vós."

O problema sobre o companheirismo no que diz respeito a cuidar pouco das coisas espirituais se resume em ter muito cuidado pelas coisas do mundo. Portanto, I Coríntios 6 censura a atitude e ação daqueles que parecem cuidar muito desse mundo que acabam tratando vergonhosamente o povo espiritual de Deus, os quais deveriam apoiar e ajudar. I Coríntios 6 ensina que o povo de Deus não deve cuidar das coisas desse mundo, como lemos em I Coríntios 6:7 que diz, "Na verdade já é uma completa derrota para vós o terdes demandas uns contra os outros. Por que não sofreis antes a injustiça? Por que não sofreis antes a fraude?" I Coríntios 6 ensina que o povo de Deus não deve ser controlado pelas coisas desse mundo, como lemos em I Coríntios 6:12, "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas; mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas." E I Coríntios 6 ensina que o povo de Deus não deve ser influenciado pelas coisas desse mundo, como lemos em I Coríntios 6:18, "Fugi da prostituição. Qualquer outro pecado que o homem comete, é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo."

I Coríntios 7 explica os princípios que ajudam o povo de Deus a viver fielmente no meio da situação social que Deus os colocou. I Coríntios 7 tem muitas coisas para dizer sobre o relacionamento entre um homem e uma mulher, o qual é um dos mais fortes e importantes relacionamentos humanos. Este tem efeito sobre todos, casados ou não, e está cheio de problemas em potencial. I Coríntios 7 gasta mais tempo esclarecendo a vontade espiritual de Deus nesse assunto. Entretanto, os princípios ensinados em I Coríntios 7 e aplicam a todas as relações sociais. Um princípio importante é que a situação social do crente é um presente de Deus, incluindo a situação do casamento ou do celibato, como lemos em I Coríntios 7:7, "Contudo quereria que todos os homens fossem como eu mesmo; mas cada um tem de Deus o seu próprio dom, um deste modo, e outro daquele." Um outro princípio ainda mais importante é que o povo de Deus precisa buscar servir a Deus em todas as situações sociais, como lemos em I Coríntios 7:35, que diz, "E digo isto para proveito vosso; não para vos enredar, mas para o que é decente, e a fim de poderdes dedicar-vos ao Senhor sem distração alguma." Como podemos ver mais uma vez, a mensagem de I Coríntios nos diz que é necessário ter nossa atenção direcionada para as coisas espirituais ao invés das materiais, para assim podermos fazer a vontade de Deus.

I Coríntios 8 explica os princípios espirituais que ajudam o povo de Deus a conviver com um irmão espiritualmente fraco. Pessoas fracas podem fazer exigências para pessoas mais fortes, impedindo que estas consigam alcançar os seus alvos desejados, mesmo alvos que podem ser bons em si mesmos. O capítulo 8 ensina que as ações de uma pessoa, que são determinadas pelo seu conhecimento da Bíblia, precisam ser motivadas pelo amor por um irmão mais fraco, como lemos em I Coríntios 8:1, "Ora no tocante às coisas sacrificadas aos ídolos, sabemos que todos temos ciência. A ciência incha, mas o amor edifica." I Coríntios 8 ensina que a pessoa mais forte tem a obrigação de ser o guardião espiritual do irmão mais fraco. Um irmão forte porque ele compreende melhor a Bíblia, precisa ser paciente e sacrificar os seus próprios interesses quando necessário para o benefício espiritual do seu irmão mais fraco.

I Coríntios 9 explica os princípios espirituais que ajudam o povo de Deus a fazer o trabalho de evangelismo e apoiar o trabalho evangelístico de outros. Através da ilustração de muitos apóstolos, especialmente Paulo, I Coríntios 9 mostra qual deve ser a verdadeira atitude espiritual e ação de um ministro de Deus. Por exemplo, I Coríntios 9 ensina que o povo de Deus precisa estar pronto a aceitar uma perda física em benefício de outros aos quais eles ministram como nos diz I Coríntios 9:14,15, "Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho. Mas eu de nunhuma destas coisas tenho usado. Nem escrevo isto para que assim se faça comigo; porque melhor me fora morrer, do que alguém fazer vã esta minha glória." Ainda como um outro exemplo, I Coríntios ensina que o povo de Deus precisa ter um compromisso pessoal com o evangelho, como lemos em I Coríntios 9:27, "Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à submissão, para que, depois de pregar a outros, eu esmo nbo venha a ficar reprovado."

O alerta de I Coríntios 10 é para que a aparência espiritual e a realidade se encaixem. As pessoas não devem se contentar em apenas tentarem parecer espirituais. Elas realmente precisam ser espirituais, como lemos em I Coríntios 10:12 que diz, "Aquele, pois, que pensa estar em pé, olhe não caia." I Coríntios 11 ensina que entretanto, a aparência conta como lemos em I Coríntios 11:28 que diz, "Examine-se, pois, o homem a si mesmo e assim coma do pão e beba do cálice." As pessoas que são espirituais possuem um tipo de comportamento, se realmente são salvas. I Coríntios 10 e 11 são duas maneiras de expressar a mesma verdade. Essa verdade é o fato de que a nova vida espiritual criada por Deus no crente é mais forte do que os seus desejos pecaminosos da porção física do crente e mais forte do que o apelo do mundo material a seu redor. A parte espiritual da vida de um crente deve dominar seus pensamentos e ações, e ele cada vez mais vai fazer as coisas de acordo com a vontade de Deus. Portanto, a mensagem de I Coríntios 10 e 11 é que um crente verdadeiro vai parecer ser espiritual e realmente será tão espiritual como ele aparenta ser.

De I Coríntios 12 até o capítulo 14 lemos sobre as bençãos e problemas dos dons espirituais. Na realidade, os dons de Deus são sempre uma bênção, mas o que traz problemas a esses dons são a atenção do homem voltada para o pecado e coisas materiais.

O alerta que I Coríntios 12 nos dá é o seguinte, "Não ponha sua atenção no dom ou ele vai destruir a sua visão espiritual correta e de outros membros da igreja." I Coríntios 12 ensina que muitos dos diferentes dons que Deus dá são temporários e dispensáveis instrumentos os quais Ele distribui para as pessoas com a finalidade de beneficiar a todos, como lemos em I Coríntios 12:4 e 7, "Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito para o proveito comum."

A mensagem de I Coríntios 13 é, "Não ponha a sua atenção no dom. Focalize Deus." E devemos fazer isso porque é Deus quem dá todos os dons e porque a maioria dos dons que Ele dá são dispensáveis e temporários, porque o alvo de Deus é maior do que os dons que Ele cria e distribui pela graça para que possamos alcançar alvos. O maior de todos os dons é o amor e o maior de todos os alvos para esse dom é a glória de Deus.

A mensagem severa de I Coríntios 14 é a seguinte, "Não ponha sua atenção no dom. Se você focalizar o dom ao invés dAquele que dá o dom ou o alvo para o qual o dom foi criado, ele será usado para lhe destruir." I Coríntios 14 examina epecialmente um teste que Deus dá para o Seu povo através do dom de línguas para ver se eles possuem a atenção voltada para as coisas espirituais ou terrenas.

I Coríntios 15 descreve o triunfo do poder espiritual do evangelho e da sabedoria sobre a existência material e decadente. O capítulo nos lembra que a vontade de Deus vai sempre prevalecer, até mesmo sobre a morte física e espiritual. O capítulo reforça a natureza espiritual das promessas de Deus e da expectativa do Seu povo. Uma promessa do capítulo é a ressurreição de Jesus Cristo, como lemos em I Coríntios 15:20, "Mas na realidade Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem." Outra promessa é a ressureição ou o arrebatamento do povo de Deus como lemos em I Coríntios 15:51,52, "Eis aqui vos digo um mistério: Nem todos dormiremos mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos serão ressuscitados incorruptíveis, e nós seremos transformados."

I Coríntios 16 é a conclusão do assunto que todo o livro abrange. Por toda a extensão da carta, os Coríntios são chamados a terem uma vida focalizada no aspecto espiritual. As pessoas mencionadas nesse capítulo dão uma importante ilustração daqueles que têm suas vidas baseadas no espiritual. Elas são exemplos de pessoas que vêem as coisas do ponto de vista espiritual de Deus e tem o poder espiritual de agir como Deus deseja. I Coríntios 16 ensina que o povo de Deus toma vantagem das oportunidades espirituais de anunciar o evangelho como lemos em I Coríntios 16:9, "Porque uma porta grande e eficaz se me abriu; e há muitos adversários." I Coríntios 16 também ensina que o povo de Deus mantém uma prontidão espiritual como lemos em I Coríntios 16:13, "Vigiai, estai firmes na fé, portai-vos varonilmente, sede fortes." E I Coríntios 16 também ensina que o povo de Deus apoia uns aos outros na peregrinação espiritual como lemos em I Coríntios 16:18, "Porque recrearam o meu espírito assim como o vosso. Reconhecei, pois, aos tais."


4. COMENTÁROS GERAIS

Atos 17 e 18 contém os antecedentes bíblicos históricos para a carta de I Coríntios. Se você puder, seria muito bom ler esses capítulos.

Corinto era uma cidade portuária muito populosa na Grécia. Era um bom local para que o evangelho fosse anunciado, tanto do ponto de vista do seu tamanho como da variedade de pessoas que passavam pela cidade para comercializar e então levavam o evangelho para os seus lugares de origem.

Corinto era uma cidade muito próspera e oferecia muitos benefícios espirituais para os seus habitantes. Era uma cidade rica também na idolatria. Essa era a cultura materialista e pagã de onde muitos dos membros da igreja em Corinto vieram. E era para esse tipo de cultura materialista e pagã que os membros da igreja tinham que voltar e viver todo o resto da semana. Infelizmente, alguns membros levaram consigo para dentro da igreja um pouco dessa cultura materialista e pagã. A pressão para comprometer tanto o indivíduo como a pessoa, era muito grande. A tentação em misturar a mensagem espiritual do evangelho com as filosofias materialista do mundo estava sempre presente.

Portanto, não é de surpreender que um dos grandes temas de I Coríntios é o conflito entre o espiritual e o material. Para que tenhamos mais esclarecimento, vale a pena ressaltar que embora Satanás e seus anjos sejam espirituais, nessa carta, a palavra "espiritual", se refere particularmente a Deus e Suas coisas: Sua Palavra, Seu ponto de vista e a Sua reação. O conflito entre o espiritual e o material está no sentido que I João 2:15 nos dá. Nós lemos nessa passagem, "Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele."

E portanto, a carta aos Coríntios nos força a encarar algumas questões práticas: Será que temos o coração de nos afastarmos de qualquer esperança que esse mundo físico nos oferece, mesmo que seja algo que nos pressiona muito? Cremos no Deus espiritual que não podemos ver e temos esperança nas promessas espirituais que Ele nos oferece? Será que realmente queremos e estamos prontos para nos submetermos à Sua vontade espiritual não dando valor ao aparentemente lógico e sábio apelo dos homens perdidos do mundo? Muitas pessoas dizem que não se focalizam nas coisas materiais e que estão prontas para sofrer uma perda física por causa de um princípio, mas o que geralmente acontece é que elas acabam passando a ter esperança nesse mundo ou esperança de um mundo futuro que ofereça recompensas físicas ou bençãos. Entretanto, aqueles que fazem uma opção pública pelo evangelho, precisam também fazer uma opção espiritual.

É importante descartar um possível mal entendido sobre o livro de I Coríntios. Embora leiamos nesse livro duras repreensões e alertas, não devemos pensar que a igreja de Corinto era especialmente pecadora ou cheia de problemas. A igreja de Corinto era uma representação justa de todas as igrejas com pessoas de todas as idades que lutavam para manter um fiel testemunho no meio de um mundo materialista e ímpio.

Não devemos pensar de modo crítico sobre a igreja de Corinto porque os seus pecados foram colocados na Bíblia para que todos pudessem ler. Essa reação de crítica seria um sintoma do nosso próprio orgulho. Deus expôs os problemas dos Coríntios para que Ele pudesse ensinar pessoas de todas as idades através do exemplo desse povo e através dos princípios que Ele levou Paulo a escrever para que os problemas dessa igreja pudessem ser resolvidos. Os problemas discutidos nesse livro, são os mesmos que qualquer igreja pode vir a enfrentar. As soluções dadas são de ajuda para todas as igrejas que estão passando por problemas semelhantes. Os princípios e exemplos de I Coríntios são para serem obedecidos por todas as pessoas que chamam a si mesmas de crentes.


5. VERSÍCULOS SELECIONADOS

a) I Coríntios 1:17,18, "Porque Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar o evangelho; não em sabedoria de palavras, para não se tornar vã a cruz de Cristo. Porque a palavra da cruz é deveras loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus."

Esse versículo apresenta um contraste. O contraste está entre a frase "sabedoria de palavras, (isto é, palavras dos homens) no versículo 17 e a frase "palavra da cruz" no versículo 18.

A frase "sabedoria de palavras" se refere a palavras usadas pelos homens para descrever as suas próprias idéias e filosofias. Tal sabedoria se resume apenas em palavras e não contém nenhuma verdadeira descrição da realidade, nem respostas às necessidades dos homens.

A frase "palavra da cruz" se refere a estória de Jesus, começando antes do princípio de todas as coisas, até Seu sacrifício e culminando na Sua volta no final dos tempos. Mas essa frase também tem um significado por trás da estória, que inclui as idéias de pecado, julgamento e inferno, isto é, a razão pela qual a morte de Jesus na cruz foi necessária. Tal palavra não apenas descreve corretamente a realidade, mas também providencia homens com a ajuda necessária.

Os homens perdidos não vêem as coisas de Deus de uma maneira espiritual. Para eles, a palavra da cruz não é o caminho da salvação. A frase em I Coríntios 1:18, "Porque a palavra da cruz é deveras loucura para os que perecem", não está dizendo que os homens perdidos acham que o evangelho é estúpido ou sem inteligência. Mas ao invés disso, ela está dizendo que depois de ouvir e considerar a palavra da cruz, eles concluem que tal mensagem não providencia ajuda para as necessidades das pessoas. A palavra "loucura" está associada com aqueles que não são salvos, como lemos no Salmo 14:1 que diz, "Diz o néscio no seu coração: Não há Deus. Os homens têm-se corrompido, fazem-se abomináveis em suas obras; não há quem faça o bem." O homem perdido que diz que a palavra da cruz é loucura, está dizendo que tal palavra não é realmente uma mensagem de Deus. Do seu ponto de vista, a mensagem da cruz é algo que apenas uma pessoa louca poderia crer. De acordo com a perspectiva do mundo, a palavra da cruz é uma brincadeira e não um caminho de salvação.

O contraste entre a perspectiva material e espiritual pode ser descrito da seguinte maneira. Os crentes dizem que o pecado é terrível e que o julgamento que vai acontecer também será. Os homens perdidos dão gargalhadas diante de idéias tão fora de moda. Os crentes dizem que apenas na morte de Jesus na cruz é que há esperança. Os homens perdidos se ressentem por causa da exclusividade de tal palavra e são repelidos pela mensagem sangrenta. Os crentes dizem que devemos deixar de lado esse mundo que está perecendo. Os homens perdidos ridicularizam tal idéia e também qualquer pessoa que diminui a importância do mundo material. Os crentes anunciam a mensagem da Bíblia. Os homens perdidos possuem as suas próprias idéias do que é a verdadeira mensagem de Deus e dizem que não é a palavra da cruz. O contraste apresentado nesse versículo não é apenas entre a diferença de perspectivas. Mas é também entre o "poder de Deus" e as religiões, filosofias, idéias, imaginações e obras dos homens. Não é uma questão de Deus sendo mais poderoso fisicamente falando nesse mundo do que os homens são, embora os homens sejam apenas um vapor diante do Poderoso Criador. Mas ao invés disso, é um cotraste entre as fracas e mal direcionadas soluções físicas que os homens inventam para resolver seus problemas e o poder espiritual de Deus para a salvação. O poder da palavra de Deus, que inclui a palavra da cruz, é o poder de salvar, como lemos em Romanos 1:16 que diz, "Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus paraa salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego."

Por um lado, a Bíblia fala aos homens sobre o seu real problema: o pecado e a sua real necessidade que é escapar da ira de Deus. A palavra da cruz enfatiza a necessidade de uma cruz. Existem muitas bençãos secundárias que vêm junto com a cruz e muitas são vistas no mundo físico. Entretanto, a única necessidade real que precisa ser encarada é o risco do julgamento e da morte eterna no inferno. A palavra da cruz encara de frente o assunto da responsabilidade que o homem possui diante da lei de Deus. A Bíblia também apresenta o Salvador para ir de encontro com as necessidades dos homens. E a palavra da cruz não apenas encara de frente os tristes fatos do pecado dos homens, mas também explica as novas maravilhosas que diz que a penalidade pelo pecado foi paga por Jesus na cruz no lugar de todos aqueles que viriam a crer nEle como seu Salvador.

Por outro lado, os homens perdidos vêem uma necessidade diferente, tentam inventar um plano de salvação e encontram um salvador que se encaixa dentro das suas necessidades. Eles criam um evangelho que protege os seus desejos físicos, políticos, econômicos, emocionais ou intelectuais. As pessoas não salvas estão apaixonadas por esse mundo e estão afligidas pelos problemas variados que o atormenta. Entretanto, a palavra da cruz não é designada para atrair pessoas que buscam soluções para problemas sociais ou políticos no mundo. E também ela não oferece respostas para as necessidades médicas ou ambientais do ser humano. Por essa razão, ela é loucura aos olhos dos homens e eles prontamente inventam filosofias substitutas que atendem seus próprios desejos.

Os caminhos físicos, políticos e sociais dos homens vão falhar, mas o caminho espiritual de Deus vai prevalecer. I Coríntios 1:25 nos diz, "Porque a loucura de Deus é mais sábia que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte que os homens."


b) I Coríntios 2:9, "Mas, como está escrito: As coisas que olhos não viram, nem ouvidos ouviram, nem penetraram o coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam."

Algumas vezes esse versículo é citado para apoiar a idéia de que as bençãos de Deus são tão grandes que ninguém pode compreendê-las. É verdade que as bençãos de Deus são muito grandes, mas esse não é o ponto desse versículo.

Esse versículo está afirmando um simples fato. Os ouvidos e olhos físicos do homem não podem perceber o que Deus preparou para aqueles que são salvos. O que os sentidos naturais não podem perceber, o Espírito de Deus precisa revelar, como lemos em I Coríntios 2:10 que diz, "Porque Deus no-las revelou pelo seu Espírito; pois o Espírito esquadrinha todas as coisas, mesmo as profundezas de Deus." Essencialmente, não existe um modo material para que o evangelho penetre no coração e na mente de uma pessoa.

Se usarmos as palavras do versículo 5 desse capítulo, "não se apoiasse na sabedoria dos homens", podemos compreender as bençãos espirituais que Deus tem para Seu povo. Os sentidos naturais do homem perdido não são o equipamento correto para compreender as bençãos espirituais. Uma pessoa que ainda não foi salva, que possui apenas sentidos naturais, pode compreender as palavras que um pregador diz, mas ela não crê naquilo que está ouvindo e portanto, não compreende as realidades espirituais que o evangelho apresenta. Uma pessoa salva que possui o Espírito Santo de Deus, pode apreciar a obra espiritual de Deus em seu favor. Apenas um crente possui os sentidos espirituais com os quais pode compreender as "coisas" que Deus preparou, como lemos em I Coríntios 2:12, "Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, mas sim o Espírito que provém de Deus, a fim de compreendermos as coisas que nos foram dadas gratuitamente por Deus."


c) I Coríntios 3:1-4 , "E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a criancinhas em Cristo. Leite vos dei por alimento, e não comida sólida, porque não a podíeis suportar; nem ainda agora podeis; porquanto ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja e contendas, não sois porventura carnais, e não estais andando segundo os homens? Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu de Apolo; não sois apenas homens?"

Esses versículos mencionam uma pessoa carnal. Uma vez que existe tanto mal entendido e ensinamentos errados sobre a palavra "carnal", vamos ter certeza que estamos pensando da maneira correta.

A palavra "carnal" é um termo geral que se refere ao corpo, isto é, a parte física de um homem. O homem possui uma parte espiritual e outra parte carnal. Não é pecado ter uma parte carnal. Tanto Jesus como Adão, ambos tiveram uma parte carnal e não tinham pecado. Entretanto, a partir do dia em que Adão pecou, a parte física de todos os homens é amaldiçoada e corrupta e a sua parte espiritual está morta, ao menos que ele seja salvo. Portanto, a parte física ou carnal domina o homem perdido e determina todas as suas acões e motivações.

Em I Coríntios 3:3 nós lemos, "Porquanto ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja e contendas, não sois porventura carnais, e não estais andando segundo os homens?" A idéia das palavras "segundo os homens" é "de acordo com os homens" ou "concordando com os homens" no sentido dos homens perdidos, isto é, homens que estão contra Deus. O ponto é que alguns membros da congregação estavam dando ouvidos aos homens ao invés de Deus. O seu comportamento é o que poderíamos esperar de alguém que está debaixo do controle da natureza carnal, assim como os homens perdidos estão.

Paulo falou à congregação como se existissem alguns membros que estivessem vivos apenas fisicamente. Existiam certas pessoas na congregação que não tinham nascido de novo no Espírito e portanto não possuiam vida espiritual. Elas tinham apenas vida física. Eram apenas carnais. A palavra carnal resume toda a estória sobre suas vidas e é a palavra correta a ser usada. Nada foi dito sobre os seus espíritos porque eles não mostravam possuir vida espiritual, e portanto eram chamados de pessoas não salvas.

Nesse ponto deveríamos perguntar, "Paulo usou a palavra "carnal" para toda a congregação? Paulo está dizendo que todos os membros da congregação eram incrédulos?" Certamente não! Se não existissem crentes na igreja, ela não seria a igreja de Cristo e não haveria ponto algum para que Paulo escrevesse essa carta.

Podemos compreender o uso da palavra "carnal" por Paulo da seguinte maneira. A igreja de Corinto era uma igreja diversa. Existiam crentes e alguns incrédulos na congregação. O termo "carnal" é usado de um modo geral. Paulo estava escrevendo palavras duras à congregação de um modo geral e era o Espírito Santo que deveria aplicar a mensagem para os indivíduos na congregação como desejasse. Essa é uma forma comum de súplica na Bíblia. Elias e Jeremias disseram muitas coisas duras para as nações de Israel e Judá, mas sempre havia um remanescente fiel. A mensagem de Paulo era ao mesmo tempo, um benefício para os crentes conforme eles reexaminavam a sua caminhada pessoal e um alerta para os incrédulos para que se afastassem dos seus pecados e cressem no Senhor Jesus Cristo.

Adicionalmente, para aqueles que estavam em posição de autoridade na igreja, a mensagem era uma lembrança para estarem certos de não encararem o bem estar espiritual de uma pessoa de modo fraco. Paulo não estava julgando a situação espiritual de algum indivíduo em particular. Nenhum homem pode fazer isso. Paulo não apenas limitou a habilidade humana, mas também deixou claro que o julgamento é algo que diz respeito a Deus. Entretanto, através de Paulo, Deus estava declarando a verdade e é obra do Espírito Santo usar essas palavras aplicando-as às vidas dos indivíduos na igreja de acordo com Sua vontade, especialmente aos incrédulos que eram membros da igreja.

Finalmente, devemos colocar de lado, um comum mal entendido sobre o termo "carnal". A palavra "carnal" não está dirigida ao crente, no sentido de que seja o termo correto para ele. A palavra carnal pode lembrar um crente a reexaminar sua vida e a ter certeza que a sua fé está em Deus, mas nunca é um termo correto para ele. Deus usa o termo "carnal e "crente" na Bíblia, mas nunca usa os dois juntos como se fossem um único termo, "crente carnal", porque isso levaria as pessoas a uma conclusão errada e impossível, isto é, um crente dominado pela sua natureza carnal.

Um crente possui uma parte carnal porque ele ainda está no seu corpo cheio de pecado. Ele também possui uma parte espiritual porque passou a ter vida no seu espírito. A situação é que a sua parte espiritual é mais forte do que a carnal e o livra do domínio da parte carnal. Certamente um crente peca, mas ele vive uma vida que é, na maior parte do tempo, fiel a Deus porque ele possui um novo coração e está vivo espiritualamente falando. Se uma pessoa é verdadeiramente crente, então, ela não pode ser descrita como carnal. Não existe algo como "crente carnal". E por outro lado, o que acontece é que a vida espiritual do crente domina a sua carne e ele é descrito como espiritual.


d) I Coríntios 3:11-15

Existe uma idéia que é comumente aceita e que diz que esses versículos dão base a noção de que os crentes serão julgados e recompensados no dia do julgamento de acordo com o que fizeram quando ainda estavam na terra. Na realidade, essa idéia é bastante perigosa espiritualmente falando porque encoraja o evangelho das obras em oposição ao verdadeiro evangelho da graça. Portanto, é importante que I Coríntios 3:11-15 seja compreendido corretamente.

Em primeiro lugar, devemos enfatizar que I Coríntios 3:11-15 está falando sobre acrescentar pessoas à igreja. Os versículos não são uma análise ou um inventário das obras de um crente. A discussão aqui não é sobre crescimento pessoal ou fidelidade. O assunto é focalizado no ponto de como as pessoas são acrescentadas à igeja verdadeira, conforme o evangelho é anunciado. A pergunta no capítulo 3 é a seguinte, "Conforme anunciamos o evangelho, como é que a igreja é edificada?"

I Coríntios 3:11 afirma o seguinte, "Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo." Aqui o princípio importante é que não existe outra fundação além de Jesus Cristo. Isto é, a igreja de Deus existe porque Jesus Cristo morreu e ressuscitou dentre os mortos para ser Senhor e Salvador do Seu povo. Quando fielmente anunciamos o evangelho ao mundo, e pessoas se tornam membros da igreja através desse testemunho, é como se estivéssemos edificando em cima da fundação através do acréscimo de pessoas à igreja.

I Coríntios 3:12 diz, "E, se alguém sobre este fundamento levanta um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha." Essa visão considera dois possíveis tipos de pessoas que podem ser acrescentadas à igreja. A lista de palavras nesse versículo se refere a pessoas. Não é uma lista da qualidade de obras que uma pessoa faz na sua vida. É uma lista de dois tipos de pessoas que se tornam parte do edifício como resultado do eforço evangelístico de alguém. Existem crentes verdadeiros que são representados pelo ouro, prata e pedras preciosas. Existem também os incrédulos que são representados pela madeira, feno e palha.

Dentre as pessoas que se unem a uma igreja local organizada, alguns são salvos e outros não. Aqueles que não são salvos se ligam a igreja por razões pessoais ou porque a mensagem não era bíblica e lhes chamou a atenção através da razão errada. E ainda assim, todos os que se ligam a uma igreja fiel estão sobre a mesma fundação, no sentido de que são parte da igreja sobre a qual Jesus é Senhor e não parte de algum tipo de organização.

Ninguém pode olhar dentro do coração de uma pessoa e discernir se essa pessoa é um verdadeiro crente ou apenas está fingindo. Entretanto, a verdadeira condição do coração de uma pessoa nunca vai ser um segredo para sempre. Conforme lemos em I Coríntios 3:13 que diz, "A obra de cada um se manifestará; pois aquele dia a demonstrará, porque será revelada no fogo; e o fogo provará qual seja a obra de cada um." Isto é todos nos manifestaremos. Para termos certeza que estamos pensando da maneira correta sobre esse versículo, precisamos dizer que a palavra "obra" no versículo 13 não se refere ao esforço dos crentes em anunciar o evangelho, mas sim ao resultado desse esforço. Ela é utilizada da mesma maneira como se nos referíssemos a uma escultura ou a uma sinfonia como a obra de um artista. E outras palavras, o versículo não está dizendo que a qualidade da obra dos crentes será manifesta. Mas está dizendo que a qualidade espiritual das pessoas que se unem a igreja será manifesta.

A palavra "fogo" se refere a Palavra de Deus. A Palavra de Deus manifestará a revelação do coração de todos os homens. Hoje, a Palavra de Deus revela o verdadeiro caráter do coração das pessoas, como elas reagem de uma maneira ou de outra as promessas e exigências da Bíblia. Também, no dia do julgamento, a Palavra de Deus vai revelar quem são os crentes perdoados e os iníquos condenados.

Resumindo, I Coríntios 3:12 pode ser compreendido da seguinte maneira. Os crentes anunciam o evangelho e as pessoas se unem as igrejas. Alguns são salvos e outros não. A Palavra de Deus vao mostrar os verdadeiros crentes que respondem ao evangelho e se unem a igreja, assim como os crentes que se ligam a igreja por causa de seus próprios motivos e razões.

Nós lemos em I Coríntios 3:14, "Se permanecer a obra que sobre ele alguém edificou, esse receberá galardão." O que acontece quando os verdadeiros crentes se ligam à igreja? De acordo com esse versículo, a obra do crente, isto é, as pessoas que se unem a igreja através do evangelismo, serão salvas da ira no dia do julgamento, mas apenas se são verdadeiramente salvas, como o ouro, a prata e as pedras preciosas. Entretanto, isso significa que o crente não recebe qualquer crédito especial por seu evangelismo. Os crentes precisam lembrar disso, se aqueles que se ligam a igreja como resultado do seu testemunho provam estar verdadeiramente salvos, não há crédito especial para o seu fiel testemunho. Eles deverão receber o mesmo que todos os crentes, isto é, sua recompensa que é a vida eterna. Além do mais, eles devem lembrar que é Deus que sempre dá o crescimento, que leva as pessoas a serem salvas e se unirem a igreja e Seu povo não pode receber nenhum crédito por isso.

I Coríntios 3:15 diz, "Se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele prejuízo; mas o tal será salvo, todavia como que pelo fogo." O que acontece quando incrédulos se ligam a uma igreja? De acordo com esse versículo, a obra do crente, isto é, as pessoas que se unem a igreja através do seu testemunho, serão queimados ou consumidos pela ira de Deus no dia do julgamento, mas apenas se não forem salvos, se são madeira, feno ou palha. Entretanto, isso significa que o crente é condenado por seus erros no seu evangelismo. Os crentes devem lembrar que eles já enfrentaram o julgamento de Deus através do sacrifício de Jesus Cristo na cruz. Eles estão salvos, não importa. Embora nesse capítulo, mais adiante exista uma palavra de alerta para aqueles que dão falso testemunho na vida e na palavra, I Coríntios 3:15 ensina que os crentes não devem se preocupar sobre o resultado do seu fiel testemunho. A sua situação espiritual não será afetada pelos resultados. Eles devem apenas se preocupar em serem fiéis e o resultado devem deixar com Deus.

Juntos, os pontos de I Corintíos 3:14 e 15 é que os crentes não devem temer quando anunciam o evangelho, porque os resultados do seu evangelismo não afeta a sua salvação. Eles apenas devem ter certeza de que são fiéis e crêem em Deus para usar o seu testemunho da maneira que Lhe agrada. Quem é ou não verdadeiramente salvo, é algo que só diz respeito a Deus.


e) I Coríntios 4:2, "Ora, além disso, o que se requer nos despenseiros é que cada um seja encontrado fiel."

Não há nenhuma característica requerida para os despenseiros de Deus. A fidelidade é apenas encontrada no crente verdadeiro. A palavra "despenseiro" é uma palavra composta formada por uma palavra derivada de "casa" e outra de "lei". A palavra "despenseiro" descreve uma pessoa que guarda a lei da casa, um administrador dos bens de uma outra pessoa. Como um administrador da Palavra do Senhor, o despenseiro deve guardá-la cuidadosamente. E uma vez que é a Palavra de Deus, o despenseiro não deve modificá--la na tentativa de melhorar alguma coisa, e também não deve tomar como algo pessoal se alguém não dá atenção à Palavra. Ele precisa apenas permanecer fiel ao que ela diz. Ele também precisa anunciá-la fielmente.


f) I Coríntios 5:2, "E vós estais inchados? e nem ao menos pranteastes para que fosse tirado do vosso meio quem praticou esse mal?"

Esse versículo ordena as igrejas a reagirem de maneira forte a um pecado flagrante por alguns dos seus membros e tirar do seu meio que praticou esse mal. Hoje, a reação que a igeja toma é chamada de desligamento. O ponto é que os membros da igreja devem se preocupar com a condição espiritual da igreja como um todo, assim como a condição espiritual de cada membro individualmente. Eles precisam tomar o cuidado suficiente com essas coisas de modo que estejam prontos a disciplinar qualquer pessoa cujo pecado ameaça o bem estar espiritual dos outros membros, assim como dá ao Senhor Jesus um nome ruim entre os cidadãos do mundo. Precisa ficar bem claro para todos que uma pessoa não pode buscar uma identificação com a igreja de Cristo e ao mesmo tempo viver como bem deseja.

Não é necessário saber qual era o pecado que a igreja de Corinto tinha, mas que era algo público e Deus exigiu que houvesse uma resposta pública. A reação pública significava uma mensagem para o mundo, de que tal comportamento não fazia parte do reino de Deus e também para o pecador, de que ele estava em perigo espiritual, de que não podia continuar vivendo da maneira que desejava viver, enquanto ainda era parte do reino de Deus. Era uma mensagem também para a congregação para que eles fossem cuidadosos por causa da honra de Deus, a quem representavam e por causa do testemunho da igreja que deveria ser mantido limpo e fiel. Eles deveriam ter cuidado pelo bem estar espiritual do pecador que está se perdendo para que ele tome certas atitudes que o levarão a melhorar o se comportamento, ou melhor a mudar seu coração o que seria refletido no seu comportamento.


g) I Corintios 6:7, "Na verdade, já é uma completa derrota para vós o terdes demandas uns contra os outros. Por que não sofreis antes a injustiça? Por que não sofreis antes a fraude?"

A palavra "fraude" citada nesse versículo era o fato de que alguns membros da igreja estavam tendo demandas uns com os outros. A palavra "demanda" nesse caso, se refere a lei civil administrada pelas autoridades locais, conforme lemos em I Coríntios 6:6 que diz, "Mas vai um irmão a juízo contra outro irmão, e isto perante incrédulos?" Algumas pessoas na congregação estavam levando outros irmãos até a corte civil. Portanto, destruiam o testemunho da igreja diante dos incrédulos na comunidade e ficava difícil para os outros crentes viverem suas vidas cristãs. Esse era um pecado muito forte porque eles estavam fazendo o mesmo que os líderes judeus, que levaram o seu compatriota, Jesus Cristo, diante das autoridades terrenas para que decidissem na sua demanda com Ele.

As duas perguntas encontradas em I Coríntios 6:7 são,"Porque não sofreis antes a injustiça? Por que não sofreis antes a fraude?" Isto é, "Será que não é a vontade de Jesus que vocês devam sofrer injustiça?" As perguntas em I Coríntios 6:7 sugestem atitudes em disputas civis que são um anátema para as pessoas desse mundo. Um dos desejos mais profundos do homem perdido é acertar as contas com a pessoa que lhe fez algum mal ou fazer tudo para não perder os seus direitos diante de uma perda em potencial. Não existem muitas palavras que sejam estranhas a atitude natural do homem perdido e esteja em oposição a tendência natural daqueles encontrados no versículo. Dentre todos os princípios espirituais na Bíblia, as palavras desse versículo são as mais difíceis para a aceitação do homem. O choque é que esse forte desejo de vingança é encontrado também em alguns membros da igreja.

Os crentes devem e precisam ter uma visão, interesse e reação diante das ofensas pessoais completamente diferentes das que motivam os incrédulos. I Coríntios 6:7 mostra qual é essa visão espiritual. Em primeiro lugar, os crentes se conscientizam que as coisas desse mundo não possuem importância alguma. Eles podem sofrer injustiça, especialmente se ela promove algum bem espiritual. O crentes também não brigam, mas aceitam ser defraudados porque eles sabem que todas as coisas estão nas mãos de Deus e Ele vai fazer todas as correções que seja necessárias mais tarde. Os crentes sabem que agora a sua tarefa é anunciar o evangelho, mesmo para as pessoas que os atacaram.

Briga na corte entre pessoas que se dizem crentes, especialmente diante do público civil, é um problema muito triste porque aqueles que deveriam ser testemunhas estão destruindo a credibilidade do evangelho com o qual se identificam. O alerta desse capítulo é que se uma pessoa está se importanto muito com as coisas desse mundo a ponto de brigar por elas, então essa pessoa vai perecer com elas, como lemos em I Coríntios 6:13 que diz, "Os alimentos são para o estômago e o estômago para os alimentos; Deus, porém, aniquilará, tanto um como os outros. Mas o corpo não é para a prostituição, mas para o Senhor, e o Senhor para o corpo."

Mas existe um problema ainda mais sério e fundamental. As pessoas que insistem por seus direitos, até chegar ao ponto de usar a lei para conseguir o que querem, sem se importarem com o bem estar dos outros não crêem no Senhor. Eles simplesmente não crêem que Deus compreende, pode ou deseja fazer qualquer coisa sobre a sua situação. Eles acham que precisam resolver tudo com suas próprias mãos. Infelizmente essas pessoas serão grandes perdedores, porque vão perecer com o mundo no último dia.


h) I Coríntios 7:7 e 17, "Contudo queria que todos os homens fossem como eu mesmo; mas cada um tem de Deus o seu próprio dom, um deste modo, e outro daquele. Somente ande cada um como o Senhor lhe repartiu, cada um como Deus o chamou. E é isso o que ordeno a todas as igrejas."

Esses versículos nos dão os princípios mais importantes que guiam os crentes no seu relacionamento social. Uma grande parte do I Coríntios 7 é dedicada ao exemplo do relacionamento entre o homem e a mulher, mas os princípios discutidos se aplicam a todos os relacionamentos humanos.

Em primeiro lugar, nós lemos em I Coríntios 7:7 que o casamento e o celibato são dons de Deus. A palavra "dom" significa graça. A idéia é que mesmo sendo ou não casado, a vida do crente é uma decisão que só cabe a Deus. E isso também se aplica a todos os outros tipos de relacionamento social, como por exemplo, o relacionamento entre o servo e seu Senhor, como lemos em I Coríntios 7:21 que diz, "Foste chamado sendo escravo? não te dê cuidado; mas se ainda podes tornar-te livre, aproveita a oportunidade. Portanto, o primeiro princípio é que a situação da vida na qual os crentes se encontram é um dom de Deus. Isso é a chamada de Deus para eles nesse particular período das suas vidas.

Em segundo lugar, de acordo com I Coríntios 7:17, cada crente deve andar fielmente diante dessa situação na sua vida a qual Deus deu como dom. A situação pode mudar. Por exemplo, um cônjuge pode morrer, ou uma pessoa que era solteira, e que era biblicamente livre para se casar, pode contrair núpcias. Também, alguém que era servo pode ser livre. Mas cada pessoa deve descansar naquilo para o que Deus lhe chamou, como lemos em I Coríntios 7:24 que diz, "Irmãos, cada um fique diante de Deus no estado em que foi chamado." Portanto, o segundo princípio é que os crentes devem viver de maneira agradecida a situação para a qual Deus os chamou, até que Ele a modifique.

Existem muitas razões pelas quais é razoável esperar que os crentes se submetam a esses dois princípios e permitir que os princípos controlem suas atitudes e comportamento. Uma das razões é que os crentes crêem em Deus. Eles crêem que Deus cuida deles e que sempre deseja o melhor para as suas vidas. É seu ponto de vista que todos os planos de Deus acontecem para o bem daqueles que Ele ama e que O amam em troca. Também crêem que Deus possui poder e sabedoria para cuidar deles nesse mundo e realizar Seus planos em suas vidas.

Portanto, não importa quão difícil sua vida presente possa ser, porque os crentes não desprezam a sua situação econômica ou social, ou não ficam pensando que Deus cometeu um erro ou Se esqueceu deles. Não importa quão difícil sua vida possa estar, os crentes compreendem que não existe situação física, social, econômica ou política que possa impedí-los de fazer a vontade de Deus. De fato, algumas vezes Deus, para os Seus próprios propósitos, permite que um crente passe por uma grande restrição física no mundo. Por exemplo, Paulo e Silas foram colocados na cadeia injustamente quando pregavam o evangelho aos gregos na cidade de Filipos e ainda assim essa se tornou uma grande oportunidade para que o evangelho fosse pregado na cadeia e como resultado o carcereiro e sua família creram.

Uma outra razão pela qual podemos esperar que os crentes se submetam a esses dois princípios é porque eles possuem um alvo espiritual correto. Eles não estão preocupados com a situação física que possuem nesse mundo, mas estão preocupados com as coisas espirituais relacionadas ao pecado, a salvação, ao serviço a Deus e com o mundo. Eles não têm inveja da situação das outras pessoas, e baseados nisso buscam fazer mudanças na sua vida social simplesmente para solucionar o seu discontentamento, porque isso resultaria em rebelião e em grandes problemas.

Por exemplo, uma pessoa que é casada, é salva e vê que está casada com uma pessoa não crente. Entretato, ela não deve pedir divórcio para o seu cônjuge para se libertar de uma situação difícil e se tornar mais disponível para o serviço de Deus. Mas, ao invés disso, ela precisa entender que o Deus poderoso que criou os céus e a terra e que vai guiar toda a história até a sua conclusão pode certamente ajudá-la a ser uma testemunha na sua situação, não importa quão difícil ela seja. Um cônjuge não salvo pode buscar o fim do casamento, mas esse nunca deve ser o alvo do crente. O crente precisa buscar a reconciliação com o seu parceiro não crente. O crente precisa suportar o relacionamento como uma testemunha fiel. Observe o que I Coríntios 7:39 nos diz, "A mulher está ligada enquanto o marido vive; mas se falecer o marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor."

Mais uma vez, uma pessoa que é um crente verdadeiro, recebeu a compreensão e o poder para crer no Seu Senhor Jesus e manter um alvo celestial. Essa característica espiritual será mostrada nos seus relacionamentos sociais.


i) I Coríntios 8:1, "Ora, no tocante às coisas sacrificadas aos ídolos, sabemos que todos temos ciência. A ciência incha, mas o amor edifica."

Vamos olhar para esse versículo em partes e depois unir essas partes para compreender toda a mensagem. Através das palavras, "Ora, no tocante às coisas sacrificadas aos ídolos", a Bíblia nos força a pensar um pouco sobre a situação na cidade de Corinto na época quando a carta aos Coríntios foi escrita. A cidade de Corinto era uma cidade portuária, repleta de riquezas de todo o mudo e lar de muitos templos pagãos dedicados a adoração de ídolos. E era dessa cidade mundana que os membros da igreja de Corinto vieram e aonde eles tinham que viver. Um problema para alguns dos membros da igreja era que a sua antiga atitude de adorar ídolos ainda influenciava o seu modo de pensar. Para os membros da congregação de Corinto que compreendiam os ensinamentos da Bíblia e que possuíam a graça para obedecê-los, os ídolos não eram nada mais do que pedaços de pedra e essas pessoas podiam tocar em coisas usadas na adoração dos ídolos sem problema algum. Mas para aquelas pessoas que ainda precisavam crescer no conhecimento da Bíblia e na sua fé em Deus, as coisas que eram usadas na adoração de ídolos eram perigosas. Se, por exemplo, uma determinada comida era oferecida a um ídolo e mais tarde vendida no supermercado, os membros da igreja que eram mais fortes não tinham problema algum em comprá-la e se alimentar dela, mas os mais fracos na fé preferiam não comer porque a sua consciência iria incomodá-los. Embora os ídolos não fossem nada, esses membros mais fracos relembravam os tabús e os hábitos da adoração que prestavam. Portanto, preferiam ficar distantes de qualquer associação com esses ídolos.

Agora devemos voltar nossa atenção para a frase, "sabemos que todos temos ciência". Essa frase significa que os membros mais fortes e mais maduros sabiam que tinham conhecimento da Palavra de Deus. A idéia é que esses membros mais maduros compreendiam o que a Bíblia ensina sobre ídolos. Eles sabiam que os ídolos não tinham nenhum valor, incluindo as coisas que eram oferecidas em sua adoração.

As palavras "a ciência incha" explicam que a ciência por si mesma sem orientação espiritual é um motivo de orgulho. A ciência a qual a Bíblia se refere aqui nessa passagem é a compreensão correta e verdadeira da Palavra de Deus. É a ciência encontrada na Palavra de Deus, a Bíblia. Toda ciência, mesmo a verdadeira, se não for acompanhada com uma orientação espiritual, pode levar ao orgulho. Nesse caso, pessoas que tinham muito conhecimento sobre a Bíblia, poderiam insistir sobre a liberdade que possuiam de comer comida oferecida os ídolos porque essa comida não era mais nada do que simples comida e ignorar a precaução que os membros mais fracos possuiam. A pessoa que tinha uma ciência correta sobre os ídolos poderia dizer, "Eu conheço a verdade. Eu posso comer. Sei que de acordo com a Bíblia não estou fazendo nada errado. Se outras pessoas se sentem ofendidas com isso, é problema delas."

E finalmente chegamos as palavras, "mas o amor edifica." Em outras palavras, isso quer dizer que o amor motiva as pessoas a edificar outras pessoas na fé. O contraste de I Coríntios 8:1 está ente a ciência e o amor. Essas duas coisas podem estar em oposição. Como esse versículo coloca, "a ciência incha, mas o amor edifica." Podemos saber certos fatos e conceitos sem ter um coração que busca de uma maneira amorosa e amável ajudar outras pessoas a crescer na sua caminhada com Deus. A nossa ciência pode estar correta e ainda assim estarmos no caminho do inferno. O alerta é que não devemos desejar uma doutrina correta e estarmos interessados apenas no nosso grupo de amigos ou nas nossas próprias necessidades, ignorando a fraqueza e a necessidade das outras pessoas. É terrível estudar um assunto na Bíblia corretamente e ainda assim pensar ou viver apenas por nós mesmos. Tal egoísmo é um sinal perigoso que mostra que podemos não estar salvos e não é algo que ajuda outras pessoas espiritualmente falando, especialmente aqueles que são fracos na fé.

A verdade básica é que não é apenas importante o que uma pessoa tem conhecimento. É também importante o que ela faz com o que sabe. Pode acontecer de um homem ser bastante esperto, entretanto, se ele é verdadeiramente salvo, ele deve orar para ter ajuda de Deus para usar a sua ciência para a benção espiritual de outras pessoas e para a glória do nome de Jesus.

O ponto de I Coríntios 8:1 é que nós devemos ser guardiãos do nosso irmão. Se através das nossas ações dizemos que não nos importamos com o nosso irmão, se fazemos o que desejamos não importam as consequências, é como se estivéssemos dizendo para ele, "Vá para o inferno!" Não importa se ele é ou não salvo, porque sempre devemos mostrar uma preocupação espiritual pelo nosso irmão. Nunca devemos nos esquecer que a lei do amor é desejar a salvação do próximo e sua edificação. Esse amor precisa ser demonstrado em nossas vidas quando lhe anunciamos o evangelho e ajudamos na sua edificação.

Portanto, geralmente os membros da igreja não desejam ser incomodados por alguém que tem problemas. As pessoas não querem abrir mão dos seu tempo, das suas atividades pessoais ou privacidade. As pesssoas não desejam ajustar suas vidas porque os planos que elas possuem são muito importantes. As pessoas não querem perder nada, não desejam realizar menos do que poderiam por causa de uma dedicação à alguém que precisa da sua ajuda. E podemos acrescentar também que crentes fracos geralmente são uma frustração e uma vergonha para os crentes mais maduros, e vemos que apenas uma pessoa verdadeiramente espiritual pode viver com um irmão mais fraco da maneira que Deus deseja.

Mas o modo como um crente verdadeiro age é bem diferente de incrédulos egoístas. Deus criou um novo coração em todos aqueles que Ele salva e Seu povo tem Jesus Cristo como seu guia. Eles lembram que Jesus Se ajusta as fraquezas dos outros. Eles lembram que mesmo depois de repetidas falhas, Jesus foi paciente e também sofreu com eles. Eles lembram que Jesus não Se cansa dos Seus filhos pecadores e que continua acreditando neles. Jesus cuidou dos Seus irmãos mais fracos. Ele abriu mão de tudo que possuía por causa do Seu povo. Jesus é o modelo e o poder que capacita Seu povo a fazer a Sua vontade espiritual.


j) I Coríntios 9:14 e 15

Nós lemos o versículo 14 que diz, "Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho." O versículo 14 nos dá um princípio que nos diz que é a vontade de Deus que aqueles homens que fielmente ensinam a Palavra de Deus devem ser materialmente sustentados por aqueles que ouvem as palavras e que portanto, são espiritualmente beneficiados. Poderíamos perguntar, "O ministério de anunciar o evangelho não é responsabilidade e privilégio de todos os crentes?" A resposta é "Sim." Então poderíamos perguntar, "Bem, uma vez que a maioria dos crentes possuem trabalhos regulares, por que os ministros do evangelho não poderiam trabalhar para se sustentarem também? Por que eles devem ser diferentes?" A resposta é que em alguns casos, as pessoas que ensinam o evangelho possuem trabalhos. Paulo algumas vezes trabalhava como fazedor de tendas. Entretanto, algumas vezes isso não é prático. Muitas vezes um homem que trabalha na obra do evangelho todo o dia não pode deixar a obra para fazer outras coisas, isto é, não se ele deseja fazer um bom trabalho de servir outros com o evangelho.

Isso não quer dizer que os ministros da Palavra devem ser sustentados materialmente porque Deus não pode cuidar dos Seus servos. Deus mesmo é o anunciador do evangelho e é Ele quem realmente trabalha através dos seus obreiros para que a Palavra seja anunciada. Portanto, quando damos sustento material aos obreiros no evangelho, estamos como que dando a Deus. Mas não é que Deus precise do nosso sustento material, porque Ele é o dono de todas as coisas. O ponto é que Deus espera uma resposta do ato de dar que venha do coração do Seu povo que é salvo e edificado pela palavra que Ele lhe dá através dos Seus ministros. Dar para sustentar os homens que trabalham no evangelho é um sacrifício de louvor que todos os filhos de Deus deveriam prestar à Ele.

Continuando, Paulo escreve em I Coríntios 9:15, "Mas eu de nenhuma destas coisas tenho usado. Nem escrevo isto para que assim se faça comigo; porque melhor me fora morrer, do que alguém fazer vã esta minha glória." A idéia é que Paulo enfatizava que ele nem sempre se apoiava no sustento físico ao qual o ministro da palavra deveria receber, como ele fala no versículo 14. Por que Paulo falou isso aos Coríntios? Paulo não falou isso para que eles se sentissem constrangidos e fizessem uma coleta para ele. Mas ao invés disso, Paulo preferia não receber ajuda financeira por causa da sua preocupação com o evangelho. Se ele tinha razões para crer que algumas pessoas ímpias o estavam acusando de usar a obra do ministério para o seu ganho pessoal, então ele recusava a ajuda material para não dar razão a alguém para desacreditar no evangelho.


l) I Coríntios 9:27, "Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à submissão, para que, depois de pregar a outros, eu mesmo não venha a ficar reprovado."

A idéia aqui é que Paulo era crente, portanto, era uma pessoa que vivia pela sabedoria e poder de Deus. O resultado foi que Paulo passou a ser o mestre sobre o seu próprio corpo, isto é, sobre as paixões e cobiças da carne. O corpo de Paulo, fazia parte do mundo físico que estava perto dele e era essa parte do mundo que mais tinha influência em tirar sua atenção e esforço do evangelho e dos seus alvos espirituais. Mas Paulo manteve seu corpo debaixo da submissão.

A palavra "reprovado" é composta de uma palavra que significa "provar", como por exemplo, ela é usada em II Coríntios 13:5 que diz, "Examinai-vos a vós mesmo se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabia quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados." A palavra tem um prefixo que significa "Não". Portanto, a palavra "reprovado", significa não ser aprovado, ser testado e não passar no teste. É uma palavra dura e uma pergunta que muitas vezes o ministro deve fazer a si mesmo, "Eu passei ou fui reprovado nos testes que me foram aplicados? Eu agi ou não como crente? Sou ou não salvo?"

O ponto de I Coríntios 9:27 é que se uma pessoa que serve no ministério do evangelho coloca seu alvo nas coisas materiais ou nos seus próprios desejos, então a pergunta é, "Será que ele realmente está salvo?" O ministério de uma pessoa não é uma substituição para a sua salvação. Uma pessoa pode facilmente ficar ocupada com a obra do evangelho e achar que o seu serviço é o seu bilhete de entrada para o céu. Entretanto, anunciar a Palavra de Deus não é prova de certeza de salvação. Uma vez Deus usou uma mula para anunciar a Sua vontade. Portanto, Paulo reconheceu que ele precisava de salvação, não importava o que acontecia com as pessoas para as quais ele anunciava o evangelho. Paulo não se apoiava no seu ministério, mas em Deus. Paulo, como todos os crentes verdadeiros, desejava fazer a escolha certa entre as influências materais e espirituais em sua vida.


m) I Coríntios 10:11 e 12

O versículo 12 contém a palavra "pois" que significa que esse versículo 12 é uma conclusão do que foi dito antes, especialmente o versículo 11 que diz, "Ora, tudo isto, lhes acontecia como exemplo, e foi escrito para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos." O versículo 11 se refere a descrição feita dos versículos 1 até o 10 da história do povo de Israel que saiu do Egito e ficou andando pelo deserto até que chegassem a terra prometida. Todos os israelitas saíram do Egito, mas muitos deles não tinham fé e eram rebeldes, portanto pereceram no caminho e nunca entraram na terra prometida. O ponto do versículo 11 é que o pecado do povo e o julgamento que Deus exerceu sobre eles foi algo real. Isso aconteceu uma vez e portanto, os Coríntios tinham que estar certos de que Deus poderia fazer isso mais uma vez. O Velho Testamento não está cheio de histórias que não são verdadeiras. O perigo da descrença é algo real. E foi por isso que Paulo usou essa história para apoiar a conclusão que nós lemos no versículo 12.

Nós lemos em I Coríntios 10:12, "Aquele, pois, que pensa estar em pé, olhe não caia." Esse alerta pode ser expressado da seguinte maneira, "Se a sua boa posição diante de Deus é algo que você pensar ser verdadeiro e não algo que você cuidadosamente sabe que é verdadeiro, então, tome cuidado. Lembre-se que Deus julgou a nação de Israel pelo seu pecado e que vai julgar você também. Tenha certeza que é verdadeiramente salvo para que esteja livre da ira de Deus." Esse é o alerta dos tempos. Os membros da igreja de Corinto e na realidade, todos os homens deveriam estar preocupados sobre o bem estar das suas almas para que não percam tempo buscando propósitos terrenos.

Antes de continuarmos com o nosso estudo, devemos observar a frase encontrada no versículo 11, "foi escrito para aviso nosso." De acordo com essa frase, a história do Velho Testamento foi escrita com as igrejas do Novo Testamento em mente, com a finalidade de alertá-las. Esse fato, não apenas mostra a importância do Velho Testamento na vida dos crentes hoje, mas também levanta uma pergunta, "Por que Deus alerta os crentes? As pessoas que são salvas não vão para o céu? Sim, elas vão. Mas a mensagem da Bíblia é para toda a igreja, para todos os membros que lêem essa carta. Alguns podem estar na congregação , mas podem não ser salvos. Nesse caso, o alerta significa, "Esteja certo de que é salvo". E para os crentes verdadeiros significa, "Esteja certo de que é fiel no seu testemunho. Esteja certo de que você está dando o testemunho completo com o alerta do julgamento, assim como a promessa da graça."

Essa é provavelmente uma boa idéia para clarear uma frase comumente mal entendida encontrada no versículo 11 que diz, "para quem já são chegados os fins dos séculos." Que frase estranha!" Se Paulo era realmente um apóstolo e um escritor da Palavra de Deus, será que ele não sabia que centenas de anos da história da terra ainda estavam por vir? Será que Paulo foi uma das pessoas através do qual fim do mundo teria chegado, embora ele tivesse morrido centenas de anos atrás? Sim, ele era. De acordo com a Bíblia, o tempo entre a primeira vinda de Cristo e a sua segunda é um período chamado de "os fins dos séculos."

A mensagem dessa frase é que os homens precisam cuidar dos seus pecados agora, porque depois que eles morrerem será muito tarde. O próximo evento que vai acontecer no programa de Deus é o julgamento.

Os eventos do tempo estão completamente centralizados ao redor do programa de salvação de Deus. Primeiro aconteceu a criação. Depois o homem se rebelou e recebeu a ameaça de julgamento. E então, houve a promessa de salvação e um tempo de espera para o cumprimento dessa promessa. Logo, aconteceu o cumprimento quando Cristo foi oferecido para pagar pelos pecados de muitos. O Julgamento será o evento final da história. Mas, antes do julgamento, acontecerá o último evento da salvação, que é o anúncio do evangelho. Finalmente o programa da salvação vai encerrar quando Jesus aparecer pela segunda vez e quando isso acontecer, não vai ser para salvar, mas para julgar. Jesus já enfrentou a cruz quando veio a este mundo pela primeira vez. E na Sua segunda vinda, Ele virá apenas com o julgamento em suas mãos.

Portanto, a frase, "os fins dos séculos" não se refere aos últimos anos da existência da terra, mas aos últimos eventos ligados ao evangelho que se apresentarão numa série de eventos que Deus vai operar conforme Ele prepara o Seu plano de salvação. Essa frase se refere ao fim do programa de salvação de Deus para o mundo, o último evento que acontecerá antes do retorno de Jesus. Todo o período do Novo Testamento contém o último evento relacionado a salvação, isto é, a colheita das almas através da proclamação do evangelho.


n) I Coríntios 12:11 e 12

Nós lemos no versículo 11, "Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, distribuindo particularmente a cada um como quer." A frase "Mas um só e o mesmo Espírito" enfatiza que existem muitos diferentes dons que estão sob posse de indivíduos diferentes na igreja. Paulo listou esses dons nos versículos anteriores que são o dom da sabedoria, da fé e profecia. Mas o Deus que distribui esses dons é um Deus com os mesmos propósitos para todo o Seu povo. O Seu alvo para cada crente é o mesmo e os diferentes dons são apenas diferentes e dispensáveis apoios os quais Ele temporariamente coloca no meio do Seu povo para realizar Sua vontade. Um dos propósitos de Deus é anunciar o evangelho ao mundo e outro é fortalecer Seu povo na caminhada da fé. O ponto que devemos ter em mente é que não existe nenhum outro plano de salvação que vem de um único Deus e Ele usa o Seu povo para que de modo diferente possam anunciar esse plano de salvação para o mundo.

A frase "distribuindo particularmente a cada um como quer" nos ensina que a criação e a distribuição dos diferentes dons é algo que vem de Deus. Ele sabe o que é melhor. É a graça o fato do dom não ser um reflexo do valor de uma pessoa, mas simplesmente o fato de que a pessoa tem a tarefa de anunciar a vontade de Deus de determinda maneira. Precisamos lembrar que os dons que os crentes possuem podem ser diferentes, mas eles estão todos apontando para um alvo de um único Deus. Eles estão realizando a vontade única do mesmo Espírito.

Quando as pessoas possuem um alvo materialístico, elas esquecem que o alvo é maior do que o equipamento designado para chegar até o alvo. Para eles o dom é um fim em si mesmo. Mas as pessoas espirituais que possuem os dons de Deus em mente estão felizes para fazer qualquer coisa que Deus deseja para alcançar esses alvos. Eles têm consciência de que: 1- Precisam desejar alcançar os mesmos alvos que Deus deseja. 2- Precisam estar felizes com as tarefas e com os dons que Deus colocou em suas vidas e 3- Precisam se alegrar com o sucesso que outros experimentam em executar as suas próprias tarefas.

O problema de muitas pessoas na igreja de Corinto era que eles não podiam separar os meios de Deus dos fins. Eles estavam confusos quanto a maneira como Deus opera através com os Seus alvos. Por exemplo, o capítulo 1 nos revela que um ministro humano se tornou o alvo para muitos, ao invés do alvo ser a mensagem que o ministro anunciava. O capítulo 7 implica que o casamento havia se tornado um alvo para alguns ao invés de ser um meio para realizar os fins de Deus. O capítulo 11 revela que a Ceia do Senhor se tornou um fim ao invés de apontar para Jesus, para o qual a Ceia foi criada. Resumindo, muitos membros da igreja de Corinto, infelizmente colocavam mais valor nos intrumentos que Deus havia colocado em suas mãos ao invés de ter o seu alvo voltado para Deus e no motivo pelo qual os dons existiam. Quando colocamos a nossa atenção nos dons, chegamos a conclusão errada sobre o valor de dons diferentes e sobre as pessoas que os colocam em prática. O fato da sua atenção estar voltada para os dons levou a que estivessem cheios de egoísmo, orgulho e a darem mais valor nas coisas temporárias desse mundo. Esse problema era algo sério. E como vamos aprender com um breve exame do dom de línguas no capítulo 14, colocar a atenção nesse dom pode ser algo mortal, porque pode ser usado por Deus para destruir alguém que tenha esse alvo.

Em I Coríntios 12:12 nós lemos, "Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo." Nesse versículo, através do apóstolo Paulo, Deus começa a ilustrar alguns princípios importantes os quais são o fundamento para um pensamento correto sobre a variedade de dons que são encontrados na igreja. A ilustração é o corpo humano. E então, as idéias serão aplicadas no corpo de Cristo, a igreja.

Um princípio é colocado como "porque, assim como o corpo é um". O corpo humano não é uma união de partes isoladas que parecem ocupar um espaço uma ao lado da outra. O corpo humano é uma unidade. Isso fica evidente através do fato de que todas as partes do corpo estão debaixo de controle. Também, todas as partes operam juntas para realizar um único propósito, não importa o que o cérebro decida fazer. A unidade do corpo é essencialmente o fato de que todas as partes do corpo estão debaixo da autoridade do cérebro.

Um outro princípio é colocado através da frase, "e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, embora muitos." O corpo humano não é uma uma peça de matéria, como uma grande coluna de vidro, mas possui uma estrutura. Ele é composto de partes. Além do mais, as partes diferentes do corpo não podem ser trocadas entre si como diferentes tijolos numa parede. Todo o corpo é uma unidade, mas é composto de diferentes partes que se encaixam apenas de uma determinada maneira. Cada parte é um apoio para as outras partes e ajuda a completar o todo. Cada parte tem uma função que compementa todas as outras partes e ajuda todo o corpo a fazer o que ele é suposto fazer. O corpo é uma demonstração maravilhosa do desenho e da construção do Seu Criador.

E o versículo 12 terminna com a frase, "assim também é Cristo. Essa frase significa, "assim como a ilustração do corpo humano, temos o corpo de Cristo, a igreja." O primeiro princípio que podemos obter da ilustração do corpo humano era é que todas as suas partes são partes de um todo. Portanto, também a igreja que é o corpo de Cristo, não é um grupo que se reúne sem ter um objetivo. Ao invés disso, todos os crentes estão unidos debaixo da autoridade do Senhor Jesus Cristo. A idéia é a a seguinte, "Jesus é meu Senhor e Ele é nosso Senhor. Somo um com Ele e estamos ligados uns aos outros." O segundo princípio que podemos obter dessa ilustração do corpo humano é que cada uma das suas partes são únicas e necessárias. Portanto, também a igreja que é o corpo de Cristo, possui estrutura. Os crentes não se unem num todo, mas são indivíduos prontos para servir ao seu Senhor qualquer que seja a tarefa que Ele lhes dê para executar. Usando uma outra figura da Bíbila, todos os membros são parte de uma videira, mas ainda assim são galhos diferentes. Todos são parte de um prédio, mas ainda assim, pedras individuais. Os diferentes dons mencionados nesse capítulo, descrevem a anatomia do corpo. Eles não são a ficha de chamada de muitos corpos diferentes.

O valor de I Coríntios 12:11 e 12 é que essa passagem nos ensina que devemos respeitar e cuidar de cada membro da igreja como parte do trabalho de Deus. Esses versículos corrigem o pensamento de pessoas que tendem a desprezar alguns membros que parecem ter uma tarefa não tão importante. Esse versículo também corrige o pensamento de pessoas que tendem honrar ou invejar outros que possuem uma tarefa mais alta. Mas, ao invés disso, aprendemos que cada membro da igreja é mutualmente dependente dos outros membros. Cada membro deve cuidar de outro membro da igreja, mas também com o alvo de cumprir os gloriosos propósitos de Deus na terra, dentre os quais o maior de todos é a salvação de almas.


o) I Coríntios 13

O último versículo desse capítulo assim diz, "Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor."

Esse capítulo da Bíblia é geralmente chamado de o capítulo do amor e é até mesmo admirado por pessoas que não crêem na mensagem de salvação da Bíblia. É claro, esse é um capítulo sobre o amor. Entretanto, I João 4:8 nos diz que Deus é amor. Portanto, ao invés de termos uma idéia emocional e romântica sobre o amor, podemos ser bem específicos e concretos sobre a nossa compreensão do amor.

Dentro do contexto dos conflitos materiais e espirituais que dominam a carta de I Coríntios, podemos dizer que esse capítulo representa a maior de todas as coisas espirituais. O amor é a maior coisa espiritualmente falando, uma vez que descreve Deus que é espiritual. O amor também descreve os crentes, uma vez que são feitos à imagem do Seu Senhor, não apenas no sentido de que a motivação do seu coração é a mesma de Deus, mas também porque eles são capazes de andar como Deus caminharia, através da vida de Deus que está neles.

I Coríntios 13, portanto, contém dois temas paralelos. Em primeiro lugar, descreve o amor de Deus. Tudo em I Coríntios 13 é uma expressão da graciosa atitude de Deus em relação aos pecadores. A atitude de Deus é exatamente o oposto das atitudes que causam alguns dos problemas nas igrejas hoje. Vamos ver o contraste. Algumas pessoas eram leais a facções, mas Deus ama pessoas de todas as nações e passados. Algumas pessoas tinham uma preocupação com as coisas materiais, mas Deus Se preocupa com as almas eternas dos homens. Algumas pessoas eram cautelosas com seu orgulho, mas Deus, em Jesus, humilhou-Se a Si mesmo a ponto de morrer numa cruz e agora vive para cuidar dos Seus filhos.

O segundo tema é o reflexo do amor de Deus para com Seu povo que nasceu de novo e foi salvo através da graça de Deus. O povo de Deus demonstra Seu amor agindo quando eles se alegram em obedecê-Lo e quando crêem apenas a Bíblia como Sua Palavra. O amor de Deus também é demonstrado nas vidas do Seu povo que estão desejando deixar as coisas materiais de lado para o proveito espiritual de outros.

Resumindo, I Coríntios 13, descreve o coração de Deus quando revela a Sua atitude em relação aos pecadores. Adicionalmente, ele descreve como Deus molda os corações dos pecadores para refletir Seu amor em suas vidas.

Com esses dois temas em mente vamos ler uma porção de I Coríntios 13 do versículo 4 até o 7 aonde lemos, "O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta." E vamos ler mais uma vez o versículo 13 que diz, "Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor."


p) I Coríntios 14

Que fala sobre o dom de línguas. O dom de línguas que foi dado a igreja de Corinto é geralmente mal entendido em nossos dias. Portanto, é importante que tenhamos uma idéia clara sobre o que a Bíblia ensina sobre esse dom.

Tanto no Velho quanto no Novo Testamento, a palavra "língua" muitas vezes se refere a um objeto físico, como parte da nossa anatomia ou as chamas de um fogo. Outras vezes, ela se refere a uma das línguas que são faladas no mundo. Entretanto, no livro de I Coríntios, em um lugar, língua se refere a um dom especial de Deus. A experiência que os Coríntios tiveram com línguas foi algo sem igual. Não existe outra referência na Bíblia ao fenômeno de línguas que é discutido em I Coríntios.

Algumas pessoas tentam conectar a referência de línguas em Atos 2 (isto é, o Pentecostes) com as que estão registradas em I Coríntios. Entretanto, a palavra "línguas" em Atos e em I Coríntios estão se referindo a fenômenos diferentes. A maneira mais fácil de ver isso, é comparar as línguas em Atos com as regras encontradas em I Coríntios 14:26 até 32, que direcionaram a experiência com línguas dos Coríntios. As regras dizem que: 1- Apenas dois ou três poderiam falar em línguas, 2- Cada pessoa deve falar na sua vez e 3- As línguas deveriam ser interpretadas para que a congregação pudesse comprender o conteúdo da língua. Obviamente, essas regras não se aplicavam as pessoas que falavam em línguas como foi registrado no livro de Atos. Por exemplo, um cuidadoso estudo de Atos capítulo 2 mostra que muitas pessoas falavam em línguas ao mesmo tempo, violando assim a segunda e a primeira regra de I Coríntios 14. Sabemos que pelo menos 18 línguas diferentes eram faladas, quando contamos os países de onde os ouvintes vieram. Também, as línguas faladas em Atos 2 eram claramente compreendidas pelos cidadãos desses países sem a necessidade de um intérprete em violação da terceira regra de I Coríntios 14. Portanto, "línguas" em Atos 2 significa "linguagens do mundo". Isso está de acordo com a mensagem geral de Atos, que é que Jesus enviou o Espírito Santo como Ele havia prometido, para preparar Seu povo para anunciar o evangelho a todos os países do mudno, com suas línguas diferentes.

Embora o dom de línguas discutido em I Coríntios era um dom único que pertencia a igreja de Corinto, era um dom verdadeiro que vinha de Deus. Ele está incluido na lista dos dons legítimos encontrados em I Coríntios 12:10. I Coríntios 13:1 nos diz que línguas era uma linguagem com uma natureza divina. Os membros da igreja de Corinto que falavam em línguas, não estavam dizendo coisas sem sentido, mas como todas as línguas do mundo, a língua divina tinha conteúdo. E como lemos em I Coríntios 14:19, as pessoas falavam "palavras" numa língua, o que reforça o fato de que línguas tinham um conteúdo que deveria ser retirado através da interpretação.

O dom da interpretação era necessário para completar o dom de línguas. Apenas desse modo os membros da igreja poderiam compreender e obedecer a mensagem da língua. Sem interpretação, a língua não tinha valor para a igreja, como lemos em I Coríntios 14:13, 14, "Por isso, o que fala em língua, ore para que a possa interpretar. Porque se eu orar em língua, o meu espírito ora, sim, mas o meu entendimento fica infrutífero." E também passava a ser algo ridículo para os incrédulos que estavam presentes como lemos em I Coríntios 14:23, "Se, pois, toda a igreja se reunir num mesmo lugar, e todos falarem em línguas, e entrarem indoutos ou incrédulos, não dirão porventura que estais loucos?" Portanto, o dom de línguas se acompanhado por interpretação, era como o dom de profecia. Isto é, o conteúdo de ambos do dom de línguas e do dom de profecia era para edificar a igreja, porque ambos continham mensagens concretas de Deus. O dom de línguas tinha a mesma função que o dom da profecia. Entretanto, línguas eram difrentes da profecia a sua forma. Línguas era uma parte de um dom duplo. Por um lado era a proclamação e por outro a interpretação. E além disso, ela tinha a mesma função que a profecia.

Uma vez que a profecia era suficiente para Deus anunciar Sua Palavra aos homens, é natural perguntar, "Por que Deus deu esse dom estranho a igreja em Corinto?" A profecia e falar em línguas com interpretação, ambas tinham essencilamente a mesma tarefa. Em muitas maneiras, eram dons redundantes. Parece que o falar em línguas era uma solução não necessária que Deus havia dado a igreja de Corinto e que apenas servia para criar confusão. A resposta para a pergunta está na forma do dom e em particular na parte espetacular, que eram palavras audíveis que ninguém podia entender sem interpretação. Deus deu esse dom peculiar como uma oportunidade para testar Sua igreja, e não apenas a igreja de Corinto, mas também as igrejas de hoje. O dom era um teste, algo planejado. Será que os membros da igreja que diziam ser fiéis seguidores do Senhor Jesus Cristo poderiam se alegrar com o dom ou com o evangelho? Através do dom de línguas com o seu aspecto exterior, Deus teve um instrumento para revelar o coração verdadeiro de cada membro através da reação que tinham diante do dom.

I Coríntios 10:13 nos mostra que os testes sempre são colocados contra o homem. Deus testou Adão e Eva no Jardim do Éden para mostrar que eles eram fracos e que seriam desobedientes. Deus testou Abraão para mostrar sua fé, até mesmo chegar o ponto de arriscar a vida do seu filho Isaque. Todos os eventos em nossas vidas são testes. A pergunta para os membros da igreja de Corinto assim como para nós hoje é, "Você está contente com o evangelho de Deus que apenas a Bíblia nos ensina? Você é obediente apenas a essa autoridade? Ou você deseja um show externo que satisfaz os seus sentidos físicos?"

Porque Deus designou que o dom de línguas fosse algo impressionante e um espetáculo externo, ele poderia facilmente atrair aquelas pessoas que tinham um alvo carnal e não eram verdadeiramente espirituais. O problema central de alguns membros na igreja de Corinto era que eles tinham um interesse material ou carnal que dominava suas vidas. Na igreja de Corinto, esse dom legítimo, mais diferente, era uma armadilha para aqueles que não focalizassem a mensagem espiritual do pecado, julgamento e graça que Deus anunciava através da profecia. Alguns estavam dando mais atenção a uma alternativa espetacular à profecia, que era o fenômeno de línguas.

A dimensão que causava temor nesse teste era que o dom não era administrado para ajudar as pessoas a aprender a como escapar do poder e condenação do seu pecado. Ao invés disso, o dom tinha como finalidade mostrar as pessoas se elas eram pessoas que se alegravam em Deus ou um coração que era carnal.

O dom de línguas dos Coríntios é amplamente mal compreendido em nossos dias. Portanto, é importante que tenhamos uma clara idéia do que a Bíblia ensina sobre esse dom.

O dom de línguas discutido em I Coríntios não é mencioando em nenhum outro livro da Bíblia. O dom de falar em línguas era um fenômeno único para a igreja de Corinto. Também aprendemos que o dom de línguas era um dom de Deus e que não era sons sem sentido, mas continham uma mensagem de Deus. Línguas tinham conteúdo, mas a mensagem precisava de interpretação para ser compreendida. Baseados nisso, também aprendemos que o dom de línguas quando colocado junto com o dom da interpretação que capacitava as pessoas a compreender a mensagem de uma língua, tinha a mesma função que o dom da profecia. Tanto o dom de línguas quanto o dom de profecia anunciavam uma mensagem de Deus. Mas os dois dons diferiam em forma. O dom de línguas era algo que impressionava, o que não acontecia com o dom da profecia.

Concluimos com a idéia de que o dom de línguas era um teste para revelar quais os membros da congregação de Corinto ficavam impressionados com as coisas exteriores e quais membros caminhavam pela fé. Essa é uma das mais importantes mensagens contidas em I Coríntios no que diz respeito a línguas.


q) I Coríntios 14:22, "De modo que as línguas são um sinal, não para os crentes, mas para os incrédulos; a profecia, porém, não é sinal para os incrédulos, mas para os crentes."

Essa frase "De modo que as línguas são um sinal" pode ser entendida como "as línguas se encaixam na funçao de um sinal". E também nos diz que as línguas são um sinal. A palavra "sinal" descreve o que uma geração perversa e adúltera busca, como lemos em Mateus 12:39 que diz, "Mas ele lhes respondeu: Uma geração má e adúltera pede um sinal; e nenhum sinal se lhe dará, senão o do profeta Jonas." Portanto, podemos comprender a frase, "de modo que as línguas são um sinal" em I Coríntios 14:22 da seguinte maneira: "Uma geração má e adúltera, isto é, os incrédulos, busca por algo chamado de sinal. Línguas se encaixam dentro da descrição do que os incrédulos buscam, porque as línguas são um sinal."

I Coríntios 14:22 também acrescenta que línguas não são para os crentes, mas para os incrédulos. Isso significa que o dom de línguas foi designado e enviado por Deus à igreja de Corinto, tendo em mente os não crentes. A idéia é que o dom de línguas continha uma mensagem para os não crentes, e não para a sua salvação, mas para a sua condenação. Em adição à isso, ela era para os não crentes no sentido de que é o tipo de dom que Deus sabia que ia apelar para a sua natureza carnal e os levaria a cada vez mais cair na sua descrença. Deus enviou o fenômeno de línguas para a igreja em Corinto para que os membros que eram apóstatas e adúlteros pudessem ser testados para que mostrassem seus verdadeiros corações, para que se revelassem como perdidos. A experiência de línguas era parte do julgamento de Deus sobre eles.

O dom de línguas, a experiência da igreja de Corinto que era chamada de sinal, continha a mensagem de Deus, mas o conteúdo e propósito dessa mensagem não era uma benção, mas sim julgamento. O dom de línguas, assim como o dom da profecia, continha uma mensagem que era encontrada no evangelho. Entretanto, o dom de línguas continha apenas uma parte do evangelho. Entretanto, o dom de línguas não continha a mensagem do evangelho, isto é, a mensagem de julgamento. Não continha a mensagem da graça. Por outro lado, o dom da profecia continha a mensagem do julgamento e da promessa da graça. Portanto, o dom de línguas foi dado a igreja de Corinto tendo os incrédulos em mente, não para seu benefício espiritual, mas para julgá-los. Tal dom se encaixava com eles porque estavam apaixonados por coisas físicas ao invés de por coisas espirituais. Eles preferiam caminhar por vista do que por fé, portanto, Deus revelou o seu desejo pecaminoso.

É por isso que dizemos que o dom de línguas é um teste. Deus criou o dom de línguas para ser um espetáculo que impressionasse as pessoas. Ele poderia facilmente apelar para os membros da congregação que tinham a atenção voltada para as coisas físicas e que não eram verdadeiramente espirituais.

A primeira carta aos Coríntios, assim como toda a Bíblia, não foi apenas escrito para as pessoas que tiveram a oportunidade de serem os primeiros a ler centenas de anos atrás, mas para toda as pessoas, incluindo as da nossa geração. Assim como nos passado, o dom de línguas continua intrigando muitas pessoas hoje na igreja. Mas, como no passado, as pessoas que buscam esse dom, são pessoas sem fé. E como Deus fze no passado, Ele vai julgá-las, ao menos que a Sua misericórdia Ele os remova dessa decepção.

Deus usou o dom de línguas descrito em I Coríntios como um teste para julgar os membros incrédulos da igreja em Corinto e das igrejas hoje e nossos dias. O teste é baseado no fato de que o dom de línguas não é oferecido hoje aos crentes. A base para o término desse dom é simplesmente sua similaridade com o dom da profecia. Ambos dons contém informação específica e concreta de Deus. Entretanto, de acordo com Apocalipse 22:18 que diz, "Eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia desse livro: Se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus lhe acrescentará as pragas que estão escritas neste livro." Isso significa que a Bíblia é um livro completo. Portanto, uma vez que Deus não acrescenta nenhuma informação à Bíblia através da forma correta de profecia, e também não nos dá nenhuma informação adicional através de um modo especial de língua. Assim como Deus parou de enviar Seus profetas, do mesmo modo ele parou de distribuir o dom de línguas. Agora, uma vez que Deus não continua hoje a Se comunicar com o homem através de línguas, as línguas que são faladas hoje ou são uma linguagem terrena, como no Velho Testamento ou não são uma linguagem vinda de Deus, assim como os Coríntios experimentaram. A experiência hoje de uma pessoa que diz falar em línguas, não é uma experiência santa. Alguém pode estar fazendo sons que não têm sentido, dizendo estar falando numa linguagem especial quando usa uma mistura de linguagens terrenas desconhecidas para aqueles que ouvem. Ou podem estar sendo induzidos por Satanás. Entretanto, eles não falam uma mensagem que vem de Deus, porque de acordo com Apocalipse 22:18, o dom de línguas, não é mais um dom de Deus.

Uma vez que o dom foi algo legítimo, aqueles que buscam ter esse dom em nossos dias, acham que podem aparentemente encontrar apoio bíblico para os seus interesses em línguas. E para encorajar não crentes nessa auto-decepção, Deus deu o dom de línguas para a igreja de Corinto e incluiu uma descrição do dom na Bíblia. A Bíblia foi escrita de uma determinada maneira que aqueles que não são fiéis pudessem ser encorajados a buscar por um sinal e consequentemente, eles seriam separados dos membros fiéis que estavam satisfeitos apenas com a Palavra de Deus.

Portanto, podemos ver como o dom de línguas da igreja de Corinto é um teste para as igrejas hoje. O dom de línguas atrai qualquer pessoa que esteja interessada em fenômenos externos. Isso atrai pessoas que preferem caminhar pela vista do que por fé. A coisa mais triste e que nos traz temor é que a sua participação rebelde em línguas faz com que eles estejam prontos para serem julgados.


r) I Coríntios 15

Em primeiro lugar, devemos ressaltar alguns pontos gerais sobre I Coríntios 15 de modo que estejamos certos de que cada aluno poderá entender a lógica e a intenção desse capítulo.

I Coríntios 15 não está falando sobre a ressurreição dos não crentes. É verdade que todos os homens ressuscitarão no final dos tempos. Entretanto, esse capítulo sempre apresenta a ressurreição como algo para o que devemos olhar com uma alegre expectativa. Mas a ressurreição é uma benção apenas para os crentes, porque quando ela acontecer, quando todas as pessoas ressucitarem no final dos tempos, os crentes vão encontrar com o Salvador de suas almas, mas os incrédulos vão encontrar Jesus como um Juiz zangado. Portanto, em I Coríntios 15, a palavra "ressurreição" é usada para se referir específicamente a ressurreição de Jesus Cristo e do povo que Ele salvou.

Adicionalmente, I Coríntios 15 fala sobre a ressurreição como o fato que precisa ser verdadeiro para que o evangelho seja verdadeiro. Queremos dizer que nesse capítulo, Paulo nunca tentou provar que a ressurreição é uma promessa verdadeira, mas ao invés disso, ele descreve as consequências que viriam se não tivéssemos tal ressurreição.


s) I Coríntios 15:35, "Mas alguém dirá: Como ressuscitam os mortos? e com que qualidade de corpo vêm?"

O versículo 35 faz duas perguntas. A primeira pergunta pode ser colocada como, "Como, ou através de que mecanismo podemos ter vida a partir da morte?" A segunda pergunta é, "Com o que o corpo ressurreto vai parecer?" Essas perguntas não são respondidas. Em primeiro lugar, o mecanismo através do qual Deus ressuscita uma pessoa dos mortos é totalmente segredo Seu. O que devemos ter em mente é que a ressureição não é algum truque ou um instrumento psicológico para dar as pessoas um estímulo emocional. É ter vida depois de estar morto. Esse é o fato que precisamos crer além da nossa falta de compreensão do processo através do qual Deus o executa. Em segundo lugar, a natureza do corpo ressuscitado é algo que não podemos compreender da nossa perspectiva nesse lado da eternidade. A coisa importante que devemos saber é que a diferença entre o corpo ressurreto e o corpo com o qual vamos para o túmulo é grande. O corpo ressurreto não é o corpo antigo melhorado, mas um corpo completamente diferente. É mais diferente do que qualquer outro contraste que possamos pensar no universo. Embora o corpo antigo fosse corrupto, o corpo ressurreto é incorrupto. Embora o corpo antigo fosse material ou físico, o corpo ressurreto é totalmente espiritual.


t) I Coríntios 15:44, "Semeia-se corpo animal, é ressuscitado corpo espiritual. Se há corpo animal, há também corpo espiritual."

Quando consideramos a ressurreição de um crente, qual é o assunto em pauta: que seu corpo físico corrupto é modificado para um corpo físico incorrupto ou o fato de que o seu coro é modificado de uma forma para outra completamente diferente? Isto é, será que a ressurreição resulta num corpo incorrupto, mas ainda físico e material? A resposta em I Coríntios é que a ressurreição resulta em incorruptibilidade, mas também num corpo espiritual como o versículo 44 afirma. Essas são duas mudanças simultâneas que acontecem na ressurreição. Uma é uma mudança de corrupção para incorrupção. A outra é uma mudança do natural ou físico para o espiritual.

Existem apenas quatro possíveis corpos ressurretos. Um é material ou um corpo corrupto natural. O segundo é um corpo espiritual corrupto. Essas duas escolhas não podem ser corrigidas. O versículo 42 nos diz que o corpo ressurreto "é ressuscitado em incorrupção." Além disso, um corpo corrupto é o tipo de corpo que temos hoje e que está sujeito a morte. Esse tipo de corpo tem o problema para o qual temos tentado achar ajuda. O terceiro possível corpo ressurreto é um corpo incorrupto material ou natural. Essa escolha não está correta porque o versículo 44 nos diz que o corpo ressurreto não é um corpo natural. O quarto e a única possibilidade que sobra é que o corpo ressurreto é um corpo incorrupto espiritual, como o versículo 44 afirma.

É verdade que a dishonra e a fraqueza vem para os nossos corpos como resultado do pecado. Eles não são originalmente do corpo físico de Adão. Entretanto, a promessa da ressurreição não é um corpo físico restaurado a sua condição original. A esperança do crente é que o seu corpo em carne que está sujeito à deshonra e à fraqueza é substituído por um corpo espiritual que é glorioso e espiritualmente poderoso.

I Coríntios 15:44 afirma, "Semeia-se corpo animal, é ressuscitado corpo espiritual". Podemos falar muito pouco sobre o corpo espiritual. Não sabemos como o que um corpo espiritual parece, embora saibamos que não é um corpo natural. Entretanto, I Coríntios 15 insiste que a promessa da ressurreição é baseada a partir de um corpo físico corrompido pelo pecado, vazio de uma vida espiritual, para um corpo espiritual cheio de poder. Nunca a esperança é exterminada para uma versão improvisada ou reparada de um corpo físico.

I Coríntios 15:44 termina com as palavras, "Se há corpo animal, há também corpo espiritual." A idéia dessa frase é que se é verdadeiro que existe um corpo físico, consequentemente também existe um corpo espiritual. O mesmo Deus que criou o corpo físico, também criou o corpo espiritual. O corpo espiritual é tão real como o corpo físico que conhecemos tão bem. Enquanto essa conecção lógica é verdadeira, ela é apenas reconhecida como uma prova da existência do corpo espiritual aos olhos daqueles que crêem na Palavra de Deus. Aceitamos a autoridade da Bíblia e cremos que o que Deus diz é verdadeiro? Só podemos fazer isso se somos salvos.


u) I Coríntios 15:50, "Mas digo isto, irmãos, que carne e sangue não podem herdar o reino de Deus; nem a corrupção herda a incorrupção."

Esse versículo nos dá um princípio que precisa ser revelado. Ele não pode ser adivinhado por observação ou dedução. Este é um princípio espiritual que pode apenas ser recebido por pessoas espirituais, isto é, pessoas que estão espiritualmente vivas em sua alma e que possuem a capacidade de compreender coisas espirituais. Esse versículo afirma que não existe futuro material para o plano de salvação de Deus. Qualquer pessoa com uma preocupação material, ou será modificado por Deus e terá uma nova esperança espiritual, ou será excluído do Seu reino. Não existe lugar para uma dimensão terrena para o reino de Jesus, como lemos em João 18:36 que diz, "Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; entretanto, o meu reino não é daqui." Portanto, qualquer pessoa que possui uma esperança física não possui a esperança do evangelho da Bíblia.

Esse princípio é um golpe mortal para a esperança material que qualquer Coríntio tivesse ou qualquer membro das nossas igrejas. Dentre todas as pessoas do mundo, aquelas que estão na igreja, o povo chamado de "irmãos" é que deve possuir desejo por um reino espiritual, hoje e para sempre. Deus Se agrada daqueles que caminham completamente por fé e não por vista, como lemos em II Coríntios 4:18, "Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas sem nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, enquanto que as que se não vêem são eternas." e também 5:7 que diz, "(porque andamos por fé, e não por vista)".

As palavras "carne e sangue" em I Coríntios 15:50 não fazem referência a corpos corruptos, como se esse versículo estivesse dizendo que carne corrupta e sangue não herdam o reino de Deus, mas sim carne e sangue sem pecado. Ao invés disso, as palavras se referem apenas a parte física do homem em contraste com a parte espiritual. Para apoiar essa visão, devemos observar que a palavra "carne" é aplicada à Jesus em Lucas 24:39,43 para indicar que Jesus era verdadeiramente humano e que havia ressuscitado no Seu corpo dos mortos. A palavra "carne" não quer dizer que Jesus foi corrupto e pecador. A carne e os ossos de Jesus eram os mesmos de Adão, mas Seu corpo nunca foi corrupto, nem mesmo no túmulo, como lemos em Atos 2:31 que diz, "Prevendo isto, Davi falou da ressurreição de Cristo, que a sua alma não foi deixada no hades, nem a sua carne viu a corrupção." As palavras "carne e sangue" se referem a pessoas sem focalizar a sua natureza pecadora. Elas se referem à parte material do ser humano. Portanto, a mensagem de I Coríntios 15:50 é que a parte física de uma pessoa não possui lugar no reino de Deus. Agora, os espíritos dos crentes são parte do reino de Deus, mas mais tarde, seus novos corpos espirituais serão parte do reino de Deus.

Em Gênesis 1:26 nós lemos que Deus disse que criaria o homem segundo à Sua imagem e semelhança. A imagem inclui o corpo do homem de tal forma e portanto significa que o corpo físico do homem é eterno? De acordo com João 4:24, Deus é Espírito, mas Adão foi feito do pó da terra. Portanto, a imagem que está em vista aqui não pode se referir ao corpo físico do homem. A imagem que Adão teve originalmente, e que as pessoas recebem depois que são salvas, é que as suas mentes e corações passam a ter o padrão de Deus. As pessoas salvas têm os mesmos desejos, motivos, alvos e interesses que Deus possui. A vontade que eles possuem se encixa com a vontade de Deus e molda seu comportamento para fazerem aquilo que Deus deseja que eles façam, ao invés de fazerem aquilo que Deus faria se estivesse no lugar deles. Portanto, a mensagem de I Coríntios 15 é que a completa transformação das pessoas à imagem de Deus não está relacionada com as palavras "carne e sangue". A gloriosa promessa e esperança do evangelho é que quando Cristo retornar e quando um corpo de um crente for ressuscitado, a sua imagem espiritual será completa, no seu corpo como também na sua alma.

Enquanto as pessoas estiverem vivendo no mundo no seu corpo físico, a sua carne os leva a buscar por uma existência material melhor, mas Deus providencia algo maior do que as pessoas podem saber com seus sentidos físicos. A carne de um pecador, cheia de rebelião, pecado, morte é a semente que é lançada, isto é, que morre. O corpo ressurreto de um crente, incorruptível, é a planta espiritual que cresce a partir da semente morta. É um corpo novo que completa a imagem de Deus no corpo do crente. Então os crentes serão completos na imagem do Deus Todo-Poderoso, o Senhor Jesus Cristo, como lemos em Romanos 8:29, "Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos." Também lemos em Filipenses 3:20, 21, "Mas a nossa pátria está nos céus, donde também aguardamos um Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o corpo da nossa humilhação, para ser conforme ao corpo da sua glória, segundo o seu eficaz poder de até sujeitar a si todas as coisas." E I João 3:2 aonde lemos, "Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é, o veremos." Pela graça do Pai e pelo poder do Espírito Santo, os crentes podem se alegrar nessa esperança espiritual.

Com isso concluimos a nossa pesquisa do livro de I Coríntios. Esperamos que esse breve estudo possa lhe ajudar a compreender esse livro e lhe encorajar a estudá-lo por si mesmo no futuro. Que o Senhor o abençoe ricamente de acordo com a Sua Palavra.


Retorne ao Estudos no Nuevo Testamento